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29 julho, 2026

SEAP alega avanços no sistema prisional da BA após ofício

O posicionamento ocorre após a Corregedoria Geral da Justiça da Bahia expedir ofício ao chefe de gabinete da Seap.

Foto: Nucom/Seap

A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) informou que, desde maio de 2024, vem adotando medidas contínuas de melhoria e fortalecimento do sistema prisional baiano. O posicionamento foi divulgado em resposta a questões apontadas pelo Poder Judiciário após inspeção realizada em março do ano passado na Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador.

Segundo a pasta, os investimentos seguem a Lei de Responsabilidade Fiscal e priorizam a dignidade das pessoas privadas de liberdade, com melhorias na infraestrutura, assistência à saúde, acesso ao trabalho, educação e segurança prisional.

A Seap destacou que a superlotação carcerária é um desafio nacional, decorrente do crescimento da população prisional em ritmo superior à criação de novas vagas. A pasta afirmou que a Bahia implementa as diretrizes do Plano Pena Justa, que reúne ações para o aprimoramento da política penal e o enfrentamento estrutural da superlotação, com ampliação de alternativas penais, qualificação da execução penal e promoção da reintegração social.

Sobre a segurança, a Seap informou estar em andamento concurso público para reforço do efetivo da Polícia Penal. Em março de 2026, foram empossados 250 novos policiais penais e, atualmente, 190 candidatos participam do curso de formação.
Entenda o caso

O posicionamento ocorre após a Corregedoria Geral da Justiça da Bahia expedir ofício ao chefe de gabinete da Seap, Marcelo Mendes Santos, para que preste informações sobre o cumprimento de determinações feitas após a inspeção de março de 2024. O procedimento foi instaurado com base no Edital CGJ nº 28/2024 e fixou diretrizes para adequações estruturais, assistenciais e de segurança da unidade.

No despacho, a juíza auxiliar da Corregedoria-Geral e coordenadora do Núcleo de Presídios, Silvia Lúcia Bonifácio Andrade Carvalho, destacou que “a cooperação institucional entre a administração penitenciária e os órgãos de fiscalização do Poder Judiciário e do Ministério Público é indispensável para o acompanhamento contínuo das rotinas prisionais e para a superação das deficiências operacionais identificadas na unidade”.

A magistrada também pontuou que “a prolongada inércia da Superintendência de Gestão Prisional (SGP) em responder aos expedientes oficiais encaminhados por este Núcleo de Presídios compromete a efetividade da fiscalização correcional e obsta o atendimento às solicitações formuladas pelo órgão ministerial”.Aline Gama/Bahia.ba

Genial/Quaest: ACM Neto e Jerônimo Rodrigues empatam na Bahia, com 39% e 38% no 1º turno

Pesquisa divulgada pela Quaest nesta terça-feira (28) mostra um cenário acirrado na Bahia, onde dois pré-candidatos a governador lideram a preferência do eleitorado até aqui, em empate técnico para o pleito de outubro.

O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) aparece com 39% das intenções de voto para o primeiro turno, e o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), tem 38%.

Em seguida, estão Ronaldo Mansur (PSOL), com 1%, Aroldo Felix (UP), também com 1%, e José Estévão (DC), que não pontuou.

Entrevistados que afirmam que não irão votar ou que votarão branco ou nulo representam 8%, enquanto indecisos chegam a 13%.

O levantamento divulgado nesta terça foi contratado pelo Banco Genial e ouviu 1.200 pessoas entre os dias 23 e 27 de julho. Ele está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BA-02331/2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O empate técnico se mantém em eventual segundo turno entre ACM Neto e Jerônimo. O ex-prefeito tem 43% das intenções de voto, ante 39% do petista. No final de abril, a pesquisa da Quaest apontava 41% para ACM Neto e 38% para Jerônimo.

A rejeição do petista é mais elevada. No caso de ACM Neto, 33% do eleitorado entrevistado disse que conhece o político e não votaria nele de jeito nenhum. Em relação a Jerônimo, o índice é de 40%.

Avaliação do governo

A visão dos eleitores sobre o atual governo também foi questionada. A pesquisa aponta que 57% dos eleitores aprovam o governo de Jerônimo. Aqueles que desaprovam somam 34%. Outros 9% não souberam ou não responderam.

