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13 outubro, 2026

PF fiscaliza empresa de segurança privada durante partida de futebol

Foto: Divulgação/Polícia Federal
Maringá/PR. A Polícia Federal realizou ação de fiscalização da empresa responsável pela segurança privada em um evento esportivo, realizado no Estádio Regional Willie Davids, em Maringá/PR, nesse sábado (10/10). A operação teve como objetivo verificar a regularidade das empresas contratadas para atuar na entrada do estádio e nas arquibancadas.

Primeiramente, foi verificada e constatada tanto a regularidade quanto a autorização para atuar na segurança privada. Depois foram verificados os documentos pessoais dos vigilantes, registros junto à Polícia Federal, se tinham curso de eventos sociais para esse tipo de serviço, uniformes, equipamentos utilizados e as certificações exigidas para o exercício da atividade de segurança privada. Foram identificadas irregularidades, o que gerou Auto de Constatação de Infração (ACI).

Comunicação Social da Polícia Federal em Maringá/PR

PF combate comercialização ilegal de anabolizantes

Cachoeiro de Itapemirim/ES – A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (13/10), operação para combater o comércio ilegal de substâncias anabolizantes no município de Marataízes/ES.

A ação é desdobramento de operação anterior deflagrada em janeiro deste ano, a qual teve início após investigações identificarem o envio de anabolizantes de Niterói/RJ com destino a Marataízes/ES. São cumpridos dois mandados de busca e apreensão nos municípios de Marataízes/ES e Niterói/RJ.

Foram apreendidos 19 frascos de substâncias anabolizantes e o celular do investigado, que serão encaminhados para a perícia técnica federal e analisados, visando o aprofundamento das investigações para apuração de eventuais outros partícipes do crime.

O investigado poderá responder pelos crimes de falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais, sem prejuízo de outros delitos que possam ser apurados no curso das investigações.

Comunicação Social da Polícia Federal no Espírito Santo

Apoio do centrão deflagra corrida por possível ministério de Flávio, que avalia antecipar nomes

Foto: Charles Vieira/Divulgação/Arquivo
O apoio dos partidos do centrão à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência abriu uma corrida por indicações para um eventual governo, mesmo antes do resultado final da eleição.

O candidato tem sinalizado dividir poder com legendas aliadas e ouvido demandas, enquanto avalia antecipar o anúncio de dois ou três ministros mesmo antes do segundo turno, para passar a imagem de um caráter mais técnico para sua equipe.

Em Brasília, lideranças de centro e de direita já tratam o momento como uma espécie de governo de transição, após Flávio liderar as votações no primeiro turno contra Lula. O próprio Flávio tem dado declarações nesse sentido, mas, no PL, uma ala prega cautela.

Na conversa de Flávio com o Republicanos nesta quarta-feira (7), foi discutida a possibilidade de o partido indicar dois ministros, segundo três parlamentares ouvidos pelo jornal Folha de São Paulo sob reserva. A legenda também pediu apoio para recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara.

Segundo interlocutores, o presidente nacional do Republicanos, o deputado reeleito Marcos Pereira (SP), ouviu de Flávio que há forte resistência no seu grupo a Motta. O recado da campanha é que definições sobre o comando do Congresso só serão tratadas após as eleições.

Nesse sentido, um nome trabalhado pelo Republicanos é o do deputado Pedro Lupion (PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária. Flávio recebeu o apoio do grupo ainda antes da eleição e prometeu que a escolha do ministro da Agricultura será da bancada ruralista.

Lupion só deve ficar de fora se decidir disputar a presidência da Câmara, contando com apoio da numerosa bancada do agronegócio e dos bolsonaristas.

União Brasil e PP também falam em ocupar dois ministérios cada, mas as pastas exatas só devem ser negociadas depois. Segundo interlocutores de Flávio, o candidato do PL se comprometeu apenas a garantir espaços para o grupo, o que, em troca, deve permitir maior governabilidade no Congresso, com apoio de margens suficientes para mudar a Constituição.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) é um dos nomes que já disputa a presidência do Senado. Ela indicou, no entanto, intenção de assumir ou influenciar o Ministério das Relações Exteriores com o objetivo de evitar uma guinada mais radical na política externa pela atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL). O agronegócio teme que um alinhamento maior com os Estados Unidos afete os negócios com a China.

