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06 julho, 2026

Eliminação do Brasil abre espaço para disputa eleitoral na Bahia; suplências e convenções entram no radar


Com a eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo, o noticiário esportivo perde força e a política volta a ocupar o centro das atenções na Bahia. Se até este domingo o foco estava no mata-mata do Mundial, a partir de agora as articulações para as eleições de outubro devem ganhar ainda mais intensidade, tanto nos bastidores quanto nas agendas públicas dos principais pré-candidatos.

Embora ainda faltem cerca de 90 dias para o primeiro turno, a corrida eleitoral entra em uma fase decisiva. O próximo grande marco será o período das convenções partidárias, entre os dias 20 de julho e 5 de agosto, quando os partidos oficializarão candidatos, coligações e também os nomes que disputarão as suplências ao Senado.

Na Bahia, esse é um dos principais pontos ainda em aberto. Até o momento, apenas uma suplência está definida: a do ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT), que deverá ter como primeiro suplente o presidente estadual do Avante, Ronaldo Carletto.

Na chapa governista, outra definição aguardada é a do senador Jaques Wagner (PT). A expectativa nos bastidores é que o ex-vereador de Salvador Edvaldo Brito (PSD) seja confirmado como suplente.

Na oposição, a tendência é que o senador Angelo Coronel (Republicanos), aliado do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), tenha como suplente o empresário Marcelo Guimarães Filho (DC). Já a vaga ao lado do ex-ministro João Roma (PL) permanece indefinida. Entre os nomes lembrados está o do ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz (PL).

Com o calendário eleitoral avançando, a tendência também é de intensificação das viagens pelo interior. Desde o final da semana passada, o governador, entretanto, não pode mais fazer inaugurações ou entregas. O objetivo da norma é assegurar um grau de igualdade à disputa. O mesmo vale para ACM Neto. Também passam a valer restrições à publicidade institucional dos governos, salvo exceções previstas em lei, para evitar desequilíbrio na disputa eleitoral.

Depois das convenções, outro prazo importante será 15 de agosto, data-limite para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. Já a propaganda eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto, enquanto a propaganda gratuita no rádio e na televisão terá início no fim de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

Com a bola fora de campo para o Brasil, o jogo político passa a ocupar o centro do debate. E, na Bahia, a partir de agora, cada movimento dos principais grupos será observado como parte da preparação para uma eleição que começa, de fato, a ganhar forma.

Por Política Livre

Alden critica projeções fiscais do governo Lula e cobra explicações da Fazenda Por Redação


O deputado federal Capitão Alden (PL-BA) criticou nesta segunda-feira (6) as projeções fiscais do governo Lula (PT) e protocolou um requerimento de informação ao Ministério da Fazenda cobrando esclarecimentos sobre as estimativas do Tesouro Nacional e as medidas previstas para garantir o equilíbrio das contas públicas nos próximos anos.

Vice-líder da oposição na Câmara, Alden quer acesso às premissas econômicas, memórias de cálculo e estudos técnicos que embasam os números oficiais, além de informações sobre ações planejadas pelo governo para cumprir as metas fiscais.

O parlamentar cita o relatório do Tesouro Nacional que aponta a necessidade de um esforço fiscal equivalente a cerca de 1,2% do PIB entre 2027 e 2036 para manter o equilíbrio das contas públicas.

Para Alden, decisões com impacto direto na economia e no orçamento público precisam ser acompanhadas de transparência e controle do Legislativo.

“O Congresso Nacional tem o dever constitucional de fiscalizar os atos do Poder Executivo e garantir que qualquer medida com potencial impacto sobre a sociedade esteja fundamentada em critérios técnicos, transparentes e amplamente debatidos”, afirmou.

O deputado defende ainda que a população tenha acesso prévio às medidas que podem ser adotadas para enfrentar os desafios fiscais apontados pelo governo, evitando surpresas para famílias, trabalhadores e setores produtivos.

Segundo ele, a iniciativa reforça o papel fiscalizador do Parlamento e a necessidade de transparência na gestão das contas públicas.

Moraes manda presidentes de tribunais explicarem descumprimento de regra do STF sobre penduricalhos

Fachada da sede do STF (Supremo Tribunal Federal), na Praça dos Três Poderes, em Brasília
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta segunda-feira (6) que os presidentes de sete TJs (Tribunais de Justiça) expliquem indícios de descumprimento à tese da corte sobre os penduricalhos.