Senado

A corrida ao Senado, que preencherá duas vagas, também foi avaliada pela Quaest. Ao serem questionados sobre em quem votariam, 22% dos eleitores citaram Rui Costa (PT), seguido por Jaques Wagner (PT), com 16%.

Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL) aparecem com 6% cada. Professora Delliana Ricelli (PSOL) tem 3%; Marcelo Santtana (DC), 1%; e Gregorio Gould (UP) não pontuou. Indecisos são 22%, enquanto votos brancos, nulos ou de quem não pretende votar somam 24%.

As intenções de voto em Jaques Wagner caíram seis pontos após ele ser alvo da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master. Na ocasião, o senador tinha 22% das intenções de voto, tecnicamente empatado com Rui, que marcava 24%.

Em meados de junho, Jaques Wagner foi alvo de uma fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master e ao seu ex-dono, Daniel Vorcaro. Ele nega ter recebido benefícios para atuar a favor do grupo. Dias depois, ele deixou o cargo de líder do governo Lula no Senado.

Por Catarina Scortecci/Folhapress

28 julho, 2026

Keiko Fujimori toma posse no Peru e fala em usar Forças Armadas para combater crime

Vamos usar todas as ferramentas que a Constituição põe à disposição', afirmou filha do ditador Alberto Fujimori

Keiko Fujimori tomou posse como presidente do Peru nesta terça-feira (28), 26 anos após o fim da ditadura de seu pai, com um discurso duro em relação à segurança pública —em linha com a campanha que a levou ao poder após três tentativas frustradas.

"Vamos recuperar cada bairro, cada estrada, cada espaço público para as famílias peruanas", afirmou a política no Congresso Nacional, onde seu partido, o Força Popular, tem maioria em ambas as Casas.

"Vamos usar todas as ferramentas que a Constituição põe à disposição do governo. Durante os estados de emergência, as Forças Armadas assumirão temporariamente a liderança das operações de segurança e do controle interno, em estreita coordenação com a Polícia Nacional, até que a autoridade do Estado seja plenamente restabelecida e esses territórios sejam devolvidos aos cidadãos", continuou, sob aplausos de seus apoiadores.

Ao lado das consequências do El Niño, fenômeno climático que deve impactar profundamente o Peru este ano, a segurança pública será a primeira frente de emergência de seu governo, disse Keiko. "Tememos pelas nossas vidas quando saímos à rua ou com a possibilidade de nossas casas serem inundadas em poucos meses", afirmou.

A frase ressoa no país, que viu, entre 2018 e 2025, as denúncias anuais de homicídios passarem de 1.000 para 2.600, enquanto as de extorsão aumentaram mais de oito vezes, chegando a 26,5 mil. Este último crime, disse Keiko, "sufoca o pequeno comerciante, o mototaxista, o empreendedor que trabalha tanto para construir um negócio".

Ela falou também em reformar o sistema penitenciário, "para que as prisões voltem a ser centros de reclusão e deixem de funcionar como centros de operação do crime organizado", sem mencionar, no entanto, as quatro megaprisões de segurança máxima que prometeu ao longo da campanha.

Keiko escolheu fazer um discurso conciso, de menos de uma hora, e iniciar sua fala com a promessa de não se estender no poder —como fez Alberto Fujimori, em 1992, ao dissolver o Congresso, intervir no Poder Judiciário e iniciar uma ditadura com o apoio das Forças Armadas.

"A partir deste 28 de julho de 2026, começaremos a escrever nosso futuro pelos próximos cinco anos. Nem um dia a mais", afirmou a nova presidente.

Fujimori, condenado por corrupção e violações de direitos humanos e morto em 2024, é lembrado principalmente pelo combate às guerrilhas Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Túpac Amaru —legado reivindicado por Keiko ao longo da campanha, apesar das violações da ditadura do pai.

A presidente eleita fez um duro da situação do país, que classificou de catastrófica, apesar do domínio de sua sigla nas diversas instituições da nação na última década, marcada por uma instabilidade que levou nove políticos à Presidência.

"Devemos ter a coragem de olhar nossa realidade de frente, sem anestesia, sem maquiagem e sem meias verdades", afirmou, mencionando um Estado enfraquecido pela corrupção. "Essa incapacidade do Estado é consequência de décadas de governos que renunciaram, com indiferença e descaso, à tarefa de reduzir as desigualdades que separam milhões de peruanos do acesso a serviços essenciais".

