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24 agosto, 2026

Angelo Coronel nega ser bolsonarista e afirma que seu partido é a Bahia: "Não tenho presidente de estimação"

Foto: Eduarda Pinto / Bahia Notícias
O senador Angelo Coronel negou, nesta segunda-feira (24), ser um senador bolsonarista, durante participação no Projeto Prisma, podcast do Bahia Notícias. Segundo ele, seu compromisso não é com nenhuma liderança específica.

"Meu partido é a Bahia. Não tenho presidente ou governador de estimação. Se eu sou senador, é porque o povo baiano votou em mim. Não estou aqui para enganar o povo da Bahia", disse ele ao BN.

Além disso, o senador afirmou que, independentemente de quem for eleito para a Presidência da República em 2027, estará ao lado do chefe do Executivo nacional para defender os interesses da Bahia, caso seja eleito senador em 2026.

"Qualquer presidente que assumir a República a partir de 2027, e eu estando senador, 
estarei ao lado dele defendendo as pautas da Bahia, independentemente do partido", detalhou.

Carter Center volta atrás e planeja enviar missão eleitoral ao Brasil

Foto: Antonio Augusto/TSE/Arquivo
Cerca de 20 dias depois de ter comunicado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que não enviaria uma missão de observação ao Brasil em 2026, o Carter Center voltou atrás e decidiu escalar uma equipe de especialistas para acompanhar o pleito de outubro.

Trata-se da única organização americana convidada pelo TSE a analisar as eleições.

De acordo com pessoas que acompanham o tema, o Carter Center pleneja focar seu trabalho no sistema eletrônico de votação e em educação eleitoral. Ao final do processo, os especialistas do centro produzirão um relatório sobre essas duas áreas.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, tem defendido a interlocutores a necessidade de ampliar o monitoramento internacional das eleições para blindar o processo contra possíveis questionamentos aos resultados e às urnas.

Em 17 de agosto, Kassio recebeu em Brasília representantes de dezenas de embaixadas estrangeiras e disse que as missões internacionais de observação "avaliarão a integridade, a eficácia operacional e o cumprimento estrito das normas eleitorais brasileiras".

Na ocasião, ele não citou o Carter Center entre as organizações que compareceriam justamente porque a corte já havia sido comunicada da impossibilidade da organização de participar.

"Neste pleito, tal qual vem sendo feito desde as eleições de 2018, as missões internacionais de observação poderão acompanhar oficialmente diferentes etapas do processo eleitoral, incluindo cerimônias públicas de auditoria, preparação das urnas eletrônicas, votação, apuração e totalização de votos", disse Kassio.

Fundado em 1982 pelo ex-presidente americano Jimmy Carter (1924-2024) e por sua esposa, Rosalynn (1927-2023), o Carter Center tem vasta experiência na área de observação eleitoral, tendo organizado mais de cem missões em 40 países.

No Brasil, o Carter Center atuou como observador da eleição de 2022 —quando o presidente Lula (PT) derrotou Jair Bolsonaro (PL).

Naquela disputa, a missão foi formada por quatro especialistas, durou dois meses e contribuiu para a estratégia do TSE de usar entidades internacionais para rebater o discurso bolsonarista contra as urnas eletrônicas.

A expectativa é que, faltando seis semanas do primeiro turno, a missão de 2026 seja composta pelo mesmo número de pessoas.

Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, o Carter sofre as consequências da crise generalizada de financiamento das agências internacionais de desenvolvimento e cooperação. Diante desse quadro, a direção do Carter havia optado por centrar os recursos disponíveis, agora mais limitados, em outros processos eleitorais.

A entidade recebe doações de governos, indivíduos, empresas, fundações e agências internacionais. Historicamente, os Estados Unidos são um doador relevante, seja pela Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) ou diretamente pelo Departamento de Estado (semelhante ao Ministério de Relações Exteriores).

Países como Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Bélgica e União Europeia também fazem parte da lista de contribuintes.

