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28 agosto, 2026

Major antipetista da ativa da FAB derrota Múcio e Valdemar e registra candidatura a deputado

Foto: Divulgação
Um major da ativa da Aeronáutica que tenta ser candidato pela terceira eleição seguida e tem histórico de ativismo político mobilizou o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a se unirem para impedir seu objetivo. No primeiro round da disputa, Múcio e Valdemar foram derrotados.

Nesta quinta (27), a Justiça Eleitoral em Roraima deferiu o pedido de registro da candidatura de Emmanuel Novaes a deputado federal pelo PL.

Mesmo na ativa da FAB (Força Aérea Brasileira), o major Emmanuel é um militante político, que nas redes sociais insulta esquerdistas e provoca seus superiores, inclusive o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Damasceno.

A postura do oficial fez com que Múcio solicitasse a Valdemar a retirada da legenda do candidato, informação revelada pelo jornal O Globo. "Atendi porque o Múcio é um dos melhores caras que eu conheci na minha vida. Tudo que ele fala pra mim eu tenho confiança absoluta que ele está certo. E se ele pediu pra fazer isso é porque deveria ser feito. Ele é fora de série e eu sempre que puder vou atendê-lo", disse Valdemar à Folha.

A mando da executiva nacional do partido, a executiva estadual solicitou ao TRE-RR (Tribunal Regional Eleitoral de Roraima) a exclusão do registro da candidatura, mas o tribunal alegou que o pedido foi feito tarde demais, depois da convenção e do protocolo de registro.

No voto em que deferiu o registro, a juíza Joana Sarmento de Matos, relatora da ação, afirmou que "o partido, por intermédio de seu estatuto e atos delegados, pode muito, mas não pode tudo".

"É dizer que a autonomia partidária encontra limites intransponíveis nos balizamentos constitucionais, de modo que atos de intervenção não podem ocorrer de maneira abrupta, autoritária e despida de contraditório, violando o direito subjetivo que se aperfeiçoou com a escolha em convenção e o consequente início da campanha eleitoral oficial", escreveu.

A magistrada observou ainda que é "imperioso resguardar a legítima expectativa jurídica de participação no pleito eleitoral nascida da aprovação em convenção, não podendo ser retirado por mera conveniência política interna".

Ao seu modo, o major comemorou nas redes sociais: "Chora, melancia. Começou a guerra. Não adiantou não, Lulinha, Múcio, estrelinhas do meu coração".

O fim dos "melancias" –militares de esquerda, por serem verdes por fora e vermelhos por dentro– é uma das bandeiras de Emmanuel Novaes. Em 2024, quando era cogitado como candidato a vice-prefeito (acabou concorrendo a vereador), escreveu que "todo comunista é vagabundo", chamou Lula de "ladrão" e compartilhou um post exortando o petista a seguir o exemplo de Joe Biden e desistir da reeleição ("Lula, aproveita que o senil americano desistiu e pede pra sair também").

Ele já havia tentado se eleger deputado estadual em 2022, mas também não teve votos suficientes. Desde então, segue fazendo militância nas redes sociais.

Num post em 18 de agosto, ao responder sobre "como está sendo a relação com a FAB?", ele escreveu: "É uma relação maravilhosa, onde eles querem me prender e eu não quero ficar preso; onde eles querem calar minha boca e eu não quero ficar calado". E mandou um recado ao comandante da Aeronáutica: "Brigadeiro Damasceno, ó [faz sinal de coração com a mão], eu acho que a gente tem uma química. O senhor não acha não? Vamos conversar".

O major Emmanuel disse à reportagem que busca "um resgate do valor das Forças Armadas e da capacidade de combate, uma eficiência maior nas nossas atividades e a valorização da tropa".

Segundo ele, os oficiais-generais das Forças Armadas, "a partir do momento que são promovidos por escolha, por ato do presidente da República, buscam se alinhar ao governo de momento". "E, na minha visão, o fim dos melancias é o retorno do resgate dos juramentos que fizemos ao Brasil."

