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06 agosto, 2026

Mulher é presa em flagrante por manter casa de prostituição

Foto: Reprodução/Redes sociais
A mulher de 49 anos foi presa em flagrante na tarde de quarta-feira (5), no distrito de Barrolândia, em Belmonte, no extremo sul da Bahia, suspeita de manter uma casa de prostituição. A ação da Polícia Civil ocorreu após uma denúncia de que uma adolescente estaria sendo explorada sexualmente no imóvel.

De acordo com a corporação, durante as diligências no local, os policiais encontraram uma mulher de 20 anos, que relatou trabalhar no estabelecimento e afirmou repassar um terço do valor recebido pelos programas à responsável pelo imóvel.

A suspeita foi conduzida à delegacia, onde foi autuada em flagrante pelo crime de manutenção de casa de prostituição.

As investigações seguem em andamento para apurar a denúncia de exploração sexual envolvendo a adolescente, que ainda não foi localizada, além de verificar a possível participação de outras pessoas no caso.

A operação foi realizada por equipes da Delegacia Territorial de Belmonte, vinculada à 23ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (23ª Coorpin/Eunápolis), integrante do Departamento de Polícia do Interior (Depin).

Motociclista morre após colisão com carreta na BR-116

BR-116 (Foto: Google Street View
Um motociclista morreu após um acidente envolvendo uma carreta na manhã desta quinta-feira (6), na BR-116, em Planalto, no sudoeste da Bahia. O motociclista não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente ocorreu por volta das 7h, no km 778 da rodovia, e envolveu uma colisão lateral entre os dois veículos, que trafegavam em sentidos opostos.

Equipes permanecem na área aguardando a chegada do Departamento de Polícia Técnica (DPT) para realização dos procedimentos de perícia e remoção do corpo.

A pista ficou parcialmente interditada no sentido crescente, causando alterações no fluxo de veículos. As circunstâncias do acidente serão investigadas.

Neison Cerqueira

Operação da PF tem Prefeitura baiana como alvo

 PF cumpre mandados para investigar fraudes tributárias envolvendo permissões de táxi e agentes públicos

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (6), a Operação Bandeira Livre II para investigar um suposto esquema de fraudes na concessão de autorizações de táxi em Ipecaetá, município localizado a cerca de 30 quilômetros de Feira de Santana. A investigação aponta que permissões teriam sido utilizadas de forma irregular para obter isenções fiscais na compra de veículos.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, oito em Ipecaetá e um em Feira de Santana, por determinação da 3ª Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Feira de Santana.

De acordo com a PF, entre 2023 e 2025, a Prefeitura de Ipecaetá emitiu 70 autorizações de táxi. As investigações indicam que parte dessas permissões pode ter sido concedida a pessoas que, em tese, não exerciam a atividade de taxista, mas usaram os documentos para obter indevidamente isenções de IPI, ICMS e IPVA na aquisição de veículos.

Ainda segundo a Polícia Federal, cinco pessoas atualmente cadastradas possuem ocupações ou vínculos considerados incompatíveis com o exercício da profissão de taxista, o que reforça a suspeita de uso irregular das permissões.

Agentes públicos são investigados

Além das isenções fiscais, a investigação também apura a atuação de agentes públicos responsáveis pela emissão, renovação e cancelamento das permissões, além de administrar os cadastros e documentos fiscais relacionados ao serviço de táxi.

Como medida cautelar, a Justiça Federal determinou o afastamento de dois agentes públicos de suas funções pelo período de 60 dias. A Polícia Federal não divulgou os nomes dos servidores nem informou os setores da prefeitura envolvidos na investigação.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, uso de documento falso e crimes contra a ordem tributária.
Redação

05 agosto, 2026

EUA anunciam R$ 1,2 bilhão para conter avanço do ebola na República Democrática do Congo


Cepa Bundibugyo não tem vacina nem tratamento aprovados até o momento
Foto: Unicef/Carmel Ndomba Mbikayi/Arquivo
Os Estados Unidos destinaram mais de 242 milhões de dólares (R$ 1,23 bilhão) adicionais para combater a epidemia de ebola, que se intensifica na RDC (República Democrática do Congo), anunciou o Departamento de Estado nesta quarta-feira (5).

