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20 agosto, 2026

Lulinha processa Flávio Bolsonaro por vídeo sobre suspeita de desvios no INSS

                             O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, em 2010
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, acionou a Justiça para derrubar um vídeo publicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) que liga o filho do presidente da República às suspeitas de desvio do INSS.

Lulinha afirma que o candidato à Presidência divulgou um vídeo feito por ferramenta de inteligência artificial para "atribuir fato falso, de inequívoca conotação criminosa e finalidade difamatória".

A publicação feita no começo de julho simula Flávio pilotando uma aeronave durante uma missão para localizar o filho de Lula. O vídeo chama Lulinha de "suspeito de ter roubado milhões de idosos no Brasil". Em outro trecho, diz que "o roubo dos velhinhos do INSS não pode ficar impune".

Lulinha pede à Justiça que conceda uma decisão liminar, ou seja, antes do julgamento final do caso, para retirada das publicações feitas nos perfis do senador no X e no Instagram em até 24 horas, e que Flávio não volte a divulgar as imagens.

O empresário também pede que Flávio pague R$ 10 mil por danos morais e para a Justiça reconhecer que houve um "abuso de direito" na divulgação das imagens e no uso da IA "para veicular imputações falsas e difamatórias".

A ação foi protocolada na terça-feira (18), mesma data em que Lulinha abriu processo similar contra outro candidato a presidente, Romeu Zema (Novo), e pede retirada de vídeo produzido por IA que mostra o filho de Lula dentro de uma plantação de maconha e o chama de "Messi da impunidade".

Os dois casos tramitam na Justiça de São Paulo. Na ação contra Zema, o juiz Marcelo Augusto Oliveira negou o pedido inicial para a remoção do vídeo.

"O vídeo impugnado aparenta inserir-se no contexto de sátira e manifestação crítica, não sendo possível concluir, de plano, pela ocorrência de abuso manifesto ou conteúdo evidentemente ilícito, apto a justificar a excepcional remoção imediata do material", afirmou o juiz.

Lulinha é alvo de três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre suspeitas de tráfico de influência. As apurações conduzidas pela Polícia Federal miram negócios envolvendo o filho do presidente da República, a empresária Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS".

Na ação contra o vídeo publicado por Flávio, Lulinha diz que as imagens permitem compreender que a missão é fictícia, mas que não há "qualquer indicação de que também seria falsa a afirmação segundo a qual o autor é suspeito de ter ‘roubado milhões de idosos’".

Lulinha também afirma que é de conhecimento público que ele é filho do presidente da República. Ele argumenta que essa circunstância não o equipara a agente público.

"Ainda que seja pessoa conhecida, o autor não ocupa a posição funcional ou eleitoral que fundamenta a especial amplitude reconhecida pela jurisprudência à crítica dirigida a governantes, agentes públicos e candidatos", diz a ação.

Lulinha também afirma que o vídeo usa a "relação familiar" como um instrumento "para atingir politicamente terceiro".

"Não existe contra o autor investigação, indiciamento, denúncia ou sequer hipótese acusatória de participação nas fraudes praticadas contra beneficiários do INSS. O procedimento em que seu nome foi mencionado possui objeto distinto e não lhe atribui participação nos crimes originários que produziram os valores posteriormente submetidos a investigação", afirma ainda a ação.

Michelle amplia articulação com evangélicos para fortalecer campanha de Flávio-Por Redação

Foto: Reprodução/Arquivo
Michelle Bolsonaro passou a mobilizar sua rede de contatos no meio evangélico em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Segundo O Globo, a ex-primeira-dama tem procurado lideranças de grandes denominações, como Sara Nossa Terra, Assembleia de Deus, Igreja Universal e Comunidade das Nações, utilizando uma rede de relações construída ao longo dos últimos anos. A reportagem é do jornal O Globo.

A estratégia ganhou força após um período de desgaste entre Flávio e parte do eleitorado evangélico, agravado pelos atritos anteriores entre ele e Michelle e por episódios que repercutiram negativamente entre lideranças religiosas. Agora, aliados do candidato avaliam que a atuação da ex-primeira-dama pode ajudar a reconstruir pontes e ampliar o apoio no segmento, especialmente entre mulheres evangélicas.

A movimentação ocorre em um eleitorado considerado relevante para a disputa de 2026. Pesquisa Quaest citada pela reportagem aponta vantagem de Flávio sobre Lula entre os evangélicos tanto no primeiro quanto no segundo turno. Ao mesmo tempo, a campanha de Lula também intensifica sua aproximação com o segmento. Segundo a reportagem, o entorno de Flávio passou a enxergar Michelle não apenas como cabo eleitoral, mas como uma articuladora capaz de utilizar seu capital político próprio para ampliar a rede de apoio ao candidato.