A decisão cita reportagem da Folha segundo a qual 616 juízes e desembargadores receberam, em maio, vencimentos que ultrapassam o teto constitucional, de R$ 46,4 mil, com cifras que chegaram a até R$ 495 mil no mês.

Moraes deu prazo de 48 horas para que os presidentes dos TJs do Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e de Rondônia prestem informações detalhadas sobre as verbas pagas a cada magistrado da ativa ou aposentado, sob pena de afastamento do cargo de direção.

O ministro cita, ainda, possibilidade de que eles respondam nas esferas penal, civil e disciplinar. Os presidentes dos TJs deverão anexar ao processo cópias das folhas de pagamento emitidas entre abril e julho, que incluam verbas remuneratórias e indenizatórias.

No despacho, Moraes diz que a reportagem da Folha indica que os TJs "teriam desrespeitado decisão do Supremo e, em tese, teriam autorizado pagamentos remuneratórios e indenizatórios superiores aos parâmetros constitucionais fixados".

Os tribunais afirmam que os pagamentos seguiram decisão administrativa conjunta do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A resolução, aprovada por unanimidade em abril, recriou parte dos penduricalhos extintos e abriu brechas para que as verbas ultrapassassem o limite estabelecido pelo Supremo.

A reportagem da Folha analisou os dados de oito cortes estaduais, por serem os únicos que enviaram dados completos ao painel de remuneração do CNJ. Apenas na corte de Pernambuco não foram identificados supersalários. Nas outras sete notificadas por Moraes, foram registrados subsídios acima do limite criado pelo Supremo.

Em maio, estava em vigor decisão do STF que proibiu adicionais como auxílio-alimentação, moradia e indenização por acervo e criou um novo limite para os vencimentos. Pela regra do tribunal, os salários poderiam chegar a no máximo R$ 78,8 mil, diante de certas condições.

Parcelas extintas na decisão de março do STF foram substituídas por outras verbas na resolução conjunta do CNMP e do CNJ. A assistência pré-escolar, por exemplo, tornou-se uma "gratificação de proteção à primeira infância e à maternidade".

Na terça-feira (30), o STF concluiu o julgamento sobre o tema e liberou parte dos penduricalhos antes vedados, como a conversão em pecúnia —a possibilidade de receber em dinheiro— de até 30 dias de plantões judiciais, cujos dias de compensação não tenham sido usufruídos por falta de permissão do tribunal. O novo entendimento eleva o limite salarial.
Por Luísa Martins e Luany Galdeano, Folhapress

Polícia apreende quase 43 kg de cocaína escondidos em teto de furgão no interior de São Paulo

Foto: SSP
Uma fiscalização da Polícia Militar Rodoviária resultou na apreensão de 42,9 quilos de cocaína escondidos em um compartimento secreto no teto de um furgão, na Rodovia Raposo Tavares, em Palmital, no interior de São Paulo. A droga está avaliada em aproximadamente R$ 3,2 milhões.

A apreensão ocorreu durante uma blitz da Operação Impacto. De acordo com a corporação, o motorista e a passageira apresentaram versões contraditórias sobre o destino da viagem e demonstraram nervosismo, o que motivou uma inspeção detalhada no veículo.

Durante a vistoria, os policiais localizaram um fundo falso no teto do furgão, onde estavam escondidos 41 tabletes de cocaína. Após a pesagem, a carga totalizou 42,9 quilos.

O motorista foi preso em flagrante por tráfico de drogas e encaminhado à Delegacia da Polícia Federal em Marília, onde permaneceu à disposição da Justiça. A passageira também foi levada para prestar esclarecimentos, mas acabou sendo liberada após o procedimento policial.

05 julho, 2026

Número de mortos na Venezuela após terremotos sobe para 3.342

Houve aumento de 388 mortes e decréscimo de 122 feridos em novo balanço do regime

Doze dias após os terremotos que atingiram a Venezuela, o governo do país atualizou para 3.342 o número de mortos provocados pelo desastre. Segundo o balanço divulgado neste domingo (5), também foram contabilizados 16.470 feridos, enquanto as equipes de resgate seguem trabalhando nas áreas atingidas.

