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12 julho, 2026

Liberais transitam por equipes de presidenciáveis da direita, e Durigan é escalado para defender Lula

A cerca de dez dias do início das convenções partidárias que vão oficializar os candidatos ao Palácio do Planalto, as campanhas dos presidenciáveis do campo da direita recrutam conselheiros entre os economistas liberais para construir planos de governo de oposição à política econômica adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na ausência de um nome único da direita na disputa contra Lula, boa parte desses conselheiros se apresenta como colaboradores informais e sem vínculo direto, transitando entre as campanhas de mais de um presidenciável. Outros preferem, por enquanto, contribuir no anonimato. As conversas aceleraram nos últimos dias.

Os nomes dos conselheiros vão desde "ex-Guedes", como têm sido chamados os integrantes do superministério da Economia de Paulo Guedes o "Posto Ipiranga" do ex-presidente Jair Bolsonaro, até economistas que participaram de outros governos, como o ex-diretor do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso Luiz Fernando Figueiredo. Nome de relevo no mercado financeiro, Figueiredo se juntou ao time do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

O foco em comum na campanha dos presidenciáveis da direita é a crítica à política fiscal do governo Lula 3 de expansão de despesas, aumento da dívida pública e alta de tributos, além da defesa de maior participação do setor privado na economia. Todos vêm reunindo dados para contestar os números de Lula na economia.

Enquanto a campanha do presidente se vê às voltas com as regras do defeso eleitoral, as conversas no time de economia do seu principal adversário nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL), se firmaram sob a direção da empresária Daniella Marques.

Braço direito de Guedes no Ministério da Economia e depois presidente da Caixa Econômica Federal, Marques é apontada como o atual "Posto Ipiranga" de Flávio. A influência de Marques na campanha, chefiada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), aumentou após o racha dele com Michele Bolsonaro. Ela também é cotada para a vice de Flávio.

Marques está formalmente na campanha do filho de Jair Bolsonaro há 25 dias e se licenciou da empresa Legend para trabalhar integralmente nela. Nos bastidores tem repetido a estratégia que Guedes adotou: apresentar Flávio a nomes-chave do mercado financeiro e formuladores de opinião, e tem comandado reuniões para discutir a estratégia econômica.

"Desde o início do ano, sob a liderança de Marinho, estamos compilando diversas pesquisas, estudos e entrevistas com especialistas, para o Flávio determinar quais as prioridades e caminhos para chegarmos ao formato final do plano de governo", afirma Marques.

Segundo ela, o objetivo é apresentar um projeto que "funcione e resolva o problema das pessoas". Serão três pilares: mobilidade social; reformas macro; e microrreformas de setores estratégicos. "Há inúmeros desafios macroeconômicos a serem enfrentados porque o PT deixou o país no abismo. Vamos focar em resolver esse rombo para levar soluções concretas às famílias. Será um projeto técnico de reformas com viabilidade política."

Marinho contratou um estudo feito pela GO Associados, do economista Gesner Oliveira, ex-presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e fez entrevistas com especialistas para ajudar na definição das propostas. O senador convidou o ex-deputado federal Eduardo Cury (PL) para desenvolver o plano de governo. Outra participante é Solange Vieira, que chefiou a Susep (Superintendência de Seguros Privados) durante o governo Bolsonaro.

Marques também tem apresentado Flávio a economistas mulheres. É o caso de Cristiane Schmidt, atual CEO da MSGÁS (Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul). Ela almoçou recentemente com o candidato do PL, e também vem discutindo propostas com a equipe de Zema, chefiada pelo ex-secretário de Guedes Carlos da Costa. Cristiane também foi secretária de Economia em Goiás durante o governo de Caiado, entre 2019 e 2023.

Marcos Troyjo, ex-presidente do banco dos Brics, é outro ex-Guedes em atuação —ele foi secretário especial de Assuntos Internacionais. Ele mantém conversas com as campanhas de Flávio, Caiado e Zema. A interlocutores diz que quer contribuir com ideias para o país.

Pessoas que integram a campanha afirmam que o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida também colabora com o programa de Flávio. Sachsida, contudo, nega ser colaborador direto, mas já declarou voto em Flávio e afirma ter proximidade maior com ele do que com os demais nomes da direita.