Com esses recursos, a ajuda concedida por Washington supera 500 milhões de dólares (R$ 2,55 bilhões), segundo o comunicado, que chama outros países a aumentarem suas contribuições.

O governo de Donald Trump foi criticado por suas medidas de restrição de viagens e por estabelecer um centro de quarentena no Quênia para seus cidadãos, ações contestadas na Justiça.

O anúncio do novo financiamento coincide com a visita à RDC do diretor da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que no sábado alertou para o avanço do surto e pediu o reforço da resposta sanitária.

A RDC declarou em 15 de maio, com várias semanas de atraso, a décima sétima epidemia de ebola no país africano de mais de 100 milhões de habitantes.

As autoridades confirmaram 3.874 casos, incluindo 1.751 mortes, desde o início da epidemia.

A febre hemorrágica viral é transmitida pelo contato próximo e fluidos corporais infectados. Não existe vacina nem tratamento aprovados contra a rara cepa Bundibugyo, responsável por essa nova epidemia.

Por Folhapress

Flávio repagina motoserra de Milei e usa broche de tesoura para defender corte de gastos

Foto: Gabriela Biló/Folhapress
O pré-candidato à Presidência e senador, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), usou um broche em formato de tesoura nas cores verde e amarelo nesta quarta-feira (5) durante o anúncio, em Brasília, da escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor sua chapa puro-sangue como candidato a vice.

Segundo apurou a Folha, a escolha do símbolo faz referência ao "tesouraço" nas contas públicas defendido por Flávio desde o início de sua pré-campanha. É esperado que o senador apareça com o objeto em outros eventos até o pleito de outubro, para reforçar o mote.

Em meio à guinada da América do Sul à direita, a tesoura do presidenciável do PL mostra uma tentativa de repaginar a motosserra usada pelo ultraliberal Javier Milei em sua vitoriosa campanha na Argentina, em 2023, para emplacar seu plano de cortes radicais na máquina pública.

Flávio e Milei estiveram juntos durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador, em 25 de julho. No palco, os dois dançaram ao som de uma música de rock usada em comícios do argentino, enquanto Flávio simulava cortes com uma grande tesoura.

Em aceno ao mercado financeiro, desde que foi indicado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para concorrer ao Planalto, o senador tem feito críticas à equipe econômica do presidente Lula (PT) e defendido fazer um "tesouraço" em impostos, ministérios e despesas, além de desburocratizar o Estado.

O uso da tesoura por Flávio já foi ironizado pelo presidente do PT, Edinho Silva. "Tem que começar usando a tesoura com a família dele. O Eduardo Bolsonaro [PL-SP] passou meses nos Estados Unidos recebendo sem trabalhar, por exemplo", disse o petista, em janeiro deste ano.

Flávio mencionou, em sabatina ao Antagonista na terça (4), que, caso seja eleito, pretende reduzir a alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), zerar o imposto de importação do petróleo e rever o Imposto Seletivo para ultraprocessados e o arcabouço fiscal, dentre outras medidas.

Em entrevista à Folha, o coordenador da pré-campanha do presidenciável do PL, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse em março que o atual modelo econômico está "estourando". Prometeu mudanças e afirmou que as reformas da Previdência (2019) e trabalhista (2017) seriam "revisitadas".

Por Isadora Albernaz, Folhapress

IC-Br recua 0,57% em julho ante maio, afirma Banco Central

Foto: Reprodução/Arquivo
O Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br) medido em reais caiu 0,57% em julho na comparação com junho, informou a autarquia nesta quarta-feira, 5. Houve queda em commodities metálicas (-4,52%) e de energia (-2,82%). Por outro lado, houve alta de commodities agropecuárias (1,51%).

O IC-Br representa a média mensal dos preços de um conjunto de commodities consideradas relevantes para a dinâmica da inflação no Brasil. O setor agropecuário tem peso aproximado de 67% no índice, seguido pelos segmentos de energia (em torno de 17%) e de metais (com cerca de 16%).

Em dólares, o índice agregado recuou 0,39% em julho, com queda nas commodities metálicas (-4,39%) e de energia (-2,65%), contra alta nas commodities agropecuárias (1,71%).