O oficial se queixa das dificuldades orçamentárias da FAB. "Para você ter ideia, hoje na Força Aérea não tem expediente às quartas-feiras, na sexta-feira é meio. Tudo isso porque não tem dinheiro para comida, para energia, para combustível. Na minha opinião, a gente vê uma certa, vamos dizer, não sei se seria a palavra submissão, talvez a interesses políticos e não a defesa do nosso Brasil em si".

Indagado se não teme ser expulso da Aeronáutica por causa de sua militância política –que afronta leis que regem direitos e deveres dos militares–, Emmanuel Novaes disse que pode se manifestar por estar afastado para disputar a eleição ("agregado", no termo militar). "Não é insubordinação ou indisciplina você ter as suas propostas, as suas ideias."

Afirmou não ter recebido até hoje nenhuma advertência ou punição por parte do Comando da FAB. "Acredito que, por estar agregado, né? Não sei o que pode vir de consequência, digamos, na minha reapresentação."

Procurada, a Aeronáutica não respondeu às perguntas enviadas pela reportagem.

Esta será a primeira eleição após a condenação de militares por golpismo. Dos 29 condenados pelo STF no processo principal da trama golpista, 21 são integrantes das Forças Armadas (dois deles tiveram as penas substituídas por multas), e a maior parte dos demais era oriunda das polícias Federal, Civil e Rodoviária Federal —isso sem contar os cinco coronéis da cúpula da PM-DF condenados e presos por omissão nos ataques do 8 de Janeiro.

O dano à imagem das Forças Armadas decorrente desse processo levou os atuais comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica a buscar coibir a candidatura de militares da ativa. Segundo duas dessas Forças, deu resultado.O Exército informou que neste ano 50 dos seus integrantes serão candidatos, dos quais apenas 5 são da ativa. Em 2022, declarou, foram 107 ao todo (ativos e inativos) e em 2018, 115. Os dados foram motivo de alívio no Quartel-General da corporação.

Já a Marinha forneceu os dados desde 2014 e só dos seus integrantes da ativa que pediram licença para serem candidatos: foram 16 em 2014, 27 em 2018, 16 em 2022 e 8 neste ano. A Aeronáutica não respondeu à solicitação da reportagem.

Enquanto isso, continua parada no Congresso a PEC que tenta evitar que militares da ativa das Forças Armadas sejam candidatos, forçando que, ao registrarem a candidatura, sejam automaticamente transferidos para a reserva. A proposta tem forte resistência na caserna —o general-senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), diz que ela trata os militares "como pessoas de segunda categoria".
Por Fabio Victor/Folhapress

Proposta de Orçamento de 2027 vai incluir aporte de R$ 6 bilhões nos Correios

Informação foi confirmada por dois integrantes do governo e pelo ministro Bruno Moretti (Planejamento)

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai incluir na proposta de Orçamento de 2027 a previsão de aporte de R$ 6 bilhões nos Correios.

A informação foi confirmada por dois integrantes da equipe econômica sob reserva e também pelo ministro Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

A cláusula do aporte foi um pedido dos cinco bancos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander) que concederam o empréstimo de R$ 12 bilhões à empresa no fim do ano passado. Na época, o Ministério da Fazenda precisou entrar em campo para garantir que a operação fosse fechada.

Para transmitir confiança no equilíbrio futuro da empresa e na própria capacidade de ela honrar as prestações, a Fazenda acenou com a possibilidade de injetar recursos da União no caixa da companhia até o fim de 2027. As instituições então exigiram a formalização da promessa em cláusula contratual.

"Nós vamos cumprir religiosamente a obrigação contratual que nós temos", afirma Moretti. "Vamos cumprir dentro das regras fiscais."

