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24 setembro, 2026

PF faz operação contra crimes ambientais no Sul do Amazonas

Ação conjunta com o Ibama cumpre nove mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e jurídicas suspeitas de extração, beneficiamento e comercialização irregular de madeira oriunda de terra indígena
Rio Branco/AC. A Polícia Federal realizou, nesta quinta-feira (24/9), em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), uma operação destinada a combater ilegalidades relacionadas à extração, ao transporte, ao beneficiamento e à comercialização de madeira da Terra Indígena Valparaíso, localizada no município amazonense de Boca do Acre.

As investigações indicam que a madeira era retirada clandestinamente do interior da terra indígena, transportada via fluvial pelo Rio Purus e posteriormente destinada a estabelecimentos localizados na zona urbana de Boca do Acre. Os elementos reunidos apontam para a atuação coordenada de investigados em diferentes etapas da cadeia criminosa, desde a retirada da madeira da área protegida até sua inserção no mercado consumidor.

A ação cumpre nove mandados de busca e apreensão em desfavor de pessoas físicas e estabelecimentos comerciais investigados. Entre os alvos da operação estão duas madeireiras apontadas como possíveis receptoras, beneficiadoras e comercializadoras da madeira extraída da Terra Indígena Valparaíso.

Os servidores do Ibama participantes da operação atuam no apoio técnico e na adoção das medidas administrativas cabíveis diante de eventuais irregularidades constatadas.

Comunicação Social da Polícia Federal no Acre

PF deflagra operação contra suspeita de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos em Roraima

               Operação Filargíria cumpre dois mandados de busca e apreensão em Boa Vista/RR
Boa Vista/RR. A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (24/9), a Operação Filargíria, para apurar a suposta prática dos crimes de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.

Policiais federais cumprem dois mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Juízo das Garantias da Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas da Comarca de Boa Vista/RR, na capital.

As investigações tiveram início após a prisão em flagrante de um indivíduo, em outubro de 2025, com aproximadamente R$ 305 mil em espécie.

As apurações revelaram indícios de atuação reiterada na entrega de dinheiro em espécie a terceiros, além da utilização de contas de passagem para a movimentação de valores supostamente provenientes de recursos públicos.

A ação visa à obtenção de novos elementos de prova, ao esclarecimento da origem e da destinação dos recursos movimentados e à identificação de outros possíveis envolvidos ou beneficiários das operações financeiras investigadas.

Comunicação Social da Polícia Federal em Roraima

PF e CGU combatem fraudes em benefícios assistenciais na Paraíba

Foto: Divulgação/PF
Patos/PB. A Polícia Federal, em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou, nesta quinta-feira (24/9), a Operação Duplo Espelho, com o objetivo de aprofundar investigação sobre possível esquema de fraudes na concessão e na manutenção de benefícios assistenciais.

A operação teve por finalidade coletar elementos probatórios relacionados à possível inserção e manutenção de dados falsos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), além da utilização de CPFs extemporâneos, múltiplas identidades e endereços cadastrais divergentes para viabilizar ou manter benefícios indevidos.

A ação cumpriu dois mandados de busca e apreensão, expedidos pela 16ª Vara Federal da Seção Judiciária da Paraíba.

A investigação teve origem em análise que identificou fraudes previdenciárias e em benefícios assistenciais para pessoas de baixa renda. Os levantamentos apontaram para a existência de 399 benefícios com características sugestivas de fraude. O prejuízo ao erário pode alcançar cerca de R$ 646,7 mil por mês, ou R$ 7,76 milhões por ano, caso confirmada a irregularidade.

As investigações seguem em andamento, com a preservação da presunção de inocência dos investigados.

Comunicação Social da Polícia Federal na Paraíba

PF prende três pessoas e apreende 114 kg de cocaína no Aeroporto de Guarulhos/SP

Duas prisões ocorreram por tráfico internacional de drogas e uma por uso de documento falso
Foto: Divulgação/PF
Guarulhos/SP. A Polícia Federal realizou, entre os dias 22 e 23/9, ações que resultaram na prisão em flagrante de três pessoas e na apreensão de 114,5 kg de cocaína, no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos.