Embora estável economicamente, o Peru convive com uma das mais altas taxas de informalidade da América Latina e um elevado grau de concentração de renda —características herdadas pelo modelo econômico implementado por Fujimori na década de 1990.

A nova presidente reafirmou seu compromisso com a estabilidade fiscal, política consagrada no Peru, e prometeu um "profundo processo de desregulamentação". Ao mesmo tempo, falou em aumentar o salário mínimo para 1.300 soles peruanos (quase R$ 2.000) e reduzir a informalidade no mercado de trabalho, "sem afetar nenhum direito dos trabalhadores".

Antes de seu discurso, membros da oposição, incluindo o Juntos pelo Peru, partido do derrotado nas eleições de junho, Roberto Sánchez, deixaram o plenário enquanto apoiadores aplaudiam a agora presidente. Do lado de fora, manifestantes também protestavam contra a nova presidente.

O processo de contagem dos votos foi marcado por acusações de fraude da oposição e tentativas de anulação de milhares de votos do exterior —justamente aqueles que garantiram a vitória da primeira mulher eleita presidente do Peru por uma margem de quase 50 mil votos.

Foram 50,135% dos votos para Keiko, ante 49,865% para Sánchez. A política fez questão de acenar para a metade do país que não votou nela. "Que nossas diferenças sirvam para nos unir na busca do bem do país. Não existem dois Perus distintos. Existe um só Peru: vibrante, multicultural, forte e milenar, pronto para se levantar", afirmou ao fim do discurso desta terça.

Sua posse marca a volta do fujimorismo em meio a uma onda de direita na América do Sul. Estavam presentes na cerimônia de Keiko muitos dos expoentes da tendência, como Daniel Noboa (Equador), Santiago Peña (Paraguai) Javier Milei (Argentina), José Antonio Kast (Chile) e Rodrigo Paz (Bolívia).

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está representado pelo chanceler Mauro Vieira. Já o Uruguai, um dos únicos países governados pela esquerda ao lado do Brasil na região, enviou seu presidente, Yamandú Orsi.

Por Daniela Arcanjo/Folhapress

Bahia confirma pagamento de R$7 milhões a Internacional Travessias

Foto: Divulgação / Internacional Travessias
O Governo do Estado da Bahia oficializou o pagamento de mais de R$ 7 milhões a Internacional Travessias Salvador S.A., responsável pela administração do sistema de Ferry-Boat entre Salvador e a Ilha de Itaparica, em meio a duas investigações em andamento contra a empresa por irregularidades na prestação do serviço. A informação foi confirmada por meio de publicação no Diário Oficial do Estado (DOE) nesta segunda-feira (27).

No documento oficial do governo estadual, a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) reconhece o valor como uma dívida referente a um ajuste financeiro com a empresa e autoriza o pagamento à concessionária.

O ajuste, ou “reequilíbrio econômico-financeiro”, estaria relacionado a supostos serviços de manutenção das embarcações e custos de docagem e estaria previsto no contrato de operação do serviço. O valor do pagamento é de R$ 7,25 milhões.

Acontece que este pagamento por serviços de manutenção ocorre justamente enquanto a Internacional Travessias Salvador é investigada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e fiscalizada pelo Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) por irregularidades no serviço e condições de estrutura e higiene precárias.

Vale destacar que a publicação no Diário Oficial não destaca quais e qual o período dessas manutenções realizadas pela empresa no serviço público. O Bahia Notícias entrou em contato com a Agerba para obter informações referentes aos serviços prestados pela Internacional Travessias que motivaram o pagamento do ajuste financeiro em questão. O espaço segue aberto para a manifestação da entidade.

AS DENÚNCIAS
A denúncia partiu de ações do Coletivo Ativista Alê Okan. Segundo informações do grupo, as embarcações apresentam condições inadequadas nos sanitários, o que engloba a falta de água corrente, ausência ou deficiência de limpeza, acúmulo de lixo e resíduos, equipamentos danificados, ventilação precária e odores intensos.

No âmbito da promotoria estadual, a 3ª Promotoria de Justiça do Consumidor instaurou um inquérito civil para investigar as denúncias. Além disso, o MP-BA também investiga problemas gerais de conservação, manutenção preventiva e funcionamento das embarcações. A portaria cita ainda as fiscalizações da própria Agerba como elementos indicativos da materialidade dos fatos.