Ainda entre os nomes cotados na federação estão o ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil), eleito para o Senado. Ele é citado nas discussões sobre o Ministério de Minas e Energia. Isso abriria espaço como senador para o primeiro suplente, Cidinho Santos (PP), que é próximo da família Bolsonaro.

Outro nome que o União Brasil deseja emplacar no governo é de ACM Neto, derrotado na disputa pelo Governo da Bahia, apesar de parte dos deputados reivindicar que a bancada da Câmara decida quem integrará um eventual governo Flávio. O grupo ainda quer o controle da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), estatal responsável por obras e maquinário e destinatária preferencial de emendas parlamentares.

Flávio já anunciou durante a eleição que o médico Claudio Lottenberg, presidente licenciado do Hospital Israelita Albert Einstein, pode ser o ministro da Saúde. A escolha buscou dar um verniz técnico para o futuro ministério e evitar críticas em relação à atuação negacionista do governo Jair Bolsonaro (PL) na pandemia. Lottenberg, no entanto, enfrenta resistências de bolsonaristas e falta de apoio na comunidade médica.

Flávio estuda divulgar mais ministros antes do segundo turno, para mostrar o compromisso com nomes técnicos. A área econômica, no entanto, não estaria entre os divulgados, para evitar ataques e cobranças sobre os planos econômicos. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, porta-voz durante a campanha, deve assumir um ministério turbinado na área social.

O PSD ficou neutro no segundo turno da disputa presidencial, mas o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado declarou voto em Flávio no segundo turno e é citado para pastas como a Segurança Pública ou Agricultura (se tiver o apoio da bancada ruralista). A esposa dele, Gracinha Caiado (União Brasil), foi eleita senadora.

Outros partidos que declararam apoio a Flávio foram o Podemos (que levou o nome do senador Zequinha Marinho para a Agricultura, após ele perder a reeleição). As chances de a sigla ser contemplada são pequenas, mas o recado é o desejo de participação num eventual governo bolsonarista. Uma ala majoritária do MDB também pretende levar o partido para a aliança em torno de Flávio Bolsonaro.

PF prende mulher por importação ilegal de medicamentos

Ação apreendeu medicamentos emagrecedores e anabolizantes no Aeroporto do Galeão/RJ
Foto: Divulgação/PF
Rio de Janeiro/RJ. Nesta terça-feira (13/10), a Polícia Federal prendeu em flagrante uma mulher que transportava medicamentos emagrecedores e anabolizantes importados de forma ilegal. A ação ocorreu no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro.

Durante fiscalização de rotina, policiais federais localizaram ampolas de medicamentos emagrecedores e anabolizantes na mala despachada pela passageira. A mulher foi presa em flagrante após não apresentar autorização legal para o transporte dos produtos.

Após os procedimentos de praxe, a suspeita foi encaminhada à Delegacia Especial da PF no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, onde foi indiciada e poderá responder pelo crime de importação ilegal de medicamentos sem registro no órgão de vigilância competente.

Comunicação Social da Polícia Federal no Rio de Janeiro

Após visita a Jair, Flávio Bolsonaro diz que pai ficou feliz com 1º turno e está otimista com futuro

Foto: Lula Marques/Arquivo/Agência Brasil
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) visitou seu pai, Jair Bolsonaro (PL), na manhã desta terça-feira (13), e afirmou que o ex-presidente ficou feliz com o resultado eleitoral do primeiro turno e está otimista em relação ao futuro.

Foi a primeira visita desde julho, após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes ter autorizado a retomada do contato entre Flávio e Jair nesta segunda-feira (12). A proibição, também determinada pelo ministro, estava em vigor por 90 dias e ficou mantida durante a campanha presidencial.

