Deputado tem média de 1,47 milhão de interações por post, segundo ranking da empresa Zeeng
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Arquivo
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) é o político brasileiro mais influente no Instagram, segundo um levantamento da empresa de marketing e análise de dados Zeeng. Ele lidera a lista dos 100 nomes de maior influência na plataforma com uma média de 1,47 milhão de interações por publicação, três vezes mais que a segunda colocada, Michelle Bolsonaro (PL).
Divulgado na última quinta-feira (16), o estudo define influência como o engajamento médio por publicação, ou seja, o total de curtidas e comentários divididos pelo número de postagens, e justifica o foco no Instagram por enxergar a plataforma como um "palco central no debate público no Brasil".
"É no feed, nos reels e nos stories que hoje se define quem influencia conversas, comportamentos e percepções, impactando diretamente a agenda política nacional", afirma a empresa.
Foram avaliadas 546 mil publicações de 3.100 políticos brasileiros de 1º de janeiro a 30 de junho de 2026.
Segundo a análise, Nikolas, que possui 22 milhões de seguidores na rede, consolidou sua presença digital ao adaptar sua mensagem política à lógica da plataforma, "com linguagem simples, mensagem clara e formatos orientados à viralização."
Assim como a jovem liderança do PL, outros políticos de direita dominam a lista. Nomes de centro-direita e da direita somam 76% do ranking. Sozinho, o PL tem 40% dos ranqueados, com oito dos dez melhores colocados.
"O partido reúne várias das figuras de maior projeção digital do país, e esses perfis se retroalimentam, compartilham pautas, engajam as mesmas comunidades e amplificam uns aos outros", diz Eduardo Prange, fundador da Zeeng, sobre o sucesso da legenda nas redes.
A pesquisa também mostra uma prevalência masculina, com apenas 23% dos políticos mais influentes sendo mulheres. Michelle Bolsonaro, em 2º, e Erika Hilton (PSOL), em 4º, são as representantes femininas mais bem colocadas no top 10, sendo Hilton a única do campo progressista. A vereadora Eduarda Campopiano (PL-SP) aparece em 7º.
Ainda assim, Prange ressalva que houve um crescimento de 3% em relação ao levantamento do ano anterior, quando apenas Hilton figurava no topo.
Ele afirma que a consistência no desempenho na deputada do PSOL tem relação com o fato de sua imagem estar associada a uma causa definida, sobre direitos humanos e representatividade. "Quem a segue sabe exatamente o que vai encontrar, e essa previsibilidade editorial constrói uma audiência que interage de forma recorrente", aponta.
O presidente Lula (PT) aparece na 11ª posição, com engajamento médio inferior ao de vereadores do PL em primeiro mandato, como Lucas Pavanato (3º) e Campopiano (7º), apesar de reunir um público muito maior no Instagram. Lula tem 14,7 milhões de seguidores, ante 5 milhões de Pavanato e 2 milhões de Campopiano.
Segundo Prange, a explicação pode ser justamente a base ampliada do mandatário. "A taxa de engajamento tende a cair conforme a base de seguidores cresce. Perfis gigantes acumulam seguidores inativos, e o algoritmo não entrega o conteúdo para toda a base", diz.
Além disso, ele aponta que o perfil institucional das postagens de Lula e o alto volume de publicações diárias podem prejudicar o engajamento e as interações do público.
"O caso ilustra justamente a tese central do estudo: número de seguidores é métrica de vaidade. Um vereador com estratégia digital nativa pode gerar mais impacto por publicação do que perfis com dez vezes mais audiência", afirma.
O levantamento ainda mostra a predominância do Legislativo no campo de influência. Deputados, vereadores e senadores respondem por 64% dos políticos mais influentes, enquanto governadores aparecem em posições mais baixas. Tarcísio de Freitas (SP), por exemplo, é o 23º, e Raquel Lyra (PE), a 88ª.
Por Andrei Ribeiro/Folhapress
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