A mesma denúncia do Coletivo provocou a aplicação de uma multa de R$ 600 mil pela Anvisa, no último dia 13 de julho, contra a Internacional Travessias Salvador. Em um processo administrativo, a Agência investigou as irregularidades sanitárias apontadas e confirmou a aplicação da penalidade.

E não é a primeira vez que a concessionária é punida pelo órgão federal por falta de higiene: em 2024, a Internacional Travessias já havia sido multada pela Anvisa em R$ 300 mil.

Por fim, a última atualização sobre as denúncias contra a empresa é a instauração de uma fiscalização da atuação da empresa, por parte do TCE-BA. A decisão proposta pelo conselheiro Inaldo Araújo foi aprovada por unanimidade pelo órgão no último dia 21 de julho, conforme informações obtidas pelo Bahia Notícias.

A fiscalização é motivada por uma auditoria realizada pelo Tribunal no sistema ferry-boat que identificou problemas críticos que persistem ao longo do tempo. De acordo com a entidade, foi registrada a falta de manutenção e o estado precário geral dos barcos utilizados no sistema.

Polícia prende foragido por tráfico de drogas durante operação no Nordeste de Amaralina

Foto: Divulgação / SSP-BA
Um homem de 31 anos foi preso pelas forças de segurança, nesta segunda-feira (27), na Rua São Raimundo, no Nordeste de Amaralina. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), o suspeito estava foragido da Justiça desde maio deste ano pelos crimes de tráfico de drogas e roubo majorado.

A prisão ocorreu no âmbito da ampliação das ações preventivas e de repressão qualificada no Nordeste de Amaralina, em decorrência de um confronto entre policiais e suspeitos no último sábado, que terminou com dois agentes feridos e dois suspeitos mortos.

O foragido preso não teve a identidade revelada. A Polícia Militar informou que ele possui passagens pela venda de entorpecentes e registros por dirigir um carro roubado portando um revólver calibre 38.

O homem foi levado para a sede da Coordenação de Polícia Interestadual (Polinter) para o cumprimento do mandado de prisão definitiva decorrente de condenação transitada em julgado expedido pela 3ª Vara de Execuções Penais da Comarca de Salvador.

Com esta prisão sobe para seis o número de criminosos localizados pela polícia nas últimas 48 horas no Nordeste de Amaralina. Equipes especializadas seguem reforçando o policiamento no Complexo por tempo indeterminado.

27 julho, 2026

Jaques Wagner critica proposta de ACM Neto e diz que PIX da saúde não faz hospital


Durante o encerramento do Programa de Governo Participativo (PGP), em Santo Antônio de Jesus, neste domingo (26), o senador e pré-candidato a reeleição, Jaques Wagner (PT), criticou a proposta do ex-prefeito de Salvador e candidato a governador da Bahia, ACM Neto (União Brasil), de criar um “PIX da Saúde” no estado.

O petista afirmou que a iniciativa não substitui investimentos estruturantes na rede pública e defendeu o modelo adotado pelo governador da Bahia e pré-candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT), baseado na construção e ampliação de equipamentos de saúde. Sem citar diretamente o nome do ex-chefe do Palácio Thomé de Souza em um primeiro momento, o também ex-governador da Bahia ironizou a proposta apresentada pela oposição e comparou a ideia ao programa de repasses para creches.

“Os outros ficam o tempo todo só criticando, criticando, criticando, mas não falam o que querem fazer. Aliás, falaram recentemente: disseram que vão fazer um PIX da Saúde, como fazem o PIX de creche”, declarou.

Em seguida, Wagner questionou a eficácia da medida e defendeu que os recursos públicos sejam destinados à ampliação da rede de atendimento.

“Pelo amor de Deus, gente. Nós estamos com 15 hospitais entregues pelo governador Jerônimo, 26 policlínicas e mais oito em construção. Nós estamos fazendo saúde de primeiro mundo para o povo de Santo Antônio e de toda a Bahia”, acrescentou.

O senador ainda ressaltou que o governo estadual tem priorizado investimentos permanentes na infraestrutura da saúde, destacando a entrega de hospitais e policlínicas em diferentes regiões do estado como resposta às demandas da população. Além da crítica à proposta da oposição, o petista também fez questão de dizer que a base governista pretende concentrar o debate eleitoral na apresentação de resultados da gestão e de novas propostas para o estado.

“Agora vamos trabalhar. Muita humildade, muito trabalho, muito argumento, sem xingamento”, concluiu.