Um funcionário do aeroporto foi preso ao ser flagrado transportando 107 kg de cocaína na área de pista. A droga estava escondida em malas que seriam inseridas no porão de uma aeronave em solo. O movimento atípico foi identificado pela Receita Federal durante fiscalização de rotina, que acionou equipes da Polícia Federal. Foi instaurado inquérito para apurar a dinâmica dos fatos e para identificar outros possíveis envolvidos.

Em outra ocorrência, um cidadão português foi preso em flagrante ao tentar embarcar para Madri/Espanha, transportando 7,5 kg de cocaína.

No mesmo período, um cidadão boliviano foi preso em flagrante ao tentar embarcar para Paris/França, utilizando um passaporte peruano falsificado. O documento foi apreendido e o passageiro foi autuado pelo crime de uso de documento falso.

A Polícia Federal instaurou, ainda, inquérito para apurar denúncia de assédio sexual registrada em voo proveniente da Alemanha. A vítima, as testemunhas e o suspeito foram ouvidos, e as circunstâncias do fato serão apuradas durante a investigação.

Comunicação Social da Polícia Federal em São Paulo

Rui Costa e Jaques Wagner lideram disputa pelo Senado na Bahia, diz pesquisa

Foto: Divulgação/Arquivo
Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, aparecem na liderança da disputa pelas duas vagas da Bahia no Senado Federal, segundo pesquisa Paraná Pesquisas em parceria com o site Bahia Notícias. No levantamento estimulado, Rui registra 46,4% das intenções de voto, enquanto Wagner aparece com 34%.

Na sequência, João Roma (PL) tem 27,3% e Angelo Coronel (PSD), candidato à reeleição, soma 25,1%, configurando empate técnico entre os dois. Professora Delliana (PSOL) aparece com 3,8%, Marcelo Carvalho (Rede) tem 2,2% e Carlos Sodré (PMN), 1,1%.

A pesquisa ouviu 1.400 eleitores entre os dias 21 e 23 de setembro, em 60 municípios baianos. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais para mais ou para menos. Como serão escolhidos dois senadores, os entrevistados puderam indicar até dois nomes no cenário estimulado.

Paraná Pesquisas aponta empate técnico entre ACM Neto e Jerônimo na Bahia

Foto: Divulgação/Arquivo
Pesquisa Paraná Pesquisas, realizada em parceria com o site Bahia Notícias, mostra empate técnico entre ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo Rodrigues (PT) na disputa pelo governo da Bahia. No cenário estimulado, Neto aparece com 46,7% das intenções de voto, enquanto Jerônimo tem 42%. Em agosto, os percentuais eram de 48,5% e 40,1%, respectivamente.

Os demais candidatos somam 2% das intenções de voto. Outros 4,1% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder, enquanto 5,2% declararam voto em branco, nulo ou em nenhum dos nomes apresentados.

O levantamento também simulou um eventual segundo turno entre Neto e Jerônimo. Nesse cenário, ACM Neto registra 48,4%, contra 44,2% de Jerônimo. A pesquisa ouviu 1.400 eleitores entre os dias 21 e 23 de setembro, em 60 municípios baianos, e tem margem de erro de 2,7 pontos percentuais para mais ou para menos.

23 setembro, 2026

PRF apreende mais de 90 Kg de maconha em Feira de Santana

 (Foto: divulgação/PRF)
A PRF (Polícia Rodoviária Federal) apreendeu cerca de 96 Kg de maconha durante uma fiscalização no km 523 da BR-324, em Feira de Santana. O condutor foi detido e encaminhado, juntamente com a droga e o veículo, para a Delegacia de Polícia Civil de Feira de Santana, onde foram adotadas as medidas cabíveis.

Segundo segundo informações da instituição, um veículo Fiat Strada, de cor prata, foi observado trafegando de forma perigosa e, diante da situação, foi realizada a abordagem para averiguação.

Durante a fiscalização, a equipe encontrou a droga armazenada na caçamba do veículo. Ao todo, foram apreendidos aproximadamente 96 quilos do entorpecente. A PRF não informou se o condutor falou qual era o destino da droga.