"Me dou melhor com Flávio porque trabalhei com o pai dele. Tenho certeza que se eu ligar para o senador, ele vai me atender mais do que os outros candidatos", diz. "Se isso é uma colaboração com Flávio, aí eu estou colaborando."

Interlocutores afirmam que Flávio tem confiado plenamente em Daniella para tocar a parte econômica de seu plano. Estaria, inclusive, disposto a mudar de opinião sobre a reforma tributária. Ele já propôs revogá-la, alegando que pode resultar em aumento de impostos.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, diz que a construção do plano de economia da candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) ainda vai começar em alguns dias. "Não tem nenhum Posto Ipiranga", diz Kassab, que deverá sair de vice na chapa de Caiado. "Ele está ouvindo todo mundo e procurando contribuições."

Roberto Brant, que foi deputado federal e ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, está à frente do plano econômico do ex-governador de Goiás e diz que marcará diferenças claras com o governo do PT.

"Quem faz o crescimento é o setor privado, ao contrário do que o Lula acha. Mas o setor privado está emparedado, porque o custo de capital ficou exorbitante, e o crédito vai ficar cada vez mais restrito", diz, sem dar muitos detalhes sobre as medidas que proporá.

Uma das vantagens de Caiado sobre os demais candidatos, segundo auxiliares, é o traquejo político com um Congresso cada vez mais empoderado. Outro nome do time do ex-governador é Erik Figueiredo, outro "ex-Guedes" —ele foi subsecretário de política fiscal.

Zema também conta com "ex-Guedes" em seu time. Carlos da Costa chefia o programa econômico do candidato do Novo. Segundo ele, uma das prioridades é promover um choque fiscal nos gastos do governo. Para isso, sugere o congelamento na contratação de servidores por dois anos e a privatização de todas as estatais. A ideia, segundo ele, seria começar pela Petrobras e o Banco do Brasil.

"Estou me juntando a uma candidatura com a qual me identifico e em que posso contribuir nas questões econômicas. O trabalho nessa área está bastante avançado, estou ainda começando a olhar o plano para eventualmente dar sugestões", diz Luiz Fernando Figueiredo, que também integra a equipe de Zema.

Na equipe econômica do presidenciável Renan Santos (Missão), o principal nome já divulgado é o do deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP).

Kataguiri afirma que um dos focos da campanha é o eixo fiscal. Entre as propostas, está a desvinculação dos benefícios previdenciários do salário-mínimo, para que aposentadorias e pensões passem a ser ajustadas apenas pela inflação, sem ganho real.

Embora Renan Santos apareça numa posição pouco expressiva em pesquisas, Kataguiri afirma ver potencial no "fator Milei", presidente da Argentina que inspira a campanha do Missão.

"Na parte econômica, em termos de opinião pública, a maioria seria mais simpática ao Milei do que anti-Milei", diz o deputado. "O programa [de Renan] vai ser o mais detalhado das candidaturas à presidência, porque geralmente os programas que são protocolados no TSE são mais cartinha pro Papai Noel do que detalhamento de proposta."

O governo Lula, alvo das críticas de todos os candidatos da direita, escalou Dario Durigan (ministro da Fazenda) para falar das propostas para um eventual quarto mandato. Pelas regras eleitorais, ele pode falar em nome do candidato apenas fora do horário de expediente.

Por meio de nota enviada à reportagem pelo PT, o ministro diz que o governo recompôs a base fiscal com progressividade tributária. "A construção do plano [de governo] saberá dialogar com o sucesso desse terceiro mandato e apontará caminhos para que o país siga avançando", afirma.

Durigan diz que está mantendo um diálogo frequente e produtivo com o presidente do PT, Edinho Silva, e com quadros do partido, da base do governo e lideranças empresariais e financeiras, da sociedade civil e parlamentares.

Na economia, segundo auxiliares, o presidente Lula também ouve o ex-ministro Fernando Haddad, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e os ministros Bruno Moretti (Planejamento) e Esther Dweck (Gestão). O coordenador é o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli.

Por Adriana Fernandes e Luany Galdeno / Folhapress

Dino manda bloquear R$ 6,1 milhões de Eduardo Cunha em investigação sobre emendas

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG).
A decisão é um desdobramento da Operação Transparência, que investiga a possível ingerência ilícita de Cunha no direcionamento de verbas públicas, mesmo sem exercer mandato parlamentar desde 2016.