O IC-Br medido em reais acumula alta de 1,97% de janeiro a julho deste ano. Em 12 meses, ele cresce 2,28%.

Os preços das commodities agropecuárias caem 1,43% no ano e recuam 5,68% em 12 meses. As commodities metálicas têm alta de 5,69% no ano e sobem 31,05% em 12 meses. Já as commodities de energia avançam 8,05% no ano e sobem 1,38% em 12 meses.
Por Marianna Gualter, Estadão Conteúdo

Tebet defende investigação de auxiliar de Lula e diz que contrato de trens da gestão Tarcísio 'cheira mal'

Foto: Joedson Alves/Agência Brasil/Arquivo
Candidata ao Senado por São Paulo, a ex-ministra Simone Tebet (PSB) defendeu nesta quarta-feira (5) a investigação do ex-chefe de gabinete de Lula (PT) Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, após virem à tona informações sobre um empréstimo com empresária investigada pela Polícia Federal.

"O que vale para Chico vale para Francisco. (...) Qualquer suspeita precisa ser investigada", afirmou Tebet em entrevista à Folha por telefone. "Vai fazer sua defesa, mas o que não pode é ter qualquer tipo de suspeição no entorno do presidente."

Como mostrou a Folha, Marcola pediu para deixar a campanha do presidente sob pressão de revelações de pagamento de despesas suas pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do petista e alvo de inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) sob suspeita de tráfico de influência.

Tebet afirmou que todo cargo público traz consigo uma responsabilidade e defendeu tanto o afastamento quanto a investigação, com "transparência, ampla defesa e contraditório". "Sem pré-julgamentos", disse ela, "mas que se investigue, que ele faça sua defesa. Acredito que tem seus argumentos e que vá fazer os esclarecimentos devidos".

A ex-ministra comentou os problemas no sistema de trens paulista e defendeu a abertura de procedimento pelo Ministério Público sobre a concessão de linhas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Esta quarta foi o segundo dia de greve de ferroviários das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade da CPTM. Os trabalhadores pedem um compromisso de que o governo vai manter todos os empregos, mesmo com a concessão dos ramais.

No mês passado, houve uma falha no fornecimento de energia e um incêndio em um trem que paralisaram as linhas.

Segundo Tebet, que também cita o caso da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), os problemas recentes reforçam a necessidade de investigar as privatizações realizadas no governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).

"No geral, essa sequência de episódios exige por parte do Ministério Público uma vigilância, uma abertura de procedimento para investigar o que está acontecendo com as últimas privatizações em São Paulo", disse a candidata ao Senado.

"Eu sou contra privatizações que cheiram mal, que têm indícios de irregularidade, de enriquecimento ilícito por parte de alguém. Alguém está ganhando nessa história", completou.


Questionada sobre se defende uma eventual reversão das concessões da CPTM, Tebet afirmou que essa medida só seria justificável caso uma investigação comprovasse irregularidades ou descumprimento de cláusulas contratuais.

Ela também defendeu que o governador esclareça os critérios adotados nos casos da CPTM e da Sabesp, mas disse que a principal responsabilidade, neste momento, é dos órgãos de controle, que devem apurar as denúncias e verificar a regularidade dos contratos.

Nesta terça-feira (4), o governo Tarcísio afirmou em nota à imprensa considerar a manutenção da greve "injustificável" e manifestou sua "absoluta reprovação", citando "graves prejuízos a quase 1 milhão de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário", sob "o pretexto de defender interesses da categoria".

Questionada sobre a fala da ex-ministra, a administração não retornou.

Indagado via assessoria de imprensa, o candidato ao Governo de São Paulo na chapa de Tebet, Fernando Haddad (PT), não se manifestou.

Por Arthur Guimarães de Oliveira, Folhapress

04 agosto, 2026

Assessor citado por repasse de amiga de Lulinha foi mensageiro de Lula na prisão; conheça

O cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro
Foto: Reprodução/redes social
O ex-chefe de gabinete do presidente Lula (PT) Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, é um dos assessores mais próximos do petista e deixou o cargo há duas semanas para atuar na coordenação da campanha à reeleição. Sua atribuição é cuidar da agenda do candidato em parceria com o ex-ministro Gilberto Carvalho, como ocorreu em 2022.

