Página




10 setembro, 2026

Robinho reforça compromisso com Senhor do Bonfim e destaca acolhimento no município

Em recente agenda na região, o candidato a Deputado Federal Robinho (4444) celebrou a recepção calorosa que teve ao visitar o município de Senhor do Bonfim. A passagem pela cidade foi marcada por encontros com lideranças locais e apoiadores, fortalecendo a aliança política para as próximas eleições.

Durante sua visita, o candidato destacou o carinho recebido pela população bonfinense e reiterou sua disposição em trabalhar ativamente em prol do desenvolvimento da cidade na Câmara dos Deputados.

"Foi surpreendente a minha passagem por Senhor do Bonfim. Não imaginei receber tanto acolhimento. Ficam os registros desse município maravilhoso, ao lado de pessoas que acreditam na mudança e confiam no nosso trabalho. Senhor do Bonfim tá com Robinho e Robinho vai trabalhar muito por Senhor do Bonfim!", declarou.

Foco em recursos e emendas parlamentares

Entre as prioridades assumidas pela equipe do candidato, destaca-se a articulação política para atrair investimentos e direcionar emendas parlamentares destinadas a suprir as reais demandas da comunidade local e da região norte do estado.

Com o apoio de importantes lideranças políticas baianas, como ACM Neto, Robinho reafirma sua candidatura ao cargo de deputado federal sob o número 4444, propondo um mandato focado em projetos estruturantes, melhorias nos serviços públicos e forte presença nos municípios baianos.

Alckmin promete a empresários que Lula fará superávit e defende fim de privilégios no Judiciário

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) prometeu a empresários que, se reeleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará superávit nas contas públicas. Também defendeu o corte de privilégios a integrantes do Judiciário e Legislativo como meio de combate ao desperdício de recursos públicos.

Alckmin falou a empresários na noite de quarta-feira (9) em um jantar realizado em Brasília. A campanha do petista tenta reeditar o pacto costurado com setores do PIB em 2022, quando diversos empresários e economistas o apoiaram para evitar a reeleição de Jair Bolsonaro (PL) –hoje, o principal adversário de Lula é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente.

Ainda segundo relatos, o vice-presidente afirmou que o brasileiro está revoltado com os altos salários e benefícios, sendo necessário deixar claro que Lula é quem pode combatê-los.

Após ouvir críticas aos juros, Alckmin disse que, em 2020, o governo Bolsonaro gastou a mais do que arrecadou 10% do PIB e não pagou um centavo da dívida.

Em defesa do governo Lula, ele enfatizou terem zerado o déficit primário. Para o ano que vem, prometeu superávit de, no mínimo, 0,5%. Alckmin defende que se avance mais no ajuste para redução dos juros.

Organizador do encontro, o coordenador do grupo Direitos Já!, Fernando Guimarães, afirma que a iniciativa busca reativar o pacto que elegeu Lula em 2022, com a participação de apoiadores históricos do PSDB. A intenção, explica, é furar a bolha e atrair eleitores que estão fora da polarização do PT versus bolsonarismo.

Ainda segundo relatos, no discurso, Alckmin também apontou o eleitor de centro como fundamental para a definição das eleições.

Também falando em nome do governo, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), criticou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça. Embora sem citá-lo nominalmente, disse que um magistrado não pode atuar em favor de uma campanha.

Segundo relatos, ele classificou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, como um abuso, uma intromissão descabida que tem o objetivo de blindar Flávio Bolsonaro. Ele lembrou ter levado essas críticas às redes sociais, pregando ainda a derrubada do sigilo do caso Master.

O jantar reuniu cerca de 100 pessoas na casa do advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, aliado de Lula, com representantes de diferentes setores da economia. Um dos principais temas foram os impactos da crise no Supremo Tribunal Federal sobre a eleição.

Além de Alckmin. Fernando Guimarães e José Guimarães, estavam presentes os ministros da Indústria, Márcio Elias Rosa, da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, e o controlador-geral da União, Vinícius Carvalho. Também participou o coordenador do programa de governo da campanha de Lula, o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli.