A determinação de bloqueio é de segunda-feira (6), mas se tornou pública neste domingo (12).
Cunha foi procurado pela reportagem por mensagem de WhatsApp, mas ainda não retornou o contato.

A Polícia Federal afirma ter indícios de que Eduardo Cunha atuava como um "vetor relevante" na definição e remanejamento de emendas, utilizando-se da servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como Tuca.

Segundo as investigações, Tuca operava como braço direito de Cunha dentro da Casa Legislativa, ignorando fluxos formais para materializar as decisões do ex-deputado.

Análises de mensagens telemáticas revelaram que Cunha coordenava diretamente a destinação de, pelo menos, 29 emendas da Comissão de Saúde, totalizando um valor de R$ 6,15 milhões.
O caso envolve municípios de Minas Gerais, estado que Cunha usa como nova base política para tentar voltar à Câmara as próximas eleições.

"Em várias passagens, o ex-deputado revela contar com uma cota informal de valores, que era direcionada conforme as diretrizes e interesses políticos no Estado de Minas. Várias foram as trocas de municípios e indicações, tudo conforme diretrizes repassadas diretamente pelo ex-deputado", diz o ministro, na decisão.

O ministro suspendeu ainda a execução de todas as despesas públicas ligadas às emendas identificadas, estejam elas em fase de empenho, liquidação ou pagamento.

A Câmara dos Deputados foi intimada a fornecer, em 10 dias, todos os documentos de tramitação interna das emendas citadas na investigação.

Dino enfatizou que o orçamento secreto não pode degradar o erário à condição de patrimônio privado e que a falta de transparência e rastreabilidade fere os princípios constitucionais da administração pública.

O ministro ressaltou que a conduta configura, em tese, o crime de peculato-desvio, uma vez que Cunha, um agente privado sem autorização institucional, interferia na alocação de recursos federais para fins pessoais e eleitorais.

Em janeiro, reportagem da Folha mostrou que o ex-presidente da Câmara enviou para a cidade de João Pinheiro (MG) uma emenda de R$ 1 milhão assinada pelo deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG).

Cunha passou mais de três anos preso em decorrência de investigação na Operação Lava Jato e posteriormente conseguiu a anulação de suas condenações.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi alvo de bloqueio de bens, também por ordem de Dino, na última semana. A suspeita é de que ele direcionava as verbas de emendas mesmo sem ter mandato parlamentar.

Por Raquel Lopes / Folhapress

Homem é preso por descumprir medida protetiva em Juazeiro

Um homem de 50 anos foi preso pela Polícia Civil em Juazeiro, no Norte do estado, por descumprimento de medida protetiva, além de responder pelos crimes de ameaça e injúria no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. A prisão ocorreu na última quinta-feira (9), no Residencial Mairi, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva.

Segundo a Polícia Civil, a ordem judicial foi expedida pela Vara de Violência Doméstica e Familiar da Comarca de Juazeiro. O investigado foi localizado após diligências e preso sem oferecer resistência.

Após o cumprimento do mandado, o homem foi encaminhado à unidade policial, onde foram adotados os procedimentos legais. Ele permanece à disposição do Poder Judiciário e será transferido para o sistema prisional.

A ação foi realizada por equipes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Juazeiro.

11 julho, 2026

Colisão entre ônibus e picape deixa jovem morto e mulher ferida na BA-026, no sudoeste baiano

Foto: Reprodução / Blog Marcos Frahm
Um acidente envolvendo um ônibus e uma picape deixou um homem de 25 anos morto e uma mulher ferida na madrugada deste sábado (11), na BA-026, entre os municípios de Contendas do Sincorá e Maracás, no sudoeste da Bahia. As informações são do Blog Marcos Frahm, parceiro do Bahia Notícias.

De acordo com a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), a colisão frontal ocorreu por volta das 4h40, no km 270 da rodovia. A vítima fatal foi identificada como Thiago da Silva Lima, que conduzia uma Volkswagen Saveiro e morreu ainda no local do impacto. Uma mulher que estava na picape, identificada como D'arc Suene Pereira Santana, foi socorrida com suspeita de fratura na perna esquerda e encaminhada ao Hospital Álvaro Bezerra, em Maracás.