Algumas das fundações que costumavam apoiar missões internacionais alegaram que estavam priorizando ações emergenciais e humanitárias a partir da crise desencadeada com a decisão de Trump de fechar a Usaid.

Outro obstáculo foi a decisão da União Europeia de organizar uma missão própria, que participará pela primeira vez de um pleito brasileiro. Como parte das doações ao Carter vem de governos europeus, alguns desses países preferiram direcionar recursos para a missão da UE.

O Carter Center não pode aceitar recursos do governo ou de qualquer instituição no país onde realiza a observação.

As eleições brasileiras devem ter como principais observadores internacionais a OEA (Organização dos Estados Americanos) e a União Europeia.

Além do Carter Center, a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), a Uniore (União Interamericana de Organismos Eleitorais), a Liga Árabe e o Parlasul também devem enviar missões.

Por Ricardo Della Coletta, Folhapress

Lula conversou com Erdogan sobre 'temas bilaterais e assuntos globais', afirma Secom

Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Turquia, Recep ErdogaO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou nesta segunda-feira, 24, com o presidente da Turquia, Recep Erdogan, informou o governo brasileiro.

Segundo nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) no início da tarde desta segunda-feira, 24, a conversa foi sobre "temas bilaterais e assuntos globais".

"Os dois presidentes acordaram a criação de um Conselho Estratégico, em nível de vice-presidentes, para elaborar um mapa do caminho para o aprofundamento das relações bilaterais. Ambos celebraram a recente ratificação, pelos Parlamentos dos dois países, do Acordo de Cooperação em Indústria de Defesa", informou a Secom.

O governo brasileiro também afirmou que Lula disse a Erdogan que o Brasil "tenciona ampliar investimentos na área de defesa e expressou interesse em fomentar parcerias entre empresas brasileiras e turcas nesse setor". O petista tem falado cada vez mais em seus discursos públicos sobre sua vontade de ampliar os investimentos nas áreas de defesa.

Lula e Erdogan concordaram com o envio à Turquia de uma delegação brasileira chefiada pelos ministros da Defesa, José Múcio, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, para discutir o assunto.

Os dois presidentes também conversaram sobre os conflitos ao redor do mundo, em especial as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Erdogan ainda convidou Lula para participar da COP 31, em novembro, na Turquia. O petista aceitou o convite.

Diferente de comunicados de outros telefonemas de Lula com chefes de Estado, a Secom não informou quanto tempo durou a ligação entre os dois. Na semana passada, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula conversou por cerca de uma hora e 20 minutos.

Por Gabriel Hirabahasi e Gabriel de Sousa, Estadão Conteúdo

23 agosto, 2026

Lula diz que Lulinha precisa se defender e nega blindagem à PF/ Por Folhapress

Foto: DIvulgação/Arquivo
                            Petista usa o caso para destacar autonomia da Polícia Federal
O presidente Lula (PT) afirmou que ninguém está acima da lei e que seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, precisa se defender. O petista concedeu entrevista neste domingo (23) à Record.

"Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado. [...] Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está [acima da lei] se cometer erro", afirmou Lula.

O presidente ainda ressaltou a independência da PF (Polícia Federal) para investigar Lulinha. O filho do presidente foi apontado como beneficiário indireto da ação da lobista Roberta Luchsinger. Ela atuou na busca de contatos políticos para facilitar a venda de um medicamento junto ao governo federal.

"Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se. E todo mundo tem o direito de provar se é inocente. Se isso acontecer, eles serão perdoados", disse Lula.

Um dos pilares da estratégia do PT sobre o caso Lulinha é ressaltar que a PF, no atual governo, tem liberdade para investigar. A ideia é fazer uma contraposição ao governo Bolsonaro, que acumulou denúncias de interferência para proteger seus filhos, inclusive o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que agora concorre à Presidência.