Na decisão em que autoriza a visitação, Moraes afirma que as visitas não poderão ter "finalidade político-eleitoral" e mantém o veto à divulgação de manifestos ou declarações do ex-presidente. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após ter sido condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

"Ele estava muito alegre com o resultado dessas eleições, com o primeiro turno com a gente ganhando na frente. Ele estava muito feliz com ter sido ouvido pela maioria do povo brasileiro, que deu um Senado forte para a legislatura a partir de 2027, deu uma Câmara ainda mais forte também, mais à direita", disse Flávio.

"A expectativa dele é a melhor possível com relação ao futuro do nosso Brasil", completou o candidato, que disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Lula (PT) no próximo dia 25.

Flávio chegou ao condomínio do pai, na região do Jardim Botânico, em Brasília, por volta das 9h40. Como o senador visitou o ex-presidente na condição de seu advogado, a visita teve duração máxima de 30 minutos, conforme determinou o STF.

Após visitar o ex-presidente, Flávio declarou à imprensa que votará a favor do fim da escala 6x1, proposta do governo Lula. Pressionado pela eleição, o senador mudou seu discurso —ele vinha chamando a medida de oportunista e evitava declarar voto.

Moraes afirmou, em sua decisão, que as visitas de Flávio devem cumprir as condições anteriormente estabelecidas, "estando vedada a finalidade político eleitoral e a divulgação de quaisquer manifestos ou declarações, inclusive por terceiros, independentemente do meio utilizado".

A medida devolve a Flávio a oportunidade de explorar a relação com o pai para tentar consolidar seus vínculos com o eleitor bolsonarista, a menos de duas semanas do segundo turno. O senador, que já prometeu conceder indulto ao pai, diz querer subir a rampa do Palácio do Planalto com Bolsonaro caso vença a eleição.

A autorização mantém as restrições de horário impostas ao ex-presidente quando foi concedida a prisão domiciliar. Ele pode receber os filhos nos mesmos dias e horários aplicados a detentos em unidades prisionais, às quartas-feiras e sábados em três horários diferentes.

Como Flávio está cadastrado como advogado de Jair, ele também pode visitar o pai por 30 minutos em dias úteis.

Em julho, Moraes havia proibido as visitas de Flávio a Jair Bolsonaro por 90 dias, prazo que terminou no domingo (11). Na ocasião, o ministro afirmou que o senador e candidato à Presidência usou esse direito para obter uma carta do pai e divulgá-la nas redes sociais.

Para o ministro, o ato configurou desvio de finalidade e descumprimento da proibição de que Bolsonaro use redes sociais, diretamente ou por terceiros. Na carta, Bolsonaro chamava Flávio de "porta-voz" e o apontava como a melhor opção para o país.

Em outra frente, a defesa de Bolsonaro entrou com um pedido de revisão criminal no STF, relatado por Kassio Nunes Marques, ministro indicado ao tribunal pelo ex-presidente. O objetivo é modificar a condenação de Bolsonaro por envolvimento no plano de golpe de Estado após perder as eleições em 2022.

Como revelou a Folha, Kassio quer julgar a ação logo após o segundo turno das eleições, que será realizado em 25 de outubro. O magistrado avalia libertar Bolsonaro por meio de uma decisão liminar, mas o cenário mais provável é de que o caso seja levado ao plenário da corte.

Se eleito, Flávio disse querer levar o pai para subir a rampa do Planalto na data da posse. Embora o senador já tenha prometido um indulto ao ex-presidente, ele só conseguiria dar um perdão presidencial depois de já empossado. Ou seja, para que Bolsonaro esteja solto em 5 de janeiro de 2027, seu filho precisaria contar com uma decisão vinda do Supremo.
Por Carolina Linhares/Folhapress

Apoio de ACM Neto a Flávio Bolsonaro será testado em Salvador; diferença de 553 mil votos para Lula é principal desafio

Foto: Divulgação
O apoio de ACM Neto (União) a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial será colocado à prova principalmente em Salvador, cidade que o ex-prefeito administrou por oito anos e onde seu principal aliado, Bruno Reis (União), comanda a Prefeitura. Mais do que o resultado geral da Bahia, será o desempenho do candidato do PL na capital que permitirá avaliar se a entrada do líder oposicionista na campanha teve algum impacto eleitoral.

