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30 agosto, 2026

Esclerose múltipla também afeta crianças; diagnóstico e tratamento precoces levam a maior controle da doença

Foto ilustrativa: Reprodução Freepik
A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune, inflamatória e crônica. É caracterizada pela presença de cicatrizes --as escleroses-- ao longo do sistema nervoso. Por isso, o impulso elétrico dos neurônios não é corretamente transmitido, o que provoca sintomas como falta de equilíbrio, tontura, visão embaçada, dificuldade de raciocínio, entre outros.

No Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, neste domingo (30), especialistas destacam que a doença não condiz mais com a imagem incapacitante que a marcou no passado. E também não deve ser associada a idade ou envelhecimento.

Com os protocolos mais eficazes e tratamentos menos agressivos, os pacientes conseguem ter uma evolução controlada do quadro, evitando sequelas graves a partir de um diagnóstico precoce.

"Popularmente, a palavra 'esclerose' é bastante associada ao envelhecimento para se referir a pessoas idosas com perda de memória ou declínio cognitivo. Essa associação faz com que muitas pessoas imaginem que a EM seja uma doença de pessoas mais velhas", diz Manuela Fragomeni, coordenadora do Departamento Científico de Neuroimunologia da SBNI (Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil).

Fragomeni, que também é responsável pelo Ambulatório de Neuroimunologia do Hospital da Criança de Brasília José Alencar, diz que a EM ocorre principalmente em mulheres jovens, com idade entre 20 e 30 anos.

"Como no adulto não é uma doença tão rara, a gente precisa reforçar que existe esclerose múltipla na faixa etária pediátrica, pois 3% a 5% dos casos têm os primeiros sintomas antes dos 18 anos", alerta a neurologista.

A médica Renata Paolilo, responsável pelo serviço de neuroimunologia pediátrica do Instituto da Criança do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), reforça que critérios diagnósticos da EM foram atualizados recentemente, podendo ser aplicados em jovens também.

"Infelizmente, o diagnóstico de EM ainda traz bastante estigma negativo, mas isso decorre de dados do passado, de uma fase em que nós não tínhamos acesso a diagnóstico e tratamento precoces", diz a neurologista infantil do HC.

Fellipe Mello Negrisoli, 12, tem esclerose múltipla pediátrica e busca ser discreto sobre o quadro. "Muitas pessoas me perguntam como isso funciona. Costumo dar apenas uma breve explicação, sem entrar em muitos detalhes, porque nem sempre é fácil falar sobre algo tão delicado", conta o menino.

Ele faz tratamento no HC há cerca de um ano e está com uma medicação nova que deve lhe assegurar estabilidade, porém ainda fica preocupado. "O mais difícil é conviver com a incerteza de um novo surto. Mas mesmo depois do diagnóstico, sigo na mesma: brinco, relaxo, vou para a escola e levo tudo numa boa."

A mãe dele, Sandra Mello, 53, é administradora de empresas e conta que o problema começou com um formigamento nos dedos dos pés e um quadro gripal. Não havia histórico de EM na família. O otorrino sugeriu que os sintomas poderiam estar relacionados a outras condições e recomendou avaliação com um ortopedista.

O exame clínico ortopédico levou a quatro ressonâncias --três da coluna e uma do crânio. Mesmo depois de passar pelo neurologista e de surgirem outros sintomas, o quadro ainda era inconclusivo. "Dois dias depois, foi fazer uma prova e não conseguiu escrever devido a um tremor nas mãos. O neurologista recomendou levá-lo imediatamente ao pronto-socorro para internação", diz a mãe.

Havia uma inflamação na medula e o tratamento foi iniciado para conter o surto. A alta veio em cinco dias, mas o resultado definitivo da punção só chegou um mês depois, com a indicação de "presença de bandas oligoclonais", um marcador laboratorial encontrado no líquor (líquido cefalorraquidiano) comum na EM.

Como o convênio se recusou a fornecer a medicação, Fellipe foi tratado com corticoides até que a família conseguiu o remédio via liminar na Justiça.