Estavam presentes, entre outros nomes, os economistas Felipe Salto e André Perfeito, a pecuarista Teresa Vendramini e o dirigente empresarial Rafael Lucchesi. Após a abertura de Fernando Guimarães, eles falaram sobre o cenário econômico e o impacto nos diferentes segmentos.

O jantar da quarta-feira não foi o único movimento recente do grupo político de Lula para tentar atrair o apoio de setores do PIB. No fim de agosto, o próprio presidente recebeu alguns grandes empresários no Palácio da Alvorada para conversar, e prometeu que fará todo o possível para reduzir os juros.
Por Catia Seabra e Adriana Fernandes/Folhapress

Sidninho questiona suspensão de licitação de 10 novos trens do metrô e cobra respostas do Governo

Foto: Divulgação
O vereador Sidninho (PP) questionou o Governo do Estado da Bahia sobre o planejamento e a destinação dos R$ 490,3 milhões previstos para a aquisição de 10 novos trens do Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas. O processo licitatório para a compra das composições foi suspenso pela Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), autarquia vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SEDUR), em cumprimento a uma decisão judicial publicada no Diário Oficial do Estado.

A suspensão interrompe o cronograma de ampliação da frota — medida fundamental para aumentar a capacidade de atendimento das Linhas 1 e 2, reduzir o tempo de espera (headway) nas plataformas e absorver a crescente demanda do sistema. Os detalhes do processo judicial e os fundamentos da liminar não foram tornados públicos pela gestão estadual, e não há prazo definido para a retomada do certame.

"Quem paga essa conta é o usuário diário do sistema. A Linha 1 conecta a Lapa a Águas Claras, integrando importantes terminais de ônibus e fazendo transbordo com a Linha 2 no Acesso Norte. Por sua vez, a Linha 2 atende densos corredores comerciais e o Aeroporto Internacional. Essa infraestrutura é vital para a mobilidade da capital e não pode ficar paralisada por inconsistências em editais de licitação", apontou Sidninho.

O parlamentar destacou que esta é a segunda interrupção do certame em um curto intervalo. Em agosto, a própria CTB havia revogado uma primeira tentativa de licitação com base em pareceres administrativos internos.

"As paralisações recorrentes evidenciam falhas na elaboração do edital, como exigências qualificatórias restritivas, descumprimento de prazos ou divergências nas especificações técnicas dos trens. Além disso, a falta de divulgação dos motivos da liminar afronta o princípio constitucional da publicidade (Art. 37 da CF/88)", afirmou.

Para buscar esclarecimentos, o vereador anunciou a formalização de requerimentos aos órgãos competentes. "Enviarei um pedido formal à SEDUR/CTB solicitando cópia integral do processo administrativo e o teor da decisão judicial, além de um ofício ao TCE-BA pedindo auditoria e acompanhamento do processo para averiguar possíveis incorreções técnicas. A adição dessas 10 composições (cerca de 40 carros) é indispensável para recompor a oferta do sistema após a ampliação do trecho Retiro–Águas Claras e o aumento de passageiros na Linha 2", concluiu.

Edital do STF sobre monitoramento de redes gera críticas na direita- Por Fábio Zanini/Folhapress

Foto: Gustavo Moreno/Arquivo/STF
Uma licitação aberta pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para monitoramento de redes sociais tem aumentado as críticas da direita à corte, que aponta risco de uso político das informações para perseguição de adversários.

O processo foi aberto em maio, para renovação de um contrato de acompanhamento de informações sobre a corte em redes como Instagram, X, YouTube, Facebook, TikTok, LinedIn, Kwai e Discord. O valor é de R$ 249 mil.

Um dos pontos contestados por políticos de oposição é a exigência de que a empresa vencedora faça uma classificação sobre o "sentimento" de influenciadores com relação ao STF, rotulando suas interações como positivas, negativas ou neutras.