Sobre a BR-324 e Feira de Santana

A BR-324 é uma das rodovias federais mais importantes e movimentadas da Bahia. Oficialmente, ela conecta o município de Balsas, no Maranhão, à capital baiana, Salvador. Já o município Feira de Santana é considerado o maior entroncamento rodoviário do Norte-Nordeste e um dos mais importantes do Brasil.

Nesses locais passam milhares de caminhões e carretas – responsáveis por escoar todo tipo de material para outras cidades -, carros particulares e ônibus transportando cidadãos.

Na rodovia a PRF é responsável por recuperar veículos roubados ou furtados, apreender drogas e demais contrabandos, prevenir assaltos a ônibus e cargas, e auxiliar em emergências. O número de contato é 191.

Pregão de R$ 4 milhões é suspenso em Conceição do Almeida; entenda

Denúncia aponta preços orçados acima do ideal e limite de distância de 10 Km para o posto escolhido

Conceição do Almeida (Foto: Fernando Vivas/GOVBA)
O TCM-BA (Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia) determinou a suspensão de um pregão destinado à contratação de empresa para a compra de combustíveis para os carros da Prefeitura de Conceição do Almeida.

O Pregão Eletrônico nº 023/2026 seria realizado na próxima segunda-feira, 28 de setembro, no valor estimado de R$ 4.523.220,00. Entre as irregularidades apresentadas pelos vereadores do município responsáveis pela denúncia, estava a de que o valor de referência para a compra era o do posto mais caro do município.

O Tribunal notificou o secretário Municipal de Infraestrutura, Transporte e Serviços Públicos da Prefeitura de Conceição do Almeida, Thiago Barbosa Santos Borges, e o pregoeiro, Carlos José Santos, para prestar esclarecimentos.

Apesar da suspensão cautelar, o TCM considera que, corrigidas as irregularidades no edital, um novo processo seletivo pode ser aberto a fim de sanar a demanda de Conceição do Almeida.
Preço acima do ideal, limite de distância para o posto e suposta irregularidade em abertura de crédito

De acordo com a denúncia feita pelos vereadores Pedrão Coni (PSDB), Dio Neiva (Solidariedade) e Jaque do Bêa (União Brasil), o preço usado como referência para precificar a compra do município de Conceição do Almeida era “coincidente com o posto mais caro do Município” – o contrário do escrito na lei, que pede um valor compatível com a média do mercado.

Além disso, os parlamentares consideraram a quantidade de combustível pedida no edital incompatível com o frota de 43 veículos da Prefeitura de Conceição do Almeida.

Outro aspecto questionado foi referente à determinação de que o posto escolhido deveria ser a até 10 Km de distância da sede do município.

O grupo de vereadores também questionou a validade do Decreto nº 122, de 15 de setembro de 2026, que promoveu a abertura de crédito suplementar de R$ 120.000,00 através do cancelamento de uma verba ligada a repasses de convênios ou da União, ou seja: suspeita de utilização de um dinheiro que já tinha destino para outra despesa.

TCM considera pontos denunciados válidos

Ao avaliar a denúncia, o TCM-BA negou a tutela de emergência por não considerar que haja grande risco financeiro ou de que o processo possa ser prejudicado pelas partes envolvidas, mas, analisando os documentos acerca do Pregão, observou que a denúncia era válida.

Sobre o preço de referência, o Tribunal considera que o edital não dá motivos para justificar o valor que deveria ser desembolsado pelo município de Conceição do Almeida. Também não encontraram esclarecimentos sobre o cálculo e os números usados para definir a quantidade de combustível a ser comprada.

Sobre o limite de 10 Km de distância, os argumentos usados pela Prefeitura para estabelecer essa regra – como de eficiência logística e manutenção dos serviços públicos – foram considerados inconsistentes pelo conselheiro Substituto Alex Aleluia, relator do caso.

A distância, inclusive, foi considerada prejudicial para a competitividade e a imparcialidade do pregão.

