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08 julho, 2026

EUA recomeçam ataque ao Irã depois de ameaças de Trump


Comando Central das Forças Armadas americanas anuncia nova rodada de bombardeios contra teocracia
Foto: Reprodução/Instagram
As forças dos Estados Unidos recomeçaram a atacar pontos do Irã nesta quarta-feira (8), horas após o presidente Donald Trump dizer que a trégua estabelecida entre os rivais em 17 de junho estava acabada.

Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, responsáveis pela área do Oriente Médio, o objetivo dos ataques adicionais é impedir que Teerã cumpra sua promessa de fechar o estratégico estreito de Hormuz, por onde passavam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes da guerra iniciada por Trump em fevereiro.

A nova rodada de ataques começou quando o Irã atacou três petroleiros na região que deveria estar aberta, segundo termos do memorando com Washington.

Na terça (7), os EUA bombardearam posições iranianas junto ao golfo Pérsico, e nesta quarta Teerã lançou mísseis e drones contra bases americanas no Bahrein e no Kuwait.

O risco agora é de uma escalada com impacto óbvio no mercado internacional e no preço do petróleo, conforme havia prometido a Guarda Revolucionária iraniana mais cedo. Segundo ela, haverá o dobro de ataques em relação à retaliação contra três unidades militares americanas no golfo.

O novo ataque dos EUA ocorreu quando Trump já havia deixado a Turquia, onde participou na terça e nesta quarta da reunião de cúpula da aliança militar Otan. Ele voou no modelo antigo do Air Force One, que tem sistemas de defesa eletrônica e antimíssil que o novo avião temporário que ganhou do Qatar não transporta.

Segundo a mídia estatal iraniana, houve explosões não só na área costeira, que de todo modo viu ataques a Jask e Chabahar, já no golfo de Omã, e em Abu Musa, em Hormuz.

Ao menos um ataque foi relatado em Bushehr, onde fica a única usina nuclear civil do Irã. Não houve danos às instalações, que não têm a ver com o criticado programa atômico dos aiatolás e são gerenciadas pela russa Rosatom, segundo o governo local.

Com os ataques, a frágil trégua de 60 dias estabelecida no memorando entre americanos e iranianos parece ter acabado, como Trump havia dito em Ancara. Segundo a agência iraniana Nournews, há uma retaliação maciça sendo preparada contra alvos americanos na região, o que pode levar a uma guerra total novamente.

Neste ano, o conflito durou cinco semanas até abril, e depois houve renovações de cessar-fogo pontuadas por troca de ataques até o memorando entrar em vigor no mês passado. Desde então, houve violações de lado a lado, com o Irã buscando estabelecer um controle sobre o estreito de Hormuz.

Washington não aceita isso oficialmente, mas na prática vem ocorrendo, e Omã, país árabe que fica na margem sul do estreito, negocia com Teerã a criação de uma autoridade de controle vista por críticos como um pedágio sobre águas que antes eram de livre navegação.
Por Igor Gielow/Folhapress

ACM Neto critica “propaganda enganosa” de Jerônimo ao entregar Rodovia da Gabriela “pela metade”

Foto: Política Livre/Arquivo
Pré-candidato a governador da Bahia, ACM Neto (União Brasil) trouxe à tona, nas redes sociais, a inauguração feita pela metade pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) na última sexta-feira (3): implantação da BA-649, batizada como Rodovia da Gabriela, ligação entre Itabuna e Ilhéus.

Neto postou registros que comprovam que a rodovia, embora entregue pelo governador, possui asfalto inacabado e comprometimento em estruturas.

Para o pré-candidato, isto faz parte de um plano traçado pelo grupo petista para iludir a população em ano de eleição. “Essa é a estratégia do governo de Jerônimo Rodrigues: posar pro vídeo e postar nas redes sociais. Mas, na vida real, é só mais uma entrega que não funciona. Como explicar que uma obra recém-inaugurada parece que nunca foi feita?”, questionou.