No início de agosto, o senador Rogerio Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), entrou com uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a suspensão do edital. Ele justificou que o certame representaria um risco potencial à liberdade de pensamento e expressão.

Outros que criticaram o edital foram candidatos do Partido Novo, como Cris Monteiro, que disputa mandato de deputada federal em São Paulo, e Gerson Pires, que busca vaga na Assembleia Legislativa do estado.

Procurado, o STF negou objetivos políticos e afirmou que o monitoramento de redes é uma prática rotineira em grandes órgãos e empresas, usada apenas para aprimoramento das suas ações de comunicação. Acrescentou ainda que se trata somente da renovação de um contrato já existente, que expirou.

08 setembro, 2026

Fachin avalia tirar de Mendonça e assumir casos Master e INSS para conter crise no STF

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, avaliar tirar do ministro André Mendonça e assumir as investigações dos casos Master e INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para tentar conter a crise instalada na corte.

Fachin reuniu auxiliares na tarde de domingo (6) para tratar da disputa entre Mendonça e Alexandre de Moraes. O encontro com assessores mais próximos foi chamado para articular o caminho e a forma com a qual o presidente do Supremo deverá dirigir o momento inédito.

Essa discussão teve início antes da ordem de Mendonça desta terça-feira (8) de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A determinação foi a julgamento na Segunda Turma da corte e chegou a formar maioria, porém o julgamento foi suspenso após pedido de vista (mais tempo para analisar a matéria) de Gilmar Mendes.

Desde o início da última semana, o Supremo enfrenta, de forma pública, a maior disputa entre integrantes. Fachin já havia tirado do inquérito das fake news o pedido de abertura de investigação de Moraes contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Afastar Mendonça seria, também, como a Folha mostrou, uma aposta da ala do STF que apoia Moraes. Para esse grupo, Fachin deve retirar temporariamente o relator dos casos enquanto houver qualquer tipo de dúvida sobre os métodos do ministro.

Segundo interlocutores do presidente, no entanto, a avaliação é a de que é preciso controlar os ânimos dos dois polos da crise. A medida seria uma forma de reduzir poder de ataques entre os dois grupos em disputa na corte.

Na sexta (4), Fachin defendeu o fim do inquérito das fake news, aberto em 2019 e nas mãos de Moraes desde então, e a aprovação da proposta de um código de ética no tribunal. No Palácio do Planalto, o ministro disse que "não haverá precipitação, mas tampouco omissão" para solucionar o conflito.

"A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa. Os acontecimentos recentes demonstram o acerto e a urgência de três metas de nossa gestão: a adoção de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça."

Fachin conversou com Lula antes da cerimônia que participaram e sinalizou a intenção de dar andamento às acusações levantadas entre os ministros e levar os casos ao plenário da corte. Também demonstrou insatisfação com os meios escolhidos por ambos os colegas para seguir com as medidas de cada lado.

De acordo com ele, a retirada da investigação contra Mendonça das mãos de Moraes era necessária para verificar a regularidade do ato de Moraes. E, em seguida, para eventual avaliação das acusações feitas pelo relator ao colega que conduz os casos mais rumorosos do país atualmente.

Moraes determinou a apuração com base em um relatório interno da Polícia Federal, apócrifo, e descrito pelo próprio documento como sem valor probatório. A PF incluiu informações muitas vezes classificadas como de grau de confiança "baixo" ou "moderado", mas que Moraes usa indiscriminadamente na decisão.

A medida foi a resposta de Moraes dois dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que aponta o colega como o interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na decisão, Mendonça sinalizou que levará ao plenário a possibilidade de investigar Moraes.

O inquérito das fake news foi aberto na gestão de Dias Toffoli, quando designou Moraes, sem sorteio, para a relatoria da investigação sobre ataques e ameaças à corte. A abertura prolongada da apuração tem gerado questionamentos internos e externos ao menos desde a gestão de Luis Roberto Barroso.

Na noite de quinta (3), Fachin determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem informações em até cinco dias sobre o relatório da PF que envolveu Moraes e citou as duas outras autoridades.