"Se alguém cometeu erro e esse erro trouxe prejuízo aos cofres públicos, essas pessoas terão que pagar. [...] Meu filho sabe se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele", disse Lula.

Além de Lulinha, que atinge Lula na esfera familiar, o escândalo também bate à porta do Planalto. Ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, também foi alvo da PF. A suspeita é que ele tenha recebido vantagens indevidas, inclusive financeiras, para auxiliar Luchsinger.

O chefe de gabinete tinha a confiança de Lula, por vezes intermediando ligações, uma vez que o presidente não tem celular.

Marcola recebeu R$ 249 mil de Luchsinger numa operação descrita pelo ex-chefe de gabinete do presidente como um empréstimo pessoal já quitado. Ele deixou o Planalto em junho para integrar a campanha de Lula, mas saiu da função após as investigações da PF virem à tona.

Nesta semana, a Folha revelou que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas para Marcola. O ex-chefe de gabinete nega ter recebido pagamento e diz que não levou adiante a minuta de um contrato, enviada por Luchsinger.

Caiado diz que candidatos ausentes em debate não têm 'nada a mostrar e muito a esconder'

Foto: Marina Uezima/Brazil Photo Press/Folhapress
                    O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado
O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, chegou há pouco à sede da TV Bandeirantes para o debate que o Grupo Bandeirantes e o Estadão realizam no período da noite deste domingo e criticou a ausência de candidatos. "Não têm nada a mostrar e tem muito a esconder", disse.

Os dois primeiros colocados nas pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), não devem comparecer. Também convidado, Romeu Zema (Novo) desistiu da participar.

"Não sei se também desistiu da candidatura", afirmou Caiado.

Ele disse que, ao não ter tempo de propaganda eleitoral na TV, é preciso aproveitar oportunidades como a deste domingo.

Caiado afirmou ainda que juros altos e segurança pública eram os assuntos que ele gostaria de tratar com os candidatos que chamou de "fujões".

Segundo ele, Lula se esconde nos mandatos petistas e Flávio se justifica por sua certidão de nascimento.

Vice na chapa de Caiado, Gilberto Kassab (PSD) classificou como um desrespeito aos eleitores as escolhas de Lula e Flávio Bolsonaro não comparecerem ao debate.

Diante da ausência dos dois, Kassab disse que Caiado deve se apresentar como já vem sendo feito.

"Quase 50% dos brasileiros querem mudança, e o Caiado expressa esse sentimento", disse o presidente do PSD.

Por Talita Nascimento, O Estado de S. Paulo

Kassab afirma que nunca falou de apoio a Lula em eventual 2º turno

Foto: Reprodução/Facebook/Arquivo
O presidente do PSD e candidato à vice-presidência da República pelo partido na chapa de Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab, disse que nunca falou de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um segundo turno.

Ao chegar para acompanhar o debate presidencial da TV Bandeirante em parceria com um conjunto de veículos dos quais o Estadão faz parte, ele disse ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que Lula é o melhor oponente para Caiado em um segundo turno

"O governo atual tem responsabilidade maior em relação aos problemas do País como o desequilíbrio fiscal. É mais fácil de comparar", afirmou Kassab.

Por Talita Nascimento, Estadão Conteúdo

22 agosto, 2026

Pai morre durante relação com a própria filha em motel de Manaus

Esse caso está deixando as pessoas completamente perplexas, e aconteceu recentemente em Manaus. Sabemos que todas as relações são importantes, principalmente as relações familiares, aos quais são nossos laços sanguíneos e raízes. Porém as relações familiares saudáveis são aquelas que o amor puro entre pais e filhos impera mais que tudo.

Mas nesse caso específico, o amor entre um pai e uma filha, virou o mesmo amor de casal, que existe entre um homem e uma mulher. Nesse caso o amor de pai e filha passou para uma atração também, e eles começaram a se relacionar há 20 anos atrás, até os dias atuais, onde ele estava com 64 anos de idade e ela está com 46 anos de, incrivelmente eles tiveram um filho juntos, fruto desse relacionamento.