"Ficamos sem chão, sem entender o que viria pela frente, tomados pelo medo. Em abril, conseguimos aplicar as duas primeiras doses do remédio Ocrevus, mas foi um processo longo e doloroso para alcançar essa fase de estabilidade, com muita dificuldade de aceitação, principalmente por se tratar de uma criança tão saudável até então", conta Sandra.

A previsão é de que, com o medicamento, não ocorram mais surtos e a doença fique controlada.

Entenda a esclerose múltipla

A Federação Internacional de Esclerose Múltipla estima que 2,9 milhões de pessoas no mundo têm a doença. No Brasil, segundo a Abem (Associação Brasileira de Esclerose Múltipla), são aproximadamente 40 mil.

No cenário brasileiro, uma análise de exames de ressonância magnética feita pela Fidi (Fundação Integrada de Diagnóstico, Pesquisa, Educação e Inovação em Saúde) apontou que, entre janeiro e junho de 2026, 75% dos diagnósticos foram feitos na fase adulta (19 a 59 anos) e 77% em mulheres.

O perfil prevalente é atribuído a fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais típicos da doença.

O termo esclerose, em si, só quer dizer que houve um enrijecimento ou cicatrização de um tecido do corpo --é possível esclerosar, por exemplo, estômago, artérias e até ossos, entre outras partes do corpo.

No caso da esclerose múltipla, ocorre uma falha no sistema imunológico que faz o próprio organismo atacar e levar à esclerose fibras nervosas do cérebro e da medula espinhal. A EM afeta, assim, equilíbrio, sensibilidade física e visão.

"Hoje temos medicações mais eficazes com formas de administração menos agressivas para criança, que garantem uma maior estabilidade da doença", afirma Paolillo.

Essa realidade, diz a neurologista, representa "uma menor evolução para incapacidade, assim como para níveis de dependência e sequelas cognitivas ou motoras".

Como diagnosticar e tratar a esclerose múltipla

As ressonâncias magnéticas (RM) são os exames mais comuns para detectar a EM, mas precisam de boa avaliação clínica. "Na esclerose múltipla, não basta apenas identificar se existe uma alteração, mas entender onde ela está localizada, suas características e como esse quadro se comporta ao longo do tempo", diz Harley De Nicola, radiologista e superintendente médico da Fidi.

Os sintomas são comuns a pacientes adultos e pediátricos, mas podem variar entre indivíduos, podendo incluir alterações visuais, perda de força, formigamento, fadiga, dificuldades de equilíbrio e de coordenação e alterações cognitivas.

Ainda não há cura, mas a Fidi reforça que "os tratamentos disponíveis podem ajudar a controlar a atividade da doença, reduzir surtos e retardar sua progressão".

"Quanto mais rápido o diagnóstico é feito após o início dos sintomas, melhor vai ser o futuro desse paciente", afirma Fragomeni.

Entre os pacientes mais jovens, a comunidade escolar pode ajudar com apoio psicológico, estímulo a exercícios e boa nutrição.

"O objetivo é que a criança tenha uma vida normal, com bastante qualidade de vida. É muito recomendado atividade física, rotina de sono e alimentação regulares, e que não tenha limitações para outras atividades", diz PaoliloPor Danielle Castro | Folhapress

Cantor que perdeu pernas em acidente na Bahia recebe alta da UTI

Foto: Reprodução / Redes Sociais
O cantor Robert Astro, de 25 anos, deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital de Feira de Santana, após perder as duas pernas em um acidente em Serrinha, na região sisaleira. O vocalista segue desde este sábado (29) já na enfermaria da unidade.

Segundo o g1, o artista deu entrada no hospital no dia 23 de agosto, após sofrer o acidente. Devido à gravidade dos ferimentos, foi necessário amputar as duas pernas, e Robert permaneceu internado na UTI.

Familiares relataram que o estado de saúde do cantor apresenta evolução constante. Eles ainda contaram que Robert recebe apoio de uma ampla rede de pessoas durante o período de recuperação.