O presidente pede informações sobre as circunstâncias nas quais Mendonça determinou a identificação das pessoas com as quais Vorcaro conversava e as medidas tomadas para que as regras de investigação sobre autoridades fossem cumpridas.

A última semana teve início com os primeiros passos da crise, quando Mendonça tornou públicas as mensagens do ex-dono do Master a Moraes, perguntando ao ministro se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso e agendando encontros para tratar dos negócios alvo de investigação.

Vorcaro foi preso pela PF em 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. Documentos mostram que no dia 14 ele pergunta ao ministro se está "marcado amanhã lá em casa" ou se "prefere deixar para semana que vem". Minutos depois, confirma: "Vou chegar 14:30 ok! La em casa marcado".
Por Ana Pompeu, Folhapress

Lula criticou decisão de Moraes que barrou indicação de Bolsonaro para PF em 2020

Foto: Divulgação/Arquivo
O presidente Lula (PT) reagiu com críticas em 2020 a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de suspender a nomeação feita pelo presidente Jair Bolsonaro de Alexandre Ramagem para a chefia da Polícia Federal.

O caso vem sendo lembrado no contexto da decisão de André Mendonça de afastar do cargo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

A decisão de Moraes foi proferida no dia 29 de abril de 2020. "Não pode um único juiz da Suprema Corte tomar atitude de evitar. Não podemos permitir que as instituições ajam politicamente. [...] Que a pessoa prove que o delegado tem um ilícito, aí sim ele está correto [em barrá-lo]", disse Lula, em entrevista ao UOL.

Na ocasião, o petista também centrou críticas ao ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. A troca da chefia feita por Bolsonaro desagradou Moro, que pediu demissão do governo.

"O presidente da República tem mais autoridade para indicar o delegado do que o ministro, afinal de contas foi o presidente da República que foi eleito. O que é importante é tratar a instituição de forma republicana, ou seja, não é um instrumento do presidente da República", disse.

Moraes interferiu na indicação de Ramagem ao se basear, principalmente, nas afirmações de Bolsonaro de que pretendia usar a PF, um órgão de investigação, como produtor de informações

Por Carlos Petrocilo, Folhapress

Fux cancela sessão da Segunda Turma do STF após decisão de Mendonça de afastar chefe da PF

Foto: Ton Molina/STF/Arquivo
O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), cancelou a sessão desta terça-feira (8) da Segunda Turma da corte. O colegiado teria uma reunião presencial depois de dar início ao julgamento para referendar a ordem do ministro André Mendonça e manter o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal (PF).

A análise acontecia em plenário virtual —ambiente remoto por meio do qual ministros incluem votos e não há espaço para debate—desde esta manhã. A sessão, porém, foi suspensa por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

O colegiado tem Fux como presidente, e é integrado por Mendonça, Gilmar, além de Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli —que se declarou impedido de julgar os processos referentes ao escândalo do Banco Master.

A reunião presencial estava prevista como parte do calendário normal para seguimento da pauta de processos da corte e tinha apenas um caso sobre correção de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para confirmar a determinação de Mendonça e manter o afastamento de Andrei.

Em menos de dez minutos após a abertura da sessão virtual, os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux votaram para acompanhar o relator, em um indicativo de que o relator dos casos Master e INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) tem apoio suficiente no colegiado.

Por Ana Pompeu e Luísa Martins, Folhapress

07 setembro, 2026

Governo e setor produtivo esperam voltar a exportar frango e mel em até dois meses

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo
Após a auditoria feita pela União Europeia no Brasil, o governo Lula e o setor produtivo esperam retomar as exportações de frango e de mel ao bloco em até dois meses. No cenário mais otimista, o governo torce para que as vendas sejam retomadas antes do 2º turno das eleições.

Na fiscalização feita em agosto, o bloco concluiu que os controles sanitários e os procedimentos adotados pelo Brasil são satisfatórios. Agora, é só esperar o processo burocrático para a retomada das exportações.