Sobre a abertura de crédito suplementar

Sobre a abertura do crédito suplementar no valor de R$ 120.000,00, o TCM-BA considerou que pode até ser um fato importante, mas ponderou que os vereadores responsáveis pela denúncia não apresentaram provas e documentos suficientes e, por isso, o assunto será analisado no fim do processo.
Bahia.ba

Lobista amiga de Lulinha tinha dinheiro em malas e pagou a funcionários de ministério de Lula, diz PF

Foto: Reprodução/Arquivo
Investigação da Polícia Federal aponta que a lobista Roberta Luchsinger ordenou ao seu motorista pagamentos a integrantes da cúpula do Ministério do Desenvolvimento Social do governo Lula (PT) e que ela guardava dinheiro vivo em malas na sua residência.

Roberta é investigada em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente da República, em três inquéritos sob suspeita de corrupção e tráfico de influência.

Mensagens trocadas pela lobista com Ulisses Barbosa, seu auxiliar pessoal e motorista, apontam pagamentos em espécie para as contas de Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do ministério comandado por Wellington Dias, e para José Martinho Ferreira de Araújo, atual coordenador do cerimonial da pasta.

As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela Folha, que teve acesso ao material.

Procurada, a defesa de Roberta Luchsinger não se manifestou. Anteriormente, disse que não se posicionaria sobre inquérito sob sigilo.

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, disse que não é possível confirmar a autenticidade das conversas e que seu cliente não tem relação com os pagamentos. "O Fábio reitera que não tem relação com qualquer tipo de irregularidade nem qualquer desvio ou suspeita relacionada a dinheiro público. Ele fala apenas por si", afirmou.

Também procurado por email às 11h, o Ministério do Desenvolvimento Social não se manifestou. A defesa de Ulisses não foi localizada.

Nas mensagens, Roberta pediu ao motorista que, com R$ 60 mil que tinha guardado em dinheiro em espécie, fizesse pagamentos para três contas diferentes: à de Ranniêr, à de José Martinho e a uma parente de Martinho.

O ministério fechou um contrato com um empresário de tecnologia representado por Roberta seis meses após os pagamentos.

A investigação também aponta outros pagamentos que Roberta Luchsinger ordenou a Ulisses, a partir de dinheiro em espécie que estava guardado em mala. Um deles seria a Fernando Bittar —empresário que era um dos donos do sítio de Atibaia (SP) investigado na Operação Lava Jato.

A PF tem apontado suspeitas de que Roberta, Lulinha e Fernando mantiveram uma "sociedade oculta" em negócios.

Em março de 2023, Ulisses informou a Roberta sobre um dinheiro que tinha buscado para ela, apontam mensagens, e diz que tinha R$ 500 mil guardado em malas. À época, Roberta solicitou ao motorista que fizesse a entrega de R$ 193 mil a Fernando Bittar.

Procurado, o advogado de Bittar, Roberto Bertholdo, disse que "Fernando não tem conhecimento desta mensagem e nem em qual contexto foi enviada ou recebida pela Roberta, bem como desconhece a existência desses valores".

Além dos valores que circulavam em espécie, a PF também apontou que, entre 2022 e 2025, a empresa de Roberta Luchsinger transferiu quase R$ 2,3 milhões para a conta de Ulisses.

As investigações da PF também apontam outros pagamentos de Roberta, já revelados anteriormente. Como a Folha mostrou, ela bancou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas para Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

A defesa de Marcola disse à época que ele "jamais intermediou negociações ou encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou de qualquer outro órgão do governo federal".

Três inquéritos, que estão sob responsabilidade do STF (Supremo Tribunal Federal), foram abertos sobre Lulinha e Roberta Luchsinger a partir de elementos encontrados nas buscas e quebras de sigilo da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de desvios em aposentadorias e pensões do INSS.

São apurados supostos crimes de tráfico de influência e corrupção. Roberta é amiga de Lulinha e atuava em prol de interesses do também lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Por José Marques/Folhapress

Aliados de Lula tentam neutralidade do PSD no segundo turno e buscam ponte com Cury

Com o provável cenário de segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prenunciado nas pesquisas eleitorais, articuladores políticos do chefe de governo vislumbram a possibilidade de obter ao menos uma neutralidade do PSD na etapa decisiva e buscam estabelecer alguma relação política com o grupo do também candidato Augusto Cury (Avante).