A Rodovia da Gabriela foi anunciada ainda na gestão Rui Costa, em 2021, como uma nova ligação estadual entre Itabuna e Ilhéus, alternativa à BR-415. Na época, o investimento previsto era de R$ 141 milhões, com promessa de quatro pontes sobre o Rio Cachoeira e um viaduto sobre a BR-415. Depois, o próprio governo passou a divulgar a obra com valor de R$ 196 milhões e previsão de conclusão para janeiro de 2024.

O prazo, no entanto, não foi cumprido. Em março de 2023, a gestão estadual informava que a BA-649 tinha apenas 32% das obras prontas; em janeiro de 2024, quando a rodovia já deveria estar concluída, o governo admitia que a construção havia chegado a 60% e passou a prever a entrega para o segundo semestre daquele ano. A inauguração feita por Jerônimo só ocorreu em 3 de julho de 2026, mais de dois anos depois do prazo inicial, e ainda como primeira etapa do sistema viário.

Por Redação

Fachin diz que crime organizado é 'tragédia contemporânea' e prega combate a bets ilegais

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, classificou o avanço das facções criminosas como uma ‘tragédia contemporânea’ e atestou que uma das formas mais eficazes de enfrentá-las é sufocar seus mecanismos de lavagem de dinheiro através de plataformas de apostas online, as bets.

A relação entre o mercado ilegal de apostas no País e o crime organizado é, na percepção de Fachin, "um tema estruturalmente relevante para despertar cada vez maior a necessidade de uma regulação financeira que esteja atenta para este grave problema social e de segurança pública".

"Nós sabemos que, infelizmente, há um mercado ilegal e clandestino que permanece à margem do Estado e, mesmo nas atividades aparentemente ilícitas, na criação de estruturas empresariais aparentemente ilícitas, também há a prática de muitos delitos que devem ser coibidos, como a lavagem de dinheiro, além da integração com outras atividades criminosas, que é o tráfico de drogas, o contrabando, os jogos ilegais, a extorsão, a corrupção", disse o ministro.

A declaração de Fachin sobre bets ilegais foi dada nesta quarta-feira, 8, durante a inauguração da nova estrutura especializada do Tribunal de Justiça de São Paulo, criada para impedir que o Primeiro Comando da Capital (PCC) fortaleça seus tentáculos no Estado.

A medida transforma as atuais 1.ª e 2.ª Varas de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital nas 1.ª e 2.ª Varas Estaduais de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, e cria a 3.ª Vara Estadual da mesma especialidade e uma Vara Estadual das Garantias, voltada exclusivamente à fase investigativa desses delitos, além da Vara Estadual Especializada em Crimes contra a Ordem Tributária e Econômica e Crimes em Licitações e Contratos Administrativos.

Na avaliação de Fachin, o projeto de combate às facções capitaneado pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Francisco Eduardo Loureiro, deve servir de modelo para os demais Estados. "Eis que o tema da macrocriminalidade, infelizmente, se espraiou em todo o País", afirmou o ministro.

Ao lado de Fachin, o presidente do maior tribunal de justiça do País defendeu uma "urgente reformulação no mercado de capitais" para frear as táticas de ocultação e branqueamento de ativos do crime organizado. Para Francisco Loureiro, fundos de investimento com titular anonimizado e criptomoedas servem "a maravilha para a lavagem de dinheiro".

"Não há razão nenhuma para que alguém tenha um ativo patrimonial no Brasil de forma anônima", prega o desembargador.

"O dinheiro anônimo foi produto ou tem origem em outros crimes. Isso deve ser combatido de forma absolutamente segura e firme, mediante alteração da legislação que rege o mercado de capitais", propõe o desembargador.

Fachin ponderou. "Na perspectiva do combate ao crime organizado, o Poder Judiciário comparece no limite de suas respectivas atribuições. Por isso, nós temos levado a efeito um conjunto de atitudes e práticas no que diz respeito à criminalidade da lavagem de capitais por meio das bets, que é uma outra preocupação que o Poder Judiciário está tendo e o uso indevido dessas empresas para promover lavagem de capitais. Esse é um tema extremamente importante."