Em relação ao boletim anterior, divulgado no sábado (3), o novo levantamento representa um aumento de 388 mortes e um decréscimo de 122 feridos. As autoridades também informaram que 17.345 pessoas perderam suas casas.

Os terremotos do dia 24 de junho, de magnitudes 7,2 e 7,5, tiveram como principal área de impacto o estado de La Guaira, no norte do país. O balneário localizado a cerca de 40 quilômetros de Caracas concentra os maiores danos, com edifícios destruídos e milhares de moradores vivendo em abrigos improvisados instalados em parques e outras áreas públicas.

O governo venezuelano não divulga estimativas oficiais de desaparecidos. A ONU, porém, calcula que esse número possa chegar a 50 mil pessoas. A organização administra um acampamento para deslocados em La Guaira, onde famílias permanecem.

Embora em menor escala, Caracas também sofreu danos provocados pelos tremores. A região de Chacao foi a mais atingida na capital, especialmente os bairros de Los Palos Grandes e Altamira.

A resposta do governo vem sendo alvo de críticas de parte da população, que considera lentas as ações de emergência. A líder interina Delcy Rodríguez rejeitou as críticas e afirmou que as operações de busca e resgate continuam. Sem apresentar provas, ela acusou "laboratórios midiáticos" de tentar prejudicar o trabalho das equipes de emergência.

Na segunda-feira (29), o coordenador humanitário da ONU na Venezuela informou que o organismo havia iniciado a compra de 10 mil sacos para armazenamento de corpos, indicando a expectativa de aumento no número de vítimas fatais.

Diante da dimensão da tragédia, o Programa Mundial de Alimentos solicitou US$ 50 milhões à comunidade internacional para prestar assistência a aproximadamente 500 mil pessoas durante os próximos três meses.

Os terremotos agravaram uma crise humanitária que já afetava o país. Antes do desastre, a ONU estimava que quase 8 milhões de venezuelanos necessitavam de algum tipo de assistência humanitária.

Segundo a organização, 27 países enviaram equipes especializadas e cães farejadores para auxiliar na busca por sobreviventes entre os escombros.

O Brasil também ampliou a ajuda humanitária ao país vizinho. Neste sábado (4), o governo brasileiro enviou uma carga de seis toneladas de vacinas, medicamentos e insumos, incluindo 250 mil doses de vacina antirrábica canina, 100 mil doses de vacina contra a febre amarela, medicamentos doados pela Eurofarma e equipamentos destinados ao Hospital de Campanha da Marinha do Brasil em La Guaira. De acordo com o governo federal, o envio não compromete os estoques nacionais de imunizantes.
Por Folhapress

Governo teme que veto à carne brasileira eleve preço no mercado interno

      Preocupação é com subida do preço, principalmente do frango, às vésperas da eleição

O governo Lula (PT) está preocupado com os efeitos do veto anunciado pela União Europeia à carne brasileira que entra em vigor em setembro. Isso porque as restrições podem elevar o preço dos produtos no mercado interno às vésperas das eleições.

A UE excluiu o Brasil da lista de países que cumprem as regras do bloco contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária.

Segundo a União Europeia, o país não apresentou as informações necessárias para comprovar que a produção atende às exigências. Mas deixou em aberto a possibilidade de o Brasil voltar à lista quando comprovar os requisitos.

O governo brasileiro tenta reverter a decisão, ao menos parcialmente. O bloco europeu é o segundo maior mercado que compra carnes brasileiras, atrás apenas da China.

A medida acendeu o alerta para além das exportações e agora preocupa a área política por causa das eleições.

Sob reserva, integrantes do Ministério da Agricultura e representantes do agro calculam que as restrições vão gerar um impacto de R$ 2,2 bilhões por ano.

O temor é que o custo seja repassado integralmente ao consumidor brasileiro, caso o governo não encontre uma solução para o impasse.
Por Gabriela Echenique/Folhapress

Venezuela é atingida por mais de 800 tremores nos dez dias depois dos terremotos gêmeos

Órgão de monitoramento do país contabilizou pelo menos 804 sismos após o dia 24 de junho, a maioria de magnitude inferior a 4.