Meses atrás, petistas avaliavam ser possível impulsionar Lula para uma vitória no primeiro turno. Agora, faltando pouco mais de uma semana para a eleição, o cenário se mostra inviável —Flávio Bolsonaro ganhou espaço nas pesquisas e até aparece numericamente à frente do petista em algumas simulações de segundo turno.

Uma dificuldade que o próprio Lula constatou antes mesmo de a campanha se iniciar é que seus principais adversários estão no campo antipetista, tornando quase impossível angariar apoios de candidatos a presidente derrotados na primeira votação. A tendência é que a maior parte dos eleitores desses políticos migre para Flávio Bolsonaro.

Um dos adversários de Lula que se coloca nessa posição é Ronaldo Caiado (PSD), que apareceu na última pesquisa Datafolha com 4% das intenções de voto —o levantamento tem margem de erro de 2 pontos percentuais. Aliados do petista acham muito difícil um acordo com Caiado, mas acreditam ser possível obter uma neutralidade de seu partido, o PSD.

Nesse caso, a conversa seria com o presidente da sigla, Gilberto Kassab, vice na chapa de Caiado. Se a legenda adotar uma neutralidade nacional, seria mais fácil para Lula cultivar alianças com líderes locais pessedistas —parte dos quais apoia o candidato à reeleição já no primeiro turno.

Entre articuladores do presidente da República, também há a avaliação de que uma parte do eleitorado de Caiado é de uma direita tradicional que não gosta de Lula, mas que também rejeita Flávio Bolsonaro. Seria possível, de acordo com esse cálculo, obter alguns votos de segundo turno desse grupo com base na rejeição ao adversário.

Terceiro colocado nas pesquisas, Augusto Cury tem dito que não apoiará nem Lula nem Flávio Bolsonaro. O Datafolha mostrou Cury com 6% das intenções de voto.

Articuladores do presidente da República buscam estreitar conversas com o grupo próximo a Cury, ainda que aliados do candidato do Avante avaliem que ele provavelmente ficará neutro no segundo turno.

Lula tem setores do Avante dentro de sua aliança política. Por exemplo: o presidente do partido na Bahia, o deputado estadual Ronaldo Carletto, é o primeiro suplente na candidatura de Rui Costa (PT) a senador.

Costa é um dos aliados mais poderosos de Lula. Foi ministro da Casa Civil no atual governo, deixando o posto apenas para se candidatar ao Senado. Sua eleição como senador é dada como certa na Bahia. Se Lula também for reeleito, provavelmente Costa será ministro de novo. Ou seja, existe a possibilidade de o primeiro suplente assumir o mandato de senador.

Os demais candidatos a presidente da República ou fazem ataques muito diretos a Lula ou têm intenção de voto muito baixa. Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) também são vocais representantes do antipetismo, assim como seus partidos. Eles apareceram com 3% e 2% no último Datafolha, respectivamente.

Há candidatos de partidos menores de esquerda, mas nenhum deles obteve mais de um 1% das intenções de voto na pesquisa.

Como mostrou a Folha, no conjunto formado por eleitores de Cury, Caiado, Renan e Zema, Flávio Bolsonaro capta 43% das intenções de voto no segundo turno, contra 30% de Lula. Outros 26% optam pelo voto branco, nulo ou nenhum.

Como a margem de erro de é 4 pontos percentuais nessa amostra para mais ou para menos, Flávio oscila entre 39% e 47%. Lula varia de 26% a 34%. Isso confirma a vantagem do bolsonarista, independentemente da margem.

O cenário de dificuldade para ampliar a aliança em segundo turno é inédito para Lula.

Em 1989, quando disputou a Presidência pela primeira vez, Lula foi para o segundo turno contra Fernando Collor (então no PRN) e recebeu o apoio de políticos como Leonel Brizola (PDT) e Mário Covas (PSDB), que tinham sido derrotados na primeira votação. Collor venceu o petista naquela disputa.