O ônibus da empresa Entram era conduzido por um motorista de 46 anos, que não sofreu ferimentos. Os demais passageiros também saíram ilesos. Equipes da Polícia Técnica realizaram a perícia no local e removeram o corpo da vítima para o Instituto Médico Legal (IML) de Jequié. As circunstâncias do acidente serão investigadas pela Polícia Civil e pela Polícia Rodoviária Estadual.

Salles diz que família Bolsonaro exige obediência absoluta e divide a direita

Crítico do presidente Lula (PT), o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), 51, credita a vantagem do petista sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas como fruto de erros da campanha bolsonarista -incluindo a relação do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro com Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Em entrevista à reportagem, Salles disse que as brigas no clã enfraquecem a direita -em especial os ataques mútuos entre Flávio e sua madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL)- e que o grupo político de Carlos (PL) e Eduardo Bolsonaro (PL) tem excluído quem não se dispõe a jurar "obediência absoluta".

Pré-candidato ao Senado por São Paulo, Salles se colocou como opção para a Casa legislativa em 2024, quando se filiou ao Novo. Dois anos depois, apesar de seu partido apoiar a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ele concorre de forma independente. Os candidatos apoiados pelo governador são o deputado federal Guilherme Derrite (PP) e o deputado estadual André do Prado (PL).

Sem o palanque de Tarcísio, Salles disse ter sido aconselhado a desistir: são três nomes da direita disputando duas cadeiras, o que pulveriza os votos do campo político. Sua reação foi abrir fogo contra André do Prado, a quem acusa de fingir ser de direita. "Se quiserem ter dois candidatos, o André que desista. Eu vou resistir."

Ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, ficou marcado por defender "passar a boiada" em reunião ministerial -justificando que aquilo significava resolver as coisas de forma rápida. Eleito o quinto deputado federal mais votado em 2022, com 640 mil votos, ensaiou uma candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2024 e recuou após o PL, partido ao qual era filiado, decidir apoiar a reeleição de Ricardo Nunes (MDB).

Salles aparece numericamente em terceiro lugar no Datafolha do início deste mês, liderado por Marina Silva (Rede), com 18%, e Simone Tebet (PSB), com 16%. Tecnicamente empatado com Tebet, Salles (13%) também empata, dentro da margem de erro de dois pontos, com André (11%) e Derrite (10%).

PERGUNTA - Alguém pediu ao sr. de forma direta para desistir do Senado?
RICARDO SALLES - Vários comentaram que eu precisava desistir, mas por que eu que tenho que desistir? Eu me lancei candidato antes de todos, tenho uma história na direita muito mais sólida do que qualquer outro e estou na frente deles [André do Prado e Derrite] nas pesquisas.
O Tarcísio nunca tocou nesse assunto de desistência comigo. Algumas pessoas, em conversa com o Fernando Meira [presidente do Novo em SP], insinuaram se não era o caso de eu ir para deputado federal, que obviamente eu teria uma votação significativa. Se quiserem ter dois candidatos, o André que desista. Eu vou resistir.

P - Como o sr. enxerga a disputa na direita para o Senado em São Paulo?
RS - O André não é de direita, ele está se fingindo ser de direita. Apoiou Dilma Rousseff [em 2010] e, na eleição de 2022, ficou ao lado do Rodrigo Garcia contra o Tarcísio no primeiro turno. Ele se juntou ao PT para se eleger presidente da Assembleia Legislativa e tem uma série de parcerias com deputados, vereadores e prefeitos do PT. Tarcísio não o quis como vice. No fundo, não é uma candidatura ao Senado por mérito, mas como prêmio de consolação. Já o Derrite é um bom candidato.

P - Por que o sr. discutiu com Eduardo Bolsonaro nas redes sociais?
RS - Dos filhos do Bolsonaro, acho o Eduardo o mais preparado. Mas ele fragilizou o discurso que sempre teve contra a corrupção quando aceitou ser suplente do André do Prado, pupilo do Valdemar Costa Neto, que personifica o centrão. Critiquei isso. Ele disse que eu me acovardei na discussão toda de anistia, o que não é verdade. Eu procuro dizer coisas que têm fundamento, que eu possa sustentar. Não digo frase de impacto para depois ter que recuar, como ele com aquela história de "soldado e cabo para fechar o STF".