Quem tomou as rédeas do tema da lavagem de dinheiro do crime organizado no Supremo, segundo esclareceu Fachin, foi o ministro Flávio Dino, junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em junho, Dino determinou ajustes no plano de reestruturação do órgão, que combate fraudes e a atuação de empresas sem autorização no mercado de capitais.

O cenário das bets ilegais a serviço do crime organizado é um tema de "caráter transnacional", alertou o presidente do STF. "Os serviços são localizados fora do Brasil em empresas constituídas em outras nações, portanto em outras jurisdições, a utilização para via desses procedimentos de criptoativos e além da fragmentação internacional das transações que dificultam investigações, bloqueios patrimoniais e recuperações de ativos", explicou.

Por Fausto Macedo e Felipe de Paula, Estadão Conteúdo

Mulher é morta em Salvador e família aponta ex-namorado como suspeito; vítima havia sido agredida dias antes

Uma mulher de 28 anos foi morta no bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador, na manhã desta quarta-feira (8). Segundo familiares, a vítima foi baleada e esfaqueada ao sair de casa a caminho do trabalho.

Ariane Silva Fonseca trabalhava como cuidadora de idosos e era mãe de uma criança de sete anos.

Segundo familiares, o crime foi cometido pelo ex-namorado da vítima, que já havia a agredido dias antes. Na ocasião, ela precisou fazer um curativo na região do olho esquerdo.

A Polícia Civil ainda não confirma a autoria do crime, nem a motivação. O caso é investigado.

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07 julho, 2026

'Rui ataca ACM Neto para esconder e tirar o foco do desgoverno de Jerônimo', diz deputado Por Redação

O deputado federal Paulo Azi, presidente estadual do União Brasil, afirmou nesta terça-feira (7) que os sucessivos ataques do ex-ministro Rui Costa (PT) ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) têm um único objetivo: desviar a atenção da população dos problemas enfrentados pela Bahia e do desempenho do governo Jerônimo Rodrigues (PT).

Segundo o parlamentar, Rui evita discutir os resultados da atual gestão estadual e prefere concentrar seus discursos em ataques aos adversários políticos.

“Rui Costa ataca ACM Neto para esconder e tirar o foco do desgoverno de Jerônimo. Em vez de explicar por que tantas promessas ficaram apenas no discurso, prefere investir em ataques pessoais e políticos. Rui não quer discutir a Bahia porque sabe que o legado do PT, depois de 20 anos no comando do Estado, é de problemas que só se agravaram”, salientou.

O deputado afirmou que, se o ex-ministro deseja promover um debate público, o tema deve ser a realidade enfrentada pelos baianos. Para ele, a tentativa de Rui de esconder Jerônimo buscar conter a cada vez mais crescente rejeição ao governador.

“Se Rui quer realmente debater, vamos debater a Bahia. Vamos falar da violência, cuja taxa de homicídios praticamente dobrou desde 2006. Vamos discutir a piora na segurança pública, a crise da saúde, a regulação que não funciona, as estradas abandonadas, a falta de investimentos estruturantes e as promessas que nunca saíram do papel. É esse debate que interessa ao povo”, frisou.

Paulo Azi também rebateu as críticas dirigidas a ACM Neto, destacando os resultados obtidos durante sua gestão à frente da Prefeitura de Salvador. Ele citou como o exemplo que, antes de Neto, Salvador tinha 18% de cobertura da atenção básica e hoje já chega a 70%. Não tinha também hospital municipal, hoje tem quatro unidades.

“Os avanços promovidos por ACM Neto em Salvador são indiscutíveis. Ele deixou a prefeitura com elevada aprovação popular, transformou a capital em diversas áreas e segue conquistando sucessivas vitórias eleitorais porque a população reconhece o trabalho realizado. Isso incomoda quem passou duas décadas governando a Bahia sem conseguir entregar resultados à altura”, frisou.