Em 1994 e 1998, Lula perdeu para o tucano Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno.

Lula venceu a eleição de 2002, quando disputou o segundo turno contra José Serra (PSDB). Na etapa decisiva, recebeu o apoio de Anthony Garotinho (então no PSB, hoje no Republicanos) e Ciro Gomes (então no PPS, hoje no PSDB).

Em 2006, contra o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB, à época no PSDB), o petista não recebeu apoios formais, mas absorveu eleitores que tinham votado no primeiro turno em Heloísa Helena (então no PSOL, hoje na Rede) e Cristovam Buarque (então no PDT, hoje no PSB), ambos do campo da esquerda.

Em sua mais recente eleição, em 2022, Lula obteve o apoio de Simone Tebet (então no MDB, hoje no PSB) para o segundo turno. Além disso, o PDT aderiu à candidatura do petista na reta final, mas sem seu então candidato, Ciro Gomes, participar da campanha lulista.

Por Caio Spechoto, Folhapress

Ida de Flávio Bolsonaro a igrejas evangélicas testa lei eleitoral

Flávio Bolsonaro visita Igreja Mundial do Poder de Deus, do apóstolo Valdemiro Santiago
Foto: Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro
Na noite de sábado (6), o pastor André Fernandes propôs um pacto com Deus. "Se eu, em algum momento, fizer do púlpito desta igreja comércio, que o Senhor pese sua poderosa mão sobre mim e me tire".

Em seguida, com o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) na primeira fila da igreja que chama de "house of prayer", a Celeiro São Paulo, disse: "Mas, enquanto eu for uma voz profética nessa nação, que eu possa profetizar a favor da nação".

Fernandes, que era um pastor pop na Igreja Batista da Lagoinha, da qual saiu em 2025 para abrir a Celeiro, garantiu aos presentes que jamais pediria "pra ninguém votar em ninguém". Mas "Flávio é o meu candidato" e "tem chance de vencer pela direita".

Ele cometeu alguma falta eleitoral?

No dia seguinte, na manhã que antecedeu o ato bolsonarista de 7 de Setembro na avenida Paulista, Flávio foi de novo à igreja. Dessa vez, a Mundial do Poder de Deus, do apóstolo Valdemiro Santiago.

Lá estavam também o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), Eduardo Cunha (Republicanos), barrado pela Justiça eleitoral mineira de concorrer a deputado, e Rodrigo Manga, o prefeito "tiktoker" de Sorocaba e missionário da Mundial.

Flávio, que se declara evangélico, disse que faria apenas uma oração, para não ser "mal interpretado". Pediu que Deus visitasse alguém que "só queria fazer o melhor pro país", seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar. E que viesse também "com a sua espada da justiça na Praça dos Três Poderes em Brasília".

O católico Tarcísio, filho de missionária evangélica, pregou que "Deus vai levantar pessoas justas para fazer sua obra". Na sua vez de falar, Valdemiro mencionou "maus exemplos" no país de "pessoas que achavam que eram intocáveis, mas o Senhor está se zangando e vai colocar cada um no seu devido lugar".

Isso pode configurar abuso de poder religioso?

Não há uma resposta clara para nenhum desses episódios, que tão bem ilustram a tensão entre religião e política que aflora com força em temporadas eleitorais. A celeuma jurídica gira em torno de saber até que ponto a autoridade espiritual exercida nos templos acaba os transformando em palanque político.

Especialistas apontam que o tema navega por essa imprecisão institucional. Lembram, aliás, que nem sequer existe um tipo penal chamado "abuso de poder religioso" na legislação brasileira, ainda que a expressão apareça no debate público. Isso torna a fiscalização e a punição por parte da Justiça Eleitoral um desafio complexo, com muitas zonas cinzentas.

A mera presença em espaço religioso, ainda que muitas vezes cheire a oportunismo eleitoral, não é um problema em si, diz Ana Fuliaro, doutora pela USP e professora da Escola Judiciária Eleitoral Paulista. "Vemos muito candidato ir para o culto de qualquer templo e participar da liturgia, mas só isso. Ele também tem direito à sua liberdade religiosa. Se decidiu ser daquela religião naquele momento ou se já era antes, é uma coisa que a gente não pode discutir."