Território da Venezuela foi alvo de mais de 800 réplicas —ou pequenos terremotos— desde o dia 24 de junho

O território da Venezuela foi alvo de mais de 800 réplicas —ou pequenos terremotos— desde o dia 24 de junho, quando dois tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 devastaram grande parte do país.

A Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas, órgão responsável por este tipo de monitoramento, contabilizou 804 sismos até a manhã da sexta (3). A maioria destes tremores, cerca de 98%, teve magnitude inferior a 4 —o que indica que, via de regra, não puderam ser sentidos pela população.

Não há limites bem definidos sobre o que são consideradas réplicas de um grande terremoto e o que, portanto, poderia ser considerado um novo evento. Especialistas da área, no entanto, convergem que é frequente o aumento no número de sismos após um terremoto principal.

A Venezuela está em uma zona de fronteira entre as placas tectônicas do Caribe e a Sul-Americana e, por isso, é comum haver atividade sísmica na região. Os terremotos gêmeos de magnitudes 7,2 e 7,5 foram, porém, os mais fortes deste século.

Não é possível prever, segundo o serviço geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), a quantidade ou a intensidade tanto do tremor principal quanto de suas respectivas réplicas. As consequências geológicas, segundo o órgão, podem acontecer a longo prazo.

O USGS estima, por exemplo, que "os deslizamentos de terra desencadeados por esse terremoto [de 24 de junho] provavelmente serão significativos em número e/ou extensão espacial". A agência publicou alertas para áreas do território venezuelano próximas a rios ou grandes acúmulos de água, porque "podem enfrentar um risco elevado de novos deslizamentos e fluxos de detritos por vários anos".

Uma análise preliminar da Nasa concluiu que quase 59 mil edifícios provavelmente foram danificados ou destruídos na Venezuela.

O USGS afirma também que, após os terremotos principais, as réplicas "podem tornar encostas íngremes mais suscetíveis a deslizamentos por um período que varia de alguns meses a alguns anos". Em segunda instância, isso pode inviabilizar novas construções em diversas regiões.

O diretor do Colégio de Engenheiros da Venezuela, Richard Casanova, chegou a afirmar dias após os terremotos que, como as montanhas íngremes descem abruptamente até uma estreita faixa costeira na região de La Guaira, inundações e deslizamentos de terra tendem a se canalizar diretamente por áreas populosas naquele local. Isso, segundo ele, teria contribuído para a devastação.

Na prática, especialistas apontam para a necessidade de análises técnicas detalhadas e constantes para determinar tanto o nível de destruição quanto a capacidade de reconstrução nos locais mais atingidos. No último domingo, a líder interina da ditadura venezuelana, Delcy Rodríguez, anunciou que o regime estava formando uma comissão para avaliar as estruturas habitacionais danificadas, mas não deu detalhes sobre um possível cronograma.

O número de mortos em decorrência dos terremotos da última semana chegou a 2.954 neste sábado (4), e a expectativa é de que aumente à medida que as equipes consigam acessar os destroços. Segundo o regime, há mais de 16 mil feridos. O chefe de ajuda humanitária da ONU estima haver mais de 50 mil desaparecidos pelo país.Por Gabriel Barnabé/Folhapress

Sidônio Palmeira tentou blindar presidente de aproximação com Jaques Wagner

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação do Governo, Sidônio Palmeira, e o presidente Lula
Ministro-chefe da Secretaria de Comunicação do Governo, Sidônio Palmeira ficou mal com o PT da Bahia depois de orientar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a se afastar do senador Jaques Wagner (PT), com o objetivo de evitar que o chefe da Nação fosse contaminado pelo envolvimento do parlamentar com a lama do Banco Master. As informações são da coluna de Lauro Jardim em O Globo.

De acordo com o colunista, Sidônio, que comandou as campanhas de Wagner e do ex-ministro Rui Costa (PT) ao governo da Bahia, tentou "blindar" o presidente do escândalo que acabou por envolver o senador baiano, acusado pela Polícia Federal de atuar em favor do banqueiro Daniel Vorcaro na Bahia.

A avaliação de petistas próximos ao ex-líder do governo no Senado é que o ministro "quebrou a cara”. Na quarta-feira passada, Lula fez um desagravo público ao “companheiro de longa data” ao dividir palanque com Jaques Wagner em um evento na Bahia. Chegou a compará-lo a um irmão.