Por fim, o presidente do União Brasil afirmou que o foco da discussão deve ser a atual administração estadual. “O debate é sobre o governo Jerônimo Rodrigues, cujo legado tem sido prometer muito e entregar muito pouco. A Bahia assiste a anúncios, propagandas e inaugurações simbólicas, enquanto obras estruturantes continuam sem sair do papel. O caso da Ponte Salvador-Itaparica virou o maior símbolo desse governo: depois de anos de promessas e bilhões comprometidos, comemoraram até a inauguração de um canteiro de obras. O povo baiano já percebeu a diferença entre propaganda e realização”, salientou.

Dois homens são assassinados na madrugada desta terça em Jaguaquara

Um duplo homicídio foi registrado na madrugada desta terça-feira (7), no bairro São João Batista, em Jaguaquara. O crime ocorreu por volta das 3h40, quando moradores da Rua Antônio Teixeira Barbosa ouviram diversos disparos de arma de fogo. Segundo as primeiras informações, um grupo armado invadiu uma residência localizada em uma esquina e executou o morador, identificado como Reis, conhecido como “Reis da Carroceria”. Em seguida, os criminosos seguiram para outro imóvel, nas proximidades de uma quadra de esportes, onde tentaram matar um jovem identificado como Bruno.

A vítima ainda tentou fugir dos atiradores, mas foi alcançada e morta em uma esquina às margens de uma via pública, nas proximidades da Rodovia BA-545. Equipes da Polícia Militar estiveram no local e acionaram o Departamento de Polícia Técnica (DPT), que realizou a perícia e encaminhou os corpos ao Instituto Médico Legal (IML) de Jequié. O caso será investigado pela Delegacia Territorial, e imagens de câmeras de segurança da região poderão auxiliar na identificação dos autores e na elucidação do crime. *Por Marcos Frahm / BMF

China condena funcionário à morte por receber propina de R$ 1,6 bilhão

Um tribunal da China condenou à morte o ex-funcionário Yang Youlin, ex-dirigente da Zona de Desenvolvimento de Nanjing, por receber mais de 2,21 bilhões de yuans (cerca de R$ 1,6 bilhão) em propinas entre 1993 e 2023. Segundo a Justiça, ele favoreceu projetos, operações comerciais, concessões de terras e obtenção de financiamentos em troca de vantagens indevidas.

Além da corrupção, Yang foi condenado por desvio de recursos, oferta de suborno, apropriação de fundos públicos, abuso de poder e lavagem de dinheiro. A sentença também determinou o confisco de todo o seu patrimônio e a perda dos direitos políticos de forma vitalícia, além da recuperação dos valores desviados.

Embora tenha confessado os crimes, demonstrado arrependimento e colaborado com as investigações, a Justiça considerou que a gravidade dos delitos, o elevado valor das propinas e os prejuízos causados ao Estado impediram a aplicação de uma pena mais branda. O processo teve audiências públicas realizadas entre março e abril.

O caso faz parte da campanha anticorrupção conduzida pelo presidente Xi Jinping. Apesar de a pena de morte para crimes de corrupção ser incomum, ela já foi aplicada em outros casos envolvendo desvios bilionários, reforçando a postura rigorosa das autoridades chinesas contra crimes de colarinho branco.

TJ-BA autoriza retorno de promotor afastado na Operação Liga da Justiça Por Redação

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) autorizou o retorno do promotor de Justiça Wallace Carvalho Mesquita de Barros às suas funções, ao acolher, por maioria de votos, um recurso que revogou o afastamento cautelar imposto desde agosto de 2024. A decisão foi proferida pela Seção Criminal da Corte e o processo tramita sob sigilo.

De acordo com informações divulgadas sobre o caso, o entendimento da maioria dos desembargadores divergiu da posição adotada anteriormente pela relatoria, que havia se manifestado pela manutenção do afastamento. Ainda segundo as informações, a relatoria do processo foi redistribuída para outro desembargador, cujo nome não foi divulgado.

A decisão beneficia exclusivamente o promotor Wallace Carvalho Mesquita de Barros. A situação dos demais investigados permanece inalterada.