Na segunda-feira (3), Ribeiro afirmou ter recebido pagamentos de Roberta Luchsinger —investigada pela Polícia Federal e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha— como referentes a um empréstimo feito com a empresária. "Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função", disse em nota.

Em dezembro passado, Luchsinger foi alvo de buscas na Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de débitos não autorizados em aposentadorias e pensões. Segundo a apuração, a fraude teria descontado mais de R$ 6 bilhões de beneficiários do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) de 2019 a 2024.

Como chefe do gabinete pessoal do mandatário, o cientista político foi responsável por organizar os compromissos presidenciais e ajudar com materiais para tarefas diversas, como a elaboração de pronunciamentos, segundo o site do Palácio do Planalto.

Marcola foi assessor pessoal e político e era responsável por planejar e acompanhar reuniões e viagens antes do início do terceiro mandato do petista. Foi também coordenador-executivo das agendas das caravanas de Lula pelo Brasil em 2017 e 2018.

O cientista político foi um dos principais interlocutores de Lula durante a prisão em Curitiba, de abril de 2018 a novembro de 2019. Responsável por atender a pedidos diversos, como a distribuição de recados a políticos e amigos, ele foi, segundo a coluna Mônica Bergamo, um dos "pombos-correios" do então ex-presidente ao levar as cartas de Rosângela Silva, a Janja, com quem o petista se casou em maio de 2022.

"Eu comecei a recolher notícias de amigos, porque achei que era isso que ele [Lula] queria que eu fizesse. [Perguntava] como estava a moral de alguns movimentos e de alguns sindicatos. [...] Quando eu chegava em casa à noite, pegava o histórico de todo mundo que me ligou e mandou WhatsApp, colocava isso em uma carta e entregava para ele no dia seguinte", disse Ribeiro em entrevista à jornalista Julia Duailibi no documentário "Visita, Presidente", da GloboNews.

Natural do município de Caraguatatuba (SP), Marcola é mestre em ciência política pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), instituição em que cursou graduação em ciências sociais. Antes de trabalhar com Lula, foi assessor parlamentar na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) e na Câmara dos Deputados.

Por Marina Costa, Folhapress

Assembleia Legislativa decide manter sessões presenciais de votação

Reunião aconteceu nesta terça-feira (4)
Foto: Divulgação
Em reunião ocorrida na manhã de hoje (04), a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Bahia decidiu manter as sessões presenciais de votação na Casa. A informação foi divulgada nesta tarde pela presidente, deputada Ivana Bastos (PSD), que fez um balanço do encontro.

Ivana afirmou que o encontro serviu para dar as boas vindas aos deputados na retomada dos trabalhos. Estiveram presentes a presidente e os deputados estaduais Fátima Nunes (PT), primeira vice-presidente; Hassan Iossef (PP), terceiro vice-presidente; Laerte do Vando (Avante), quarto vice-presidente; Samuel Júnior (PL), primeiro secretário; Kátia Oliveira (União), segundo secretário; Vitor Azevedo (PL), terceiro secretário; e Fabrício Falcão, quarto secretário.

A presidente da Assembleia declarou que a União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale) fez um levantamento e constatou que parte das Casas no país haviam adotado o sistema híbrido de votação, o que, no entanto, não ocorrerá na Bahia, apesar das eleições. "Aqui, seguiremos com as votações presenciais. Foi a decisão da Mesa", pontuou.

"Também discutimos o que é permitido por lei. A Casa estará com uma equipe jurídica à disposição dos parlamentares. Discutimos também com o setor de transportes e nos colocamos à disposição para dar toda a segurança e apoio aos deputados. Fizemos, ainda, um balanço da parte de segurança, da reforma dos sanitários e estruturas da Assembleia, inclusive sobre a nova iluminação cênica e jardinagem", afirmou a presidente.