P - Flávio Bolsonaro tem chance de vencer?
RS - Acho que sim, porque como a própria Folha mostrou, a maioria dos brasileiros é de direita. O Lula tem um mau governo, corrupto, e a figura dele está muito envelhecida, desgastada. A vantagem é muito apertada e diante de qualquer descuido do Lula, o Flávio cresce. Só que hoje a campanha do PT está jogando em cima dos erros da campanha do Flávio.

P - E tem a relação com o Vorcaro...
RS - Exatamente. Os erros da campanha do Flávio é que estão dando vantagem ao Lula. Não é o Lula que está indo bem.

P - O que achou dos movimentos recentes de Michelle Bolsonaro?
RS - O Eduardo e o Carlos têm em torno deles uma série de ativistas, influenciadores e blogueiros que diuturnamente atacam Michelle, Nikolas [Ferreira] e muita gente séria e de direita, mas que, por razões fúteis, acabam gerando ciúmes. Isso desune a direita. Acho que a manifestação da Michelle [em vídeo no qual disse ter sido maltratada] foi um desabafo de alguém que estava cansada de ser atacada por todo esse entorno. O próprio Flávio não atacava, mas também não fazia questão de brecar todos esses ataques que todo mundo via e todo mundo sabia de onde vinha.

P - Quem promove esses ataques?
RS - São os influenciadores amigos do Eduardo: Kim Paim, Allan dos Santos... Tem uns tantos lá no Twitter, principalmente.

P - Um ponto fraco do Flávio é a aceitação entre as mulheres. Existe terreno para ele se recuperar?
RS - Acho que sim, a eleição está longe. Tem uma frase interessante que diz que a política é a arte de ciscar para dentro. O que essa turma do entorno do Carlos e do Eduardo está fazendo é ciscar para fora, jogar gente que estava junto para fora -e só não fazem com aqueles que juram obediência absoluta. Gente com escolha não se sujeita a essa história de obediência absoluta.

P - É o seu caso?
RS - Tenho independência total, não preciso da política para nada. Gosto de política e fui para a vida pública por vocação, não por ausência de alternativa no setor privado. Quando a pessoa não pode sobreviver fora da política e se dar ao luxo de eventualmente perder uma eleição, começa a aceitar e fazer coisas que em condições normais não faria ou aceitaria.

P - O que fará se não for eleito?
RS - Eu toco a minha vida na advocacia, não tem problema nenhum. Fui candidato três vezes antes de ser deputado federal [2006, 2010 e 2018], perdi e continuei na advocacia. Não preciso da política para viver. Não quero perder a eleição, mas se acontecer, faz parte. Fazer o quê?

P - A deputada Tabata Amaral [PSB] disse que o sr. teve zero projetos aprovados no atual mandato. Como responde a isso?
RS - Para aprovar um projeto no Congresso, da forma como ele está, você tem que ceder em coisas que eu não estou disposto a ceder. Meus projetos foram apresentados e ficaram pelo caminho. Mas relatei a CPI do MST, a PEC das drogas, a minha emenda incluiu a castração química de pedófilos [no projeto de lei 3976/2020, aprovado em 2024 pela Câmara e parado desde então no Senado]. Ou seja, ainda que eu não tenha projetos da minha autoria aprovados, há ações relevantes da minha autoria que puderam ser feitas sem negociar com a esquerda ou o centrão.

P - A negociação não faz parte da política?
RS - É parte da política, mas tenho um pouco mais de rigidez nessa capacidade de transacionar ou de negociar com pessoas que têm posições muito diferentes das minhas, sejam porque são de esquerda, sejam porque são do centrão fisiológico.

P - Se o centrão ocupa tanto espaço, como legislar sem negociar com ele?
RS - O primeiro pressuposto é que eles devem aderir à nossa pauta, e não a direita se submeter à pauta do centrão. O centrão consegue cooptar votos com verbas, emendas, cargos, favores em comissões temáticas. Quando nós éramos governo e a caneta estava na nossa mão, o ministro encarregado de negociação política, que era um general [Luiz Eduardo Ramos], era completamente inadequado para essa função. Você colocar general para negociar política é um desastre, como a maioria das coisas que eles fazem.