Ministério Público pede ao TSE que barre candidatura de Pablo Marçal e o impeça de participar de debates -Por Renata Galf/Folhapress

Foto: Divulgação/Arquivo
O Ministério Público Eleitoral pediu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta quarta-feira (19) que a candidatura do empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB) à Presidência da República seja indeferida.

Em peça assinada pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, o órgão afirma que a inelegibilidade de Marçal é manifesta, apontando que ele foi condenado pelo TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) no fim do ano passado e que ele não teria demonstrado com provas suficientemente estar filiado ao PRTB no prazo exigido pela legislação.

Com base nisso, o Ministério Público pede inclusive que seja dada uma decisão liminar (de caráter urgente) para que Marçal seja impedido de ter acesso aos fundos públicos de campanha, à propaganda eleitoral gratuita e mesmo de participar de debates.

"O perigo de dano pode ser aferido pela natureza imediata do prejuízo ocasionado com o dispêndio da verba pública específico com o candidato impugnado, a poucos dias do pleito", consta no documento, que afirma haver jurisprudência do TSE de 2022 neste sentido.

"A verba não somente deixaria de ser revertida a bom tempo, como é inequívoco o detrimento que os gastos incabíveis trariam para candidaturas com viabilidade jurídica mínima. Igual premissa é invocável para vetar o acesso do candidato ao espaço do horário eleitoral gratuito, bem como da participação nos demais atos de campanha – inclusive debates."

Apesar de estar inelegível, Marçal foi registrado como candidato à Presidência do PRTB no último sábado (15), data limite para envio dos nomes pelas siglas.

Marçal obteve na ocasião uma liminar da Justiça Eleitoral em Santana de Parnaíba (SP) para se filiar à sigla fora do prazo, que havia vencido em 4 de abril. Ele argumentou que houve uma demora alheia à sua vontade no fornecimento de uma senha para o sistema de filiação partidária.

A partir da publicação oficial dos pedidos de registro de candidatura, abre-se um prazo de cinco dias para que qualquer pedido seja impugnado.

Como o registro de candidatura de Marçal foi para a Presidência da República, o tribunal competente para analisar o pedido é, já de início, o TSE. Foi sorteada como relatora do registro de Marçal a ministra Estela Aranha. Conforme mostrou a Folha, o registro do influenciador tende a ser rejeitado pelos ministros da corte, que veem no pedido do influenciador uma tentativa de tumultuar o processo eleitoral.

Marçal foi condenado no final de 2025 pelo TRE-SP em uma ação relacionada à campanha municipal de 2024, que tratava de uso indevido de meios de comunicação por um "campeonato de cortes" de vídeos promovido pelo empresário entre seus seguidores.

Naquele ano, Marçal disputou a Prefeitura de São Paulo e ficou em terceiro lugar, a apenas 57 mil votos de ir ao segundo turno, tendo obtido 28,1% dos votos válidos.

No último dia 5, por votação unânime, os magistrados do TRE-SP rejeitaram os embargos de declaração de Marçal.

O Ministério Público aponta que, conforme a lei, são inelegíveis, para qualquer cargo, os condenados em decisão proferida por órgão judicial colegiado ou transitada em julgado, e que isso inclui não apenas condenação de abuso de poder como também de uso indevido de meios de comunicação. Acrescentando que o empresário está inelegível até 6 de outubro de 2032.

Além disso, o órgão sustenta ainda que Marçal não preenche sequer o requisito de estar filiado ao partido pelo qual quer concorrer no prazo mínimo de 6 meses, que seria o dia 4 de abril.

Na peça são apontados vídeo em redes sociais, entrevista e reportagens jornalísticas de movimentações sobre articulações políticas posteriores a esta data em que Marçal se identificava como estando filiado ao União Brasil.

"Essa condição jurídica, aliás, encontra amparo em situações fáticas bem delineadas, a indicar que, ainda após o prazo legal de filiação partidária para o pleito (4 de abril de 2026), o impugnado Pablo Marçal identificava-se publicamente como filiado ao partido União Brasil."

A defesa de Marçal alegou no processo que a filiação dele ao PRTB no prazo legal para se candidatar não havia sido realizada em virtude de demora da Justiça Eleitoral no fornecimento de senha para o sistema de filiação partidária.

Debate sobre formação dos jornalistas avança no STF após articulação da FENAJ iniciada em 2025 -Por Redação 20/08/2026 às 09,14

Foto: Reprodução
"A discussão ocorre em meio à controvérsia envolvendo o sigilo da fonte de um jornalista do Maranhão, mas a retomada do tema no Supremo tem antecedentes"

A possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) voltar a discutir a formação superior para o exercício profissional do Jornalismo ganhou repercussão nacional nos últimos dias, após manifestações dos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes. Nesta quarta-feira (19/08), o decano da Corte, Gilmar Mendes, também se mostrou favorável à reabertura do debate sobre a exigência do diploma.