Até o mês passado, integrantes do governo ainda cogitavam a possibilidade de prever no PLOA (projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027 um valor menor do que os R$ 6 bilhões exigidos pelo contrato.

Defensores dessa via afirmavam que a cifra poderia ser ampliada ao longo do ano que vem, por meio da abertura de novos créditos no Orçamento. Outra possibilidade seria antecipar parte do aporte para este ano —o contrato exige que o repasse seja feito até o fim de 2027, mas o momento exato fica a critério da União.

Até agora, o governo federal não injetou nenhum recurso próprio nos Correios, apenas deu garantia ao empréstimo (o que obriga o Tesouro a honrar os pagamentos em caso de inadimplência da companhia).

Segundo o ministro, um aporte ainda em 2026 "é muito difícil", porque há R$ 17,9 bilhões bloqueados no Orçamento deste ano para compensar o crescimento de gastos obrigatórios, como benefícios previdenciários. Para injetar recursos na empresa neste ano, o governo precisaria aumentar o aperto sobre as demais áreas.

Além disso, técnicos ressaltam que não há nem sequer ação orçamentária em 2026 para realizar essa despesa. Para resolver esse aspecto burocrático, o Executivo precisaria encaminhar um projeto de lei ao Congresso e abrir essa rubrica.

A possibilidade de incluir um valor menor que os R$ 6 bilhões no PLOA de 2027 também enfrentava resistências na área técnica do governo. Para esse grupo, seria um erro não incluir a cifra desde já nas previsões orçamentárias, pois significaria subestimar uma despesa da qual o Executivo não poderá fugir.

No contrato, obtido pelo jornal Folha de São Paulo, a União se comprometeu a honrar o vencimento antecipado da dívida em caso de "ausência de aporte da União aos Correios dos valores necessários para a boa execução do plano de reequilíbrio em, no mínimo, R$ 6.000.000.000,00 (seis bilhões de reais), entre os exercícios de 2026 e 2027, nos termos da legislação vigente".

O termo "vencimento antecipado" que consta do contrato significa que, se não cumprir essa exigência, a União precisará honrar o pagamento de todos os R$ 12 bilhões contratados, mais os encargos já transcorridos, de uma só vez.

A capitalização de empresas estatais não dependentes, como é o caso dos Correios, fica dentro do limite de gastos do arcabouço fiscal e da meta de resultado primário (obtida pela diferença entre receitas e despesas). Por isso, acomodar a despesa no PLOA deixa menos espaço para outras áreas.

Em entrevista à Folha, porém, o ministro do Planejamento destacou que os gatilhos de contenção de gastos obrigatórios vão ajudar a segurar despesas com folha de pessoal, repasses a fundos e o piso da saúde. Isso vai abrir espaço no Orçamento do ano que vem para ações discricionárias, que incluem custeio e investimentos.

Segundo Moretti, esses gastos devem subir cerca de 20% em relação aos R$ 187,8 bilhões disponíveis neste ano —ou seja, um aumento de quase R$ 40 bilhões.

A discussão sobre o aporte nos Correios ocorre no momento em que a empresa negocia um segundo empréstimo, no valor de R$ 7 bilhões, para continuar tocando o plano de reestruturação da companhia.

Apenas instituições privadas devem participar da nova captação, diferentemente da primeira rodada, quando os bancos públicos capitanearam as negociações a pedido do governo Lula.

Cada banco deve entrar com valores diferentes, assim como ocorreu na primeira operação, quando também houve variações no "tamanho do cheque": BB, Caixa e Bradesco emprestaram R$ 3 bilhões cada, e Itaú e Santander, R$ 1,5 bilhão cada.

Os recursos do novo crédito precisam entrar na conta ainda em 2026, para que a companhia consiga manter seus compromissos em dia. Mas a situação é mais confortável do que no ano passado. A frustração das metas do PDV (programa de demissão voluntária), embora negativa, acabou ajudando a manter mais recursos em caixa, uma vez que o pagamento de incentivos foi menor que o previsto inicialmente no plano.