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países que cumprem as regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A decisão entrou em vigor na última quinta-feira (3).

O governo corre contra o tempo também para garantir que o Brasil volte à lista dos países que podem exportar carne bovina ao bloco europeu. Só que em relação a este produto o cenário é mais pessimista.

Para garantir ao menos parte das exportações, o setor quer uma solução temporária: usar frigoríficos que estão aptos e poderiam ser habilitados para exportar o produto enquanto o governo brasileiro negocia uma solução definitiva.

A saída provisória passou a ser discutida nos bastidores porque em relação à carne bovina a União Europeia quer aguardar um ciclo completo do boi após a adoção dos protocolos de não uso de antimicrobianos. E isso, segundo fontes a par do assunto, poderia levar mais de dois anos.

O governo Lula, por meio do Ministério da Agricultura e do Palácio do Planalto, trabalha para que a solução intermediária seja aceita pelo bloco e que a exportação de carne bovina seja retomada ainda neste ano.

Por Gabriela Echenique, Folhapress

Quaest: Lula e Flávio Bolsonaro empatam numericamente em cenário de 2º turno

No primeiro turno, presidente tem 36% das intenções de voto das eleições 2026, e o senador, 29%

O presidente Lula (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o escritor Augusto Cury (Avante)

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro estão numericamente empatados em 41% em simulação de segundo turno da eleição presidencial, aponta pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (7).

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-01720/2026. A pesquisa entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o país, de quinta-feira (3) até domingo (6).
No primeiro turno, Lula (PT) tem 36% das intenções de voto das eleições 2026, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), 29%, aponta o levantamento.

O cenário é de estabilidade em relação à rodada anterior, divulgada no dia 2 de setembro, quando o petista registrava 37% das intenções de voto frente ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (30%).

O escritor Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro lugar, e marca 8%. No levantamento anterior, ele registrava 10%, oito pontos percentuais acima de pesquisa feita em agosto.

Renan Santos (Missão) marca 3%, assim como Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, e Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, marca 2%. Samara Martins (UP) tem 1%. Indecisos são 10%, e 8% afirmam que vão votar em branco, anular ou não votarão.

O cenário é sem o influenciador Pablo Marçal (PRTB), que, apesar de estar inelegível até 2032, obteve a concessão de uma medida liminar na Justiça Eleitoral de São Paulo para se filiar ao PRTB e registrou sua candidatura à Presidência da República.

O caso será julgado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas o pedido é visto como uma tentativa de tumultuar o pleito e tende a ser rejeitado, segundo dois magistrados da corte e interlocutores de outros dois. O tribunal já decidiu que o empresário não poderá acessar recursos do fundo eleitoral, participar de debates e aparecer no horário eleitoral em redes de rádio e televisão.

No cenário com Marçal, ocorre pouca variação: Flávio marca 29%, e os outros candidatos têm o mesmo percentual das simulações sem o influenciador. A diferença fica nos indecisos, que caem de 10% para 9% —variação equivalente ao 1% registrado por Marçal.

Rui Costa Pimenta (PCO), Veterinário Wilson Grassi (Democrata), Clariana Brandão (DC), Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram.

Segundo turno

Em 2 de setembro, Lula marcava 42% no segundo turno, e Flávio Bolsonaro, 41%. Em 14 de agosto, o mandatário e o senador também apareciam tecnicamente empatados com, respectivamente, 43% e 40% das intenções de voto.

Na semana passada, a campanha do presidente Lula admitiu que a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência da República está indefinida.

Auxiliares do senador bolsonarista, por sua vez, dizem que o cenário é de virada e veem na crise que atravessa o STF (Supremo Tribunal Federal) um ingrediente a mais para desgastar Lula, associá-lo a Alexandre de Moraes e mobilizar o eleitorado.

Já a alta de Cury havia sido apontada em outras pesquisas. O motivo presumido foi a inundação de citações nas redes provocada por influenciadores em favor de seu nome. Especialistas creditam o aumento inesperado ao desgaste com o atual cenário político e à alta rejeição de ambos Lula e Flávio.

