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29 agosto, 2026

Advogada interrompe décadas de hegemonia de Eymael na candidatura do DC à Presidência

Fabiana Torquato e Clariana Barão em convenção que oficializou chapa do DC à Presidência da República
Foto: Luís Freitas/Divulgação/DC
                      "Clariana Barão estreia em disputa eleitoral com chapa só de mulheres"
Neste ano, não teremos a musiquinha: "Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão!" Depois de seis eleições consecutivas, o DC decidiu lançar um novo nome para concorrer à Presidência: Clariana Zacarkim Barão, 39, advogada, que nunca disputou uma eleição.

Um dos constituintes da Constituição Federal de 1988, José Maria Eymael, deputado federal entre 1986 e 1995, decidiu diminuir seu ritmo à frente do partido. Clariana, que é presidente estadual da sigla em Mato Grosso, terá como vice outra mulher, a também advogada Fabiana Torquato.

"Não me sinto intimidada pelo peso do cargo. Sou uma mulher honrada, de princípios firmes, que valoriza a família e não negocia com a desonestidade", diz Clariana.

Filha de uma biomédica e um advogado, a candidata declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1,8 milhão, dos quais 74% são um imóvel de R$ 979,5 mil e um carro de R$ 376 mil.

"Sou a chefe da minha família, sou mãe solo, trabalho muito, acordo cedo, construí a minha vida financeira do zero, à custa de muito suor, de retidão", diz. Solteira, é mãe de Laura, de 14 anos. "Eu sou um retrato da mulher brasileira comum", acrescenta.

É essa a bandeira que carrega como principal da sua campanha. Se pudesse escolher uma medida para os cem primeiros dias de um eventual governo, diz que seria o enfrentamento ao feminicídio, que considera o maior problema do país hoje, junto à corrupção. Sua forma de combate, diz, seria com rede de acolhimento imediato a mulheres que denunciam agressores, e políticas de independência financeira para elas.

Nascida em Cuiabá (MT), atribui aos pais o interesse por causas sociais: a família mantinha contato com casas de acolhimento de crianças, idosos e pessoas com deficiência, além de pacientes de hanseníase. Fez trabalho voluntário nas enchentes do Rio Grande do Sul.

Descrevendo-se como candidata de centro-direita, defende a criação de cotas de cadeiras parlamentares para mulheres, para além das atuais cotas de candidatura, e diz reconhecer propostas válidas tanto à direita quanto à esquerda. "A política é a grande habilidade de negociar de uma maneira republicana, não interesses particulares ou escusos", afirma.

Clariana classifica a atual gestão Lula como um "governo de publicidades". Afirma que o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres não reduziu os números de feminicídio. Por outro lado, faz uma ressalva favorável às políticas de cotas raciais e sociais adotadas por governos petistas, que considera um instrumento válido de equidade.

Chama de "guerrilha" a polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). "Até acredito que todos os lados têm boas ideias, mas que essa guerrilha que eles tomaram para si para defender as próprias ideologias só faz mal para o país", diz.

Compara a necessidade de cotas, ainda, ao que considera o seu "grande desafio": a falta de tempo de TV e de rádio.

O DC está entre os dez partidos que, em 2026, não atingiram a cláusula de barreira, regra que exige 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, com no mínimo 1,5% em nove unidades da federação, ou ao menos 13 deputados eleitos distribuídos por nove UFs. Por isso, a legenda ficará sem acesso ao fundo partidário e receberá apenas a cota mínima do fundo eleitoral, de R$ 3,3 milhões. Também por não superar essa cláusula, o partido não terá direito a horário eleitoral gratuito no rádio e na TV.

"Os candidatos não largam do mesmo ponto de partida, isso é um fato", afirma. Por isso, diz apostar nas redes sociais e em espaços de imprensa como estratégia para superar essa desvantagem de exposição.
Por Luana Lisboa/Folhapress

Prejuízo acumulado nos Correios cresce 30% ante 2025 e bate R$ 5,55 bilhões no semestre

Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil/Arquivo
      "Estatal passa por processo de reestruturação após entrar num quadro de grave crise financeira"

Os Correios tiveram um prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 5,5% em relação à perda de R$ 2,53 bilhões em igual período de 2025. Na comparação com o resultado negativo de R$ 3,16 bilhões observado nos primeiros três meses deste ano, o recuo foi de 24,4%.