Por Política Livre

Podemos recusa apoio a Flávio Bolsonaro e também decide ficar neutro na eleição

A presidente nacional do Podemos, Renata Abreu
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados/Arquivo
O Podemos frustrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e decidiu ficar neutro na eleição presidencial deste ano. O PL tentou atrair o partido e chegou a sondar a possibilidade de a presidente da legenda, a deputada Renata Abreu, ser a vice na chapa que disputará o Planalto.

A decisão põe um fim à tentativa de Flávio Bolsonaro de atrair outras legendas do centrão para uma coligação. O Republicanos oficializou nesta terça-feira (4) a neutralidade na eleição nacional. A federação União Brasil-PP já havia comunicado ao PL sua recusa por uma aliança formal.

O candidato do PL à Presidência vem enfrentando uma série de dificuldades. O União Brasil desembarcou do seu palanque no Rio de Janeiro e, em Minas Gerais, perdeu um cabo eleitoral com a decisão do Republicanos de não lançar o senador Cleitinho Azevedo ao governo. Ele era o favorito nas pesquisas.

Segundo interlocutores, Renata Abreu consultou os diretórios do Podemos e ouviu da maioria, nesta segunda-feira (3), a preferência pela neutralidade. Dessa forma, os filiados ficam livres para apoiarem o candidato à Presidência com quem tenham mais afinidade. A decisão deve ser oficializada até esta quarta-feira (5).

Ainda de acordo com pessoas a par das conversas, a presença da presidente do Podemos numa chapa presidencial nunca esteve nos planos do partido. A ideia, dizem aliados, foi dada pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que intermediou um encontro de Abreu com Flávio Bolsonaro na última sexta-feira (31).

Como mostrou a Folha, o Podemos foi alvo de uma ofensiva também do PT do presidente Lula, que desejava garantir a neutralidade do partido. Ambos os lados pavimentaram a possibilidade de participação no governo, em caso de vitória.

No caso do PL, segundo pessoas a par das conversas, também foi levantada a possibilidade de ajuda com o fundo eleitoral. A sigla de Flávio Bolsonaro tem a maior fatia dessa verba, com R$ 881,6 milhões e, pelas regras internas do partido, não veda a transferência de recursos para legendas aliadas.

Internamente, o Podemos avalia que um incremento no fundo eleitoral poderia ajudar o partido a alcançar seu objetivo, que é eleger mais de 30 deputados federais neste ano. Ao mesmo tempo, lideranças consideram que um alinhamento a um candidato poderia atrapalhar o desempenho geral do partido.

Flávio Bolsonaro também tentou atrair outras legendas do centrão, mas falhou. O Republicanos oficializou nesta terça-feira (4) a neutralidade na eleição nacional. A federação União-PP já havia comunicado ao PL sua recusa por coligação.

O candidato do PL à Presidência vem enfrentando uma série de dificuldades. O União desembarcou do seu palanque no Rio de Janeiro e, em Minas Gerais, perdeu um cabo eleitoral com a decisão do Republicanos de não lançar o senador Cleitinho Azevedo ao governo. Ele é o favorito nas pesquisas.

Atualmente, 11 dos 27 congressistas da legenda estão em São Paulo, onde avaliam que um alinhamento ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a neutralidade nacional facilitam a atração de votos. Outra ala da legenda ainda deve se alinhar a Romeu Zema (Novo) na eleição presidencial.

Segundo pessoas próximas, Romeu Zema também tentou atrair o partido para sua chapa e chegou a oferecer sua vice para um nome da sigla, sem sucesso.

Uma coligação é importante porque aumenta o tempo de TV e rádio de um candidato e facilita o compartilhamento de fundo eleitoral. Se ficar isolado, Flávio Bolsonaro deve ter 20% a menos de tempo de televisão do que Lula, seu principal adversário.

Por Augusto Tenório, Folhapress

Lula manda assessor explicar empréstimo de amiga de Lulinha investigada pela PF

O presidente Lula (PT) determinou que Marco Aurélio Santana Ribeiro, seu ex-chefe de gabinete e um de seus assessores mais próximos, dê explicações sobre o empréstimo obtido com a empresária Roberta Luchsinger, amiga de seu filho Lulinha e investigada pela Polícia Federal.

Marco Aurélio, conhecido como Marcola, deixou a chefia de gabinete há duas semanas para atuar na equipe de campanha do petista. Ele diz que se tratou de um empréstimo pessoal, já quitado, e que não há ilegalidade na operação.