O promotor havia sido afastado no início da Operação Liga da Justiça, investigação que apura a atuação de um suposto esquema de grilagem de terras, agiotagem e venda de sentenças na região de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia.

Segundo as investigações, o grupo investigado teria utilizado influência sobre processos judiciais para obtenção de vantagens ilícitas, incluindo concessão de empréstimos com juros considerados abusivos, apropriação irregular de imóveis e suposta comercialização de decisões judiciais.

Apesar da decisão favorável ao promotor, os desdobramentos da operação continuam. Os juízes André Marcelo Strogenski, Rogério Barbosa e Leonardo Santos seguem afastados de suas funções e respondem a processos administrativos e criminais relacionados à Operação Liga da Justiça.

TJ-BA, SEAP e Polícia Civil criam fluxo para apurar mortes de pessoas privadas de liberdade- Por Redação

As providências que deverão ser adotadas pelas autoridades competentes em caso de morte de pessoas privadas de liberdade foram ratificadas em um documento assinado nesta segunda-feira (6), no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). O Ato Normativo Conjunto Nº 21/2026 estabelece um fluxo de registro, comunicação e apuração de óbito ocorrido no interior de unidade prisional ou durante atividade externa. A iniciativa atende às metas do Plano Pena Justa no estado.

Além do Judiciário, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP) e a Polícia Civil compactuam as responsabilidades determinadas no ato conjunto. O documento prevê medidas a serem adotadas também nos casos de prisão domiciliar, regime aberto, visitas domiciliares, trabalho externo no regime semiaberto, saída temporária, livramento condicional, liberdade provisória, monitoração eletrônica, cumprimento de penas restritivas de direitos, fuga ou evasão.

A necessidade de atualização e adesão do fluxo de registro, apuração, responsabilização e comunicação de óbito de pessoas privadas de liberdade é uma das metas do Plano Pena Justa na Bahia. Trata-se de um plano nacional – coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública – que reúne uma série de medidas para combater e reverter violações de direitos humanos nos presídios brasileiros.

O presidente do TJ-BA destacou a importância da parceria entre as instituições e de dar publicidade aos atos que ocorrem nas unidades de privação de liberdade. “Caso aconteça um óbito dentro do sistema prisional, precisamos ter conhecimento, apurar e não deixar que o fato fique oculto. O incidente precisa ser investigado com a mesma transparência que acontece fora do sistema. É preciso determinar por que aconteceu, como aconteceu e quem são os responsáveis”, assegurou o desembargador José Rotondano.

Além de contribuir para a produção de dados sobre o sistema prisional, o Ato Conjunto Nº 21/2026 é uma forma de cumprir as determinações do Conselho Nacional de Justiça e da Lei de Execuções Penais (Lei 7.210/1984). O documento determina a adoção de medidas a exemplo de comunicação à direção prisional, preservação e isolamento do local da morte, identificação de testemunhas, entre outros.

De acordo com o Ato Conjunto Nº 21/2026, sempre que necessário para a melhor compreensão dos fatos, o Juízo Corregedor natural da unidade pode realizar verificação in loco na unidade de privação de liberdade para requisitar providências, inclusive a instauração de procedimento preliminar apuratório e Inquérito Policial, quando não houver.

Para o secretário de Administração Penitenciária e Ressocialização, José Castro, o novo fluxo unificado fortalece a atuação conjunta entre os órgãos para garantir a transformação do sistema prisional baiano. “É mais um passo na integração entre os órgãos do Sistema de Justiça e da Segurança Pública da Bahia”, afirmou.

A importância da integração também foi destacada pelo delegado-geral da Polícia Civil, André Viana: “A solução para os problemas que enfrentamos no estado é a integração, a junção dos nossos esforços, das nossas redes”, afirmou. Segundo ele, a partir da construção coletiva, a Bahia tem condições de “escrever novas páginas no tema da segurança pública”.

Também estiveram presentes no ato: o corregedor-geral da Justiça, desembargador Salomão Resedá; o supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização dos Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJBA), desembargador Geder Luiz Rocha Gomes; o juiz Assessor Especial da Presidência em Assuntos Institucionais, Sadraque Oliveira Rios Tognin; e o juiz Corregedor Arnaldo José Lemos de Souza.