No dia do acidente, o cantor estava em pé entre dois carros estacionados quando uma caminhonete atingiu a traseira de um dos veículos e o prensou.

Ele foi socorrido pelo Samu e levado de início para o Hospital Municipal de Serrinha. Devido à gravidade dos ferimentos, ele foi transferido para uma unidade de maior complexidade em Feira de Santana, onde passou por cirurgia.

MOTORISTA PRESO

Ainda segundo informações, o motorista da caminhonete, de 39 anos, foi localizado após o acidente. Segundo a Polícia Militar, ele apresentava sinais visíveis de embriaguez.

O homem foi preso em flagrante por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor e por conduzir veículo com capacidade psicomotora alterada.

Inmet emite alerta laranja para baixa umidade no oeste e norte da Bahia; veja cidades

Foto: Divulgação / Prefeitura de Barreiras
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta laranja, de perigo, para baixa umidade do ar em 32 municípios do Oeste e do Norte da Bahia. O aviso é válido entre este domingo (30) e esta segunda-feira (31).

Segundo o Inmet, via g1, a umidade relativa do ar pode variar entre 20% e 12% nas áreas afetadas. Os índices podem provocar ressecamento da pele e desconforto nos olhos, boca e nariz.

Entre os municípios sob alerta estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e Xique-Xique. Confira a lista abaixo:

Angical
Baianópolis
Barra
Barreiras
Brejolândia
Buritirama
Campo Alegre de Lourdes
Canápolis
Casa Nova
Catolândia
Cocos
Coribe
Correntina
Formosa do Rio Preto
Itaguaçu da Bahia
Jaborandi
Luís Eduardo Magalhães
Mansidão
Muquém do São Francisco
Pilão Arcado
Remanso
Riachão das Neves
Santa Maria da Vitória
Santana
Santa Rita de Cássia
São Desidério
Sento Sé
Serra Dourada
Tabocas do Brejo Velho
Wanderley
Xique-Xique

O Inmet recomenda que a população beba bastante água, evite atividades físicas e reduza a exposição ao sol durante os horários mais quentes. O órgão também orienta o uso de hidratantes para a pele e umidificadores de ar.

RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) também emitiu um alerta para a intensidade da radiação ultravioleta (IUV) na Bahia neste domingo.

De acordo com o órgão, o índice pode variar entre 9 e 11 nos próximos dias, principalmente devido ao tempo seco e à baixa presença de nuvens.

O IUV mede a intensidade da radiação ultravioleta que chega à superfície da Terra. Conforme a classificação utilizada pelo Inema, índices entre 8 e 10 são considerados muito altos, enquanto o nível 11 é classificado como de intensidade extrema.

Por Redação

Única mulher negra candidata a presidente promete dobrar salário mínimo

Samara Martins tem propostas para mulheres que incluem renda, moradia e educação não sexista

Única mulher negra candidata à Presidência, Samara Martins (UP), 38, defende aumentar em 100% o salário mínimo e acabar com a escala de trabalho 6 por 1.

Natural de Belo Horizonte, brinca ser "potineira": mora em Natal (RN), onde constituiu família, se formou pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e hoje trabalha como cirurgiã-dentista no SUS (Sistema Único de Saúde).

Faz política desde a adolescência. Participou do movimento estudantil, integrou o grêmio escolar e integrou a mobilização pelo passe livre.

Mais tarde, foi diretora de mulheres da UNE (União Nacional dos Estudantes), militou no movimento de mulheres Olga Benário e coordenou a Frente Negra Revolucionária, uma iniciativa da Unidade Popular de combate ao racismo.

A candidata chega à disputa presidencial como cabeça de chapa após concorrer à Vice-Presidência em 2022 ao lado de Leonardo Péricles (UP). A dupla obteve pouco mais de 53 mil votos, ou 0,05%.

Quatro anos depois, Samara diz que a diferença está no fortalecimento do partido, que passou de 3.210 filiados para 16.527 agora em 2026.

Sem recursos para viagens e materiais, ela conta que aquela candidatura dependeu da militância e das contribuições dos filiados, o que não mudou muito neste ano.