Os Correios acumulam prejuízos crescentes desde 2022. No ano passado, o resultado ficou negativo em R$ 8,5 bilhões.

No primeiro trimestre deste ano, já sob os efeitos do plano de reestruturação, o prejuízo somou R$ 3,16 bilhões, quase o dobro do observado em igual período do ano passado (resultado negativo em R$ 1,7 bilhão). Os gastos com a regularização de contas em atraso contribuíram para piorar o desempenho financeiro da empresa.

Lula ganha destaque em programas estaduais de aliados; Flávio é exibido no RJ e no PR Por Folhapress

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os principais candidatos a presidente da República
Foto: Ricardo Stuckert Pr. e Vinicius Loures/Arquivo
O presidente Lula conquistou mais destaque do que o senador Flávio Bolsonaro (PL) nos primeiros programas eleitorais de TV nos principais estados do país, iniciados nesta sexta-feira (28).

O petista teve espaço destacado na programação de candidatos no Nordeste, onde tem ampla margem de preferência, assim como de aliados em regiões bolsonaristas, como o Sul.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, teve a atenção de aliados no Rio de Janeiro e Paraná, mas foi ignorado até por correligionários do Rio Grande do Sul, onde lidera nas intenções de voto.

O programa eleitoral gratuito começou nesta sexta-feira com propagandas de candidatos ao governo, Senado e às Assembleias Legislativas. As peças dos postulantes à Presidência da República e à Câmara dos Deputados serão exibidas a partir deste sábado (29).


Em Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do país, Lula foi mencionado por Patrus Ananias (PT), candidato ao governo. Ele apresentou trechos de discurso de Lula e destacou sua atuação como ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do primeiro mandato do presidente.

"Nós precisamos mais uma vez do presidente Lula à frente do Brasil", disse o candidato na peça.

Flávio Roscoe (PL), por sua vez, iniciou e finalizou sua inserção no horário eleitoral com a participação do deputado Nikolas Ferreira (PL), cuja presença tem sido explorada também nos atos públicos da campanha. Apesar de o número de Flávio ter sido destacado em tela, o presidenciável não foi citado nem mostrado.

O líder nas intenções de voto Cleitinho Azevedo (Republicanos), também com pouco espaço de tela, optou por reforçar sua imagem como outsider político, destacando os impasses no caminho pela candidatura e direcionando um discurso voltado a diminuir o custo de vida do povo mineiro.

No Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral, Flávio Bolsonaro teve a imagem utilizada pelo presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), junto com o ex-presidente Bolsonaro.

O senador teve mais destaque ao lado do deputado Carlos Jordy (PL), que busca o Senado, falando por mais tempo que o próprio candidato. O senador Carlos Portinho (PL), por sua vez, se associou mais ao ex-presidente, sem mencionar o senador.

Lula também apareceu na campanha de Ruas, mas associado à "velha política", em fotos ao lado do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e o ex-governador Sérgio Cabral.

Paes, por sua vez, não citou sua aliança com Lula. O petista só apareceu no Rio de Janeiro em foto exibida rapidamente pela deputada Benedita da Silva (PT), que tenta o Senado.

Nos principais estados do Nordeste, Lula teve amplo destaque em relação a Flávio.

Na Bahia, tanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que tenta a reeleição, como Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT) mencionaram o presidente. João Roma (PL), por sua vez, mencionou ter sido ministro da Cidadania, mas sem dizer que foi na gestão Bolsonaro.

Em Pernambuco, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) explorou intensamente a imagem de Lula, com imagens de arquivo e falas ao lado do presidente. A governadora Raquel Lyra (PSD), que tenta a reeleição, não citou nenhum presidenciável. Contudo, seu correligionário, o deputado Túlio Gadelha (PSD), que tenta o Senado, disse ser capaz de "construir as pontes com o presidente Lula".