No primeiro semestre, a empresa acumula um prejuízo de R$ 5,55 bilhões. Esse valor é 30,4% maior em termos nominais do que o saldo negativo de R$ 4,26 bilhões registrado em igual período de 2025.

As demonstrações financeiras foram divulgadas neste sábado (29) pela estatal, que passa por um processo de reestruturação após entrar num quadro de grave crise financeira e ficar sob risco de furo no caixa.

Como as medidas de ajuste incluem a regularização de dívidas acumuladas e novos PDVs (programas de demissão voluntária), já se esperava que a empresa tivesse novos prejuízos bilionários neste ano. Ainda assim, a melhora do resultado no segundo trimestre de 2026 na comparação com os três meses anteriores foi vista como um sinal favorável à recuperação.

Sob novo comando desde o fim de setembro de 2025, quando Emmanoel Rondon assumiu a presidência da estatal, os Correios traçaram um plano de reestruturação e calcularam uma necessidade de R$ 20 bilhões para equilibrar seu caixa e recuperar as atividades da empresa.

Como parte desse plano, a companhia obteve em dezembro de 2025 um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um grupo de cinco bancos, formado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander.

A operação tem a União como fiadora e ajudou a dar fôlego financeiro à companhia, que vinha acumulando dívidas judiciais e com fornecedores ao mesmo tempo em que perdia receitas em meio a dificuldades na operação.

Agora, os Correios negociam um segundo crédito de R$ 7 bilhões. Além disso, o Tesouro vai incluir na proposta de Orçamento de 2027 uma previsão de aporte de R$ 6 bilhões na companhia —a injeção de dinheiro foi uma exigência dos bancos para a liberação do primeiro empréstimo.

Ainda não se sabe quando exatamente o repasse será feito, mas a empresa tem a intenção de usar boa parte dos valores para abater pagamentos dos créditos contratados, de forma a reduzir seu endividamento e evitar pressão futura sobre o caixa devido ao pagamento das prestações.

No ano passado, a empresa acumulou um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, o pior desempenho já registrado pela companhia, que está com as contas no vermelho desde 2022.

A empresa já vinha penando com a deterioração de suas operações e com o descontrole sobre ações judiciais que impactam o caixa da companhia. Enquanto isso, continuou aumentando despesas, sobretudo com pessoal.

Em 2024, os Correios sofreram um baque em suas receitas após o governo criar o programa Remessa Conforme, que buscava acelerar a liberação de encomendas vindas do exterior mediante maior controle sobre a cobrança de tributos, mas que acabou por também desobrigar a distribuição dessas remessas pelos Correios.Por Idiana Tomazelli/Folhapress

Em Angra, Flávio Bolsonaro defende Angra 3 e licenças para obras de resorts

Senador participa de carreata e barqueata em região do RJ que tem forte elo com sua família

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, defendeu neste sábado (29) transformar o setor de energia em uma das prioridades de um eventual governo, com ampliação da geração nuclear, incentivo à exploração de petróleo e gás e destravamento de licenças ambientais para obras de infraestrutura.

Em Angra dos Reis, cidade da Costa Verde do Rio de Janeiro onde a família Bolsonaro mantém fortes elos, o candidato do PL cobrou a retomada da usina nuclear de Angra 3, cuja construção está parada. Para destravar o projeto, disse que buscará parcerias com a iniciativa privada.

O vínculo do clã Bolsonaro com a região remonta à casa de veraneio que o ex-presidente Jair Bolsonaro mantém há décadas na Vila Histórica de Mambucaba, distrito de Angra dos Reis, onde recebeu eleitores durante campanhas anteriores.

O local também está ligado a um dos episódios mais conhecidos de "funcionária fantasma" do bolsonarismo: Walderice Santos da Conceição, a "Wal do Açaí", vendia açaí em Mambucaba enquanto figurava, desde 2003, como servidora do gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara, caso revelado pelo jornal Folha de São Paulo em 2018. Wal chegou a concorrer a vereadora em Angra em 2020 com o nome de urna "Wal Bolsonaro", mas não se elegeu.