A família inteira os ignorou imediatamente quando souberam do envolvimento amoroso entre pai e filha, porém mesmo assim eles continuaram a viver essa história um tanto quanto inusitada, e ela só acabou com a morte do homem. Quando foi revelado como e quando ele morreu as pessoas ficaram em estado de choque.

O homem morreu tendo a sua última relação íntima com a sua filha em um motel, até então não se sabe exatamente o motivo que tirou a vida desse homem, porém ele acabou morrendo exatamente no momento do ato e fato sendo consumado.

Ao que tudo indica ele teve um infarto, pois muitas pessoas tem dificuldade de fazer grandes esforços físicos, o que sobrecarrega o coração e aumenta muito a circulação sanguínea. Rapidamente foi chamada uma equipe de salvamento.

Porém o homem já estava em óbito quando eles chegaram, e nada mais podia ser feito. Então foi chamada a perícia e o IML, para recolherem o corpo do homem e conseguir definir exatamente o que aconteceu com ele naquele momento específico.
https://new.stndicas.com/

Aprovados em concurso de 2008 da área da Saúde na Bahia têm direito reconhecido

O certame ocorreu em 2008 e se destinou ao provimento de 850 cargos vagos de diversas carreiras
Foto: Divulgação/Arquivo
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) rejeitou os embargos de declaração opostos pelo Estado e manteve o acórdão que reconheceu a preterição de candidatos aprovados no último grande concurso da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), devido à contratação ou manutenção de servidores temporários em seus quadros. O certame ocorreu em 2008 e se destinou ao provimento de 850 cargos vagos de diversas carreiras.

O desembargador José Soares Ferreira Aras Neto, da 1ª Câmara Cível do TJ-BA, foi o relator dos embargos, cujo julgamento ocorreu no último dia 5 de agosto. O acórdão colocou fim em âmbito estadual a uma discussão iniciada em 2012, quando o Ministério Público da Bahia (MP-BA) ajuizou ação civil pública (ACP) para salvaguardar os direitos dos aprovados no certame que não foram convocados.

Alegadas omissões do TJ-BA ao julgar a apelação interposta pelo Estado foram rejeitadas por Aras na apreciação dos embargos. Segundo o embargante, a corte não examinou no recurso a dinâmica dos contratos temporários, circunstância que, segundo argumentou, descaracterizaria a existência de preterição arbitrária. O impacto orçamentário da medida, que violaria a Lei de Responsabilidade Fiscal, também não teria sido analisado.

“O acórdão não presumiu a ocorrência de preterição pela simples existência de contratos temporários ou terceirizados. O julgado partiu da premissa de que a contratação temporária, por si só, não configura automaticamente violação à regra do concurso público, tendo reconhecido a preterição apenas diante do conjunto probatório específico verificado nos autos”, anotou o relator.

Quanto à alegada afronta à Lei de Responsabilidade Fiscal, Aras ponderou que normas financeiras não podem ser invocadas para justificar a manutenção de vínculos precários em funções permanentes, especialmente quando o próprio ente público reconhece a necessidade do serviço e realiza dispêndios continuados para custeá-lo por vias excepcionais.

“O acórdão adotou solução restritiva e compatível com a prudência fiscal, pois afastou qualquer nomeação automática ou indistinta, restringiu a análise ao período de validade do concurso, limitou a apuração ao quantitativo de cargos vagos existentes à época e condicionou a execução à liquidação individualizada”, detalhou o relator, ao rejeitar os embargos e confirmar o teor do julgado de segunda instância.

Liquidação individualizada

Embora o julgamento da ACP tenha sido procedente para reconhecer a preterição arbitrária e o direito à nomeação dos candidatos efetivamente preteridos, durante o período de validade do concurso, prorrogado até agosto de 2012, a sentença da 5ª Vara da Fazenda Pública de Salvador e os acórdãos da 1ª Câmara Cível do TJ-BA relacionados à apelação e aos embargos destacaram que a decisão não tem efeito automático.