Onde a regra é clara: um candidato não pode receber doações de entidades religiosas nem divulgar sua candidatura dentro do templo. "O que temos mapeado pela lei é a propaganda irregular. A igreja é considerada um bem de uso comum do povo, e a legislação eleitoral proíbe propaganda em local público ou equiparados."

Os templos entram nesse pacote, mesmo caso de cinemas, paradas de ônibus e shoppings, por exemplo. Nenhum desses pode servir de palco para um "vote em mim".

A lógica é a seguinte: bens públicos pertencem a toda a sociedade e devem ser neutros. Permitir propaganda neles beneficiaria candidatos com maior acesso a recursos ou apoio da máquina administrativa, desequilibrando a disputa eleitoral.

O veto também evita que detentores de cargos públicos utilizem estruturas do Estado e o dinheiro do contribuinte para promover candidaturas próprias ou de aliados. A ideia é não deixar que esses locais privados de acesso coletivo, como as igrejas, deem "vantagem para quem é rico ou amigo de rico", exemplifica a professora do Instituto de Direito Público Marilda Silveira.

Outro ponto emblemático é um líder religioso que usa de sua influência, e inclusive de um templo com isenção tributária, em prol de um candidato. "O caso mais clássico: dizer que está fazendo um evento religioso, mas que, na verdade, é um evento de campanha que custa um monte pago pela igreja."

O problema é justamente este, segundo Silveira. "Cada vez mais, quem quer descumprir a regra busca formas de dar ares de legalidade ao ilícito. Então, teremos situações claras e outras não tão claras."

A intervenção do pastor André Fernandes em favor de Flávio é uma amostra desse terreno movediço. Ele diz no púlpito que não vai pedir para que o fiel vote em ninguém e, na sequência, afirma que o primogênito de Jair é o seu candidato. "Eu entenderia como propaganda irregular. Não pediu apoio, mas pela expressão que ele tem, pode ser considerado pedido indireto de voto", afirma a advogada Ana Fuliaro.

Para Alberto Rollo, professor de direito eleitoral da Escola Paulista de Direito, as participações de Flávio na Celeiro e na Mundial do Poder de Deus não chegam a cruzar a linha. "Ficaram bem na linha divisória, mas não vi abuso." Para tanto, deveriam ser bem mais explícitos fazendo campanha por um nome.

Não há impedimento, na interpretação de Rollo, em convidar o candidato ao púlpito. "Alguém chama, ‘olha, vem aqui dar uma palavra para os irmãos’. Ainda que a pessoa não seja pastor, não vejo problema nenhum em ela dar um testemunho."

Mas precisa respeitar a norma de não orientar que os fiéis o escolham nas urnas, diz o advogado. "De alguma maneira você constrange o eleitor que está lá para buscar a sua fé, buscar paz de espírito. Não é para ser bombardeado por propaganda eleitoral."

A questão é chegar a um consenso judicial sobre o que é uma campanha disfarçada de oratória religiosa.

Nem o apóstolo Valdemiro Santiago, nem o pastor André Fernandes soltaram um "vote em Flávio" em suas igrejas, algo expressamente proibido. Especialistas divergem se a forma como empacotaram suas falas acabou dando a entender isso, contudo.

Em agosto, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo multou Tarcísio de Freitas pelo que compreendeu ser um discurso eleitoral na Assembleia de Deus Ministério Belém. O governador, em sua defesa, disse que não houve pedido explícito de voto nem menção a número de urna.

Na ocasião, Tarcísio disse que o estado merecia "bons senadores", citando André do Prado e Guilherme Derrite, os nomes de sua chapa, e também elogiou a deputada estadual Marta Costa (PSD-SP) e o deputado federal Paulo Freire (PL-SP), filhos do líder da igreja, o pastor José Wellington Bezerra da Costa.

O juiz entendeu que isso era uma forma indireta de propaganda política. Outro poderia discordar. O impasse segue.

Por Anna Virginia Balloussier, Folhapress

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