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| Foto: Antonio Augusto/STF/Arquivo |
A crise institucional do STF (Supremo Tribunal Federal) levou a cúpula do Congresso temer vazamentos generalizados a partir da investigação do Banco Master. O receio de serem pegos no fogo cruzado entre ministros da corte aumentou nesta segunda-feira (14), com a operação da Polícia Federal contra um deputado aliado do relator do caso, ministro André Mendonça.
A avaliação de lideranças do centrão ouvidas sob reserva pela Folha é a de que o Congresso pode se tornar o principal alvo do efeito colateral da disputa do STF. Esse receio se consolidou com a pressão do presidente Lula (PT) para a quebra geral do sigilo do caso Master, o que foi atendido parcialmente pelo presidente do tribunal, Edson Fachin.
Tal possibilidade era tratada como uma caixa de Pandora com chance de tumultuar a eleição nos estados com o caso Master. O incômodo foi reforçado neste fim de semana, quando parte da cúpula da Câmara teve os nomes citados em uma lista encontrada numa churrasqueira da casa do senador piauiense Ciro Nogueira, presidente do PP.
O papel foi encontrado durante uma operação para averiguar a relação do senador com o Master. Nogueira e Daniel Vorcaro conversavam e viajavam juntos, e o ex-banqueiro chegou a pagar despesas do senador, segundo a PF. Os nomes de parlamentares do centrão e do PL foram encontrados num papel ao lado de números que somam 100.
Nesta segunda, o alerta vermelho foi ligado com a operação autorizada por Flávio Dino, relator do caso sobre desvios e falta de transparência de emendas parlamentares, contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP). O congressista é um dos principais aliados de Mendonça no Legislativo.
Mendonça e Dino fazem parte de grupos adversários no STF, que agora estão em guerra por causa do Banco Master. A operação foi interpretada por políticos como um novo capítulo da batalha travada pelas alas divergentes do Supremo.
Nesse sentido, parlamentares temem que o Congresso seja alvo tanto de efeitos colaterais da investigação do Master quanto de ações deliberadas de ministros. Na avaliação dos congressistas, os magistrados podem agir contra Legislativo tanto para atacar uns aos outros quanto para tirar atenção da crise institucional enfrentada pela própria corte.
Além de indícios de corrupção, deputados e senadores temem serem envolvidos nas revelações sobre as festas promovidas por Vorcaro e aliados. A partir de dados obtidos pela PF, por exemplo, foi publicizado um evento privado promovido pelo banqueiro em 2023, no Madame Satã, com 120 mulheres e 20 autoridades e empresários.
Foram citados como convidados o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o ministro do STF Dias Toffoli, o senador Ciro Nogueira, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Wesley Batista. Todos negam ter participado. Não há registros da festa.
Qualquer reação do Congresso, porém, só deve ocorrer após a eleição. Líderes relatam dificuldade de articulação num momento em que deputados e senadores estão em suas bases eleitorais—a prioridade é garantir a própria reeleição.
A curto prazo, o centrão avalia que a guerra entre ministros e os efeitos colaterais contra o Congresso seguirão até a eleição. Integrantes do bloco dizem acreditar que a disputa presidencial será influenciada pelo grupo que vencer o cabo de guerra do STF.
Se a ala do ministro Alexandre de Moraes vencer, Flávio Bolsonaro (PL), que pediu dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre o pai e tem diálogos com o banqueiro, tende a ser o maior prejudicado. Se Mendonça vencer, o governo Lula tende a se afundar na crise pela associação com Moraes, ainda de acordo com essas lideranças do centrão.
O bloco estuda como agir depois do pleito. O deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA), um dos citados no papel achado na casa de Ciro Nogueira, defendeu a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre os vazamentos da PF.
Sob reserva, lideranças do centrão dizem entender que é preciso uma "pacificação" para conter a crise institucional. Eles avaliam que a própria crise sobre os relatores —Toffoli deixou o comando do caso após ter relação com Vorcaro exposta, e Mendonça é criticado por agir politicamente— abre espaço para um pedido de anulação de processos do Master.Por Augusto Tenório, Folhapress

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