A discussão ocorre em meio à controvérsia envolvendo o sigilo da fonte de um jornalista do Maranhão, mas a retomada do tema no Supremo tem antecedentes. Desde fevereiro de 2025, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) desenvolve uma articulação institucional junto à Corte para defender uma nova reflexão sobre a formação profissional e as profundas transformações ocorridas no Jornalismo desde o julgamento de 2009.

Naquele ano, por 8 votos a 1, o STF afastou a obrigatoriedade do diploma de curso superior em Jornalismo como condição para o exercício profissional. Dezessete anos depois, a FENAJ sustenta que o ambiente informacional considerado naquela decisão mudou radicalmente. Plataformas digitais, redes sociais, inteligência artificial generativa, deepfakes e desinformação em escala industrial criaram novos desafios para a identificação da origem, autenticidade e qualidade das informações que circulam na sociedade.

Para a Federação, revisitar o tema não significa simplesmente restabelecer o cenário anterior a 2009. A questão apresentada ao Supremo é outra: diante das transformações do ecossistema informacional, quais qualificações devem ser exigidas de quem assume profissionalmente a responsabilidade de apurar, verificar, contextualizar e produzir informação jornalística de interesse público?

Diálogo desde 2025
A articulação da FENAJ começou formalmente em 19 de fevereiro de 2025, quando Moacy Neves, então 1º secretário da Federação, e Thiago Tanji, à época diretor de Mobilização e Negociação Salarial, foram recebidos pelo ministro Flávio Dino. Intermediada pelo deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA), a audiência teve como eixos a precarização das relações de trabalho, a pejotização e a necessidade de retomar o debate sobre a formação profissional em Jornalismo.

Leia mais aqui:
FENAJ discute com ministro do STF medidas contra pejotização e fraudes trabalhistas

Na ocasião, os dirigentes apresentaram suas preocupações com o avanço da contratação de jornalistas como pessoas jurídicas em situações que mantêm características típicas de vínculo empregatício. O encontro abriu uma estratégia de diálogo com integrantes do Supremo para apresentar diretamente à Corte as mudanças ocorridas no exercício da profissão e nas relações de trabalho da categoria.

A partir dessa iniciativa, a FENAJ aprofundou seus estudos e elaborou dois memoriais para subsidiar a discussão: “Formação Profissional, Integridade Informacional e Democracia na Era da Inteligência Artificial – Reflexões constitucionais sobre o papel da qualificação profissional do jornalista no século XXI” e “A Pejotização no Setor de Comunicação e seus Impactos sobre a Liberdade de Imprensa, o Direito à Informação e a Proteção Constitucional do Trabalho”.

No documento dedicado à formação, a Federação propõe que o Supremo revisite o tema não como uma tentativa de limitar a liberdade de expressão ou estabelecer monopólio sobre o direito de informar. O argumento parte da distinção entre dois direitos: liberdade de expressão e exercício profissional são dimensões diferentes.

Todos têm o direito de falar, publicar, opinar e informar. Para a FENAJ, isso não elimina a existência do Jornalismo como profissão dotada de métodos de apuração e verificação, técnicas, princípios éticos e responsabilidades próprias perante a sociedade.

Nova frente
Em 2026, uma terceira questão passou a integrar essa agenda. A aprovação da Lei nº 15.325/2026, que criou a profissão de Multimídia, levou a FENAJ e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) a ingressarem no STF com Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a norma.

A ação questiona a amplitude das competências atribuídas ao novo profissional, que, segundo as entidades, provoca sobreposição com atividades próprias do Jornalismo e de outras profissões e pode aprofundar a precarização das relações de trabalho.

A partir desse debate, a Federação elaborou um terceiro memorial: “A Lei da Profissão de Multimídia e seus Impactos sobre a Segurança Jurídica das Profissões, a Liberdade de Imprensa e o Direito Fundamental à Informação”.

Os três documentos passaram a formar uma agenda articulada apresentada pela FENAJ ao Supremo. Formação profissional, regulamentação e condições de trabalho são tratadas pela entidade como dimensões relacionadas de um mesmo problema: as condições necessárias para que o Jornalismo continue cumprindo sua função social em um ambiente informacional profundamente transformado.

Articulação no STF
A articulação ganhou uma nova etapa em junho deste ano. No dia 1º, a presidenta da FENAJ, Samira de Castro, e o 1º vice-presidente, Moacy Neves, acompanhados da assessoria jurídica, reuniram-se com o ministro Cristiano Zanin e apresentaram os três memoriais. No dia seguinte, os documentos também foram entregues ao advogado-geral da União, Jorge Messias, durante reunião na Advocacia-Geral da União (AGU).