Neste sábado, Flávio também defendeu a revisão de planos diretores municipais, em conjunto com prefeitos, para acelerar o licenciamento ambiental de condomínios, grandes empreendimentos e resorts na região, que abrange ainda Mangaratiba e Paraty.

"Temos muitas obras de infraestrutura que podem ser trazidas para essa região, em especial destravar as questões ambientais que têm impedido o desenvolvimento de Angra de uma forma correta. Tem milhões de brasileiros que gastam milhares de dólares para ir para Cancún, para a Indonésia, e a gente podia fazer a mesma coisa na região de Angra, Mangaratiba e Paraty", disse.

"Com a revisão de planos diretores dos municípios em parcerias com os prefeitos, para que as obras dos condomínios, grandes empreendimentos e resorts possam acontecer com segurança jurídica e de maneira rápida", acrescentou o candidato.

O ato em Angra reuniu carreata até o Cais Santa Luzia e barqueata na sequência. Ao subir a uma caminhonete com apoiadores, Flávio Bolsonaro chegou a dançar. Participaram do evento o candidato ao Governo do Rio de Janeiro Douglas Ruas, os candidatos ao Senado Carlos Jordy e Carlos Portinho, e o candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar, todos do PL.

A passagem por Angra dos Reis ocorreu um dia depois de o senador conceder entrevista à TV Globo, e sucede atos de campanha na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e em comício em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Por Bruna Fantti/Folhapress

Bahia: ACM Neto, Jerônimo e Mansur cumprem agendas de campanha neste sábado

Fotos: Reprodução / Redes Sociais / Edição Bahia Notícias
ACM Neto (União Brasil), Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSOL), principais candidatos ao Governo da Bahia, cumprem mais compromissos de suas agendas de campanha, neste sábado (29), a fim da promoção na corrida eleitoral de 2026.

Desde domingo (16), primeiro dia oficial da campanha, o portal Bahia Notícias (BN) realiza uma coletânea das agendas. Até o primeiro turno, previsto para 4 de outubro, o BN acompanha os compromissos diários dos três candidatos.

ACM NETO - União Brasil

O candidato participa de um café da manhã com líderes evangélicos e comparece à caminhada pelo comércio de Vitória da Conquista, ao lado da prefeita Sheila Lemos (União).

Pela tarde, tem uma reunião com lideranças de diferentes regiões da Bahia e com coordenação de campanha.

Por fim, ele viaja até o município de Buerarema, no sul do estado, onde realiza um comício.

JERÔNIMO RODRIGUES - PT

A agenda de Jerônimo tem como principal foco as carreatas. No turno matutino, ele vai até o sertão baiano, no município de Rio do Antônio, para uma carreata. Depois, mais uma, no município de Caculé.

Pela tarde, outras em Ibiassucê e Catité, na faixa das 13:00h-15:00h.

Por fim, realiza um comício em Guanambi.

RONALDO MANSUR - PSOL

Pela manhã, Mansur visita o Terreiro Ilê Axé Yalodeidé, de Mãe Angélica no bairro do Cabula, em Salvador. Ele também tem um ato de panfletagem no centro de Simões Filho, no turno matutino.

Mais duas panfletagens acontecem durante a tarde. A primeira, no município de Catu, no nordeste do estado. A outra, em Alagoinhas, na região do agreste baiano, onde participa de uma reunião.

“Prevenção não dá voto”, lamenta professor ao alertar sobre Super El Niño

Foto: Reprodução / TVE
Os efeitos do El Niño já podem ser compreendidos também como um fenômeno político. A posição é do professor do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Paulo Zangalli.

Na entrevista ao Bahia Notícias, ele relaciona os efeitos do fenômeno climático à histórica ocorrência de secas no semiárido brasileiro e discute a forma como desastres ambientais são tratados pelo poder público.

Para Zangalli, medidas preventivas tendem a receber menos atenção política do que ações realizadas após a ocorrência de tragédias.