06 julho, 2026

Lula paga recorde de R$ 34 bilhões em emendas antes das eleições e irriga campanha de parlamentares

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Arquivo
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pagou R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares em 2026 até o dia 4 de julho. É o maior valor da história em um período pré-eleitoral e supera tudo que foi repassado no ano de 2022 inteiro, nas últimas eleições presidenciais.

Procurada, a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República afirmou que a “execução de recursos orçamentários é feita de acordo com a legislação e as determinações do Supremo Tribunal Federal, observada a aprovação técnica das propostas pelos órgãos responsáveis pela sua execução, bem como a disponibilidade orçamentária e financeira”.

O valor supera todos os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) pagos no mesmo período (R$ 19,65 bilhões) e representa um quarto de tudo que o governo federal gastou com despesas livres do Orçamento. Os dados são do Siga Brasil, sistema mantido pelo Senado Federal.

No dia 4 de julho começou o chamado defeso eleitoral. A legislação proíbe o pagamento de emendas e outras transferências voluntárias da União três meses antes da eleição para não afetar a igualdade entre os candidatos. A exceção é para obras em andamento e situações de calamidade.

Governo repassa emendas antes da conclusão de projetos e obras

Pelo menos R$ 24,5 bilhões foram pagos sem a conclusão de projetos e obras e o dinheiro poderá ser gastos em plena campanha eleitoral. Isso ocorre porque desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o Executivo começou a repassar a verba de forma antecipada, distorcendo a legislação eleitoral.

Em 2019, o Congresso criou a emenda Pix. A verba de interesse dos parlamentares passou a ser enviada a Estados e municípios antes do início de qualquer projeto, com menos transparência. Em 2024, o Congresso avançou aprovando o pagamento antecipado de outros tipos de repasses até R$ 1,5 milhão, que correspondem a 90% do total.

Em 2026, o Legislativo impôs um calendário para pagamento prioritário de emendas no primeiro semestre do ano, com sanção do presidente Lula. O Congresso havia exigido que o governo mirasse no centro da meta fiscal ao executar o Orçamento, o que exigiria um corte maior de gastos, e o calendário foi uma barganha para liberar o Executivo a mirar no piso da meta e gastar mais.

Com essas três mudanças, todo o processo orçamentário foi cercado e facilitou as transferências antes das eleições, permitindo que os valores sejam gastos pelas prefeituras e governos estaduais durante a campanha.

“Na média, um parlamentar pode ter R$ 80 milhões em emendas por ano. Só de as emendas existirem do jeito que estão hoje, já cria um desproporção entre um candidato no cargo e um candidato novo. Oferecer as emendas antes do período eleitoral é mais uma vantagem para ele. A lei eleitoral continua, mas fica enfraquecida”, diz Bruno Bondarovsky, pesquisador associado da PUC-Rio e idealizar da Central das Emendas, ferramenta de acompanhamento dos recursos.

Para o especialista, as emendas, como funcionam atualmente, distanciam os parlamentares do papel de propor leis e fiscalizar o Executivo para um trabalho focado em mandar emendas individuais a seus redutos eleitorais. “O Legislativo que interfere diretamente no Orçamento não cumpre o papel de legislar e fiscalização o Executivo. A prioridade não deve ser discutir quem fica com o dinheiro, mas é qual mecanismo faz o Brasil avançar. Esse não faz.”

A fatura pode aumentar ainda mais. Em maio, o Congresso derrubou um veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e liberou o pagamento de emendas e doações no meio da campanha, durante o defeso eleitoral. Os técnicos do governo entendem, no entanto, que a lei eleitoral é superior e cada caso deve ser analisado.

De tudo que foi pago em 2026, R$ 18,55 bilhões são de emendas individuais (indicadas por cada deputado e senador), R$ 7,68 bilhões são de emendas de comissão (aprovadas pelas comissões da Câmara e do Senado), herdeiras do orçamento secreto e R$ 7,28 bilhões são de emendas de bancada estadual (apadrinhadas pelo conjunto de parlamentares de cada Estado).