Por Política Livre

04 julho, 2026

Grupo ultratradicionalista abre risco de cisma na Igreja Católica ao desafiar autoridade do papa

Fraternidade Pio 10º, avessa a modernizações, marca ordenação de bispos sem aval de Leão 14

No dia 14 de maio, a Fraternidade São Pio 10º fez uma "declaração de fé católica" em nome de "nosso Senhor Jesus Cristo", que "fundou uma única igreja, que triunfou sobre Satanás, que conquistou o mundo, que permanece conosco até o fim dos tempos e que virá novamente para julgar os vivos e os mortos".

Endereçou a carta pública ao "santíssimo padre", papa Leão 14. Inicia o texto dizendo estar há mais de meio século empenhada em expor "uma questão de consciência diante dos erros que estão destruindo a fé e a moral católicas".

O que quer esse grupo católico ultratradicionalista e por que ele tem dado dor de cabeça a todos os seis papas de 1970 para cá?

Para começar a responder essa pergunta, é importante explicar de onde vem o nome da instituição que agora bate de frente com Leão 14. Pio 10º liderou a Santa Sé no começo do século 20 e publicou uma encíclica na qual condena os "modernistas" da Igreja. "Eles arrastam católicos à heresia, mais ainda, à completa destruição de toda religião!", disse então.

É o mesmo espírito da entidade que o homenageia. Fundada em 1970, pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, ela nasceu como uma reação às transformações promovidas pelo Concílio Vaticano 2º, realizado de 1962 a 1965.

O concílio foi uma grande reunião em Roma para modernizar a Igreja Católica. Ele mudou as missas de latim para o idioma local, fez o padre rezar de frente para o povo (antes era só de costas) e abriu o diálogo com outras religiões. Antimodernistas como Lefebvre rejeitavam essas reformas: preferiam manter as coisas como eram antes.

A Fraternidade Pio 10º comprou briga com o Vaticano ao marcar para esta quarta-feira (1º) a consagração de novos bispos sob sua influência. O problema é que grupo católico algum pode decidir por conta própria uma ordenação do tipo. Não tem autorização papal para isso, algo incontornável dentro de uma igreja tão afeita à sua hierarquia. A pena para quem seguir em frente é a excomunhão.

A crise coloca diante de Leão 14 um teste de autoridade, mas o conflito é mais antigo. Atingiu seu ponto máximo em 1988. Temendo pelo futuro da organização após sua morte, que ocorreria três anos depois, Lefebvre consagrou quatro bispos sem aval do papa João Paulo 2º, violação das mais graves na disciplina eclesiástica. O Vaticano excomungou os envolvidos e classificou o episódio de "ato cismático".

O cisma acontece quando um grupo decide romper totalmente com as regras internas para criar um caminho próprio. O exemplo mais famoso foi a Reforma Protestante, em 1517. Martinho Lutero discordou de várias práticas da Igreja. Em vez de tentar mudar as coisas por dentro, seu movimento acabou rachando o cristianismo e criando novas abas cristãs, de onde viriam as atuais igrejas evangélicas.

A relação entre o Vaticano e a fraternidade é de vaivéns. Em 2009, Bento 16 suspendeu as excomunhões dos quatro bispos numa tentativa de reabrir o diálogo. O gesto, porém, foi ofuscado pela repercussão de declarações antissemitas de um dos beneficiários da medida. Richard Williamson havia questionado a existência das câmaras de gás nazistas e minimizado a dimensão do Holocausto.

O papa Francisco também fez acenos: validou casamentos celebrados pelo grupo e permitiu que padres ligados à fraternidade, que vive uma situação canônica irregular, pudessem ouvir confissões dos fiéis.

Apesar das divergências doutrinárias, a fraternidade nunca rompeu de vez com a Santa Sé. Foi o caso dos chamados sedevacantistas, que consideram ilegítimos os papas posteriores ao Concílio Vaticano 2º.

Nos últimos anos, de carona "no hype do tradicionalismo" como onda global, também ganharam visibilidade correntes católicas desgostosas com a modernização da Igreja, afirma o antropólogo Rodrigo Toniol, da UFRJ. Mas a Fraternidade Pio 10º em particular, segundo ele, "é um caso mais dramático porque, mesmo dentro do catolicismo, carrega a marca da controvérsia há muitas décadas".