A campanha de Lula é afetada pelas investigações da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, um dos filhos do presidente, por suspeita de tráfico de influência. Conhecido no debate público como Lulinha, Fábio é apontado pela PF como beneficiário indireto da ação da lobista Roberta Luchsinger, que tentava obter benefícios na venda de medicamentos ao Ministério da Saúde.

Do lado de Flávio, a revelação de que o senador pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, tem desgastado a campanha do senador. A descoberta mais recente sobre o caso, publicada pela revista piauí, é a de que o ex-banqueiro fez um repasse adicional de US$ 1,6 milhão (R$ 8,5 milhões na cotação da época) ao fundo responsável por administrar os recursos para a produção.
Por Luana Lisboa/Folhapress

Flávio usa ato de 7 de Setembro para transformar revelações contra Moraes em combustível de campanha

Presidenciável reforçou a tentativa de se apresentar como herdeiro político de Jair Bolsonaro, reproduzindo símbolos e narrativas associados ao pai
Foto: Reprodução/Youtube
A menos de um mês do primeiro turno, Flávio Bolsonaro usou o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista para transformar as revelações sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro em novo combustível para a campanha. As mensagens divulgadas após André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal recolocaram Moraes no centro dos ataques e deram ao bolsonarismo um fato novo para alimentar uma pauta antiga. Ao mesmo tempo, o presidenciável reforçou a tentativa de se apresentar como herdeiro político de Jair Bolsonaro, reproduzindo símbolos e narrativas associados ao pai.

O resultado foi um ato em que confronto e cautela caminharam juntos. No palco, Flávio associou Moraes a Lula, falou em perseguição política e evocou uma possível “terceira facada”, mas também disse ser preciso preservar o Supremo. Fora do microfone, a campanha mantinha atenção aos limites jurídicos dos ataques para evitar que a manifestação produzisse munição para adversários na Justiça Eleitoral.

Um sinal desse cuidado estava a poucos passos do candidato e quase passou despercebido em meio às lideranças no trio elétrico. Paulo Amador da Cunha Bueno, advogado de Jair Bolsonaro, permaneceu ao lado de Flávio durante praticamente todo o discurso.

O jornal O Estado de São Paulo apurou que o candidato recebeu orientações da equipe jurídica da campanha para evitar ataques às urnas, ao sistema eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de declarações que pudessem abrir espaço para questionamentos posteriores. A estratégia era elevar o tom contra Moraes sem transformar o ato em um novo problema jurídico para a candidatura.

Esse controle convivia com uma manifestação de forte carga simbólica. Sob o frio de São Paulo, bandeiras do Brasil se misturavam mais uma vez às dos Estados Unidos, enquanto um boneco inflável de Donald Trump se destacava acima da multidão, repetindo uma estética já vista em atos anteriores do bolsonarismo na Paulista no Dia da Independência.

A novidade, desta vez, estava no episódio que alimentava a indignação dos manifestantes. O relatório da PF tornado público por Mendonça revelou uma troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e aprofundou a crise no Supremo às vésperas do 7 de Setembro.

Na avenida, o reflexo era visível. O nome de Moraes dominava gritos e cartazes, enquanto Mendonça ocupava o papel oposto. O ministro era celebrado por parte dos manifestantes como contraponto dentro da própria Corte e ganhou até um boneco inflável em sua homenagem.

A imagem remetia a outro personagem do Judiciário transformado em símbolo político na mesma avenida anos antes: o então juiz Sérgio Moro, alçado à condição de herói por apoiadores da Operação Lava Jato.

Se Moraes fornecia o antagonista do ato, Jair Bolsonaro continuava sendo a principal referência política e emocional. Flávio usou o palanque para reforçar uma operação que acompanha sua candidatura desde o início: apresentar-se não apenas como sucessor, mas como herdeiro político e simbólico do pai. A comparação foi estimulada pelo próprio candidato. “Sei que vocês estão olhando para cá e enxergando outra pessoa parecida comigo: Jair Messias Bolsonaro”, afirmou.