A conversa ainda aborda os efeitos da expansão do agronegócio sobre os recursos hídricos, o negacionismo climático e as providências que as cidades baianas precisam tomar antes da chegada do temido Super El Niño. Clique aqui e leia a entrevista na Coluna Municípios.

Flávio Bolsonaro repete o pai com 'cola' na mão durante entrevista à Globo

           Candidato escreveu mudança e futuro e aparente referência ao 7 de Setembro

 
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) repetiu nesta sexta-feira (28) um gesto usado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e participou da sabatina da TV Globo com anotações na palma da mão.

As câmeras mostraram as palavras "mudança" e "futuro" e "7/set", em aparente referência ao ato bolsonarista marcado para 7 de Setembro na avenida Paulista, em São Paulo.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) confirmou que participará da manifestação ao lado de Flávio.

Jair usou a mesma estratégia em entrevistas do Jornal Nacional nas duas campanhas presidenciais que disputou. Em 2018, levou "Deus", "família" e "Brasil" escritos na mão. Quatro anos depois, apareceu com as palavras "Nicarágua", "Argentina", "Colômbia" e "Dario Messer".
Por Laura Intrieri/Folhapress

28 agosto, 2026

Major antipetista da ativa da FAB derrota Múcio e Valdemar e registra candidatura a deputado

Foto: Divulgação
Um major da ativa da Aeronáutica que tenta ser candidato pela terceira eleição seguida e tem histórico de ativismo político mobilizou o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a se unirem para impedir seu objetivo. No primeiro round da disputa, Múcio e Valdemar foram derrotados.

Nesta quinta (27), a Justiça Eleitoral em Roraima deferiu o pedido de registro da candidatura de Emmanuel Novaes a deputado federal pelo PL.

Mesmo na ativa da FAB (Força Aérea Brasileira), o major Emmanuel é um militante político, que nas redes sociais insulta esquerdistas e provoca seus superiores, inclusive o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Damasceno.

A postura do oficial fez com que Múcio solicitasse a Valdemar a retirada da legenda do candidato, informação revelada pelo jornal O Globo. "Atendi porque o Múcio é um dos melhores caras que eu conheci na minha vida. Tudo que ele fala pra mim eu tenho confiança absoluta que ele está certo. E se ele pediu pra fazer isso é porque deveria ser feito. Ele é fora de série e eu sempre que puder vou atendê-lo", disse Valdemar à Folha.

A mando da executiva nacional do partido, a executiva estadual solicitou ao TRE-RR (Tribunal Regional Eleitoral de Roraima) a exclusão do registro da candidatura, mas o tribunal alegou que o pedido foi feito tarde demais, depois da convenção e do protocolo de registro.

No voto em que deferiu o registro, a juíza Joana Sarmento de Matos, relatora da ação, afirmou que "o partido, por intermédio de seu estatuto e atos delegados, pode muito, mas não pode tudo".

"É dizer que a autonomia partidária encontra limites intransponíveis nos balizamentos constitucionais, de modo que atos de intervenção não podem ocorrer de maneira abrupta, autoritária e despida de contraditório, violando o direito subjetivo que se aperfeiçoou com a escolha em convenção e o consequente início da campanha eleitoral oficial", escreveu.

A magistrada observou ainda que é "imperioso resguardar a legítima expectativa jurídica de participação no pleito eleitoral nascida da aprovação em convenção, não podendo ser retirado por mera conveniência política interna".

Ao seu modo, o major comemorou nas redes sociais: "Chora, melancia. Começou a guerra. Não adiantou não, Lulinha, Múcio, estrelinhas do meu coração".

O fim dos "melancias" –militares de esquerda, por serem verdes por fora e vermelhos por dentro– é uma das bandeiras de Emmanuel Novaes. Em 2024, quando era cogitado como candidato a vice-prefeito (acabou concorrendo a vereador), escreveu que "todo comunista é vagabundo", chamou Lula de "ladrão" e compartilhou um post exortando o petista a seguir o exemplo de Joe Biden e desistir da reeleição ("Lula, aproveita que o senil americano desistiu e pede pra sair também").

Ele já havia tentado se eleger deputado estadual em 2022, mas também não teve votos suficientes. Desde então, segue fazendo militância nas redes sociais.