No primeiro turno, embora tenha declarado apoio ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), ACM Neto conviveu com o movimento conhecido como Lula/Neto, que defendia o voto casado no presidente petista e no postulante do União Brasil ao governo estadual. Na prática, a campanha estimulou esse movimento. Após a confirmação de sua derrota para Jerônimo Rodrigues (PT), no próprio domingo, 4 de outubro, o ex-prefeito sinalizou apoio a Flávio Bolsonaro.

A decisão também abriu espaço para especulações sobre o futuro político de ACM Neto, que está sem ocupar cargo público desde que deixou a Prefeitura de Salvador, em dezembro de 2020. Uma eventual vitória de Flávio poderia abrir possibilidades de participação em um ministério afinado aos interesses da Bahia.

Mas qual será, afinal, o peso desse apoio? A conta começa pelos resultados do primeiro turno. Na Bahia, Lula recebeu 5.664.771 votos, contra 2.442.585 de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de 3.222.186 votos, ou 37,64 pontos percentuais, considerando os percentuais de 66,17% e 28,53% dos votos válidos, respectivamente.

Em Salvador, onde a influência de ACM Neto pode ser examinada de maneira mais direta, Lula conquistou 944.358 votos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 391.188. A vantagem do petista foi de 553.170 votos, uma distância de 38,23 pontos percentuais.

É justamente essa diferença que estará no centro da avaliação política após o segundo turno. Uma redução expressiva da vantagem de Lula em Salvador poderá ser utilizada pelos aliados de ACM Neto como argumento de que sua participação ajudou Flávio Bolsonaro. Por outro lado, caso a distância permaneça praticamente inalterada ou aumente, o ex-prefeito ficará exposto ao questionamento sobre sua capacidade de influenciar o eleitorado.

O risco político é que o apoio tenha efeito nulo ou até negativo para a imagem de ACM Neto, especialmente porque não se trata de uma atuação isolada. Além dele, Bruno Reis também integra o grupo que apoia Flávio Bolsonaro. São duas das principais lideranças da oposição baiana mobilizadas em favor do candidato do PL.

Interlocutores ligados ao ex-prefeito reconhecem, nos bastidores, a importância do desempenho de Flávio em Salvador para a avaliação dessa aliança. Mesmo sem uma vitória do candidato bolsonarista na Bahia, uma redução significativa da vantagem de Lula na capital poderia ser apresentada como demonstração da força política de ACM Neto. O cenário inverso alimentaria críticas de seus adversários.

A movimentação de ACM Neto ocorre em meio a uma divisão entre partidos e lideranças do chamado centrão. A federação União Brasil-PP declarou apoio a Flávio Bolsonaro, enquanto o MDB está dividido. Uma ala da legenda, com participação de 15 a 17 diretórios estaduais, articula apoio ao candidato do PL, mas o grupo ligado ao presidente Lula, que inclui o MDB baiano de Geddel Vieira Lima, segue em direção contrária.

Situação semelhante ocorre no PSD. Embora o ex-governador Ronaldo Caiado, candidato presidencial da legenda no primeiro turno, tenha declarado apoio a Flávio Bolsonaro, o senador baiano Otto Alencar permanece alinhado a Lula. O presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, optou pela neutralidade, liberando os filiados para fazer suas escolhas.

Há, portanto, diferentes estratégias políticas em jogo. Para ACM Neto, porém, a comparação mais significativa estará em Salvador. No primeiro turno, ele próprio recebeu 769.752 votos para governador na capital, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 391.188 para presidente. A distância de 378.564 votos entre os dois ajuda a dimensionar o eleitorado que apoiou o ex-prefeitoz mas não acompanhou, na mesma proporção, o candidato bolsonarista.

O resultado de 25 de outubro mostrará se essa distância foi reduzida. Mais do que uma declaração de apoio, a participação de ACM Neto no segundo turno será submetida ao teste das urnas, em uma cidade onde ele conserva uma estrutura política relevante, mas onde Lula demonstrou ampla força eleitoral no primeiro turno.