P - Ainda pensa em concorrer à Prefeitura de São Paulo?
RS - Se eu for eleito senador, não vou deixar o Senado para concorrer à prefeitura. Agora, se eu não for eleito senador, aí quem sabe?

RAIO-X | RICARDO SALLES, 51
Advogado formado pela Universidade Mackenzie, foi ministro do Meio Ambiente (2019-2021), secretário estadual de Meio Ambiente em São Paulo (2016-2017) e fundador do movimento Endireita Brasil. Foi o quinto deputado federal mais votado em 2022 e é pré-candidato ao Senado nestas eleições.

Por Juliana Arreguy / Folhapress

Governo Trump intima jornalistas do New York Times após reportagem sobre avião doado pelo Qatar

O governo de Donald Trump intimou jornalistas do The New York Times após a publicação de uma reportagem que levantou dúvidas sobre a segurança da nova aeronave presidencial doada pelo Qatar.

De acordo com o jornal, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos convocou os repórteres para prestar depoimento em Nova York na próxima quarta-feira (15), no âmbito de uma investigação sobre suposta violação da legislação criminal federal.

Algumas das intimações, ainda segundo o veículo americano, foram entregues por agentes nas residências dos repórteres. "Nossos jornalistas apuram os fatos e defendem o direito do público americano de saber como o governo está funcionando e como o dinheiro dos contribuintes está sendo gasto", escreveu David McCraw, advogado do New York Times, em comunicado.

"Esse ato descarado deve ser visto como uma tentativa de impedir que a população saiba o que está acontecendo no país, intimidando jornalistas para que deixem de fazer seu trabalho", acrescentou.

As intimações foram emitidas pelo procurador federal Jay Clayton, indicado recentemente por Trump para o cargo de diretor de Inteligência Nacional. Entre os convocados para prestar depoimento estão os quatro jornalistas que assinaram a reportagem sobre a aeronave publicada na última quarta (8): Julian E. Barnes, Eric Lipton, Tyler Pager e Eric Schmitt.

Segundo o texto, Trump deixou a Turquia a bordo de sua antiga aeronave presidencial em vez do novo Boeing 747-8 doado pelo Qatar, por motivos de segurança. Ainda de acordo com a reportagem, a escolha foi feita após recomendação do Serviço Secreto.

Autoridades disseram, sob a condição de anonimato, que o novo avião não tem alguns recursos de segurança presentes na aeronave mais antiga, incluindo sistemas avançados antimísseis.
Antes de a reportagem ir ao ar, na própria quarta, um funcionário de alto escalão do FBI, a polícia federal americana, contatou o jornal e pediu que o texto não fosse publicado, pois seria uma questão de segurança nacional.

Ainda segundo o New York Times, o representante do FBI se recusou a explicar qual seria o problema de segurança e solicitou que o jornal revelasse as pessoas ouvidas pela reportagem, o que o veículo afirmou ter recusado.

A Casa Branca não se pronunciou sobre a intimação. Neste sábado (11), porém, uma representante do Departamento de Justiça dos EUA escreveu em comunicado que "os repórteres não são os alvos". "Os alvos são aqueles que vazam informações sigilosas", disse Emily Covington.

"Nós valorizamos e reconhecemos o importante papel que a imprensa desempenha neste país, mas o Departamento de Justiça também tem um papel fundamental em garantir que as pessoas encarregadas dos segredos da nossa nação façam o que devem fazer com essas informações. Reconhecemos que sempre poderá haver uma tensão natural entre essas funções, mas não vamos ignorar a lei", completou.

Nos últimos meses, Trump intensificou os ataques contra repórteres e veículos de comunicação, reforçando uma estratégia que transforma a imprensa em inimiga preferencial e ajuda a mobilizar sua base de apoiadores, de modo a combater a queda de popularidade.

Em junho, o republicano atacou repórteres de diferentes veículos e interrompeu uma entrevista de forma abrupta. Também no mês passado, comentaristas que se apresentam como independentes encontraram seus nomes em uma seção intitulada "Influenciadores de Esquerda" dentro da página "Infratores da Mídia", hospedada no site da Casa Branca, o que motivou novas críticas relacionadas à liberdade de expressão.

Os processos contra profissionais e veículos da imprensa também não são novidade. Em 2025, Trump moveu uma ação contra o The New York Times sob o argumento de difamação.