Num post em 18 de agosto, ao responder sobre "como está sendo a relação com a FAB?", ele escreveu: "É uma relação maravilhosa, onde eles querem me prender e eu não quero ficar preso; onde eles querem calar minha boca e eu não quero ficar calado". E mandou um recado ao comandante da Aeronáutica: "Brigadeiro Damasceno, ó [faz sinal de coração com a mão], eu acho que a gente tem uma química. O senhor não acha não? Vamos conversar".

O major Emmanuel disse à reportagem que busca "um resgate do valor das Forças Armadas e da capacidade de combate, uma eficiência maior nas nossas atividades e a valorização da tropa".

Segundo ele, os oficiais-generais das Forças Armadas, "a partir do momento que são promovidos por escolha, por ato do presidente da República, buscam se alinhar ao governo de momento". "E, na minha visão, o fim dos melancias é o retorno do resgate dos juramentos que fizemos ao Brasil."

O oficial se queixa das dificuldades orçamentárias da FAB. "Para você ter ideia, hoje na Força Aérea não tem expediente às quartas-feiras, na sexta-feira é meio. Tudo isso porque não tem dinheiro para comida, para energia, para combustível. Na minha opinião, a gente vê uma certa, vamos dizer, não sei se seria a palavra submissão, talvez a interesses políticos e não a defesa do nosso Brasil em si".

Indagado se não teme ser expulso da Aeronáutica por causa de sua militância política –que afronta leis que regem direitos e deveres dos militares–, Emmanuel Novaes disse que pode se manifestar por estar afastado para disputar a eleição ("agregado", no termo militar). "Não é insubordinação ou indisciplina você ter as suas propostas, as suas ideias."

Afirmou não ter recebido até hoje nenhuma advertência ou punição por parte do Comando da FAB. "Acredito que, por estar agregado, né? Não sei o que pode vir de consequência, digamos, na minha reapresentação."

Procurada, a Aeronáutica não respondeu às perguntas enviadas pela reportagem.

Esta será a primeira eleição após a condenação de militares por golpismo. Dos 29 condenados pelo STF no processo principal da trama golpista, 21 são integrantes das Forças Armadas (dois deles tiveram as penas substituídas por multas), e a maior parte dos demais era oriunda das polícias Federal, Civil e Rodoviária Federal —isso sem contar os cinco coronéis da cúpula da PM-DF condenados e presos por omissão nos ataques do 8 de Janeiro.

O dano à imagem das Forças Armadas decorrente desse processo levou os atuais comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica a buscar coibir a candidatura de militares da ativa. Segundo duas dessas Forças, deu resultado.O Exército informou que neste ano 50 dos seus integrantes serão candidatos, dos quais apenas 5 são da ativa. Em 2022, declarou, foram 107 ao todo (ativos e inativos) e em 2018, 115. Os dados foram motivo de alívio no Quartel-General da corporação.

Já a Marinha forneceu os dados desde 2014 e só dos seus integrantes da ativa que pediram licença para serem candidatos: foram 16 em 2014, 27 em 2018, 16 em 2022 e 8 neste ano. A Aeronáutica não respondeu à solicitação da reportagem.

Enquanto isso, continua parada no Congresso a PEC que tenta evitar que militares da ativa das Forças Armadas sejam candidatos, forçando que, ao registrarem a candidatura, sejam automaticamente transferidos para a reserva. A proposta tem forte resistência na caserna —o general-senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), diz que ela trata os militares "como pessoas de segunda categoria".
Por Fabio Victor/Folhapress

Proposta de Orçamento de 2027 vai incluir aporte de R$ 6 bilhões nos Correios

Informação foi confirmada por dois integrantes do governo e pelo ministro Bruno Moretti (Planejamento)

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai incluir na proposta de Orçamento de 2027 a previsão de aporte de R$ 6 bilhões nos Correios.

A informação foi confirmada por dois integrantes da equipe econômica sob reserva e também pelo ministro Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

A cláusula do aporte foi um pedido dos cinco bancos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander) que concederam o empréstimo de R$ 12 bilhões à empresa no fim do ano passado. Na época, o Ministério da Fazenda precisou entrar em campo para garantir que a operação fosse fechada.