Em 15 de junho, Moacy Neves, a 1ª secretária Renata Maffezoli e o diretor de Relações Institucionais Antonio Paulo participaram de audiência com integrantes do gabinete do ministro Gilmar Mendes. Recebidos pelo chefe de gabinete, Rômulo Gobbi, apresentaram e debateram os documentos elaborados pela Federação.

Dois dias depois, em 17 de junho, a agenda prosseguiu com Cármen Lúcia e Dias Toffoli. Moacy Neves foi recebido pela ministra no Salão Branco do Supremo, enquanto Toffoli recebeu dirigentes (Moacy Neves, Renata Maffezoli e Antonio Paulo) e integrantes da assessoria jurídica da FENAJ em seu gabinete. Ambos receberam os memoriais.

No dia seguinte, 18 de junho, a Federação levou os documentos ao ministro Nunes Marques e ao seu juiz auxiliar, Marcus Vinicius Kiyoshi, reforçando o pedido de diálogo sobre os temas.

A articulação prossegue. Está prevista para 2 de setembro audiência com o ministro Luiz Fux, e a Federação também solicitou reunião, na mesma semana, com a chefe de gabinete do ministro Alexandre de Moraes, Cristina Yukiko Kusahara.

Debate ganha espaço
As manifestações dos últimos dias ocorrem, portanto, depois de cerca de um ano e meio de atuação institucional da FENAJ junto ao Supremo.

Flávio Dino e Alexandre de Moraes defenderam publicamente a necessidade de reavaliar a decisão de 2009 diante das transformações ocorridas no ambiente informacional e das questões relacionadas à identificação do exercício profissional do Jornalismo. Nesta quarta-feira (1908), Gilmar Mendes também se manifestou favoravelmente à possibilidade de rediscutir a obrigatoriedade do diploma.

As declarações não significam que o Supremo tenha decidido reabrir o julgamento ou que exista, neste momento, uma nova maioria formada sobre o assunto. Demonstram, entretanto, que uma discussão levada pela FENAJ à Corte desde 2025 começa a encontrar manifestações públicas favoráveis entre seus integrantes.

Questões distintas
Para a FENAJ, é fundamental separar duas questões que se encontraram circunstancialmente no debate público. A Federação defende de forma intransigente o sigilo da fonte, garantia constitucional indispensável ao exercício profissional e ao direito da sociedade à informação. A proteção não pode depender da discussão sobre diploma ou formação superior, nem ser relativizada em razão dela.

A controvérsia atual, entretanto, trouxe novamente à esfera pública uma pergunta que a entidade vem apresentando ao Supremo: quem é jornalista profissional e quais qualificações devem ser exigidas de quem assume profissionalmente a responsabilidade de produzir informação jornalística de interesse público?

Para a FENAJ, discutir novamente a formação superior não significa restringir a liberdade de expressão nem reivindicar privilégio para uma categoria. Significa discutir qualificação e responsabilidade profissional em um mundo muito diferente daquele de 2009.

Inteligência artificial generativa, deepfakes, plataformas digitais, desinformação industrializada e novas formas de precarização do trabalho colocaram desafios que não estavam presentes, com a mesma dimensão, quando o Supremo julgou o tema há 17 anos.

Agenda continua
A retomada do assunto por ministros do STF não encontra a FENAJ de surpresa. Desde fevereiro de 2025, a Federação vem transformando uma reivindicação histórica da categoria em uma discussão institucional mais ampla, que relaciona formação profissional, democracia, integridade da informação, regulamentação e condições de trabalho.

Os memoriais e as sucessivas audiências fazem parte dessa estratégia. O trabalho continuará nas próximas semanas, com novas agendas e a apresentação dos documentos aos demais integrantes da Corte.

Para a FENAJ, o debate que começa a reaparecer no Supremo precisa ser feito à luz da realidade de 2026. Dezessete anos depois da decisão que afastou a exigência do diploma, a questão não é simplesmente retornar ao passado, mas discutir o futuro: em um ambiente marcado pela inteligência artificial, desinformação, plataformas digitais e profunda transformação das relações de trabalho, qual deve ser o papel da formação profissional para garantir um Jornalismo qualificado, responsável e indispensável à democracia?

19 agosto, 2026

ACM Neto diz que Operação Overclean não causa incômodo e promete Controladoria independente em eventual governo/ Por Redação

O candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) durante entrevista ao programa Boa Tarde Bahia, da Band Bahia
Foto: Band Bahia/YouTube/Reprodução
O candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) afirmou que a Operação Overclean não lhe causa incômodo político porque, segundo ele, nunca teve qualquer envolvimento com a investigação. A declaração foi dada nesta quarta-feira (19), durante entrevista ao programa Boa Tarde Bahia, da Band Bahia.