O acórdão embargado consignou de forma expressa que a liquidação individualizada é imprescindível. Cada candidato deve demonstrar a vacância real do cargo, a equivalência estrita entre a função contratada precariamente e o cargo para o qual concorreu, a correspondência entre especialidade e região de classificação, e a inexistência de hipótese legítima de contratação temporária para eventual substituição de servidor.

Advogado de inúmeros candidatos que se habilitaram nos autos da ação civil, Ivã Magali da Silva Neto realizou levantamento de dados e o cruzamento dessas informações para obter números relativos à mão de obra precária utilizada nas funções correspondentes aos cargos oferecidos no concurso, regido pelo edital Saeb/Sesab nº 2/2008. O trabalho abrange as carreiras do certame por região do estado.

“O Ministério Público desempenhou um papel essencial ao conquistar essa importante vitória coletiva. Agora, a transformação dessa conquista em uma nomeação dependerá da atuação individual de cada candidato, por meio do cumprimento de sentença, acompanhado do conjunto probatório exigido pelo TJ-BA. Para tanto, realizamos um amplo trabalho de levantamento de provas”, explicou o advogado.

Segundo Ivã, vínculos temporários, terceirizações, locais de atuação, cargas horárias, tempo de permanência, nomeações, desistências, exonerações, vacâncias e outras informações aptas a construir execuções individuais tecnicamente fundamentadas foram identificados. “É preciso provar que as contratações não atendiam apenas a necessidade passageira, mas supriam uma demanda permanente de pessoal, muitas vezes por anos”.
Por Eduardo Velozo Fuccia, Vade News

Lula diz que é candidato mais uma vez para acabar com invisibilidade da população mais pobre

Foto: Reuters/Folhapress
Em seu primeiro ato de campanha no Rio de Janeiro, o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), justificou sua candidatura como parte de um projeto para tirar da invisibilidade as pessoas mais pobres. Isso passa, segundo Lula, pela continuidade das políticas de inclusão e pela ampliação do acesso à educação.

"Eu cheguei três vezes ao cargo de presidente e vou chegar a quarta vez para fazer mais institutos federais, para garantir que teremos escola em tempo integral em todas as escolas públicas", declarou o petista, durante o evento neste sábado, 22, no Estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste.

Ao lembrar que, só no Rio de Janeiro, quase 700 mil alunos são atendidos pelo programa Pé-de-Meia, Lula defendeu a necessidade de políticas desse tipo como investimento no futuro. "Quando alguém diz que educação custa caro, eu desafio a se perguntar: quanto custou, até hoje, não investir? O Fernandinho Beira-Mar na cadeia custa o dobro do que o necessário para formar uma menina médica", afirmou.

E argumentou: "O sonho de cada mãe e de cada pai não é deixar herança para o filho, é deixar uma profissão para o filho. Posso dizer a vocês, sem nenhum desrespeito aos outros, que ninguém fez mais políticas de inclusão neste país."

Lula disse "estar feliz" por o lançamento da campanha ser no estádio de um clube que tem ligação histórica com o Corinthians. No fim da década de 1960 e no início da de 1970, o ponta-direita Paulo Borges e o ponta-esquerda Aladim foram vendidos pelo clube do subúrbio carioca.

Ele ainda criticou quem quer ocupar espaços de poder sem olhar para as demandas de quem está mais distante dos centros das cidades. "Todo político tem que olhar a periferia do Rio de Janeiro com respeito."