O jornal também já entrou na Justiça contra o presidente. Em dezembro, o veículo processou o Departamento de Defesa americano após a imposição de restrições a repórteres responsáveis pela cobertura das Forças Armadas.

Por Júlia Moura / Folhapress

Moraes manda soltar ex-prefeito de Belford Roxo, após prisão com fuzil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), preso em flagrante durante uma operação da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro. A decisão foi emitida na noite de sexta-feira (10), e a saída do político do sistema prisional está prevista para este sábado (11).

Canella estava detido desde terça-feira (7), após agentes encontrarem um fuzil calibre 556 no veículo em que ele estava durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão da sexta fase da Operação Unha e Carne.

Além do ex-prefeito, um policial militar preso na mesma ocorrência também foi beneficiado pela decisão.

Medidas cautelares

Ao substituir a prisão preventiva por medidas cautelares, Moraes determinou que Canella utilize tornozeleira eletrônica, entregue o passaporte e tenha o porte de arma suspenso. O ex-prefeito responderá ao processo em liberdade.

Na decisão, o ministro destacou que a alegação da defesa de que o fuzil pertence ao policial responsável pela segurança de Canella ainda deverá ser esclarecida no decorrer das investigações.

Em nota, a defesa afirmou que a prisão "não se sustentava", sustentando que a arma era registrada em nome do segurança do político e que a documentação foi apresentada ao STF.

Operação Unha e Carne

A prisão ocorreu durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Federal, a organização investigada teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. As investigações tiveram início após um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar movimentações financeiras consideradas atípicas.

Nesta etapa da operação, a PF cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em municípios da Região Metropolitana do Rio e no interior do estado. Também foram apreendidos armas, joias, dinheiro em espécie e veículos de luxo, além de determinado o bloqueio de bens e a suspensão das atividades de empresas ligadas aos investigados.

Canella era alvo apenas de um mandado de busca e apreensão, mas acabou preso em flagrante após a localização do armamento.

Investigação

De acordo com a Polícia Federal, Canella é investigado por suspeita de atuar como um dos elos políticos do esquema investigado. Os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros crimes que venham a ser identificados ao longo das apurações.

A operação faz parte das medidas determinadas pelo STF no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, que atribuiu à Polícia Federal a condução de investigações sobre possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas.

Trajetória política

Márcio Canella iniciou a carreira política como vereador de Belford Roxo, em 2012, e posteriormente exerceu três mandatos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Entre 2017 e 2019, licenciou-se do mandato para ocupar o cargo de vice-prefeito do município.

Ele foi eleito prefeito de Belford Roxo em 2024, mas renunciou ao cargo em abril deste ano para disputar uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro.

Por Agência Brasil

10 julho, 2026

Leandro de Jesus rebate críticas de Wagner após caso da placa retirada no Sul da Bahia: “A prisão te espera, galego”

                       O deputado estadual Leandro de Jesus (PL) e o senador Jaques Wagner (PT)
O deputado estadual Leandro de Jesus (PL) reagiu às declarações do senador Jaques Wagner (PT), que afirmou que o parlamentar "não tem nada na cabeça" ao comentar a polêmica envolvendo a inauguração da BA-649, entre Itabuna e Ilhéus, e a retirada pelo parlamentar da placa da inauguração que ele chamou de “fake”. Em resposta, Leandro ironizou a crítica e disse considerar uma "honra" ser atacado pelo líder petista.

Segundo o deputado, receber críticas de Wagner representa um motivo de orgulho, diante das investigações que atingem o senador no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master e cita empresários como Daniel Vorcaro e Augusto Lima.

"Eu jamais gostaria de receber elogios de alguém que hoje é investigado pela Polícia Federal. Se ele me critica, significa que estou no caminho certo", afirmou Leandro.

O parlamentar também elevou o tom ao rebater a declaração do senador.

"Ele diz que eu não tenho nada na cabeça. O que deve passar pela cabeça dele é como aparecer como investigado no próximo escândalo. Os baianos esperam respostas sobre os problemas do estado, enquanto o senador prefere atacar quem denuncia obras inauguradas sem estarem plenamente concluídas", declarou.