Questionado sobre o fato de a operação atingir pessoas ligadas ao seu grupo político e sobre como pretende convencer o eleitor de que relações pessoais não influenciarão decisões, contratos ou nomeações em um eventual governo, Neto buscou separar seus vínculos políticos e pessoais das investigações conduzidas pelas autoridades.

“Primeiro, não tenho nada a ver com Overclean. Nunca tive nenhum envolvimento, nunca fui investigado, nunca houve nenhuma denúncia contra mim, nem mesmo especulação de envolvimento meu com qualquer investigação relacionada a Overclean, para a gente poder deixar claro”, afirmou.

Na sequência, o candidato citou integrantes da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) que, segundo ele, também foram alcançados pela operação.

“E para mim não interessa se é aliado ou adversário. Tem que agir da mesma forma, com transparência, com ética, com investigação completa, através da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, do Poder Judiciário”, declarou.

Neto defendeu ainda que eventuais responsáveis sejam punidos, mas que pessoas que não tenham cometido irregularidades sejam inocentadas após a conclusão das investigações.

“E, ao fim, se houver a responsabilidade, que seja rigorosamente punida; se não houver, que seja inocentado e que, portanto, tudo fique esclarecido”, disse.

Controladoria independente

Ao responder sobre medidas concretas para evitar que relações pessoais influenciem decisões administrativas em um eventual governo, ACM Neto citou uma mudança realizada durante sua gestão como prefeito de Salvador: a transformação da Controladoria-Geral do Município em um órgão que, segundo ele, passou a ter autonomia e independência.

“Eu posso trazer aqui uma medida que tomei como prefeito de Salvador, que foi fundamental. A Controladoria-Geral do Município de Salvador, transformei a Controladoria num órgão autônomo, independente, com funcionário de carreira comandando a Controladoria”, afirmou.

Segundo o candidato, a estrutura passou a contar também com equipe técnica para acompanhar contratos e procedimentos administrativos.

“Além disso, a Controladoria passou a ter quadros técnicos e não havia, pelo menos na minha gestão como prefeito, nunca houve qualquer tipo de notícia que não tivesse o rigor do acompanhamento e da investigação e da apuração por parte da Controladoria”, declarou.

Justiça suspende demissões coletivas do Grupo Casas Bahia e proíbe novos cortes

Empresa terá cinco dias, após ser intimada, para restabelecer vínculos jurídicos e econômicos
Foto: Divulgação/Arquivo
O TRT-10 (Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região) suspendeu, na tarde de terça-feira (18), os efeitos provisórios das demissões coletivas promovidas pelo Grupo Casas Bahia —que reúne as marcas Casas Bahia e Ponto— realizadas entre os dias 13 e 17 de agosto de 2026.

Na semana passada, a empresa anunciou o fechamento de 298 lojas e as demissões cerca de 3.000 de trabalhadores. No domingo (16), veio à tona o pedido de recuperação judicial para estancar uma dívida de cerca de R$ 17,3 bilhões. Cabem recursos à decisão.

A liminar foi concedida pela juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos em resposta a uma ação movida pela CNTC (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio), que buscava questionar as demissões e assegurar a participação das entidades sindicais no processo de reestruturação da companhia.

Segundo pedido da CNTC à Justiça, o desligamento dos milhãres de trabalhadores não teve intervenção sindical prévia.

A decisão também proíbe novos cortes coletivos até que sejam cumpridos os requisitos do Tema 638 do STF (Supremo Tribunal Federal), que exige negociação coletiva prévia com o sindicato antes de dispensas em massa.

Segundo a determinação, a empresa terá cinco dias, após ser intimada, para restabelecer os "vínculos jurídicos e econômicos" dos trabalhadores atingidos, com reinclusão em folha de pagamento e retomada dos benefícios contratuais.

Em prazo de 48 horas, também deverão ser restaurados os planos de saúde e demais benefícios assistenciais cancelados em decorrência das dispensas.

A decisão não determina, no entanto, a reabertura das 298 unidades fechadas neste mês, nem garante a permanência definitiva dos funcionários.

A empresa poderá realocar os trabalhadores para atividades compatíveis em estruturas remanescentes ou mantê-los em afastamento remunerado enquanto a liminar estiver em vigor.

Os valores já pagos em verbas rescisórias não precisarão ser devolvidos neste momento e a eventual compensação ficará para decisão posterior.

Caso não cumpra a determinação, a empresa poderá ser multada em R$ 500 por dia por trabalhador atingido, limitado a dez remunerações mensais de cada empregado. Para novas dispensas realizadas sem a participação sindical, a multa prevista é de R$ 10 mil por trabalhador.