A candidata afirma que continuou trabalhando como dentista até o início de julho, conciliando emprego com viagens de pré-campanha.

De acordo com pesquisa Datafolha de julho, a presidenciável da UP soma 1% das intenções de votos para presidente, desempenho que ela minimiza.

"Queremos que neste ano seja a primeira eleição dos nossos deputados federais e estaduais", diz, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo na sede paulista da UP, no centro da capital.

A candidatura de Samara se define como uma alternativa socialista à esquerda tradicional, mas sem inspiração em Cuba, Venezuela, China ou Vietnã. Ela fala em "socialismo brasileiro".

Indagada sobre como seriam seus primeiros cem dias no Palácio do Planalto, ela cita o calote —ou suspensão, como prefere— da dívida pública como medida mais importante.

Na sequência, aparecem a reestatização de empresas públicas privatizadas e a nacionalização de recursos estratégicos, como terras raras, petróleo e minérios.

E prossegue: "A nacionalização dos bancos para que o dinheiro do povo brasileiro não esteja à mercê dos bancos privados, que usam para especulação, para o rentismo, como foi o escândalo do Banco Master".

Ela defende a criação de frentes emergenciais de trabalho, a diminuição da jornada e o aumento do salário —tudo empacotado em um plano para reindustrializar o país.

Samara rejeita integrar uma federação com partidos como PT e PSOL ou PSTU e PCB. Diz que a UP prioriza alianças "programáticas" em pautas como o fim da escala 6 por 1, e não acordos eleitorais entre as legendas.

Também resiste a se antecipar sobre eventual apoio a Lula (PT) em segundo turno das eleições, embora diga que o petista e Flávio Bolsonaro (PL) não são "a mesma coisa".

Após ser oficializada candidata a presidente, Samara afirma que sofreu ataques nas redes sociais: comentários sobre seu cabelo, sua pele e até sua higiene.

"Há uma violência política muito grande que demonstra toda a misoginia, todo o patriarcado, todo o machismo e todo o racismo dessa sociedade", afirma.

A candidata diz já ter feito um boletim de ocorrência e que pretende levar os responsáveis à Justiça.

No campo de gênero, a candidata defende a criminalização da misoginia e a implementação de uma educação não sexista nas escolas, assim como políticas de moradia e renda para mulheres em situação de violência.

O plano de governo da UP para a Presidência tem duas páginas. Questionada, Samara afirma que esse texto foi registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pela exigência legal, mas que devem lançar um novo programa mais detalhado.

"A gente não conseguiu no tempo que a gente queria. Vamos apresentar [um novo plano de governo], até porque já temos um programa, que é o programa da Unidade Popular”.
Por Arthur Guimarães de Oliveira/Folhapress

Ex-comandante da FAB chama de ‘leviandade’ fala de Flávio Bolsonaro sobre suposto apoio a Lula

O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB)

Foto: Divulgação/FAB/Arquivo

O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), reagiu no sábado, 29, à declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, de que ele estaria pedindo votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em publicação no X (antigo Twitter), Baptista chamou a afirmação de “leviandade” e disse que o comentário foi uma forma de o candidato fugir de uma pergunta feita durante a sabatina da Globo, na última sexta-feira, 28.

Flávio havia sido questionado sobre os depoimentos de ex-comandantes das Forças Armadas a respeito da tentativa de ruptura institucional no fim do governo Jair Bolsonaro. Entre eles está Baptista Junior, que comandava a Aeronáutica na época e relatou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter resistido às pressões para que os militares aderissem ao plano.

Ao ser questionado sobre os relatos, Flávio afirmou que Baptista estaria fazendo campanha para Lula. O ex-comandante negou a afirmação e disse que ela foi usada para desviar o foco da questão colocada ao candidato.

“A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate de ontem, na Globo, é antes de tudo uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la — algo entendido na figura de filho, mas não de alguém que se proponha a nos presidir”, escreveu Baptista.