Flávio Bolsonaro apareceu brevemente no programa eleitoral da Paraíba na peça de Efraim Filho (PL), que concorre a governador.

No Sul, Lula não foi escondido pelos correligionários, que se apresentaram como integrantes do "time" do presidente. Foi o caso de Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT), no Paraná, e Manuela D'Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT), no Rio Grande do Sul.

Na região, o senador do PL recebeu atenção privilegiada do senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná. Ele exibiu imagem de Flávio e disse unir "o espírito da Lava Jato e a força de Bolsonaro em todo o estado". Disse ainda que o presidenciável é "o único capaz de derrotar a tragédia do PT".

No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) não citou Flávio. Disse apenas ter iniciado na política ao lado de Jair Bolsonaro e exibiu fotos do ex-presidente em atos em Porto Alegre.

Câmara de Correntina afasta vereadores condenados por esquema de desvio de dinheiro na cidade

Foto: Reprodução
Em documento divulgado nesta sexta-feira (28), a Câmara Municipal de Correntina comunicou o afastamento dos 3 vereadores condenados por um esquema de desvio de dinheiro na instituição pública do município do Extremo Oeste do estado. A decisão cumpre uma ordem judicial do Tribunal de Justiça da Bahia, que condenou cinco réus presos na Operação Último Tango por organização criminosa e peculato.

A medida vale para os vereadores Adenilson Pereira de Souza (PP), Jean Carlos Pereira dos Santos (PP) e Milton Rodrigues de Souza (PCdoB), que integram a Casa do Povo de Correntina. A decisão não cassa os mandatos dos parlamentares, permanecendo em vigor até segunda ordem do Judiciário.

No documento ao qual o Bahia Notícias teve acesso, a Câmara ainda determinou a adoção de providências administrativas necessárias para o cumprimento da portaria, entre elas, anotações, comunicações e registros pertinentes. A ocorrência é um desdobramento da Operação Último Tango, do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que em 2017 deflagrou o esquema de "rachadinhas" envolvendo os parlamentares do Oeste Baiano.

Instituto ProPulmão: Cirurgião alerta para atrasos na rede pública após identificar alterações em 200 tomografias

Foto: Bahia Notícias
O cirurgião torácico Ricardo Sales, idealizador e presidente do Instituto ProPulmão, apresentou dados sobre exames de tomografia nos quais foram identificadas alterações preocupantes. Segundo o médico, das 2.000 tomografias realizadas na Bahia — de uma meta inicial de 3.000 —, cerca de 200 apresentaram achados que exigiam investigação detalhada, resultando na indicação de 46 biópsias.

 

“Quando fizemos os primeiros exames, realizamos 2.000 procedimentos. Desses, cerca de 200 pessoas apresentaram alterações que precisavam ser melhor avaliadas. Criamos um comitê e indicamos 46 biópsias entre esses 2.000 pacientes. A meta era atender 3.000 pessoas”, explicou em entrevista ao podcast Saúde 360°.

O médico relatou que encaminhou os pacientes para a realização das biópsias na rede pública estadual de saúde. No entanto, a demora no acesso aos procedimentos — que ultrapassou três meses — gerou apreensão na equipe e levou à interrupção do programa de rastreamento.

“Uma boa parte dessas pessoas que indicamos para biópsia começou a aguardar o tempo do Estado. Percebemos que se passou um mês, dois meses, três meses. O tempo estava se esgotando e a ansiedade da equipe era muito grande. Por isso, interrompemos as tomografias ao atingir a marca de 2.000 exames. Tivemos que contratar um hospital privado para realizar as biópsias”, revelou.

Diante da falta de estrutura da rede pública para absorver a demanda, o especialista optou por recorrer ao setor privado para garantir o diagnóstico dos pacientes. Ele ressaltou, ainda, que já havia alertado as autoridades de saúde sobre essa necessidade com antecedência.

