Embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, em audiência no Senado, em 2024
O governo Lula convocou o embaixador do Brasil na Argentina após o ataque do presidente Javier Milei ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), no último sábado (25), em São Paulo.
A decisão foi revelada pelo UOL e confirmada pela Folha. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores disse que a decisão foi tomada na madrugada deste domingo (26). O embaixador Julio Bitelli chegará ao Brasil nesta segunda-feira (25).
A convocação de um embaixador é um dos principais instrumentos diplomáticos de demonstração de descontentamento entre países. Ao chamar seu representante de volta para consultas, um governo sinaliza que considera a relação bilateral em um momento de tensão e avalia os próximos passos de sua política externa.
Ontem, o presidente argentino chamou Moraes de "lixo careca" por não ter autorizado que ele visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em Brasília por tentativa de golpe de Estado. A declaração fez parte de um longo discurso de Milei na convenção do PL que homologou a candidatura de Flávio Bolsonaro.
A medida da convocação do embaixador não implica, necessariamente, rompimento de relações diplomáticas, mas funciona como um gesto político de forte peso simbólico, frequentemente adotado em resposta a crises, declarações consideradas ofensivas ou decisões do outro país.
Moraes negou o pedido de Milei logo após ter proibido visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai por 90 dias.
Julio Bitelli é titular do posto diplomático na Argentina desde 2023, quando foi aprovado pelo Senado. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, estava em deslocamento da Ásia para o Brasil e ficou sabendo das ofensas ainda durante o voo.
Logo após a fala de Milei contra Moraes, o presidente do STF ministro Edson Fachin, criticou a postura do presidente argentino. Em nota, disse que "a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados".
Por Guilherme Pimenta, Folhapress

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