O ex-comandante também sugeriu que Flávio aguardasse o lançamento de seu livro “Eu Disse Não! Uma trincheira antigolpista”, antes de fazer novas afirmações sobre sua atuação naquele período. A obra, publicada pela Autêntica Editora, narra os bastidores da crise institucional no fim do governo Bolsonaro e as pressões enfrentadas pelos militares diante da tentativa de ruptura.

“Talvez seja prudente aguardar, ler o livro e refletir, antes de outra entrevista”, escreveu.

Baptista ainda dirigiu uma provocação ao coordenador-geral da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN). “Sugiro não incorporar o espírito do nosso querido Zagallo, exigindo agressivamente que ‘a tal direita consentida vai ter que nos engolir’”, concluiu.

O que Baptista relatou ao STF

Baptista Junior comandava a Aeronáutica no fim do governo Bolsonaro e foi um dos militares que resistiram às pressões para que as Forças Armadas aderissem a uma ruptura institucional após a derrota do então presidente nas eleições de 2022.

Em depoimento ao STF, o ex-comandante descreveu reuniões realizadas nos últimos meses do governo nas quais, segundo seu relato, foram discutidas medidas de exceção e uma minuta com propostas para impedir a posse de Lula.

Baptista afirmou que se recusou a receber uma cópia do documento. Também relatou que o general Marco Antônio Freire Gomes, então comandante do Exército, advertiu Bolsonaro de que poderia ser preso caso insistisse em uma tentativa de golpe.

O militar afirmou ainda que o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, colocou tropas da Força à disposição do plano.

Os relatos dos militares foram incluídos na Ação Penal 2668, no STF, que julgou integrantes do núcleo central da tentativa de golpe. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão. O julgamento foi concluído em setembro de 2025.

Livro reúne bastidores da crise

No livro “Eu Disse Não! Uma trincheira antigolpista”, Baptista narra em primeira pessoa sua experiência durante aquele período e as pressões para que integrantes das Forças Armadas aderissem a uma ruptura institucional.

A obra descreve três momentos em que, segundo o ex-comandante, a tentativa de golpe acabou frustrada e detalha encontros no Palácio da Alvorada e no Ministério da Defesa em que foram discutidas medidas de exceção e os termos da minuta golpista.

O livro, publicado pela Autêntica Editora, chega às livrarias em setembro. É apresentado como o primeiro relato em primeira pessoa de um integrante da alta cúpula militar daquele período sobre os bastidores da crise.

Baptista ingressou na FAB em 1975 e acumulou mais de 4,5 mil horas de voo como piloto de caça. Chegou ao comando da Aeronáutica em abril de 2021 e permaneceu no cargo até janeiro de 2023.
Por Estadão


29 agosto, 2026

Advogada interrompe décadas de hegemonia de Eymael na candidatura do DC à Presidência

Fabiana Torquato e Clariana Barão em convenção que oficializou chapa do DC à Presidência da República
Foto: Luís Freitas/Divulgação/DC
                      "Clariana Barão estreia em disputa eleitoral com chapa só de mulheres"
Neste ano, não teremos a musiquinha: "Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão!" Depois de seis eleições consecutivas, o DC decidiu lançar um novo nome para concorrer à Presidência: Clariana Zacarkim Barão, 39, advogada, que nunca disputou uma eleição.

Um dos constituintes da Constituição Federal de 1988, José Maria Eymael, deputado federal entre 1986 e 1995, decidiu diminuir seu ritmo à frente do partido. Clariana, que é presidente estadual da sigla em Mato Grosso, terá como vice outra mulher, a também advogada Fabiana Torquato.

"Não me sinto intimidada pelo peso do cargo. Sou uma mulher honrada, de princípios firmes, que valoriza a família e não negocia com a desonestidade", diz Clariana.

Filha de uma biomédica e um advogado, a candidata declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1,8 milhão, dos quais 74% são um imóvel de R$ 979,5 mil e um carro de R$ 376 mil.

"Sou a chefe da minha família, sou mãe solo, trabalho muito, acordo cedo, construí a minha vida financeira do zero, à custa de muito suor, de retidão", diz. Solteira, é mãe de Laura, de 14 anos. "Eu sou um retrato da mulher brasileira comum", acrescenta.