Ainda segundo relatos, Lula teria sabido do empréstimo dias antes de ele vir à tona, mas não antes de escalar Marcola para a equipe das eleições. Outros aliados do presidente se dizem surpreendidos com a notícia, duvidando que o presidente soubesse.

Marcola se manifestou depois de o site Poder360 afirmar, em reportagem, que ele recebeu pagamentos de Roberta.

A notícia, divulgada na segunda-feira (3), irritou aliados de Lula. O presidente concorrerá à reeleição neste ano e precisa evitar desgastes políticos que possam afetar sua popularidade. Apesar disso, a avaliação predominante no Palácio do Planalto é que Marcola cometeu um erro, não um crime.

Marcola teria dito a Lula dispor de registros de pagamento para provar que a operação foi um empréstimo. O assessor do presidente afirmou a aliados que o dinheiro serviu para pagar um tratamento de saúde de seu filho. Ainda não há uma confirmação sobre a data da transação, mas integrantes do Planalto dizem acreditar que tenha sido em 2023.

O presidente da República ordenou que o assessor explicasse a operação. Marcola busca constituir um advogado antes de voltar a falar publicamente sobre o tema.

Lula também tem dito a aliados que tudo precisa ser apurado e que quer ser julgado pelo próprio governo na eleição deste ano. Ou seja, que o eleitor possa decidir o voto com base nos atos do presidente, não de pessoas próximas.

Marcola já assessorava Lula havia quase sete anos quando o hoje presidente ganhou a eleição de 2022. Uma vez no governo, o petista escalou seu assessor como chefe de gabinete. Ele era o principal responsável pela agenda presidencial.

Além disso, servia como um dos principais contatos de políticos que buscavam falar com o chefe do governo. Lula não tem telefone celular. Quem precisa falar com ele liga para Marcola ou para outra pessoa de um grupo reduzido que está sempre próximo do petista.

A empresária Roberta Luchsinger é amiga de Fábio Luis, um dos filhos do presidente da República. Ele ficou conhecido no mundo político como Lulinha, apesar de esse apelido não ser usado nos círculos petistas.

Em nota, a defesa do filho de Lula afirmou ter recebido a instauração pela PF de três inquéritos diferentes por suspeitas de tráfico de influência com "absoluta tranquilidade" e que ele irá comprovar sua inocência.

A equipe disse ainda ter pedido que os órgãos competentes tomem providências contra os vazamentos que consideram criminosos e que atendem a "interesses políticos".

"Recebemos com absoluta tranquilidade a notícia de instauração de ainda mais um inquérito. Utilizaremos todas as oportunidades para esclarecer qualquer dúvida que porventura surja sobre as atividades pessoais e profissionais de Fábio Luís. Ele comprovará, ao final, que não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade, assim como fez no inquérito das fraudes do INSS, em relação ao qual esperamos um já tardio arquivamento", dizem os advogados.

"Temos confiança plena na condução serena e equilibrada do ministro Flávio Dino, jurista que admiramos e respeitamos" diz outro trecho, em relação ao terceiro inquérito, que caiu com Dino (os dois primeiros foram autorizados por André Mendonça).

"Temos denunciado a instrumentalização de setores da Polícia Federal a serviço de interesses políticos e eleitorais, em prejuízo da imparcialidade e legalidade que deveriam reger procedimentos criminais."

Roberta Luchsinger é empresária e sócia da RL Consultoria e Intermediações. Em maio, ela disse à PF que apresentou Lulinha para o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS, antes da deflagração da Operação Sem Desconto.

A operação investiga um esquema que teria descontado mais de R$ 6 bilhões dos beneficiários do INSS de 2019 a 2024. O Careca do INSS é apontado pela PF como um dos operadores centrais do esquema de fraudes nos descontos de aposentadorias.

Em dezembro passado, Roberta foi alvo de buscas. Na apuração sobre o esquema, a PF afirmou ter encontrado pagamentos de uma empresa ligada a Careca para uma companhia de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão.

Por Catia Seabra e Caio Spechoto, Folhapress

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