Para transmitir confiança no equilíbrio futuro da empresa e na própria capacidade de ela honrar as prestações, a Fazenda acenou com a possibilidade de injetar recursos da União no caixa da companhia até o fim de 2027. As instituições então exigiram a formalização da promessa em cláusula contratual.

"Nós vamos cumprir religiosamente a obrigação contratual que nós temos", afirma Moretti. "Vamos cumprir dentro das regras fiscais."

Até o mês passado, integrantes do governo ainda cogitavam a possibilidade de prever no PLOA (projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027 um valor menor do que os R$ 6 bilhões exigidos pelo contrato.

Defensores dessa via afirmavam que a cifra poderia ser ampliada ao longo do ano que vem, por meio da abertura de novos créditos no Orçamento. Outra possibilidade seria antecipar parte do aporte para este ano —o contrato exige que o repasse seja feito até o fim de 2027, mas o momento exato fica a critério da União.

Até agora, o governo federal não injetou nenhum recurso próprio nos Correios, apenas deu garantia ao empréstimo (o que obriga o Tesouro a honrar os pagamentos em caso de inadimplência da companhia).

Segundo o ministro, um aporte ainda em 2026 "é muito difícil", porque há R$ 17,9 bilhões bloqueados no Orçamento deste ano para compensar o crescimento de gastos obrigatórios, como benefícios previdenciários. Para injetar recursos na empresa neste ano, o governo precisaria aumentar o aperto sobre as demais áreas.

Além disso, técnicos ressaltam que não há nem sequer ação orçamentária em 2026 para realizar essa despesa. Para resolver esse aspecto burocrático, o Executivo precisaria encaminhar um projeto de lei ao Congresso e abrir essa rubrica.

A possibilidade de incluir um valor menor que os R$ 6 bilhões no PLOA de 2027 também enfrentava resistências na área técnica do governo. Para esse grupo, seria um erro não incluir a cifra desde já nas previsões orçamentárias, pois significaria subestimar uma despesa da qual o Executivo não poderá fugir.

No contrato, obtido pelo jornal Folha de São Paulo, a União se comprometeu a honrar o vencimento antecipado da dívida em caso de "ausência de aporte da União aos Correios dos valores necessários para a boa execução do plano de reequilíbrio em, no mínimo, R$ 6.000.000.000,00 (seis bilhões de reais), entre os exercícios de 2026 e 2027, nos termos da legislação vigente".

O termo "vencimento antecipado" que consta do contrato significa que, se não cumprir essa exigência, a União precisará honrar o pagamento de todos os R$ 12 bilhões contratados, mais os encargos já transcorridos, de uma só vez.

A capitalização de empresas estatais não dependentes, como é o caso dos Correios, fica dentro do limite de gastos do arcabouço fiscal e da meta de resultado primário (obtida pela diferença entre receitas e despesas). Por isso, acomodar a despesa no PLOA deixa menos espaço para outras áreas.

Em entrevista à Folha, porém, o ministro do Planejamento destacou que os gatilhos de contenção de gastos obrigatórios vão ajudar a segurar despesas com folha de pessoal, repasses a fundos e o piso da saúde. Isso vai abrir espaço no Orçamento do ano que vem para ações discricionárias, que incluem custeio e investimentos.

Segundo Moretti, esses gastos devem subir cerca de 20% em relação aos R$ 187,8 bilhões disponíveis neste ano —ou seja, um aumento de quase R$ 40 bilhões.

A discussão sobre o aporte nos Correios ocorre no momento em que a empresa negocia um segundo empréstimo, no valor de R$ 7 bilhões, para continuar tocando o plano de reestruturação da companhia.

Apenas instituições privadas devem participar da nova captação, diferentemente da primeira rodada, quando os bancos públicos capitanearam as negociações a pedido do governo Lula.

Cada banco deve entrar com valores diferentes, assim como ocorreu na primeira operação, quando também houve variações no "tamanho do cheque": BB, Caixa e Bradesco emprestaram R$ 3 bilhões cada, e Itaú e Santander, R$ 1,5 bilhão cada.