É essa a bandeira que carrega como principal da sua campanha. Se pudesse escolher uma medida para os cem primeiros dias de um eventual governo, diz que seria o enfrentamento ao feminicídio, que considera o maior problema do país hoje, junto à corrupção. Sua forma de combate, diz, seria com rede de acolhimento imediato a mulheres que denunciam agressores, e políticas de independência financeira para elas.

Nascida em Cuiabá (MT), atribui aos pais o interesse por causas sociais: a família mantinha contato com casas de acolhimento de crianças, idosos e pessoas com deficiência, além de pacientes de hanseníase. Fez trabalho voluntário nas enchentes do Rio Grande do Sul.

Descrevendo-se como candidata de centro-direita, defende a criação de cotas de cadeiras parlamentares para mulheres, para além das atuais cotas de candidatura, e diz reconhecer propostas válidas tanto à direita quanto à esquerda. "A política é a grande habilidade de negociar de uma maneira republicana, não interesses particulares ou escusos", afirma.

Clariana classifica a atual gestão Lula como um "governo de publicidades". Afirma que o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres não reduziu os números de feminicídio. Por outro lado, faz uma ressalva favorável às políticas de cotas raciais e sociais adotadas por governos petistas, que considera um instrumento válido de equidade.

Chama de "guerrilha" a polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). "Até acredito que todos os lados têm boas ideias, mas que essa guerrilha que eles tomaram para si para defender as próprias ideologias só faz mal para o país", diz.

Compara a necessidade de cotas, ainda, ao que considera o seu "grande desafio": a falta de tempo de TV e de rádio.

O DC está entre os dez partidos que, em 2026, não atingiram a cláusula de barreira, regra que exige 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, com no mínimo 1,5% em nove unidades da federação, ou ao menos 13 deputados eleitos distribuídos por nove UFs. Por isso, a legenda ficará sem acesso ao fundo partidário e receberá apenas a cota mínima do fundo eleitoral, de R$ 3,3 milhões. Também por não superar essa cláusula, o partido não terá direito a horário eleitoral gratuito no rádio e na TV.

"Os candidatos não largam do mesmo ponto de partida, isso é um fato", afirma. Por isso, diz apostar nas redes sociais e em espaços de imprensa como estratégia para superar essa desvantagem de exposição.
Por Luana Lisboa/Folhapress

Prejuízo acumulado nos Correios cresce 30% ante 2025 e bate R$ 5,55 bilhões no semestre

Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil/Arquivo
      "Estatal passa por processo de reestruturação após entrar num quadro de grave crise financeira"

Os Correios tiveram um prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 5,5% em relação à perda de R$ 2,53 bilhões em igual período de 2025. Na comparação com o resultado negativo de R$ 3,16 bilhões observado nos primeiros três meses deste ano, o recuo foi de 24,4%.

No primeiro semestre, a empresa acumula um prejuízo de R$ 5,55 bilhões. Esse valor é 30,4% maior em termos nominais do que o saldo negativo de R$ 4,26 bilhões registrado em igual período de 2025.

As demonstrações financeiras foram divulgadas neste sábado (29) pela estatal, que passa por um processo de reestruturação após entrar num quadro de grave crise financeira e ficar sob risco de furo no caixa.

Como as medidas de ajuste incluem a regularização de dívidas acumuladas e novos PDVs (programas de demissão voluntária), já se esperava que a empresa tivesse novos prejuízos bilionários neste ano. Ainda assim, a melhora do resultado no segundo trimestre de 2026 na comparação com os três meses anteriores foi vista como um sinal favorável à recuperação.

Sob novo comando desde o fim de setembro de 2025, quando Emmanoel Rondon assumiu a presidência da estatal, os Correios traçaram um plano de reestruturação e calcularam uma necessidade de R$ 20 bilhões para equilibrar seu caixa e recuperar as atividades da empresa.