Por Gabriela da Cunha e Isadora Duarte, Folhapress

Margem Equatorial pode garantir mais 40 anos de petróleo para Petrobras

A produção de petróleo na Margem Equatorial pode demorar entre seis a sete anos, mas a descoberta de indícios de óleo no primeiro poço perfurado pela Petrobras nas águas ultraprofundas do Amapá trouxe otimismo para o mercado e para a companhia, que chega ao resultado dez meses depois de iniciada a campanha no poço pioneiro de Morpho. Se comprovado o potencial da bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco bacias da Margem Equatorial, a expectativa é de que os reservatórios na região garantam pelo menor mais 40 anos de produção, segundo o gerente executivo de Projetos Estruturantes da Petrobras, Wagner Victer.

"Eu vi o início da bacia de Campos e é emocionante ver que a gente está participando de um momento histórico, abrindo uma nova fronteira exploratória para uma nova geração, um sinal de longevidade para a Petrobras e que vai trazer novos profissionais, novos engenheiros para o setor", avaliou Victer.

Segundo a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, o óleo encontrado agora será analisado pelo Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), para avaliar a qualidade e o potencial do poço. "Vamos aguardar as análises. que serão feitas no Cenpes sobre o óleo", disse Sylvia à Broadcast nesta segunda-feira.

A Margem Equatorial é estratégica para a Petrobras porque pode ajudar a repor reservas de petróleo a partir da próxima década, quando a produção do pré-sal tende a atingir o pico e começar a declinar. O plano de negócios 2026-2030 prevê US$ 2,5 bilhões em investimentos na Margem Equatorial e 15 novos poços.

Os próximos passo dependem do Ibama. O órgão ambiental analisa o pedido da estatal para perfurar mais três poços. No caso de Morpho, foram mais de 12 anos de espera, sendo os últimos três anos de muita pressão da atual gestão da empresa, que obteve a liberação em outubro de 2025. A inglesa BP, dona de 70% do ativo até 2021, desistiu de esperar e vendeu sua participação para a Petrobras.

"Tem que acelerar o licenciamento dos outros poços para a gente saber o que tem lá, ou seja, não dá para ficar nesse dilema a cada poço. Porque agora, se você for adiante, nós vamos estar falando de escalas muito diferentes de atividade geológica, exploratória, a escala aumenta", disse o professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida.

"A gente precisa superar o debate que estava tendo antes do ponto de vista da viabilidade ambiental, porque agora nós não estamos falando de fazer um poço mais, nós estamos falando de fazer três e muito mais. Ou seja, na Guiana, chegou a mais de cem poços. Até você ter a comprovação dos reservatórios e começar a ter um grande volume, (serão feitas) várias declarações de comercialidade", acrescentou o acadêmico.

Logo após a descoberta ser anunciada, na última sexta-feira, 14, o diretor do Centro Brasileiro de Infratestrutura, Adriano Pires, também destacou a importância do Ibama acelerar as licenças ambientais. "Não temos nenhum número da Petrobras, portanto não dá para falar se é uma descoberta relevante ou não. Mas é uma boa notícia que mostra a importância do Ibama agilizar as licenças ambientais", afirmou.

Sem Efeito

Para o analista de energia da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, a descoberta é positiva, mas ainda sem informações suficientes para "fazer preço" na ação da estatal. "Uma precificação consistente exigiria evidências de escala comercial, boa produtividade e competitividade econômica frente ao portfólio já contratado da Petrobras. Até lá, a descoberta deve ser tratada como opcionalidade exploratória, sem efeito sobre nosso preço-alvo ou recomendação", explicou o analista.

Segundo ele, a identificação de hidrocarbonetos (petróleo e gás) no bloco FZA-M-59 é positiva porque melhora a perspectiva exploratória da Petrobras na bacia da Foz do Amazonas, área central para a reposição de reservas no longo prazo.

Para o sócio-diretor da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto, a descoberta cria condições para que o governo acelere os leilões na região e deve gerar um aumento de apetite privado por blocos da Margem Equatorial. A leitura de Moreira Neto é de que a governança não deve se opor aos investimentos necessários para a região.