Os recursos do novo crédito precisam entrar na conta ainda em 2026, para que a companhia consiga manter seus compromissos em dia. Mas a situação é mais confortável do que no ano passado. A frustração das metas do PDV (programa de demissão voluntária), embora negativa, acabou ajudando a manter mais recursos em caixa, uma vez que o pagamento de incentivos foi menor que o previsto inicialmente no plano.

Os Correios acumulam prejuízos crescentes desde 2022. No ano passado, o resultado ficou negativo em R$ 8,5 bilhões.

No primeiro trimestre deste ano, já sob os efeitos do plano de reestruturação, o prejuízo somou R$ 3,16 bilhões, quase o dobro do observado em igual período do ano passado (resultado negativo em R$ 1,7 bilhão). Os gastos com a regularização de contas em atraso contribuíram para piorar o desempenho financeiro da empresa.

Lula ganha destaque em programas estaduais de aliados; Flávio é exibido no RJ e no PR Por Folhapress

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os principais candidatos a presidente da República
Foto: Ricardo Stuckert Pr. e Vinicius Loures/Arquivo
O presidente Lula conquistou mais destaque do que o senador Flávio Bolsonaro (PL) nos primeiros programas eleitorais de TV nos principais estados do país, iniciados nesta sexta-feira (28).

O petista teve espaço destacado na programação de candidatos no Nordeste, onde tem ampla margem de preferência, assim como de aliados em regiões bolsonaristas, como o Sul.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, teve a atenção de aliados no Rio de Janeiro e Paraná, mas foi ignorado até por correligionários do Rio Grande do Sul, onde lidera nas intenções de voto.

O programa eleitoral gratuito começou nesta sexta-feira com propagandas de candidatos ao governo, Senado e às Assembleias Legislativas. As peças dos postulantes à Presidência da República e à Câmara dos Deputados serão exibidas a partir deste sábado (29).


Em Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do país, Lula foi mencionado por Patrus Ananias (PT), candidato ao governo. Ele apresentou trechos de discurso de Lula e destacou sua atuação como ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do primeiro mandato do presidente.

"Nós precisamos mais uma vez do presidente Lula à frente do Brasil", disse o candidato na peça.

Flávio Roscoe (PL), por sua vez, iniciou e finalizou sua inserção no horário eleitoral com a participação do deputado Nikolas Ferreira (PL), cuja presença tem sido explorada também nos atos públicos da campanha. Apesar de o número de Flávio ter sido destacado em tela, o presidenciável não foi citado nem mostrado.

O líder nas intenções de voto Cleitinho Azevedo (Republicanos), também com pouco espaço de tela, optou por reforçar sua imagem como outsider político, destacando os impasses no caminho pela candidatura e direcionando um discurso voltado a diminuir o custo de vida do povo mineiro.

No Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral, Flávio Bolsonaro teve a imagem utilizada pelo presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), junto com o ex-presidente Bolsonaro.

O senador teve mais destaque ao lado do deputado Carlos Jordy (PL), que busca o Senado, falando por mais tempo que o próprio candidato. O senador Carlos Portinho (PL), por sua vez, se associou mais ao ex-presidente, sem mencionar o senador.

Lula também apareceu na campanha de Ruas, mas associado à "velha política", em fotos ao lado do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e o ex-governador Sérgio Cabral.

Paes, por sua vez, não citou sua aliança com Lula. O petista só apareceu no Rio de Janeiro em foto exibida rapidamente pela deputada Benedita da Silva (PT), que tenta o Senado.

Nos principais estados do Nordeste, Lula teve amplo destaque em relação a Flávio.

Na Bahia, tanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que tenta a reeleição, como Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT) mencionaram o presidente. João Roma (PL), por sua vez, mencionou ter sido ministro da Cidadania, mas sem dizer que foi na gestão Bolsonaro.

Em Pernambuco, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) explorou intensamente a imagem de Lula, com imagens de arquivo e falas ao lado do presidente. A governadora Raquel Lyra (PSD), que tenta a reeleição, não citou nenhum presidenciável. Contudo, seu correligionário, o deputado Túlio Gadelha (PSD), que tenta o Senado, disse ser capaz de "construir as pontes com o presidente Lula".