Flávio vestiu uma camisa em homenagem ao pai, relembrou o atentado sofrido por Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, em 2018, e incorporou a trajetória familiar à própria narrativa de campanha. Falou em uma possível “terceira facada” contra ele e seus aliados e classificou as condenações relacionadas ao 8 de Janeiro como uma “segunda facada”. Também revelou que faz campanha usando colete à prova de balas.

Mais do que citar Bolsonaro, o candidato procurou reproduzir uma das narrativas que ajudaram a moldar a identidade política do pai: a ideia de que enfrentar o sistema e ser perseguido por ele fazem parte de uma mesma trajetória. Flávio evocou episódios centrais da biografia política do ex-presidente e apresentou a candidatura como continuidade de uma missão recebida dele.

Essa tentativa de transferência do capital político de Bolsonaro também atravessou as falas dos aliados. Nikolas Ferreira reafirmou sua fidelidade ao ex-presidente ao mesmo tempo em que apresentou Flávio como o candidato capaz de derrotar o PT. Tarcísio de Freitas adotou tom mais institucional: cobrou uma resposta do próprio Supremo às revelações envolvendo Moraes e defendeu a eleição de senadores de direita capazes de ampliar a pressão sobre a Corte.

A crise no STF acabou funcionando como elemento de unidade para uma manifestação com objetivos eleitorais mais amplos. Moraes era o antagonista mais visível, Mendonça aparecia como contraponto dentro do próprio tribunal e Flávio buscava converter a indignação da base em demonstração de força numa disputa em que aparece tecnicamente empatado com Lula em cenários de segundo turno.

Fora do trio, houve também momentos de tensão. Policiais precisaram intervir em um confronto entre grupos de orientações políticas diferentes nos arredores da Paulista. O episódio, porém, não alterou a dinâmica principal da manifestação, concentrada nos discursos e na tentativa da campanha de fazer da avenida uma vitrine de mobilização na reta final antes do primeiro turno.

Ao terminar o discurso, Flávio foi diretamente até Daniella Marques, braço direito da campanha na área econômica, de quem ouviu que havia feito um “belo discurso”. Em seguida, permaneceu alguns minutos diante do público. Com uma tesoura de papelão nas mãos, em referência ao “tesouraço” de gastos que promete promover na economia caso seja eleito, acenou para os apoiadores antes de descer do trio.

Já cercado pelos seguranças, ouviu uma menina, aos choros, pedir uma fotografia. Flávio interrompeu a saída, deixou a barreira formada pela equipe e foi em direção a ela.

A cena não permite saber se a emoção da apoiadora vinha de Flávio, do sobrenome que ele carrega ou das duas coisas ao mesmo tempo. Mas condensava uma das apostas centrais daquele 7 de Setembro: fazer com que parte do vínculo construído por Jair Bolsonaro com seus seguidores seja transferida para o filho que tenta sucedê-lo.
Por Hugo Henud/Estadão

06 setembro, 2026

Cármen Lúcia vê erros tanto de Moraes quanto de Mendonça e vira peça-chave na disputa por hegemonia no STF

Foto: Luiz Silveira/Arquivo/STF
A ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), vê erros tanto do ministro André Mendonça quanto do ministro Alexandre de Moraes nas medidas que levaram a corte ao epicentro de uma crise institucional, e ainda não definiu qual deles vai ganhar o seu apoio.

Moraes e Mendonça disputam o voto de Cármen em busca da hegemonia de seus respectivos grupos no Supremo, e a posição da magistrada é considerada decisiva nas deliberações que o plenário deve fazer sobre as condutas dos dois ministros.