Por Política Livre

Lula propõe perdoar dívidas de MEIs com o governo federal a 12 dias do segundo turno Por Caio Spechoto/Folhapress

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta terça-feira (13) o envio ao Congresso de um projeto de lei que perdoa dívidas de MEIs (microempreendedores individuais) com o governo federal. A medida é tomada a 12 dias do segundo turno em que o petista tenta a reeleição como presidente da República.

A ação é parte de um pacote que o governo batizou como "Prospera MEI". O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirmou que são cerca de R$ 12,6 bilhões em dívidas de 3,6 milhões de MEIs.

O público-alvo das medidas, os microempreendedores individuais, formam um segmento da sociedade no qual Lula tem dificuldade de atrair eleitores.

O petista vem tentando aumentar a própria popularidade para superar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto. No primeiro turno, Lula teve 45% dos votos válidos e Flávio, 47%.

O anúncio foi realizado no Palácio do Planalto, com a presença do presidente e de diversos ministros.

Lula tem prometido em sua campanha o aumento do limite de faturamento anual dos MEIs, também em uma tentativa de aumentar sua popularidade junto a esse setor. Já há uma proposta do governo nesse sentido tramitando no Congresso. O limite passaria dos cerca de R$ 80 mil atuais para R$ 140 mil até 2028.

Por Caio Spechoto/Folhapress

12 outubro, 2026

Balança do agro mantém recorde, mas último trimestre é incógnita

          De outubro a dezembro, presença da China deverá ser menor nas carnes e na soja
Foto: Divulgação/Arquivo
             Exportações de janeiro a setembro sobem para US$ 134 bi, 5,5% a mais do que 2025
A balança comercial do agronegócio caminha para mais uma temporada de recorde. De janeiro a setembro, o país obteve US$ 133,6 bilhões em divisas com as vendas externas do setor.

Esse valor supera em 5,5% o de igual período anterior e coloca o país próximo do recorde de US$ 169,2 bilhões de 2025. A média mensal das exportações de 2025 era de US$ 14,1 bilhões. A deste ano está em US$ 15,2 bilhões.

Mesmo com o crescimento das exportações, o agronegócio perde participação na balança comercial, uma vez que os outros setores da economia também melhoraram.

Nos nove primeiros meses deste ano, as exportações do agro representam 46,9% das receitas totais obtidas pelo país. Em igual período do ano passado, eram 49,1%, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Os principais entraves ao crescimento da balança comercial neste último trimestre são a participação da China nos dois dos principais produtos da pauta de exportação brasileira: soja e carne bovina.

Por questões políticas, os chineses vêm elevando a compra de soja americana. Em setembro, compraram 12% a menos dos brasileiros do que em igual mês de 2025. Na carne bovina, devido ao esgotamento da cota sem a taxa extra de 55%, as compras chinesas foram 94% inferiores às de setembro de 2025.

O saldo da balança cresce mesmo com a perda de divisas por alguns setores importantes, como o do café e o do açúcar. O volume exportado de café deste ano é 5,5% inferior ao do ano passado, e os preços médios recuaram 6%.

O mesmo ocorre com o açúcar, que teve uma perda internacional de 18% nos preços médios, e o país exportou um volume 13% inferior ao de janeiro a setembro do ano passado.

A concentração das exportações aumenta, e os cinco principais produtos da lista da balança agora representam 81,4% das receitas obtidas pelo Brasil. Estão nessa lista complexo soja, carnes, produtos florestais, café e setor sucroalcooleiro.

Soja e carnes bovina e de frango, líderes do setor, tiveram aceleração dos preços neste ano, o que puxa ainda mais as receitas obtidas.

O complexo soja rendeu US$ 52,2 bilhões, influenciado pelo aumento das exportações do produto em grão, que somaram 100 milhões de toneladas até setembro. Além do aumento do volume, os preços médios foram a US$ 429 por tonelada, 8% a mais.

