Porto Alegre registra destelhamentos, desabamentos e queda de árvores; Pelotas soma imóveis danificados, falta de água e bairros mais afetados
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| Foto: Ari Dias/Agência Estadual de Notícias |
A passagem de um ciclone-bomba, com ventos acima de 134 km/h, causou estragos no Sul do país, deixando um homem morto e milhares sem energia elétrica desde a tarde desta quinta-feira (6). Os fortes ventos já começam a chegar ao Sudeste, principalmente na região litorânea. Aulas foram suspensas no litoral paulista e no Rio de Janeiro nesta sexta (7) e a região está em alerta.
O ciclone-bomba se forma no encontro de duas massas de ar com temperaturas diferentes: uma fria e outra muito quente. Assim, há uma queda rápida na pressão atmosférica, causando fortes rajadas de vento e chuvas intensas.
Segundo a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, ao menos cem municípios reportaram estragos causados pelos ventos no estado. Por volta das 10h desta sexta, cerca de 294 mil endereços estavam sem energia elétrica, segundo painel da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
No total, 1.802 pessoas estão desalojadas no estado, sendo a maior parte em Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapiranga, Nova Hartz, Portão e Eldorado do Sul, segundo balanço da Defesa Civil.
Os ventos chegaram a 134 km/h em General Câmara, a cerca de 76 km de Porto Alegre.
Em Montenegro, um motociclista morreu ao ser atingido por uma árvore que caiu durante a tempestade. A Defesa Civil não divulgou a identidade dele.
Até a manhã, havia registro de cinco feridos: três em Dom Feliciano, após o destelhamento de um pavilhão; um em Novo Hamburgo; e um em Osório.
No final da tarde de quinta, um tornado atingiu o município de Pedro Osório. Segundo a Defesa Civil, o fenômeno provocou destelhamentos na localidade de Matarazzo.
O fenômeno ocorreu associado a uma supercélula, tempestade caracterizada pela presença de uma corrente de ar rotativa, o que potencializou a força dos ventos.
A capital Porto Alegre foi atingida pelo temporal à noite. Ao menos 32 imóveis foram destelhados, houve dois desabamentos e queda de sete árvores, segundo balanço da prefeitura. A maior rajada de vento registrada foi de 120,4 km/h, na estação do aeroporto Salgado Filho, conforme a Defesa Civil.
Segundo a Prefeitura de Porto Alegre, o temporal provocou a falta de energia elétrica na ETA (Estação de Tratamento de Água) São João e em 12 estações de bombeamento, o que pode ocasionar falta de água em 45 bairros da cidade.
Em Pelotas (RS), os ventos alcançaram os 90 km/h, causando o destelhamento de 200 imóveis, além de queda de energia e falta de água, segundo a Defesa Civil municipal. Parte do muro do presídio regional caiu durante o temporal.
Choveu 30 mm em pouco minutos. Muitas árvores caíram. As zonas com mais registros de danos foram Fragata, Guabiroba, Bom Jesus e Dunas.
A prefeitura afirmou que está sendo feito levantamento de todas as ocorrências, e os prejuízos estão sendo contabilizados, para definir se será publicado decreto de emergência ou calamidade.
Os ventos do ciclone na região Sul podem atingir a região Sudeste. Por isso, a Defesa Civil do Estado de São Paulo instalou um gabinete de crise para monitorar seus efeitos e deixou toda sua equipe de prontidão.
De acordo com a Defesa Civil, os ventos chegaram a 109 km/h em Santos, no litoral sul paulista, por volta das 7h desta sexta. Em razão dos ventos, a travessia da balsa entre Ilhabela e São Sebastião foi paralisada em alguns momentos.
A navegação no canal do Porto de Santos foi suspensa às 6h45, devido à ventania. A partir das 8h20, em virtude da melhora das condições meteorológicas, a operação foi retomada.
As prefeituras de Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião, no litoral norte paulista, anunciaram a suspensão das aulas da rede municipal como forma de prevenção. Também há alerta para que as pessoas evitem entrar no mar ou andar de barco, uma vez que a previsão é de ondas de até três metros.
A capital paulista e a região metropolitana devem registrar pancadas de chuva com rajadas de vento de moderadas a fortes entre o fim da tarde e a noite.
No Rio de Janeiro, o governo do estado decretou ponto facultativo a partir das 13h desta sexta, diante da previsão de vendaval, e informou que bombeiros estão em monitoramento permanente.
Moradores do Rio receberam às 12h35 um alerta nos celulares com a recomendação de que a volta para a casa seja antecipada, diante do risco de ventos muito fortes em diferentes regiões, incluindo a capital.
As aulas na rede pública foram canceladas, e o prefeito do Rio Eduardo Cavaliere (PSD) fechou parques públicos municipais a partir de 12h.
No transporte público, a Mobi-Rio, responsável pelo BRT, o MetrôRio e a TrensRJ anteciparam o horário de pico para as 13h por recomendação das autoridades.
O município do Rio entrou em Estágio 3. O estágio é o terceiro nível de uma escala de cinco e indica que uma ou mais ocorrências já impactam o município, afetando a rotina da população.
Por Francisco Lima Neto/Gabriel Araújo/Folhapress








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