A Justiça não proibiu o grupo de reduzir seu quadro, fechar unidades ou alterar sua estrutura, mas estabeleceu que futuras dispensas coletivas ou em massa deverão ser precedidas de intervenção efetiva dos sindicatos.

"Iniciamos um diálogo com a empresa, mas concomitantemente entramos com o processo na Justiça, por meio da nossa confederação, que conseguiu essa liminar", diz Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.

Segundo ele, o sindicato criou um canal específico para todos os trabalhadores da Casas Bahia. "Como se trata uma decisão temporária, a gente tem de se preparar para o caso de uma decisão contrária. Além de tentar barrar as decisões, pedimos que uma parte dos recursos da empresa fiquem bloqueados para o pagamento de direitos trabalhistas, caso os trabalhadores sejam mesmo desligados."

Segundo a decisão, "o sindicato não dispõe de poder de veto. Exige-se somente que a decisão coletiva seja precedida de informação e oportunidade real de interlocução, antes de sua implementação".

A liminar determina ainda que a Casas Bahia convoque, em até 48 horas, a CNTC e as entidades sindicais de primeiro grau competentes para dar início formal ao procedimento de intervenção sindical.

A empresa deverá apresentar informações sobre a dimensão da operação, as unidades atingidas, o número de postos afetados, as etapas previstas e as alternativas de realocação dos trabalhadores.

Em nota, o presidente da Fecosul (Federação dos Empregados no Comércio de Bens e Serviços do Estado do Rio Grande do Sul) e vice-presidente da CNTC, Guiomar Vidor, afirmou que a decisão representa uma medida fundamental para a preservação dos direitos dos trabalhadores.

"Esta decisão judicial é uma medida fundamental para que os trabalhadores tenham seus direitos preservados e para que a empresa respeite os preceitos legais no caso de demissões coletivas, uma vez que estas têm um impacto econômico e social significativo."

Vidor afirmou ainda que, nos próximos dias, a CNTC deverá constituir uma mesa nacional de negociação, com participação da empresa e do Ministério Público do Trabalho (MPT), para discutir as condicionantes das demissões e a possibilidade de reversão dos desligamentos.

A decisão determinou também a implantação imediata de um "legal hold", mecanismo de preservação jurídica de documentos e dados relacionados ao Plano de Transformação (Fase 2) desde 1º de janeiro de 2026. A medida abrange e-mails, mensagens corporativas, planilhas, apresentações, atas, registros de folha e rescisões, backups e metadados.

A decisão do TRT-10 é vista como uma vitória para a representação sindical e estabelece que as demissões coletivas não podem ocorrer à margem do diálogo com os trabalhadores.

A partir de agora, a continuidade do processo de reestruturação das Casas Bahia deverá observar a negociação coletiva e a participação efetiva das entidades sindicais.

Por Douglas Gavras, Folhapress

Ações fortalecem proteção social, conectividade e infraestrutura em municípios baianos

 Flávia Vieira/SSP e Milena Brito/Seinfra (crédito nas imagens)
O Estado da Bahia realizou, nesta terça-feira (18), entregas e ações em municípios de diferentes regiões, nas áreas de proteção às mulheres, conectividade, regularização fundiária e infraestrutura.

Em Valença, foi inaugurada uma Sala Lilás na Coordenadoria Regional de Polícia Técnica (CRPT), destinada ao atendimento de mulheres e crianças vítimas de violência doméstica ou sexual. Por funcionar dentro da unidade do Departamento de Polícia Técnica (DPT), o espaço permite que o acolhimento e os procedimentos periciais sejam realizados no mesmo local.
 Flávia Vieira/SSP
Em Presidente Dutra, foi entregue uma Sala de Acolhimento às Mulheres, voltada à escuta, orientação e encaminhamento de mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade social. Diferentemente da Sala Lilás do DPT, o espaço não realiza perícias e faz os encaminhamentos necessários para os serviços da rede de atendimento.

Ainda em Presidente Dutra, um novo ponto do Programa Conecta Bahia foi instalado na Praça do Comércio, oferecendo acesso gratuito à internet. Executado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), o programa está em fase de implementação em 389 municípios e soma 980 pontos.
 Flávia Vieira/SSP
Regularização Fundiária e Infraestrutura
Agricultores familiares de Santa Rita de Cássia e Mansidão, no Oeste baiano, receberam 79 títulos de terra: 59 foram entregues em Santa Rita de Cássia e 20, em Mansidão. A documentação formaliza a situação dos imóveis rurais e proporciona maior segurança jurídica às famílias.

