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01 maio, 2026

Agrishow, principal feira do agro no país, registra queda de venda pela primeira vez em 11 anos

Foto: Divulgação
Visitantes caminham em rua da Agrishow, em Ribeirão Preto, no interior paulista
A Agrishow, principal feira do agronegócio no país, apresentou redução nas vendas pela primeira vez nos últimos 11 anos, ao gerar R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios na edição deste ano, que termina nesta sexta-feira (1).

Os números foram apresentados pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), uma das entidades realizadoras do evento, e mostram recuo de 25% em comparação aos R$ 15,2 bilhões gerados no ano passado. O valor foi atualizado pela inflação do período.

É apenas a segunda vez, em 31 anos de história, que a principal feira agro do país sofre revés nos negócios, considerando-se os valores nominais de cada edição. A anterior foi em 2015, quando viu as vendas diminuírem 30% em comparação com o ano anterior.

Com 800 marcas expostas, a Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) já tinha sinalizações de que os negócios em Ribeirão Preto (SP) não alcançariam a marca do ano passado a partir das incertezas econômicas e políticas e do desempenho de outras feiras do agro.
A Tecnoshow, realizada pela cooperativa Comigo em Rio Verde (GO) no início de abril, viu os negócios recuarem 30% neste ano, após gerar R$ 10 bilhões em 2025.

O cenário fez a Agrishow, pela primeira vez nos últimos anos, abrir a feira sem projetar faturamento. O Banco do Brasil, principal ente financeiro presente na feira, iniciou a feira projetando receber R$ 3 bilhões em propostas, R$ 1,75 bilhão a menos que os R$ 4,75 bilhões gerados em 2025, mas acabou superando a estimativa.

A previsão inicial foi alcançada às 18h desta quinta-feira (30) e contempla, conforme o banco, investimentos em máquinas, armazenagem, irrigação, tecnologia e custeio.

Segundo a Abimaq, a feira foi visitada por 197 mil pessoas entre segunda-feira (27) e esta sexta, o que indica "que a Agrishow permanece sendo a vitrine do agronegócio brasileiro", conforme a organização.

"Este cenário é decorrente da alta taxa de juros, da variação cambial e do preço desfavorável das commodities", disse Pedro Estevão, presidente da câmara de máquinas e implemento agrícolas da Abimaq.

O mês de março apresentou crescimento nas vendas em comparação com março do ano passado, mas o primeiro trimestre foi ruim para a venda de tratores e colheitadeiras, conforme dados divulgados pela Abimaq na quarta-feira (29).

Foram comercializados ao usuário final 9.215 tratores entre janeiro e março, ante os 10.087 do trimestre inicial de 2025, o que indica queda de 8,64%. Já as vendas de colheitadeiras recuaram mais, 40,62%, passando de 1.250 para as atuais 761.

Apesar da retração nos negócios, muitas empresas alcançaram as metas previstas na feira agrícola, como a Tritucap, de Sertãozinho (SP), que voltou à Agrishow após sete anos com uma máquina para a erradicação sustentável de lavouras de café –que substitui a prática da queima na renovação de cafezais.

A empresa comercializou 31 máquinas e tem outras 27 em fase avançada de negociação com os clientes, número que superou em três vezes a meta de vendas.

O diretor Eduardo Alves Ferreira disse que esperava bons negócios pelo momento favorável da cafeicultura, mas que o resultado surpreendeu.

Na XCMG Brasil, que comercializa máquinas pesadas da marca chinesa, os negócios subiram até 10% em relação ao ano anterior. Foram lançados dois modelos de tratores agrícolas e um sobre esteiras.

Já a Herbicat, que atua no ramo de equipamentos e acessórios de aplicação e insumos, afirma ter registrado mais de 300 contatos de interessados e estima que até 20% deles representem vendas no pós-feira. A avaliação da empresa é que o cenário atual é oportuno para produtores investirem aproveitando preços mais atrativos dos equipamentos.

Além da Abimaq, a Agrishow é realizada por outras quatro entidades: Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos), Faesp (Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo) e SRB (Sociedade Rural Brasileira).

Por Marcelo Toledo/Folhapress

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