Seus seguidores povoam o mesmo imaginário conservador e contrarrevolucionário de grupos como Opus Dei e Legionários de Cristo, mas há uma diferença importante, diz Toniol. "Estes dois últimos são muito mais disciplinados e tementes ao papa".

Chefe do Departamento de Ciências da Religião da PUC Minas, Rodrigo Coppe Caldeira diz que, numericamente, o grupo é pequeno. São menos de mil sacerdotes associados à fraternidade, "que ocupa as margens do catolicismo institucional", afirma.

Não é à toa, contudo, que a instituição está em evidência, a despeito do tamanho modesto. "O que merece atenção é ela funcionar como a ponta mais visível de uma sensibilidade tradicionalista bem mais ampla e que tem um crescimento entre jovens e convertidos principalmente nos Estados Unidos e na França".

Entre católicos de diferentes gerações, inclusive recém-convertidos, cresce a nostalgia por uma Igreja percebida como mais solene e estável. Ritos tradicionais viram símbolos de reverência e continuidade.

"É uma contradição que vale a pena registrar", afirma Caldeira. Quando, em 2021, papa Francisco impõe rígidas restrições à missa tridentina, celebrada em latim, "ele acaba empurrando parte dessa demanda para a própria Fraternidade Pio 10º".

Nesta terça (30), o papa Leão 14 fez um último apelo para que o grupo desista do plano de ordenar os bispos. Em carta, o sumo pontífice escreveu que a iniciativa representaria um cisma dentro da Igreja Católica e pediu que a organização "renuncie ao projeto".

Agora é esperar pelo desfecho dessa crise, se no cisma ou na negociação. O papa pode concordar com as ordenações dos bispos, algo tido como improvável, ou a fraternidade pode desistir delas. Caso nada disso aconteça, o caminho é a excomunhão. Ou vai ou racha.
Por Anna Virginia Balloussier/Folhapress

Trump chama seus opositores de 'malignos' e 'comunistas' em discurso no monte Rushmore

Discurso sobre independência dos EUA teve tom apocalíptico e críticas ao Congresso

Quatro meses antes das difíceis midterms que vai enfrentar, o presidente Donald Trump usou o cenário do monte Rushmore na noite anterior ao 250º aniversário da independência dos Estados Unidos para caracterizar seus oponentes políticos como comunistas "ímpios" e "malignos".

"Só podemos perder as eleições de meio de mandato se permitirmos que isso aconteça, se formos tolos, estúpidos e imprudentes", afirmou ele na sexta-feira (3), exigindo que o Congresso aprove o seu projeto de lei Save America, que imporia regras mais rígidas de identificação de eleitores, dificultando o voto. Ele pediu o fim do obstrucionismo parlamentar.

O propósito maior do discurso não é difícil de perceber. Ele está preparando uma linha de ataque que a Casa Branca começou a usar para conter uma ala progressista recém-insurgente do Partido Democrata que parece estar ecoando entre os eleitores liberais.

Trump leu um roteiro apocalíptico enquanto os rostos pétreos de George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln observavam-no. Ele disse a palavra "comunismo" tantas vezes que você poderia pensar que a Guerra Fria ainda estava em curso.

Ele não foi sutil. O comunismo, disse, "é o inimigo de 4 de julho de 1776". Chamou-o de uma ameaça maior do que Pearl Harbor e até mesmo o 11 de Setembro. Mencionou nominalmente Karl Marx.

O discurso começou em tom otimista. O presidente pintou um retrato orgulhoso e esperançoso dos Estados Unidos, descrevendo-o como nada menos que a maior sociedade da história da civilização. Toda a primeira metade de seu discurso se resumia a esta frase: "Vocês vivem em um lugar muito especial — parabéns a todos". A multidão adorou.

Logo ele começou a mudar o tom. Há pessoas por aí que não querem que o inglês seja a língua dominante dos Estados Unidos, alertou. Há pessoas por aí que querem tirar as armas de todos, alertou. Prometeu nunca deixar isso acontecer.

Ele alertou para "recém-chegados ao nosso país que abraçam ideias totalmente opostas ao nosso modo de vida e ao nosso grande sucesso".