Como parte desse plano, a companhia obteve em dezembro de 2025 um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um grupo de cinco bancos, formado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander.

A operação tem a União como fiadora e ajudou a dar fôlego financeiro à companhia, que vinha acumulando dívidas judiciais e com fornecedores ao mesmo tempo em que perdia receitas em meio a dificuldades na operação.

Agora, os Correios negociam um segundo crédito de R$ 7 bilhões. Além disso, o Tesouro vai incluir na proposta de Orçamento de 2027 uma previsão de aporte de R$ 6 bilhões na companhia —a injeção de dinheiro foi uma exigência dos bancos para a liberação do primeiro empréstimo.

Ainda não se sabe quando exatamente o repasse será feito, mas a empresa tem a intenção de usar boa parte dos valores para abater pagamentos dos créditos contratados, de forma a reduzir seu endividamento e evitar pressão futura sobre o caixa devido ao pagamento das prestações.

No ano passado, a empresa acumulou um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, o pior desempenho já registrado pela companhia, que está com as contas no vermelho desde 2022.

A empresa já vinha penando com a deterioração de suas operações e com o descontrole sobre ações judiciais que impactam o caixa da companhia. Enquanto isso, continuou aumentando despesas, sobretudo com pessoal.

Em 2024, os Correios sofreram um baque em suas receitas após o governo criar o programa Remessa Conforme, que buscava acelerar a liberação de encomendas vindas do exterior mediante maior controle sobre a cobrança de tributos, mas que acabou por também desobrigar a distribuição dessas remessas pelos Correios.Por Idiana Tomazelli/Folhapress

Em Angra, Flávio Bolsonaro defende Angra 3 e licenças para obras de resorts

Senador participa de carreata e barqueata em região do RJ que tem forte elo com sua família

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, defendeu neste sábado (29) transformar o setor de energia em uma das prioridades de um eventual governo, com ampliação da geração nuclear, incentivo à exploração de petróleo e gás e destravamento de licenças ambientais para obras de infraestrutura.

Em Angra dos Reis, cidade da Costa Verde do Rio de Janeiro onde a família Bolsonaro mantém fortes elos, o candidato do PL cobrou a retomada da usina nuclear de Angra 3, cuja construção está parada. Para destravar o projeto, disse que buscará parcerias com a iniciativa privada.

O vínculo do clã Bolsonaro com a região remonta à casa de veraneio que o ex-presidente Jair Bolsonaro mantém há décadas na Vila Histórica de Mambucaba, distrito de Angra dos Reis, onde recebeu eleitores durante campanhas anteriores.

O local também está ligado a um dos episódios mais conhecidos de "funcionária fantasma" do bolsonarismo: Walderice Santos da Conceição, a "Wal do Açaí", vendia açaí em Mambucaba enquanto figurava, desde 2003, como servidora do gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara, caso revelado pelo jornal Folha de São Paulo em 2018. Wal chegou a concorrer a vereadora em Angra em 2020 com o nome de urna "Wal Bolsonaro", mas não se elegeu.

Neste sábado, Flávio também defendeu a revisão de planos diretores municipais, em conjunto com prefeitos, para acelerar o licenciamento ambiental de condomínios, grandes empreendimentos e resorts na região, que abrange ainda Mangaratiba e Paraty.

"Temos muitas obras de infraestrutura que podem ser trazidas para essa região, em especial destravar as questões ambientais que têm impedido o desenvolvimento de Angra de uma forma correta. Tem milhões de brasileiros que gastam milhares de dólares para ir para Cancún, para a Indonésia, e a gente podia fazer a mesma coisa na região de Angra, Mangaratiba e Paraty", disse.

"Com a revisão de planos diretores dos municípios em parcerias com os prefeitos, para que as obras dos condomínios, grandes empreendimentos e resorts possam acontecer com segurança jurídica e de maneira rápida", acrescentou o candidato.

O ato em Angra reuniu carreata até o Cais Santa Luzia e barqueata na sequência. Ao subir a uma caminhonete com apoiadores, Flávio Bolsonaro chegou a dançar. Participaram do evento o candidato ao Governo do Rio de Janeiro Douglas Ruas, os candidatos ao Senado Carlos Jordy e Carlos Portinho, e o candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar, todos do PL.