"É um anúncio que confirma o apetite de quem foi pro leilão e que deve ter uma boa influência na corrida daqui pra frente. Ainda há muitos riscos, mas todos os operadores já posicionados são de classe mundial e muito eficientes", afirmou. "É uma região que demanda movimento exploratório intenso, mas não vejo como uma boa ideia tentar aumentar muitos prêmios num cenário de competição global por investimentos", avaliou.

Em junho, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a indicação de 86 blocos da Margem Equatorial para futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão (OPC). Para que os blocos sejam efetivamente oferecidos, ainda é preciso cumprir a análise ambiental e a emissão de Manifestação Conjunta dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente e do Clima (MMA). "Há uma dependência muito grande da construção com órgãos ambientais, mas com a primeira descoberta talvez possamos ver um ritmo melhor", acrescentou o advogado.

Em entrevista à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o professor da PUC e ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), David Zylbersztajn, destacou que a Margem Equatorial poderá mudar a geopolítica nacional se virar realmente uma nova província petrolífera do País. "Você vai mudar a geopolítica nacional em termos de poder econômico, industrial, porque se ali virar efetivamente uma província petrolífera, pode ser um novo caminho de redenção econômico-social da região", disse Zylbersztajn.

Por Denise Luna e Gabriela da Cunha, Estadão Conteúdo

Direita se organiza, e centro ganha terreno no Nordeste sem confrontar Lula

                                                A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra
Com um chapéu de couro e a bandeira de Pernambuco amarrada ao corpo, Raquel Lyra (PSD) fecha os olhos, abaixa a cabeça e faz uma oração. A governadora acabara de chegar à missa em Serrita, no sertão central do estado, sob o olhar de seu principal adversário, João Campos (PSB).

Ao fim da solenidade, percorre a cavalo o acampamento onde estão os vaqueiros e trabalhadores rurais que vieram das cidades vizinhas. Alega pressa para um próximo compromisso, mas pausa para tirar fotos e apertar as mãos de potenciais eleitores para as eleições de outubro.

Em uma tenda improvisada, o comerciante João Marcos de Lavor, 46, fazia um churrasco com sua numerosa família e aguardava o sol quente aplacar para voltar para casa no Cedro. Eleitor do presidente Lula (PT), conta que não vai votar no ex-prefeito do Recife, apoiado pelo petista, mas na governadora.

"Nada contra o João, gente boa, um menino inteligente que está começando, né? Mas a gente deve muito a Raquel, ela arregaçou as mangas e, a gente vê o que ela vem fazendo. Está correndo atrás", afirma.

A escolha de João Marcos ajuda a explicar uma mudança nas disputas estaduais do Nordeste: Lula continua sendo uma referência para parte expressiva do eleitorado, mas agora enfrenta um direita organizada e partidos de centro que ganham terreno em disputas majoritárias,

Em Pernambuco, João Campos tenta nacionalizar a disputa entre aliados de Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Raquel, por sua vez, procura descolá-la da eleição presidencial, preservando pontes com o petismo e atraindo uma parcela do bolsonarismo.

O Nordeste é a região onde se observa maior intenção de votos em Lula, de acordo com o primeiro levantamento do Datafolha após o início oficial da campanha presidencial e o registro das candidaturas.

Na região, 53% afirmam votar no petista, contra 25% em Flávio Bolsonaro. Nas outras regiões, Lula alcança a marca de 33%, menos do que Flávio (36% no Sudeste, 38% no Sul e 35% no Centro-Oeste/Norte).

A separação entre os votos nacional e local é mais clara nas eleições municipais. Em 2024, partidos como União Brasil, PP, PSD e PL elegeram prefeitos de sete das nove capitais nordestinas.

Conservadores também ampliaram sua presença em cidades médias como Vitória da Conquista (BA), Porto Seguro (BA), Campina Grande (PB) e Mossoró (RN).

O avanço chegou, inclusive, a regiões onde Lula venceu com folga dois anos antes. É o caso do Crajubá, acrônimo formado pelas primeiras sílabas de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, no Cariri cearense, onde o presidente teve votações superiores a 70% em 2022.