Por Reinaldo Oliveira, Política Livre

Só um terço das falas de políticos checadas se mostram verdadeiras, diz estudo da Lupa

Somente um terço (34%) das declarações feitas por políticos nos últimos cinco ciclos eleitorais —e que foram checadas— eram totalmente verdadeiras. As demais continham algum tipo de exagero, omissão ou falsidade. A constatação faz parte do relatório "Anatomia da Desinformação Eleitoral — Como a Mentira e os Boatos Políticos Evoluíram no Brasil entre 2016 e 2026", divulgado pela Agência Lupa nesta segunda-feira (27).

O dado reflete, segundo o estudo, uma sofisticação nas estratégias de desinformação em campanhas: em vez de recorrer à mentira explícita, cresce a manipulação de fatos e conteúdos verdadeiros, a chamada má informação.

"São cada vez mais frequentes omissões intencionais, exageros, recortes seletivos, comparações inadequadas e disputas de contexto", diz o relatório. "Em vez de inventar fatos, o discurso político passou a manipular informações verdadeiras ou a costurá-las de forma distorcida para produzir interpretações enganosas."

O fenômeno não se restringe a um espectro político, garantem os pesquisadores, que analisaram 3.080 declarações de 237 atores políticos de 37 diferentes partidos a partir de 2016. Há uma maioria de candidatos à Presidência, aos governos estaduais e prefeituras entre os analisados, e seus discursos foram coletados de redes sociais, debates televisivos, propagandas eleitorais, sites, entre outras fontes.

A amostra não retrata todo o ecossistema de desinformação eleitoral no Brasil, apenas os conteúdos publicados na seção de "Eleições" do site da Lupa nos últimos cincos ciclos eleitorais (2016 a 2024). As frases selecionadas "estão condicionadas às escolhas editoriais, aos critérios de relevância jornalística e aos fluxos de recebimento e monitoramento da agência", diz o estudo.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem a maior proporção de falas falsas checadas pela Lupa (43,2%), em um ranking que considera apenas os políticos que tiveram, no mínimo, 30 frases analisadas pela agência. Logo abaixo está o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (38,9%) e o ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (36,2%).

Entre os nomes de esquerda e centro-esquerda, a ex-deputada federal Manuela d´Ávila (PSOL) aparece em 6º, com 29%, e o presidente Lula (PT) em 7º, com 1 em cada 4 declarações falsas (26%) —o que "derruba a hipótese comumente ventilada no Brasil de que só a direita desinforma", diz o levantamento.

Quando distorcem informações em público, o presidente Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro têm estilos diferentes, cada um com a sua própria linguagem e temas preferidos.

Enquanto Lula parece gostar de atribuir a si mesmo a autoria ou o pioneirismo de políticas públicas e marcos institucionais que nem sempre tiveram origem em seus governos, Bolsonaro costumava declarar falsidades, principalmente, quando usava números e estatísticas ou fazia afirmações categóricas sobre sua gestão e a de adversários.

Entre os exemplos citados está uma declaração feita no debate da TV Globo em 2022, quando Bolsonaro afirmou que "nenhum país do mundo comprou vacina em 2020". Segundo a Lupa, ao menos 50 países já haviam iniciado a vacinação contra a Covid naquele ano.

De Lula, o levantamento dá como exemplo fala em um debate de 2022 no qual ele afirma que o menor índice de desmatamento ocorreu em seu governo, marca registrada na verdade pelo governo Dilma em 2012.

Em relação aos boatos virais, histórias que se espalham sem autores conhecidos, a mentira evidente continua sendo predominante, de acordo com a pesquisa. O que mudou nesse universo, porém, foi o alvo.

Os conteúdos enganosos deixaram de focar candidatos, partidos e propostas e passaram a atacar o sistema eleitoral brasileiro. Dos 286 conteúdos virais verificados desde 2016, 209 (73%) procuravam desacreditar urnas eletrônicas, votação, apuração, resultados eleitorais ou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os Tribunais Regionais Eleitorais (TRE).

"Essas duas dinâmicas se complementam", afirma o estudo. "De um lado, atores políticos de grande visibilidade difundem distorções cada vez mais elaboradas e difíceis de desmontar. De outro, redes anônimas ou descentralizadas alimentam narrativas que buscam enfraquecer a confiança nas instituições eleitorais."