Flávio Bolsonaro apareceu brevemente no programa eleitoral da Paraíba na peça de Efraim Filho (PL), que concorre a governador.

No Sul, Lula não foi escondido pelos correligionários, que se apresentaram como integrantes do "time" do presidente. Foi o caso de Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT), no Paraná, e Manuela D'Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT), no Rio Grande do Sul.

Na região, o senador do PL recebeu atenção privilegiada do senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná. Ele exibiu imagem de Flávio e disse unir "o espírito da Lava Jato e a força de Bolsonaro em todo o estado". Disse ainda que o presidenciável é "o único capaz de derrotar a tragédia do PT".

No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) não citou Flávio. Disse apenas ter iniciado na política ao lado de Jair Bolsonaro e exibiu fotos do ex-presidente em atos em Porto Alegre.

Câmara de Correntina afasta vereadores condenados por esquema de desvio de dinheiro na cidade

Foto: Reprodução
Em documento divulgado nesta sexta-feira (28), a Câmara Municipal de Correntina comunicou o afastamento dos 3 vereadores condenados por um esquema de desvio de dinheiro na instituição pública do município do Extremo Oeste do estado. A decisão cumpre uma ordem judicial do Tribunal de Justiça da Bahia, que condenou cinco réus presos na Operação Último Tango por organização criminosa e peculato.

A medida vale para os vereadores Adenilson Pereira de Souza (PP), Jean Carlos Pereira dos Santos (PP) e Milton Rodrigues de Souza (PCdoB), que integram a Casa do Povo de Correntina. A decisão não cassa os mandatos dos parlamentares, permanecendo em vigor até segunda ordem do Judiciário.

No documento ao qual o Bahia Notícias teve acesso, a Câmara ainda determinou a adoção de providências administrativas necessárias para o cumprimento da portaria, entre elas, anotações, comunicações e registros pertinentes. A ocorrência é um desdobramento da Operação Último Tango, do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que em 2017 deflagrou o esquema de "rachadinhas" envolvendo os parlamentares do Oeste Baiano.

Instituto ProPulmão: Cirurgião alerta para atrasos na rede pública após identificar alterações em 200 tomografias

Foto: Bahia Notícias
O cirurgião torácico Ricardo Sales, idealizador e presidente do Instituto ProPulmão, apresentou dados sobre exames de tomografia nos quais foram identificadas alterações preocupantes. Segundo o médico, das 2.000 tomografias realizadas na Bahia — de uma meta inicial de 3.000 —, cerca de 200 apresentaram achados que exigiam investigação detalhada, resultando na indicação de 46 biópsias.

 

“Quando fizemos os primeiros exames, realizamos 2.000 procedimentos. Desses, cerca de 200 pessoas apresentaram alterações que precisavam ser melhor avaliadas. Criamos um comitê e indicamos 46 biópsias entre esses 2.000 pacientes. A meta era atender 3.000 pessoas”, explicou em entrevista ao podcast Saúde 360°.

O médico relatou que encaminhou os pacientes para a realização das biópsias na rede pública estadual de saúde. No entanto, a demora no acesso aos procedimentos — que ultrapassou três meses — gerou apreensão na equipe e levou à interrupção do programa de rastreamento.

“Uma boa parte dessas pessoas que indicamos para biópsia começou a aguardar o tempo do Estado. Percebemos que se passou um mês, dois meses, três meses. O tempo estava se esgotando e a ansiedade da equipe era muito grande. Por isso, interrompemos as tomografias ao atingir a marca de 2.000 exames. Tivemos que contratar um hospital privado para realizar as biópsias”, revelou.

Diante da falta de estrutura da rede pública para absorver a demanda, o especialista optou por recorrer ao setor privado para garantir o diagnóstico dos pacientes. Ele ressaltou, ainda, que já havia alertado as autoridades de saúde sobre essa necessidade com antecedência.

“Não estava no meu radar que o Estado estaria tão despreparado para dar segmento a esse fluxo. E não foi por falta de aviso: um ano antes de começarmos as tomografias, estivemos na Secretaria de Saúde apresentando essas demandas”, concluiu.

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