Ex-ministro da Casa Civil, o senador eleito pela Bahia Rui Costa (PT) já não aparece entre os principais cotados para retornar ao comando da pasta no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ex-governador baiano poderá ser contemplado com um ministério voltado à execução de obras, abrindo espaço para o senador cearense Camilo Santana (PT), ex-ministro da Educação e apontado como favorito para assumir a coordenação da Esplanada.
Existe ainda a possibilidade de Rui permanecer no Senado, onde ajudaria Lula a enfrentar a oposição bolsonarista, que contará com uma bancada expressiva na Casa. Entretanto, o primeiro suplente do parlamentar baiano, Ronaldo Carletto, presidente estadual do Avante, também reúne condições políticas para desempenhar esse papel, caso Rui seja convocado para o Executivo.
No segundo turno da eleição presidencial, após conquistar uma cadeira no Senado pela Bahia, Rui participou da campanha pela reeleição de Lula, assim como Camilo Santana. Entretanto, o baiano não alcançou a mesma projeção política atribuída ao cearense e ao governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), cotado para assumir o Ministério da Fazenda. Camilo e Rafael passaram a figurar entre os principais nomes nordestinos nas apostas para a formação do novo governo.
Isso não significa, entretanto, que Rui tenha perdido a confiança do presidente. Lula dificilmente deixará de considerar a votação expressiva que recebeu na Bahia, estado fundamental para sua reeleição. Nesse cenário, o ex-governador poderá assumir uma pasta ligada à infraestrutura, aproveitando a experiência adquirida na coordenação do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), quando esteve à frente da Casa Civil.
Vale lembrar que nem Rui Costa nem o senador Jaques Wagner (PT) participaram, em São Paulo, da coletiva de imprensa realizada após a confirmação da vitória de Lula, quando o presidente apareceu ao lado de diversos aliados. Os dois acompanharam a apuração na Bahia. Na capital paulista, por outro lado, estavam várias lideranças que passaram a ser cotadas para integrar o novo ministério.
Entre os presentes estava outro nordestino, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco. Presidente nacional do PSB, ele é apontado por aliados como um dos nomes do partido com maiores possibilidades de integrar o quarto governo Lula. Jovem e com projeção nacional, Campos também se encaixa na proposta de renovação política que o presidente tem sinalizado para a próxima gestão.
Outros presentes que poderão ser contemplados foram o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), citado para assumir o comando da equipe econômica; o deputado federal André Janones (Rede-MG), que ganhou destaque na mobilização digital da campanha; e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).
Haddad chegou a ser considerado um dos principais cotados para assumir a Casa Civil, mas o cenário mudou após o primeiro turno. Derrotado na disputa pelo governo de São Paulo pelo governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos), o petista perdeu força nas articulações. Ao mesmo tempo, Camilo Santana ganhou protagonismo na campanha presidencial, consolidando-se como um dos aliados mais próximos de Lula na reta final da disputa.
O cearense, que governou seu estado entre 2015 e 2022, assumiu papel central na coordenação política do segundo turno. Já Rafael Fonteles, reeleito governador do Piauí com mais de 70% dos votos válidos, participou da estratégia de comunicação da campanha. Os dois saíram fortalecidos da vitória presidencial e passaram a ser lembrados para postos estratégicos na Esplanada.
De saída - As mudanças no primeiro escalão também poderão atingir ministros baianos, a exemplo do titular da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, indicado por Jaques Wagner. Outro nome que poderá deixar o governo é o chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira.
Segundo informações de bastidores, Sidônio teria manifestado a pessoas próximas a intenção de deixar o cargo ao término do atual mandato. O principal cotado para substituí-lo é Laércio Portela, atual secretário de Imprensa da Presidência da República.
Outros integrantes da equipe, entretanto, deverão permanecer, como o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, considerado um nome de confiança do presidente.
A reforma ministerial também precisará acomodar aliados importantes que não conseguiram se eleger em outubro. Nesse grupo estão Randolfe Rodrigues (PT-AP), Paulo Pimenta (PT-RS), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Simone Tebet (PSB-SP), Márcio França (PSB-SP), Eduardo Paes (PSD-RJ), Carlos Fávaro (PSD-MT), Renan Filho (MDB-AL) e Marina Silva (Rede-SP).
A disputa por espaço na Esplanada promete ser intensa, especialmente diante da necessidade de Lula ampliar sua base de sustentação no Congresso Nacional. Além dos aliados históricos, o presidente terá de negociar com partidos de centro, alguns dos quais apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial.
Por Política Livre

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