Em Itatim, foi assinada ordem de serviço para pavimentação de 6,5 quilômetros entre o entroncamento da BR-116 e o povoado de Lagoa do Tanquinho.
Em Santo Estêvão, foi realizada visita técnica às obras de ampliação e revitalização do Terminal Rodoviário. Com investimento de R$ 2,8 milhões, o equipamento terá oito baias para ônibus.
Secom - Secretaria de Comunicação Social - Governo da Bahia

Em meio a vacância, TCM redefine cúpula após aposentadoria de Francisco Netto /Por Política Livre

Foto: Divulgação/Arquivo
O conselheiro Paulo Rangel assumiu a vice-presidência do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) por designação dos demais conselheiros, aprovada na sessão plenária desta terça-feira (18). Ele substitui no cargo o conselheiro Nelson Pellegrino, que assumiu a presidência da Corte com a aposentadoria compulsória de Francisco de Souza Andrade Netto, no último dia 9 de agosto, ao completar 75 anos de idade.

O agora vice-presidente Paulo Rangel irá acumular as funções com a presidência da 1ª Câmara do TCM até a nomeação, pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), do substituto do conselheiro Francisco Netto na Corte. Para o cargo, foi aprovado pela Assembleia Legislativa,o nome do atual deputado Adolfo Menezes (PSD), mas não há prazo para o ato de nomeação pelo governador.

A tendência é que a indicação de Adolfo seja feita pelo governador após as eleições, já que o parlamentar está viajando em plena campanha da esposa, Denise Menezes (PSD), a deputada estadual.

Relatório da PF não aponta crime de jornalista citado em decisão de Moraes -Por Redação

Foto: Gustavo Moreno/Arquivo/STF
Um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) que serviu de base para uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma não ter identificado indícios de que o blogueiro maranhense Luís Pablo tenha cometido crime de violação de sigilo funcional ou recebido dinheiro para publicar reportagens contra Flávio Dino. Mesmo assim, Moraes apontou em sua decisão a existência de “indícios relevantes” de possível crime de perseguição contra o ministro. A reportagem é do jornal O Globo.

A investigação começou após reportagens de Luís Pablo sobre o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por Dino e familiares. Uma operação determinada por Moraes apreendeu celulares, computador e pen drive do jornalista, permitindo aos investigadores identificar sua fonte, o ex-secretário Raimundo Cutrim. Segundo o relatório da PF, o jornalista recebeu documentos e informações de Cutrim, mas os investigadores diferenciaram sua atuação da possível prática de violação de sigilo funcional atribuída à fonte, destacando a proteção constitucional à liberdade de imprensa.

O documento também cita transações financeiras envolvendo o jornalista, incluindo o pagamento de R$ 100 mil relacionado à compra de um imóvel rural e valores recebidos por anúncios do Blog Luís Pablo. A PF, porém, não associou essas informações à prática do crime de perseguição. O relatório foi encaminhado ao STF, enquanto Moraes autorizou novas diligências no caso, que também envolve pessoas próximas ao jornalista e à sua fonte.

ACM Neto diz que não é responsável por votos de eleitores ‘Lula-Neto’ Por Reinaldo Oliveira, Política Livre

Foto: Divulgação
Durante inauguração do comitê oficial nesta terça-feira (18), o ex-prefeito de Salvador e candidato a governador da Bahia, ACM Neto (União Brasil), disse que os eleitores têm autonomia para escolher seus candidatos nas urnas. A afirmação aconteceu depois do postulante ao Palácio de Ondina ser indagado em relação ao chamado voto “Lula-Neto”, em que o eleitor opta pelo presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência e por ACM Neto para o governo estadual.

De acordo com o ex-chefe do Palácio Thomé de Souza, não cabe a ele interferir ou “controlar” nas escolhas individuais dos eleitores. “Cada eleitor pode se manifestar, cada cidadão pode se manifestar como quiser. Hoje, com as redes sociais, a gente vê que a coisa é ainda mais ampla, mais aberta, sem filtros. Eu não tenho nenhuma responsabilidade com isso”, declarou.

Na ocasião, o ex-prefeito reiterou que sua campanha mantém apoio à candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), à Presidência da República. “As pessoas na Bahia sabem que nós apoiamos aqui a candidatura de Caiado a presidente”, acrescentou.

ACM Neto também fez questão de ressaltar que os eleitores podem manifestar suas preferências políticas sem interferência. “Agora, o eleitor que quer se manifestar de uma forma ou de outra, ele tem o direito de fazer sem censura, ou mesmo sem esse patrulhamento”, concluiu.

18 agosto, 2026

Brasileiros depositaram R$ 221 bi em bets no ano passado, mostram dados da Fazenda

               Faturamento declarado no período foi de R$ 36,9 bi, montante perdido pelos jogadores

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil/Arquivo

As bets autorizadas a atuar em nível federal receberam R$ 220,6 bilhões em depósitos durante o ano de 2025, mostram dados do Ministério da Fazenda obtidos via lei de acesso à informação.