As carnes renderam US$ 26 bilhões no ano, segundo o Ministério da Agricultura, com evolução de 15% sobre janeiro a setembro de 2025. A carne bovina, com antecipações de compras da China e da União Europeia, devido a amarras na comercialização a partir de agora, e a volta dos Estados Unidos sem as taxas impostas no ano passado, rendeu US$ 14 bilhões neste ano, 14% a mais do que no anterior.

O setor de frutas também avança no mercado externo. As vendas externas já renderam US$ 1,18 bilhão, 18% a mais. Nos números de janeiro a setembro, a balança comercial do agronegócio registra vários recordes.

Entre eles estão o volume de 100 milhões de toneladas exportadas de soja; as receitas de US$ 13 bilhões nas exportações de carne bovina "in natura" e o volume de 20 milhões de toneladas de farelo de soja.

O Ministério da Agricultura aponta, ainda, o recorde tanto no volume como nas receitas de frango e de algodão. Carne suína e bovinos vivos tiveram recorde em quantidade, e celulose, em volume financeiro.
Por Mauro Zafalon/Folhapress

Auditoria do TCU aponta possíveis pagamentos indevidos de R$ 3 bi no seguro-defeso

Número é calculado a partir da diferença entre beneficiários do programa e estimativa do IBGE

Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/Arquivo

Uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) estima que o governo pode ter realizado até R$ 3 bilhões em pagamentos indevidos do seguro-defeso em 2024. O benefício, que corresponde a um salário mínimo (R$ 1.621 em 2026), é destinado a pescadores artesanais durante o período em que a atividade é proibida.

O cálculo considera a diferença entre o número de beneficiários registrados nos sistemas oficiais e a estimativa, feita pela Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), de pescadores artesanais que tinham o benefício como única fonte de renda.

O relatório, ao qual o jornal Folha de São Paulo teve acesso, avaliou a concessão do benefício desde o cadastro dos pescadores, a regularidade das informações prestadas até o pagamento efetivado. A auditoria será relatada no tribunal pelo ministro Augusto Nardes.

Em 2024, o governo pagou R$ 5,8 bilhões em seguro-defeso a 1,1 milhão de beneficiários. A partir de cruzamentos de bases de dados, os auditores da corte encontraram 101,2 mil benefícios com indícios de irregularidade, associados a um efeito financeiro potencial direto de R$ 654 milhões. O valor corresponde a 11,2% do total pago naquele ano.

Já os R$ 3 bilhões são uma estimativa mais ampla do possível tamanho do problema. Para chegar a esse número, o TCU comparou a quantidade de beneficiários do seguro-defeso com uma estimativa da população de pescadores que recebiam apenas o benefício feita pela Pnad Contínua.

Em 2024, havia 1,1 milhão de beneficiários registrados na base administrativa do seguro-defeso. A Pnad, por outro lado, estimava que 579,7 mil pessoas poderiam ter acesso ao benefício. Ou seja: o número de beneficiários era cerca de 93% superior à estimativa da pesquisa.

O seguro-defeso é um benefício de um salário mínimo mensal pago ao pescador artesanal durante o período em que a pesca de determinada espécie é proibida para permitir sua reprodução. A política busca, ao mesmo tempo, preservar os estoques pesqueiros e garantir renda ao trabalhador que fica temporariamente impedido de exercer sua atividade.

O Ministério da Pesca e Aquicultura foi procurado desde a última quarta-feira (7), mas não respondeu.

Para ter direito, o pescador precisa exercer a atividade de forma ininterrupta, estar inscrito no RGP (Registro Geral da Atividade Pesqueira) há pelo menos um ano, comprovar contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção e não ter outra fonte de renda, entre outros requisitos.

A área técnica do tribunal identificou casos específicos com indícios de problemas, como CPF irregular, vínculo empregatício ativo, propriedade ou sociedade em empresa e acumulação indevida de benefícios.

Os auditores sugeriram uma série de medidas para corrigir as falhas encontradas, incluindo determinações e recomendações aos órgãos responsáveis. Entre as propostas estão o aprimoramento dos controles sobre os beneficiários, o cruzamento de bases de dados e a revisão dos benefícios com indícios de irregularidade.