“Não estava no meu radar que o Estado estaria tão despreparado para dar segmento a esse fluxo. E não foi por falta de aviso: um ano antes de começarmos as tomografias, estivemos na Secretaria de Saúde apresentando essas demandas”, concluiu.

MPF e Receita fazem operação contra dona da Betnacional por suspeitas de lavagem e sonegação

Foto: Reprodução / Betnacional
O Ministério Público Federal e a Receita Federal fazem nesta sexta-feira (28) uma operação que apura suspeitas de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal relacionadas ao grupo NSX, dono da Betnacional.

São cumpridos seis mandados de busca e apreensão em João Pessoa, Recife e São Paulo. De acordo com a Procuradoria, que conduz a investigação por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a plataforma movimentou mais de R$ 5 bilhões em 2025.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos investigados até a publicação desta reportagem.

"As apurações apontam que as supostas irregularidades tributárias e financeiras teriam ocorrido tanto antes quanto após a regulamentação do setor de apostas de quota fixa no Brasil", diz o Ministério Público.

A Receita afirma que os investigados fizeram uma empresa de fachada em Curaçao, ilha no Caribe, para simular que a operação da plataforma ocorria fora do Brasil, em período anterior à regulamentação das bets.

"As investigações indicam, contudo, que empresas nacionais vinculadas ao grupo seriam as verdadeiras responsáveis pela operacionalização das atividades no Brasil", diz a Receita.

Segundo o órgão, foram identificados indícios de contas mantidas em fintechs com o objetivo de dificultar o rastreamento da circulação dos recursos e quem seriam os beneficiários finais desses valores.

"Embora o grupo investigado tenha obtido autorização para atuação no segmento a partir de 2025, há indícios de que a exploração da atividade já ocorria anteriormente em território nacional, sem autorização e sem o recolhimento dos tributos devidos", afirma o comunicado da Receita.

Umas das investigações, segundo o órgão, é a declaração ao Fisco de despesas supostamente fictícias. A operação desta sexta foi intitulada Jogo das Sombras.

Por José Marques e Adriana Fernandes | Folhapress

27 agosto, 2026

BB diz à Justiça que não debitou R$ 422 mi da Casas Bahia e acusa empresa de má-fé

Após pedido de recuperação judicial, empresa busca maior proteção contra credores e saída de recursos do caixa
Foto: Divulgação/Arquivo
O Banco do Brasil negou que tenha retirado R$ 422 milhões da conta da Casas Bahia e afirmou à Justiça que se trata de litigância de má-fé. Na segunda-feira (24), a empresa usou o suposto débito para embasar um pedido de urgência contra a fuga de recursos de seu caixa.

Segundo a lei, a litigância de má-fé ocorre quando uma das partes mente ou pede algo que contrarie um fato incontroverso, entre outros casos.

"Ao contrário do que alegam as recuperandas na manifestação, o sequencial de eventos descrito no extrato demonstra que do dia 21/08/2026 até o dia 24/08/2026 não houve qualquer débito, nem tentativa de débito, dos valores referentes à restituição das fianças honradas pelo Banco do Brasil", afirma o banco em manifestação.

"Disso se conclui, com facilidade, que os eventos narrados pelas recuperandas não condizem com a realidade."

Procurado, o Banco do Brasil disse que não irá comentar o caso. A reportagem também entrou em contato com a Casas Bahia por email e por WhatsApp às 12h30, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Como mostrou a Folha, a Casas Bahia entrou com um pedido de tutela de urgência junto à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo alegando que a suposta corrida aos recursos disponíveis em caixa poderia prejudicar, e até minar, o processo de recuperação judicial, que ainda não aceito pela Justiça.

Na petição, a varejista alega que o banco atuou como fiador em garantias contratadas junto aos fornecedores Apple e Mapfre Seguros. Após o ajuizamento da recuperação judicial, na semana passada, os fornecedores teriam acionado essas garantias.