A passagem por Angra dos Reis ocorreu um dia depois de o senador conceder entrevista à TV Globo, e sucede atos de campanha na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e em comício em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Por Bruna Fantti/Folhapress

Bahia: ACM Neto, Jerônimo e Mansur cumprem agendas de campanha neste sábado

Fotos: Reprodução / Redes Sociais / Edição Bahia Notícias
ACM Neto (União Brasil), Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSOL), principais candidatos ao Governo da Bahia, cumprem mais compromissos de suas agendas de campanha, neste sábado (29), a fim da promoção na corrida eleitoral de 2026.

Desde domingo (16), primeiro dia oficial da campanha, o portal Bahia Notícias (BN) realiza uma coletânea das agendas. Até o primeiro turno, previsto para 4 de outubro, o BN acompanha os compromissos diários dos três candidatos.

ACM NETO - União Brasil

O candidato participa de um café da manhã com líderes evangélicos e comparece à caminhada pelo comércio de Vitória da Conquista, ao lado da prefeita Sheila Lemos (União).

Pela tarde, tem uma reunião com lideranças de diferentes regiões da Bahia e com coordenação de campanha.

Por fim, ele viaja até o município de Buerarema, no sul do estado, onde realiza um comício.

JERÔNIMO RODRIGUES - PT

A agenda de Jerônimo tem como principal foco as carreatas. No turno matutino, ele vai até o sertão baiano, no município de Rio do Antônio, para uma carreata. Depois, mais uma, no município de Caculé.

Pela tarde, outras em Ibiassucê e Catité, na faixa das 13:00h-15:00h.

Por fim, realiza um comício em Guanambi.

RONALDO MANSUR - PSOL

Pela manhã, Mansur visita o Terreiro Ilê Axé Yalodeidé, de Mãe Angélica no bairro do Cabula, em Salvador. Ele também tem um ato de panfletagem no centro de Simões Filho, no turno matutino.

Mais duas panfletagens acontecem durante a tarde. A primeira, no município de Catu, no nordeste do estado. A outra, em Alagoinhas, na região do agreste baiano, onde participa de uma reunião.

“Prevenção não dá voto”, lamenta professor ao alertar sobre Super El Niño

Foto: Reprodução / TVE
Os efeitos do El Niño já podem ser compreendidos também como um fenômeno político. A posição é do professor do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Paulo Zangalli.

Na entrevista ao Bahia Notícias, ele relaciona os efeitos do fenômeno climático à histórica ocorrência de secas no semiárido brasileiro e discute a forma como desastres ambientais são tratados pelo poder público.

Para Zangalli, medidas preventivas tendem a receber menos atenção política do que ações realizadas após a ocorrência de tragédias.

A conversa ainda aborda os efeitos da expansão do agronegócio sobre os recursos hídricos, o negacionismo climático e as providências que as cidades baianas precisam tomar antes da chegada do temido Super El Niño. Clique aqui e leia a entrevista na Coluna Municípios.

Flávio Bolsonaro repete o pai com 'cola' na mão durante entrevista à Globo

           Candidato escreveu mudança e futuro e aparente referência ao 7 de Setembro

 
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) repetiu nesta sexta-feira (28) um gesto usado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e participou da sabatina da TV Globo com anotações na palma da mão.

As câmeras mostraram as palavras "mudança" e "futuro" e "7/set", em aparente referência ao ato bolsonarista marcado para 7 de Setembro na avenida Paulista, em São Paulo.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) confirmou que participará da manifestação ao lado de Flávio.

Jair usou a mesma estratégia em entrevistas do Jornal Nacional nas duas campanhas presidenciais que disputou. Em 2018, levou "Deus", "família" e "Brasil" escritos na mão. Quatro anos depois, apareceu com as palavras "Nicarágua", "Argentina", "Colômbia" e "Dario Messer".
Por Laura Intrieri/Folhapress

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