Há ainda R$ 386 milhões do extinto orçamento secreto, esquema revelado pelo Estadão e declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As sobras são recursos liberados no governo Jair Bolsonaro que ainda não haviam sido quitados financeiramente.

Comissão de Saúde na Câmara lidera emendas pagas neste ano

A Comissão de Saúde da Câmara lidera as emendas pagas neste ano. Foram R$ 3,6 bilhões repassados a pedido dos parlamentares. Em seguida, aparece a Comissão de Assuntos Sociais do Senado, também por conta das emendas na Saúde, com R$ 1,8 bilhão.

Internamente, quem comanda o apadrinhamento desses recursos são os presidentes das casas, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) no Senado.

O parlamentar que teve mais emendas pagas foi o senador Weverton Rocha (PDT-MA), com R$ 88,85 milhões. Ele é aliado do governo Lula, relatou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, rejeitada pelo Senado, e é pré-candidato à reeleição neste ano.

No final do ano passado, Weverton foi alvo de mandados de busca e apreensão de ação na quinta fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de desvios ilegais no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Ele também viajou aos Estados Unidos com o advogado e empresário Willer Tomaz, em um jatinho particular administrado por empresa que tinha o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, como um dos sócios.

Em seguida na lista de emendas pagas aparece o senador Carlos Fávaro, ex-ministro da Agricultura e também pré-candidato à reeleição, com R$ 74,5 milhões. Individualmente, senadores têm acesso a mais emendas que deputados.

Por Daniel Weterman/Estadão

Eliminação do Brasil abre espaço para disputa eleitoral na Bahia; suplências e convenções entram no radar


Com a eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo, o noticiário esportivo perde força e a política volta a ocupar o centro das atenções na Bahia. Se até este domingo o foco estava no mata-mata do Mundial, a partir de agora as articulações para as eleições de outubro devem ganhar ainda mais intensidade, tanto nos bastidores quanto nas agendas públicas dos principais pré-candidatos.

Embora ainda faltem cerca de 90 dias para o primeiro turno, a corrida eleitoral entra em uma fase decisiva. O próximo grande marco será o período das convenções partidárias, entre os dias 20 de julho e 5 de agosto, quando os partidos oficializarão candidatos, coligações e também os nomes que disputarão as suplências ao Senado.

Na Bahia, esse é um dos principais pontos ainda em aberto. Até o momento, apenas uma suplência está definida: a do ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT), que deverá ter como primeiro suplente o presidente estadual do Avante, Ronaldo Carletto.

Na chapa governista, outra definição aguardada é a do senador Jaques Wagner (PT). A expectativa nos bastidores é que o ex-vereador de Salvador Edvaldo Brito (PSD) seja confirmado como suplente.

Na oposição, a tendência é que o senador Angelo Coronel (Republicanos), aliado do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), tenha como suplente o empresário Marcelo Guimarães Filho (DC). Já a vaga ao lado do ex-ministro João Roma (PL) permanece indefinida. Entre os nomes lembrados está o do ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz (PL).

Com o calendário eleitoral avançando, a tendência também é de intensificação das viagens pelo interior. Desde o final da semana passada, o governador, entretanto, não pode mais fazer inaugurações ou entregas. O objetivo da norma é assegurar um grau de igualdade à disputa. O mesmo vale para ACM Neto. Também passam a valer restrições à publicidade institucional dos governos, salvo exceções previstas em lei, para evitar desequilíbrio na disputa eleitoral.

Depois das convenções, outro prazo importante será 15 de agosto, data-limite para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. Já a propaganda eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto, enquanto a propaganda gratuita no rádio e na televisão terá início no fim de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

Com a bola fora de campo para o Brasil, o jogo político passa a ocupar o centro do debate. E, na Bahia, a partir de agora, cada movimento dos principais grupos será observado como parte da preparação para uma eleição que começa, de fato, a ganhar forma.

Por Política Livre

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