A corte vai discutir, de um lado, se houve arbitrariedade nos métodos utilizados por Mendonça nas apurações sobre o Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e que resultaram no relatório em que a PF (Polícia Federal) aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

De outro, o STF vai avaliar a regularidade do ato de Moraes ao se utilizar do inquérito das fake news para pedir uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Antes de Moraes decidir partir para o contra-ataque, na quinta-feira (3), Cármen chegou a telefonar para ele e indicou se solidarizar com a situação de exposição pública. Na terça (1º), Mendonça tirou sigilo de relatório da PF que mostrava diálogos de Vorcaro com o ministro, incluindo uma mensagem na qual o banqueiro pergunta se deveria deixar o país, às vésperas de ser preso, em 2025.

Moraes, segundo um auxiliar, compreendeu o telefonema da colega como um aceno, embora Cármen não tenha garantido a ele o seu apoio em votações futuras.

O que veio depois —o uso do inquérito das fake news para contra-atacar Mendonça— também não a agradou. A ministra relatou a uma pessoa próxima uma sensação de perplexidade com os dois colegas e com o ponto a que chegou a erosão interna do Supremo.

Ela tem dito a auxiliares que está ciente de que seu voto está sob disputa e que há até mesmo apostas informais no mundo jurídico sobre a qual corrente ela se alinharia. A ministra, entretanto, diz que vai decidir exclusivamente com base nos autos, cuja íntegra ainda não acessou.

Moraes tem o apoio dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Já Mendonça calcula contar com Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Edson Fachin. Segundo um assessor da cúpula do STF, o ministro Dias Toffoli fica de fora das votações, pois se declarou suspeito de atuar nos casos do Master.

Tanto Mendonça quanto Moraes afirmam a interlocutores que confiam na adesão de Cármen aos seus respectivos grupos, o que pode reconfigurar a correlação das forças e alianças que hoje existem no Supremo.

Aliados de Mendonça dizem acreditar na sensibilização da ministra quanto ao recado ruim que será passado à sociedade caso a corte feche os olhos para a gravidade de haver um ministro do Supremo sob suspeita de integrar a rede de influência de Vorcaro.

Uma pessoa próxima ao relator do Master disse que Cármen construiu uma reputação de absoluta integridade ao longo dos anos de magistratura e que votar para aliviar para um colega seria colocar tudo isso a perder.

O entorno de Moraes afirma que Cármen já demonstrou ser contra a adoção de procedimentos arbitrários a pretexto de atender aos clamores da sociedade, como na ocasião em que ela votou para reconhecer a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro em casos envolvendo o presidente Lula (PT), em 2021.

"Todo mundo tem direito de ter um julgamento justo diante de um juiz ou de um tribunal imparcial", disse ela na ocasião. "Isso não significa que não queiramos, sejamos contra ou estejamos emitindo juízo de valor sobre o combate à corrupção, que é obrigatório e precisa ser feito."

Para um interlocutor de Moraes, se o plenário confirmar o entendimento de Mendonça, haverá margem para que qualquer magistrado investigue um colega, fazendo do Supremo ringue para um "vale-tudo". Mendonça entende que o colega pode fazer o mesmo no âmbito do inquérito das fake news.

A leitura do grupo pró-Moraes é a de que Mendonça agiu deliberadamente para expô-lo, mandando que a PF apurasse suspeitas contra o ministro à revelia de decisão prévia do plenário, em violação ao regimento interno do Supremo.

Na divisão atual da corte, Cármen é alinhada a Mendonça, por exemplo, na defesa da implementação de um código de conduta para o STF, proposta da qual é relatora. Por outro lado, ela acompanhou Moraes em todos os votos da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado.

Interlocutores da ministra afirmam que ela não tem alinhamento irrestrito com nenhuma das duas alas e que seus votos se pautam pela Constituição. A ministra tem manifestado preocupação com o peso institucional da crise, diante de um potencial impacto catastrófico para o STF.

Por Luísa Martins e Ana Pompeu/Folhapress

Postagem em destaque

Robinho reforça compromisso com Senhor do Bonfim e destaca acolhimento no município

Em recente agenda na região, o candidato a Deputado Federal Robinho (4444) celebrou a recepção calorosa que teve ao visitar o município de ...