Na auditoria, houve a avaliação de que o governo tem dificuldade para saber qual é o tamanho real do público que deveria receber o benefício. O número de pessoas que recebem o seguro cresceu muito mais rapidamente do que a população que, segundo a pesquisa do IBGE, se enquadraria no perfil do programa.

Uma das possíveis fragilidades apontadas é o cadastro administrado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura. A manutenção anual do registro ocorre por meio de uma documentação que, segundo o TCU, é essencialmente autodeclaratória, não exigindo comprovação ou validação por órgãos de fiscalização, o que abriria espaço para manutenção indevida de beneficiários.

O problema se concentra especialmente em alguns estados. Maranhão, Pará e Amapá tiveram crescimento de 205,9%, 71,6% e 49,9%, respectivamente, no número de beneficiários entre 2019 e 2024, enquanto a população adulta desses estados avançou menos de 10%. Os três estados passaram a concentrar 64,5% dos beneficiários do seguro-defeso em 2024, ante 54,9% em 2019.

MAIS CONTROLE

O governo Lula (PT) discutiu mudanças para tentar reduzir fraudes e conter o crescimento das despesas com o programa. Entre as medidas estavam a criação de um limite para as despesas, o uso de biometria e o cruzamento de dados para identificar pagamentos irregulares. A preocupação ganhou força diante do crescimento do número de beneficiários e do custo do programa.

Em 2026, por exemplo, há R$ 6,4 bilhões disponíveis no Orçamento para o seguro-defeso. Em 2027, a proposta enviada ao Congresso prevê R$ 8,1 bilhões.

Em paralelo, o governo tentou endurecer os mecanismos de controle. Entre as medidas adotadas estiveram exigências relacionadas à biometria e, posteriormente, mudanças na comprovação da condição de pescador. A partir da transferência da operacionalização do benefício para o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), o governo passou a prever novos mecanismos de cruzamento de informações para impedir pagamentos a pessoas que não tenham a pesca como principal fonte de subsistência.

O relatório do TCU ressalta que algumas dessas mudanças ocorreram durante ou depois do período analisado e, portanto, não alteram as conclusões sobre os pagamentos de 2024. Ao mesmo tempo, elas serão relevantes para avaliar se o novo modelo consegue corrigir as fragilidades encontradas em futuros levantamentos.

Para o tribunal, o principal problema não está apenas na existência de benefícios individuais que podem ter sido pagos de maneira irregular. A auditoria aponta uma dificuldade mais ampla: a falta de uma estimativa confiável sobre o tamanho do público que deveria receber o seguro-defeso e a fragilidade dos mecanismos usados para comprovar que os beneficiários realmente exercem a atividade pesqueira.
Por Guilherme Pimenta/Folhapress

Propaganda de Flávio Bolsonaro na TV é transmitida sem som e candidato reclama

Foto: Charles Vieira/Divulgação/Arquivo
A propaganda eleitoral gratuita de Flávio Bolsonaro (PL) foi transmitida sem som em parte das emissoras de TV nesta segunda-feira (12).

Ainda sem nenhuma confirmação sobre a origem do ocorrido, o candidato gravou um vídeo supondo que alguém tentou calá-lo e criticando o caso.

"O meu programa eleitoral foi transmitido sem som. É isso mesmo, mudo. O meu programa foi transmitido sem som. O do Lula tava com som, tudo OK, mas o meu, transmitido sem som. Você acredita em coincidência? Cara, não. Não acredito. Não existe coincidência", afirmou.

"Eles acham que vão calar minha voz. Não vão calar, não vão conseguir, não adianta. Isso não acontece por acaso, né?", questionou Flávio. Sua equipe divulgou a íntegra do programa, com o vídeo, em redes sociais.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a responsabilidade pela retransmissão das peças publicitárias das campanhas é do Pool de Mídia das Eleições 2026, uma estrutura montada pelas próprias emissoras no 5º andar da sede do tribunal, em Brasília, em parceria com o órgão.

"Na operação da televisão, os materiais enviados pelos partidos são recebidos, organizados de acordo com o plano de mídia e preparados para a geração do programa. O sinal é gerado diretamente do TSE para as emissoras, via satélite", informou o tribunal, em agosto, quando o pool estava prestes a iniciar as operações.