Segundo os advogados da varejista, o Banco do Brasil teria honrado os pagamentos e, em seguida, debitado o valor correspondente das contas da Casas Bahia para se reembolsar na última sexta-feira (21). A empresa afirma que o banco teria usado a transação para satisfazer um crédito que estaria sujeito às regras do processo de recuperação judicial.

A petição da varejista inclui uma captura de tela que mostra débitos de R$ 422 milhões na aba de "lançamentos futuros", datados do dia 21 de agosto.

O documento do Banco do Brasil, por outro lado, inclui capturas de tela do extrato recente da conta do grupo, respeitando as condições de sigilo bancário. A instituição financeira afirma que houve uma tentativa de débito na terça-feira (25), estornada por falta de saldo, "inexistindo, portanto, qualquer redução patrimonial decorrente dessa movimentação".

"Assim, é certo que não houve qualquer débito de valores concretizado na conta das requerentes a título de restituição das fianças honradas pelo Banco do Brasil e, portanto, o fato apresentado como fundamento da tutela de urgência simplesmente não ocorreu", diz o banco, que pede que a Justiça rejeite o pedido de devolução.

Na resposta à petição, o Banco do Brasil afirma que a Casas Bahia agiu de má-fé, já que a petição foi apresentada três dias após a captura de tela, "quando as requerentes já dispunham do extrato consolidado de 21 de agosto de 2026 e tinham plenas condições de verificar que, na verdade, nenhum valor havia sido efetivamente debitado pelo banco".

Apesar disso, continua o banco, a Casas Bahia foi à Justiça afirmar categoricamente que a instituição havia se apropriado de mais de R$ 422 milhões de sua conta e, a partir disso, fundamentou o pedido de tutela de urgência.

"A conduta processual das requerentes não pode ser tratada como mero equívoco, pois tinham condições de verificar que os alegados débitos não haviam ocorrido, não existindo quaisquer valores a serem objeto de devolução", diz o BB. "Os fatos narrados sugerem a ocorrência da hipótese prevista no artigo 80, inciso 2, do Código de Processo Civil, segundo o qual se considera litigante de má-fé aquele que altera a verdade dos fatos", completa.

Por Tamara Nassif e Guilherme W. Almeida, Folhapress

Aécio deve anunciar candidatura ao Senado por MG usando brecha na lei eleitoral

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Arquivo
O deputado federal Aécio Neves (PSDB) promete anunciar nesta sexta-feira (28) sua decisão sobre se candidatar ao Senado por Minas Gerais, o que reverteria uma decisão anterior de deixar as disputas eleitorais após 40 anos.

A tendência é ele aceitar entrar na corrida eleitoral, após concluir uma rodada de conversas políticas que vem tendo nos últimos dias.

Para isso, Aécio deve usar uma brecha na lei eleitoral que permite que partidos substituam candidatos que renunciarem até 20 dias antes do pleito.

Marcelo Heringer (PDT), cujo partido está coligado ao PSDB, já desistiu da candidatura ao Senado, e o mesmo deve ocorrer com outro candidato, o tucano Gustavo Galassi.

Presidente nacional do PSDB, Aécio já foi senador e governador do estado. Nos últimos dias, ele relatou ter recebido apelos de prefeitos e dirigentes de associações para que se lance na disputa e passou a considerar a hipótese. Também houve pedidos de figuras nacionais da legenda, como os candidatos aos governos do Ceará, Ciro Gomes, e Alagoas, JHC.

Já existe até um mote da candidatura de Aécio, "a defesa de Minas Gerais". Seria um contraponto a candidatos que representam Lula, como Marília Campos (PT), e o bolsonarismo, como Domingos Sávio (PL).