“O que a Bahia precisa se livrar é de alguém que só visa sangrar o seu povo, que é conhecido agora pelas suas relações nebulosas com um criminoso. O que Wagner deveria se preocupar era com explicações sobre o caso Master e não com uma placa retirada por um deputado que refletiu o que o povo está achando deste partido que vem destruindo a Bahia há 20 anos. A prisão te espera, Wagner, com fé em Deus”, completou.

Por Redação

INSS fará mutirão de perícia médica neste fim de semana

                  Segurados que já aguardavam foram convocados por mensagem no celular
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) realiza neste sábado (11) e domingo (12) um mutirão de perícia médica federal em 47 localidades de 18 estados mais o Distrito Federal.

A meta é atender mais de 17,8 mil pessoas em diversas partes do país. As vagas do atendimento extra serão preenchidas por segurados do INSS que já haviam agendado a perícia, mas aguardavam há bastante tempo pelo atendimento.

Durante a perícia médica, será avaliado se o benefício é devido: temporário (antigo auxílio-doença) ou permanente (aposentadoria por invalidez).
Consultar o agendamento

Todos os segurados convocados para realização da perícia médica federal foram informados por mensagem de SMS no celular cadastrado no momento em que o novo pedido de benefício foi iniciado pela internet.

A pessoa que está doente e incapaz para o trabalho também pode conferir a data agendada para a perícia médica federal diretamente no site ou no aplicativo Meu INSS, com acesso via login da conta do portal Gov.br.

No Meu INSS, o interessado deve clicar em "Benefício por Incapacidade" para verificar a data, local e horário da avaliação.

Caso o sistema não esteja disponível, há ainda o telefone com ligação gratuita, o Ligue 135.
Perícia remota

O Ministério da Previdência Social (MPS) esclarece que a maior parte dos atendimentos deste sábado e domingo será feita por meio de telemedicina, via internet.

A modalidade remota se destina à população que vive em locais onde não há peritos ou em que o tempo de espera é elevado.

As perícias conectadas serão adotadas em perícias iniciais para benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), além de avaliações médicas de requerimentos de Benefício de Prestação Continuada (BPC) à pessoa com deficiência (PCD) e nas revisões desses benefícios assistenciais (REVBPC).
Fila nacional

Atualmente, a fila de requerimentos da perícia médica federal para acesso aos benefícios do INSS está em 391 mil pedidos.

Em relação a novembro do ano passado, quando a fila atingiu 1,2 milhão de requerimentos, houve redução de 68% na demanda. Em julho, o tempo médio de espera dos segurados entre o agendamento e a realização da perícia é de 20 dias, diz o INSS.

Por Agência Brasil

Polícia Civil deflagra Operação Muralha em São Sebastião do Passé

Foto: Divulgação / Polícia Civil da Bahia

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta sexta-feira (10), a Operação Muralha, com o objetivo de cumprir mandados judiciais decorrentes de uma investigação que apura uma tentativa de latrocínio ocorrida em março deste ano, no município de São Sebastião do Passé.

De acordo com a apuração, a vítima foi abordada por dois homens armados no bairro IV Etapa da Urbis e atingida por disparos de arma de fogo durante o roubo de seu aparelho celular.

As medidas judiciais, expedidas pela 3ª Vara das Garantias da Comarca de Salvador, estão sendo cumpridas por equipes da 37ª Delegacia Territorial (DT/São Sebastião do Passé), com o apoio de guarnições do 26º Batalhão da Polícia Militar.

Operação Maré Vermelha prende suspeitos de integrar grupo criminoso com atuação em São Francisco do Conde

Foto: Divulgação / SSP-BA
A Polícia Civil da Bahia deflagrou, nas primeiras horas desta sexta-feira (10), a Operação Maré Vermelha para cumprir mandados de prisão temporária e de busca e apreensão contra integrantes de um grupo criminoso vinculado a uma organização criminosa com atuação interestadual.

As ordens judiciais são cumpridas nos municípios de São Francisco do Conde, Camaçari e Salvador. Até o momento, dois suspeitos foram presos, sendo um em Salvador e outro em São Francisco do Conde.

Segundo as investigações, os alvos são apontados como responsáveis pela prática de tráfico de drogas, homicídios e outros crimes no município de São Francisco do Conde.

A operação mobiliza equipes do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) para o cumprimento das ordens judiciais e a realização dos procedimentos de polícia judiciária.

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