O levantamento aponta ainda que o Facebook deixou de ser a principal plataforma de difusão de boatos eleitorais anônimos. Em 2018, a rede da Meta respondia por 76,5% das verificações realizadas pela agência. Em 2022, o aplicativo de mensagens WhatsApp já estava presente em 92,4% dos casos e, em 2024, representava 100%. Ou seja, toda verificação daquele ano tinha o mensageiro como um dos canais de circulação identificados.

O cenário preocupa os pesquisadores pois indica que a desinformação migrou de redes abertas como o Facebook para ambientes mais fechados, menos transparentes e mais difíceis de monitorar, como o WhatsApp.

A agência alerta ainda para o impacto do avanço da inteligência artificial nas próximas eleições. Os conteúdos sintéticos gerados com a tecnologia aparecem de forma discreta no relatório até 2024, mas os pesquisadores afirmam que as ferramentas deverão ampliar significativamente o alcance e a sofisticação das campanhas de desinformação eleitoral a partir do pleito de 2026.

Em resposta a esse cenário, o TSE passou a exigir a identificação de conteúdos produzidos com IA, proibiu que sistemas do tipo recomendem ou priorizem candidatos e restringiu a publicação de material sintético nas 72 horas anteriores e 24 horas posteriores à votação. A agência declara que é cedo para saber se essas medidas serão suficientes.

A Lupa é uma agência de checagem de fatos que produz verificações de declarações públicas e pesquisas sobre desinformação desde 2015. Integra a International Fact-Checking Network (IFCN), rede que reúne organizações de verificação de diversos países.

Por Andrei Ribeiro/Folhapress

Beneficiários com NIS de final 6 recebem Bolsa Família de julho

Foto: José Cruz/Arquivo/Agência Brasil
A Caixa Econômica Federal paga nesta segunda-feira (27) a parcela de julho do Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 6. Neste mês, o valor médio do benefício está em R$ 679,19.

Os moradores de 175 municípios de seis estados receberam o crédito no último dia 20, independentemente do número final do NIS. O pagamento unificado beneficiou localidades em situação de emergência ou em estado de calamidade pública nos seguintes estados: Amazonas (três municípios), Paraíba (31), Paraná (8), Rio Grande do Norte (120), Roraima (6) e Sergipe (7).

O valor mínimo corresponde a R$ 600. Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a famílias com gestantes e filhos de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a famílias com crianças de até 6 anos.

No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

26 julho, 2026

Governo Lula convoca embaixador na Argentina após ataque de Milei a Moraes

Embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, em audiência no Senado, em 2024
Foto: Pedro França/Agência Senado/Arquivo
O governo Lula convocou o embaixador do Brasil na Argentina após o ataque do presidente Javier Milei ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), no último sábado (25), em São Paulo.

A decisão foi revelada pelo UOL e confirmada pela Folha. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores disse que a decisão foi tomada na madrugada deste domingo (26). O embaixador Julio Bitelli chegará ao Brasil nesta segunda-feira (25).

A convocação de um embaixador é um dos principais instrumentos diplomáticos de demonstração de descontentamento entre países. Ao chamar seu representante de volta para consultas, um governo sinaliza que considera a relação bilateral em um momento de tensão e avalia os próximos passos de sua política externa.

Ontem, o presidente argentino chamou Moraes de "lixo careca" por não ter autorizado que ele visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em Brasília por tentativa de golpe de Estado. A declaração fez parte de um longo discurso de Milei na convenção do PL que homologou a candidatura de Flávio Bolsonaro.


A medida da convocação do embaixador não implica, necessariamente, rompimento de relações diplomáticas, mas funciona como um gesto político de forte peso simbólico, frequentemente adotado em resposta a crises, declarações consideradas ofensivas ou decisões do outro país.

Moraes negou o pedido de Milei logo após ter proibido visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai por 90 dias.

Julio Bitelli é titular do posto diplomático na Argentina desde 2023, quando foi aprovado pelo Senado. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, estava em deslocamento da Ásia para o Brasil e ficou sabendo das ofensas ainda durante o voo.

Logo após a fala de Milei contra Moraes, o presidente do STF ministro Edson Fachin, criticou a postura do presidente argentino. Em nota, disse que "a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados".