Por Fábio Zanini, Folhapress

Visita técnica acompanha obras de reforma e ampliação da Unidade Mãe Hilda Jitolu, em Salvador

Uma equipe da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) realizou, nesta quinta-feira (27), uma visita técnica à Unidade de Urgência e Emergência Mãe Hilda Jitolu, na Rua Direita do Curuzu, em Salvador, para acompanhar o andamento das obras de reforma e ampliação da unidade. A intervenção amplia a estrutura física e a capacidade de atendimento do serviço, que funciona 24 horas por dia, com atendimento 100% pelo SUS.

A intervenção eleva de 15 para 24 o número de leitos. A estrutura contará com quatro leitos de Sala Vermelha, seis de Observação Pediátrica, seis de Observação Feminina, seis de Observação Masculina e dois destinados ao isolamento.
A nova área foi planejada para melhorar os espaços de assistência e organizar os fluxos internos da unidade. A intervenção também prevê a incorporação de novos serviços, ampliando a capacidade de atendimento em urgência e emergência.

A Mãe Hilda Jitolu integra a Rede de Atenção às Urgências e Emergências da Região de Saúde de Salvador. O atendimento é feito por demanda espontânea ou por meio da Central de Regulação de Urgências do SAMU Regional de Salvador. A unidade funciona sete dias por semana, 24 horas por dia, com atendimento 100% pelo SUS.
Secom - Secretaria de Comunicação Social - Governo da Bahia

O Subúrbio é Nosso leva ações de valorização territorial ao entorno do VLT no Lobato

Atividade reuniu estudantes e comunidade em ações culturais, ambientais e de valorização do território

Com o objetivo de valorizar o território do Subúrbio Ferroviário de Salvador, o Estado da Bahia, por meio da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB) em parceria com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), realizou nesta quinta-feira (27) mais uma edição da ação comunitária "O Subúrbio é Nosso", na Parada Lobato do VLT.
A iniciativa tem o propósito de estimular momentos de integração entre os moradores do entorno do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) além de estimular a preservação do meio ambiente. A atividade foi a culminância de um projeto realizado em duas escolas estaduais do Lobato em que os alunos participaram de oficinas de dança, pintura, poesia e linguagens e tiveram a oportunidade de mostrar o resultado para a comunidade.
Durante a mostra dos resultados, os alunos destacaram a importância da valorização e do reconhecimento do Subúrbio Ferroviário como território de identidade cultural. Na ocasião, apresentaram os painéis produzidos ao longo das oficinas, recitaram poesias, praticaram capoeira, participaram da pintura de um painel na parede - inspirado na realidade local; e realizaram o replantio de espécies no manguezal.

Repórter: Reinaldo Oliveira/GOVBA

26 agosto, 2026

PM da reserva é preso por tentar matar policial civil aposentado em Salvador

Foto: Divulgação / SSP-BA
Um policial militar da reserva, de 56 anos, foi preso, nesta quarta-feira (26), por envolvimento na tentativa de homicídio de um policial civil aposentado, ocorrida em julho de 2025, na avenida 29 de Março, em Salvador. O investigado foi localizado no bairro Fazenda Grande do Retiro, durante o cumprimento de um mandado de prisão preventiva.

Na ocasião do crime, a vítima foi atingida na cabeça por um disparo de arma de fogo, enquanto trafegava em seu veículo, no dia 13 de julho de 2025. Durante as diligências para o cumprimento do mandado, a Polícia Civil (PC-BA) apreendeu uma pistola marca Ruger, calibre .40, em poder do investigado, que também foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo, conforme o Estatuto do Desarmamento.

O PM e o armamento apreendido foram apresentados à unidade policial, onde foram adotadas as medidas legais cabíveis. As investigações prosseguem para o esclarecimento da motivação e das demais circunstâncias do crime.

A ação foi realizada pela 2ª Delegacia de Homicídios (2ª DH/Central), no âmbito da Operação Malhas da Lei, com apoio da Coordenação de Operações e Inteligência do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (COI/DHPP).
Por Redação

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