Em Juazeiro do Norte, a maioria dos eleitores segue fiel ao petista, mas avalia outras opções para os demais cargos. A cidade é governada pelo prefeito Glêdson Bezerra (Podemos), de perfil conservador e adversário do governador Elmano de Freitas (PT).

Em uma casa ornada com flores e santos nas proximidades da estátua de Padre Cícero, aposentada Maria Aparecida de Melo, 69, diz que, se Lula "se candidatasse 50 vezes, votaria 50 vezes nele", citando os ganhos das famílias mais pobres durante os governos petistas. Para a disputa estadual, porém, ainda não decidiu seu voto e afirma gostar de Ciro Gomes (PSDB).

O tucano tenta voltar ao governo do Ceará sem apoiar Flávio Bolsonaro, mas com o apoio da direita. Para isso, conta com a base organizada do bolsonarismo, que tem uma militância engajada sob liderança do deputado estadual André Fernandes (PL), derrotado por margem mínima há dois anos quando concorreu à prefeitura de Fortaleza.

"O bolsonarismo criou um alinhamento social e ideológico mais evidente do que o que existia antes. Penso que o Nordeste terá um avanço pontual da direita", diz o cientista político Cláudio André de Souza, professor da Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira).

No Maranhão, Eduardo Braide (PSD), e no Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra (União Brasil), lideram as disputas e procuram construir uma identidade própria, buscando votos dos dois lados da polarização.

Na Bahia, a oposição ao PT venceu em sete das dez maiores cidades do estado em 2024, incluindo Salvador. Mas a popularidade de Lula segue intacta, a ponto de aliados do candidato ao governo ACM Neto (União Brasil) apostarem em uma estratégia de voto Lula-Neto. Nas redes, influenciadores dão tração ao bordão "meu combo, minhas regras".

O governador Jerônimo Rodrigues (PT), que tem melhor desempenho nas pequenas cidades, aposta no movimento contrário: tenta transformar a popularidade de Lula em voto casado.

A estratégia é ancorada no que o cientista político Cláudio André classifica como "lulismo baiano", uma espécie de atalho de representação política no qual o próprio Lula exerce uma liderança no cenário estadual.

No Rio Grande do Norte, o candidato a governador Cadu Xavier adotou como nome de urna "Cadu de Lula" para disputar a sucessão da governadora petista Fátima Bezerra. O partido ainda concorre aos governos do Piauí e do Maranhão.

João Campos também aposta na força de Lula para vencer em Pernambuco e prevê uma nova vantagem expressiva do presidente na região.

"Acredito que o Nordeste mais uma vez vai dar uma grande votação ao presidente Lula, não só por sua história, mas porque ainda hoje ele representa o sentimento de futuro do Nordeste e da construção de novas oportunidades", afirma.

Do outro lado do espectro político, a direita ideológica se organiza e busca seu lugar ao sol. Giuseppe Mallmann, 54, professor em um colégio particular de Barbalha (CE), faz parte de um grupo do Cariri que discute pautas conservadoras.

Ele afirma ver contradições na dinâmica do voto da região, que escolhe a esquerda para a Presidência, mas tem marcas conservadoras por ser muito ligada ao cristianismo.

"No aspecto cultural, são conservadores. O próprio Padre Cícero criticava o comunismo. Então, como uma região dita tão devota, tão católica, vota tanto na esquerda?", questiona Mallmann.

Ele afirma não ver um horizonte imediato de ruptura com o lulismo. Prefere mirar em mudanças no longo prazo e engrossa as fileiras do movimento monárquico do Cariri.

Pragmático, crava seu voto em Flávio Bolsonaro e diz que avalia votar até mesmo em Ciro Gomes para o governo cearense: "Tem que ter alguma mudança."
Por João Pedro Pitombo e Lalo de Almeida, Folhapress

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