Não foi a primeira vez que ele usou este cenário para fazer um discurso como esse. Há exatamente seis anos, ele discursou no monte Rushmore no final de seu primeiro mandato, quando fazia campanha sem sucesso para um segundo.

Naquela época, o país estava no auge da pandemia e tomado por agitação civil após a morte de George Floyd, que inspirou um debate nacional sobre estátuas e figuras históricas. Trump usou seu discurso naquela noite para alertar sobre um "novo fascismo de extrema esquerda" se aproximando.

Ele trocou de ideologias em seu segundo discurso no Rushmore nesta sexta-feira.

"O comunismo é o exato oposto de vida, liberdade e busca da felicidade", declarou. "É morte, tirania e busca do mal".

O monumento imenso e tão americano serviu como um belo palco para p discurso. O presidente adora uma produção e se aproveitou ao máximo dela. Helicópteros militares voavam de um lado para o outro em frente à montanha enquanto AC/DC e Lynyrd Skynyrd tocavam alto ("Free Bird", naturalmente), seguidos por um bombardeiro B-52.

Quando o sol mergulhou abaixo do horizonte, holofotes grandes e brilhantes iluminaram os finos rostos de granito dos quatro presidentes, revelando cada contorno que havia sido esculpido com dinamite quase cem anos atrás.

Pouco antes de Trump pousar, nuvens de tempestade e raios atravessaram o céu. O cheiro doce dos pinheiros-amarelos-do-oeste encharcados de água da chuva preencheu a clareira enquanto pedras de granizo do tamanho de bolas de pingue-pongue atingiam a montanha. Os presidentes pareciam estar chorando. A multidão lá embaixo corria para se abrigar, entrando em uma loja de souvenirs e um café.

Muitos dos amigos da Casa Branca na mídia viajaram para Dakota do Sul para o espetáculo. O apresentador da Fox News Bret Baier fez um aquecimento antes da chegada de Trump entrevistando um imitador de Lincoln usando uma cartola alta. A ativista Laura Loomer chegou momentos antes do granizo cair. Um homem indígena com um cocar de penas soprava um instrumento de sopro. O secretário do Interior, Doug Burgum, e o governador de Dakota do Sul, Larry Rhoden, usavam chapéus de cowboy.

A segurança era pesada. Se você olhasse com atenção, podia distinguir as pequenas silhuetas de homens andando no topo da cabeça de Washington como em uma cena do filme "Intriga Internacional" (1959), de Alfred Hitchcock.

Quando o discurso de Trump chegava ao fim, ele partiu para um último ataque. "O Partido Comunista", concluiu, "é formado por imigrantes ilegais, criminosos e todos que não querem trabalhar."

Então ele voltou a falar sobre como a América é incrível por mais um minuto. Fogos de artifício dispararam sobre as cabeças presidenciais, e os sons familiares do Village People começaram a tocar.

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Por Folhapress

03 julho, 2026

Juazeiro registra redução de 49% nos homicídios no primeiro semestre de 2026

O município de Juazeiro registrou redução de 49% no número de homicídios no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento feito pela Polícia Civil da Bahia. Outro destaque foi o município de Uauá, que encerrou o semestre sem registro de homicídios.

O resultado contribuiu para que a Polícia Civil, encerrasse o semestre com redução de 31% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), na área de atuação da 17ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Juazeiro), mantendo o terceiro semestre consecutivo de queda dos crimes letais na região.

Ao longo do período, foram deflagradas operações policiais como Zeus, Aliança Zero e Radix Putris, voltadas ao combate às organizações criminosas, à prisão de investigados por homicídios, ao enfrentamento do tráfico de drogas e à desarticulação de grupos envolvidos em disputas territoriais relacionadas aos crimes contra a vida.

De acordo com o coordenador da 17ª Coorpin, delegado Flávio Martins, a atuação das equipes da coordenadoria e dos Núcleos de Inteligência Regional (NIR) foi fundamental para os resultados alcançados.

"O trabalho de inteligência foi decisivo para a identificação e localização de lideranças criminosas, o mapeamento de facções, a produção de conhecimento e o planejamento das ações operacionais, permitindo maior eficiência no cumprimento de mandados judiciais e na elucidação de homicídios", afirmou.
Fonte: Cristina Laura / Ascom-PCBA

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