Desse total, R$ 36,9 bilhões representaram o saldo negativo para os apostadores e se converteram em receitas para as casas de apostas. O restante, R$ 183,7 bilhões, foi destinado ao pagamento de prêmios e oferta de bônus sacáveis —valores promocionais que o jogador pode retirar a qualquer momento, e a bet pode deduzir de suas receitas para fins contábeis.

É a primeira vez que a Fazenda divulga essa informação, disponibilizada ainda em caráter preliminar. "Os dados podem sofrer alterações até a conclusão dos procedimentos de conferência e consolidação", diz a secretária de Prêmios e Apostas (vinculada à Fazenda), Daniele Correa Cardoso, na resposta enviada à reportagem.

A receita das casas de apostas representou 16,7% dos depósitos. O valor ficou acima da retenção máxima imposta por lei de 15% e da taxa de 7% anunciada pelo setor, o que reforça a tendência de ganho das bets sobre os jogadores no longo prazo.

Como o dinheiro do apostador é limitado, a retenção anunciada pelas bets funciona como uma taxa implícita maior do que o valor capturado por cada rodada.

Segundo as regras do setor, 88% do faturamento ficou com as bets e 12% com a União e outras entidades beneficiadas pela regulamentação, como grupos beneficentes que recebem repasses —essa fatia será de 13% neste ano e subirá a 15% em 2028.

Depois, incidem os impostos federais, estaduais e municipais sobre as empresas. Balanços vistos pela reportagem, como o da Blaze, indicam uma margem de lucro por volta de 30%, uma parcela comparável à de um banco de investimentos, como o BTG Pactual. A maior parte do orçamento das empresas vai para publicidade, e, como as equipes são pequenas, o custo com funcionários é baixo.

De acordo com o levantamento, o mês com maior volume de depósitos foi outubro, quando o Campeonato Brasileiro se encaminhava para a fase final, e avançavam as fases eliminatórias das copas continentais, Sul-Americana e Libertadores.

Em média, 9,25 milhões de pessoas apostaram a cada mês, com pico de 10,82 milhões de apostadores também em outubro. Ao longo de todo o ano, 25 milhões de brasileiros registraram apostas.

Os números oficiais da Fazenda, que monitora os depósitos nas contas das casas de apostas por meio do Sigap (Sistema de Gestão de Apostas), ficaram R$ 130 bilhões abaixo da estimativa do Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda), divulgada no último mês de julho.

Segundo o Comsefaz, as casas de apostas receberam R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix. Considerando os pagamentos aos apostadores, o saldo negativo para as famílias foi de R$ 62,5 bilhões.

Para chegar ao resultado, os pesquisadores estimaram qual seria o volume esperado de transferências de pessoas físicas para empresas do setor de artes, cultura, esporte e recreação caso não tivesse ocorrido a mudança provocada pela regulamentação. Depois compararam essa projeção com os valores efetivamente registrados. A diferença entre os dois cenários foi interpretada como o naco direcionado às bets.

Como se trata de uma simulação estatística, os autores ressaltam que o resultado não representa uma relação de causa e efeito comprovada. O estudo sugere que as apostas se tornaram o principal gasto com entretenimento dos brasileiros.

Na época da divulgação do estudo, a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias), uma das entidades que representam os sites de apostas, disse que a análise do Comsefaz desconsiderou os milhares de sites ilegais que estiveram online no país (a Fazenda derrubou mais de 25 mil endereços em 2025) e as mudanças macroeconômicas que contribuíram para a maior adesão ao Pix como meio de pagamento.

"As transações que constam do estudo se referem a transferências líquidas de pessoas físicas para pessoas jurídicas de quatro segmentos: artes, cultura, esportes e recreação, nos quais se insere uma enorme variedade de prestadores de serviços de entretenimento, não apenas as bets", diz a entidade em nota.

Os depósitos para bets registrados na Fazenda representam 63% do excedente de transações via Pix para o setor de entretenimento. Sobram 37% desse montante, incompatíveis com o crescimento orgânico das atividades culturais e de esportes.

Um estudo da consultoria LCA, encomendado pelo IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, outro grupo do setor de apostas), contudo, estima que os sites clandestinos representaram algo em torno de 41% a 51% do mercado total. Uma parte menor do mercado ilegal opera com empresas abertas no exterior.

Outro destino das transações dos apostadores pode ser os sites de apostas com licenças estaduais. Maranhão, Paraná, Paraíba e Rio de Janeiro vendem outorgas que garantem atuação limitada ao território da unidade federativa.
Por Pedro S. Teixeira/Folhapress

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