A Folha questionou o tribunal e o pool sobre os motivos da falha, mas ainda não teve resposta.

Flávio participa de missa de Nossa Senhora e diz que vai visitar Bolsonaro nesta terça

O candidato Flávio Bolsonaro (PL), ao lado do vice Alfredo Gaspar (PL) e da mulher, Fernanda, participa de missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida na Catedral de Brasília
Foto: Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, foi a uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida na Catedral de Brasília e afirmou, nesta segunda-feira (12), que vai visitar seu pai, Jair Bolsonaro (PL), nesta terça-feira (13).

Será o primeiro encontro desde julho, quando as visitas de Flávio a Jair foram suspensas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes —o magistrado voltou a liberá-las nesta segunda. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por ter sido condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

"Estou muito feliz que o Dia de Nossa Senhora Aparecida é o dia em que eu estou novamente autorizado a visitar o meu pai, vítima de uma injustiça", disse Flávio à imprensa.

O candidato se recusou, porém, a responder se irá participar, no Senado, da votação do fim da escala 6x1, prevista para quarta (14). Flávio tem evitado se posicionar a favor da medida, defendida pelo governo Lula (PT) e que tem apelo popular a duas semanas do segundo turno da eleição.

Como as visitas a Bolsonaro estão restritas às quartas e sábados aos familiares e a dias úteis aos advogados, Flávio afirmou que não poderia visitar Bolsonaro nesta segunda, que é feriado nacional, e portanto iria nesta terça pela manhã. Flávio também está cadastrado como advogado do pai.

Questionado a respeito de falar com Bolsonaro sobre a campanha e pedir conselhos a ele, Flávio afirmou que tem que tomar cuidado com essa resposta "porque qualquer coisa é usada contra ele [Bolsonaro]". "Vou conversar na qualidade de filho", disse apenas.

Flávio disse estar ansioso pelo reencontro e afirmou que a proibição de Moraes não teve "humanidade" e "amparo legal". O senador declarou que o ministro teve "apenas o intuito de separar um líder político de quem está concorrendo à Presidência da República e separar um pai de um filho, que eu acho mais grave".

O filho mais velho do ex-presidente disse ainda esperar que o pai esteja feliz e quer ver "como está o ânimo dele com tudo que aconteceu".

Apesar de ser evangélico, Flávio decidiu comparecer à missa em homenagem à padroeira do Brasil como um aceno aos católicos após a polêmica com a santa que marcou a reta final do primeiro turno. A comunidade católica demonstrou preocupação com a promessa do candidato de decretar que o país é de Jesus Cristo se eleito, e passaram a circular afirmações falsas de que Flávio removeria Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira.

Flávio chegou a acusar a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de ajudar o PT a disseminar a fake news, mas depois voltou atrás.

Ao sair da missa, uma das atividades das Festividades da Padroeira na capital federal, Flávio disse que o ambiente foi acolhedor e que respeita a fé de milhões de brasileiros. "Somos todos cristãos. [...] Está nas mãos de Deus o futuro da nossa nação", afirmou.

Flávio estava acompanhado da mulher, Fernanda, do vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), da conselheira econômica Daniella Marques (PL) e dos parlamentares Bia Kicis (PL-DF), Izalci Lucas (PL-DF) e Simone Marquetto (PP-SP), que entrou com a imagem de Nossa Senhora no local.

Todos eles foram saudados nominalmente pelo padre durante a homilia, quando Flávio foi chamado pelo celebrante de querido.

Ao passar pelo candidato, sentado no banco da frente à esquerda, Simone parou um instante e exibiu a imagem ao candidato. Flávio e a esposa sorriam levemente durante a entrada da santa, enquanto Daniella chorava e cantava.

Minutos antes da missa, ao entrar na catedral cercado dos aliados e de sua equipe de segurança, Flávio causou alvoroço e espanto entre os presentes. Parte dos fiéis se levantou para tirar fotos com o senador.

Por Carolina Linhares, Folhapress

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