Por Guilherme Pimenta, Folhapress

Lindbergh, do PT, aciona PGR contra Flavio Bolsonaro por uso de IA e Milei em convenção do PL

Convenção nacional do Partido Liberal (PL) no Pacaembu, em São Paulo, para oficializar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República
Foto: Zimel Press/Folhapress
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou a PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) por uso de deepfake. O petista aponta uso indevido de imagem gerada por Inteligência Artificial do ex-presidente Jair Bolsonaro, exibida na convenção do filho, no sábado (25).

À PGR, Lindbergh diz que o PL usou a Inteligência Artificial para burlar as restrições impostas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar humanitária. A corte impediu a gravação de áudios ou vídeos do ex-presidente.

Como mostrou o Painel, a deputada federal Dandara (PT-MG) também acionou a Procuradoria pelo uso da imagem de Bolsonaro via I.A. na convenção. "Quem está com direitos políticos suspensos não pode, ainda mais através de vídeo simulado por IA, participar de convenção eleitoral", disse a parlamentar.

Para Lindbergh, o vídeo exibido o vídeo exibido na convenção vai de encontro "à conduta vedada". Ele afirma que a ressalva inserida na abertura da peça de que se trata de simulação por I.A. "não descaracteriza a violação".

Ele afirma que o uso de I.A. "evidencia que seus produtores tinham consciência da vedação judicial e buscaram contorná-la por artifício formal, substituindo a fala direta do preso por um simulacro tecnológico que produz idêntico, senão superior, efeito comunicacional".

Lindbergh também reclama da participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção do PL. O mandatário estrangeiro xingou o ministro do STF Alexandre de Moraes de "lixo careca", tratou a prisão de Bolsonaro como prova de "evidente caráter vingativo" e pediu apoio a Flávio na eleição contra o presidente Lula (PT).

Além de apontar ataque "contra a jurisdição brasileira", Lindbergh aponta prática de propaganda eleitoral antecipada, com pedido explícito de votos. "Não se tratou, portanto, de saudação protocolar nem de gesto de cortesia entre nações", argumentou o petista.

Por fim, o deputado cita pedido de voto explícito, o que só poderia ocorrer a partir do dia 16 de agosto. Lindbergh reproduziu um trecho do discurso do pré-candidato: "Imprensa que está aqui presente hoje: não gosta do Flávio? Vou te dar um conselho: vote no Flávio".

Lindbergh pede a abertura de investigação na PF (Polícia Federal) pelos crimes de desobediência. Solicita também a identificação dos envolvidos e dos custos da produção do vídeo por I.A. Além disso, o deputado solicita comunicação ao STF sobre o possível descumprimento de restrições impostas a Jair Bolsonaro.

O petista também pede que o TSE adote de medidas contra o que considera uso indevido de inteligência artificial e presença do mandatário estrangeiro em ato partidário. Ele aponta que a corte vedou o uso de deepfakes, mesmo com consentimento da pessoa que tem a imagem simulada.

Por Folhapress

Maior evento científico da América Latina começa neste domingo


                                 Reunião anual da SBPC espera a presença de 50 mil pessoas
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil/Arquivo
A Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) realiza, deste domingo (26) até o próximo sábado (1), a 78ª reunião anual, considerada o maior encontro científico da América Latina. Cerca de 50 mil pessoas são esperadas para participar de mais de 250 atividades no campus da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

O tema escolhido para o evento deste ano é Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão.

De acordo com a diretora da SBPC, Ana Tereza Ribeiro de Vasconcelos, a escolha do tema está alinhada à visão da ciência como ferramenta de transformação da sociedade.

"Este é um ano extremamente importante, com as eleições, em que a gente está pensando no futuro. E sem ciência, não existe um futuro que vá trazer desenvolvimento social, desenvolvimento econômico, porque a ciência está envolvida com todas as áreas, desde segurança alimentar a sustentabilidade, saúde. E todas essas áreas estão contempladas aqui", disse.

A programação científica trará cerca de 500 palestrantes, de 23 estados, incluindo grandes nomes da ciência. As conferências, mesas-redondas e sessões especiais transitarão por cerca de 20 trilhas temáticas, que ligam diversas áreas do conhecimento ao tema principal.

Por Agência Brasil

Postagem em destaque

SEAP alega avanços no sistema prisional da BA após ofício

O posicionamento ocorre após a Corregedoria Geral da Justiça da Bahia expedir ofício ao chefe de gabinete da Seap. Foto: Nucom/Seap A Secret...