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08 setembro, 2026

Fachin avalia tirar de Mendonça e assumir casos Master e INSS para conter crise no STF

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, avaliar tirar do ministro André Mendonça e assumir as investigações dos casos Master e INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para tentar conter a crise instalada na corte.

Fachin reuniu auxiliares na tarde de domingo (6) para tratar da disputa entre Mendonça e Alexandre de Moraes. O encontro com assessores mais próximos foi chamado para articular o caminho e a forma com a qual o presidente do Supremo deverá dirigir o momento inédito.

Essa discussão teve início antes da ordem de Mendonça desta terça-feira (8) de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A determinação foi a julgamento na Segunda Turma da corte e chegou a formar maioria, porém o julgamento foi suspenso após pedido de vista (mais tempo para analisar a matéria) de Gilmar Mendes.

Desde o início da última semana, o Supremo enfrenta, de forma pública, a maior disputa entre integrantes. Fachin já havia tirado do inquérito das fake news o pedido de abertura de investigação de Moraes contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Afastar Mendonça seria, também, como a Folha mostrou, uma aposta da ala do STF que apoia Moraes. Para esse grupo, Fachin deve retirar temporariamente o relator dos casos enquanto houver qualquer tipo de dúvida sobre os métodos do ministro.

Segundo interlocutores do presidente, no entanto, a avaliação é a de que é preciso controlar os ânimos dos dois polos da crise. A medida seria uma forma de reduzir poder de ataques entre os dois grupos em disputa na corte.

Na sexta (4), Fachin defendeu o fim do inquérito das fake news, aberto em 2019 e nas mãos de Moraes desde então, e a aprovação da proposta de um código de ética no tribunal. No Palácio do Planalto, o ministro disse que "não haverá precipitação, mas tampouco omissão" para solucionar o conflito.

"A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa. Os acontecimentos recentes demonstram o acerto e a urgência de três metas de nossa gestão: a adoção de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça."

Fachin conversou com Lula antes da cerimônia que participaram e sinalizou a intenção de dar andamento às acusações levantadas entre os ministros e levar os casos ao plenário da corte. Também demonstrou insatisfação com os meios escolhidos por ambos os colegas para seguir com as medidas de cada lado.

De acordo com ele, a retirada da investigação contra Mendonça das mãos de Moraes era necessária para verificar a regularidade do ato de Moraes. E, em seguida, para eventual avaliação das acusações feitas pelo relator ao colega que conduz os casos mais rumorosos do país atualmente.

Moraes determinou a apuração com base em um relatório interno da Polícia Federal, apócrifo, e descrito pelo próprio documento como sem valor probatório. A PF incluiu informações muitas vezes classificadas como de grau de confiança "baixo" ou "moderado", mas que Moraes usa indiscriminadamente na decisão.

A medida foi a resposta de Moraes dois dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que aponta o colega como o interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na decisão, Mendonça sinalizou que levará ao plenário a possibilidade de investigar Moraes.

O inquérito das fake news foi aberto na gestão de Dias Toffoli, quando designou Moraes, sem sorteio, para a relatoria da investigação sobre ataques e ameaças à corte. A abertura prolongada da apuração tem gerado questionamentos internos e externos ao menos desde a gestão de Luis Roberto Barroso.

Na noite de quinta (3), Fachin determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem informações em até cinco dias sobre o relatório da PF que envolveu Moraes e citou as duas outras autoridades.

O presidente pede informações sobre as circunstâncias nas quais Mendonça determinou a identificação das pessoas com as quais Vorcaro conversava e as medidas tomadas para que as regras de investigação sobre autoridades fossem cumpridas.

A última semana teve início com os primeiros passos da crise, quando Mendonça tornou públicas as mensagens do ex-dono do Master a Moraes, perguntando ao ministro se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso e agendando encontros para tratar dos negócios alvo de investigação.

Vorcaro foi preso pela PF em 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. Documentos mostram que no dia 14 ele pergunta ao ministro se está "marcado amanhã lá em casa" ou se "prefere deixar para semana que vem". Minutos depois, confirma: "Vou chegar 14:30 ok! La em casa marcado".
Por Ana Pompeu, Folhapress

Lula criticou decisão de Moraes que barrou indicação de Bolsonaro para PF em 2020

Foto: Divulgação/Arquivo
O presidente Lula (PT) reagiu com críticas em 2020 a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de suspender a nomeação feita pelo presidente Jair Bolsonaro de Alexandre Ramagem para a chefia da Polícia Federal.

O caso vem sendo lembrado no contexto da decisão de André Mendonça de afastar do cargo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

A decisão de Moraes foi proferida no dia 29 de abril de 2020. "Não pode um único juiz da Suprema Corte tomar atitude de evitar. Não podemos permitir que as instituições ajam politicamente. [...] Que a pessoa prove que o delegado tem um ilícito, aí sim ele está correto [em barrá-lo]", disse Lula, em entrevista ao UOL.

Na ocasião, o petista também centrou críticas ao ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. A troca da chefia feita por Bolsonaro desagradou Moro, que pediu demissão do governo.

"O presidente da República tem mais autoridade para indicar o delegado do que o ministro, afinal de contas foi o presidente da República que foi eleito. O que é importante é tratar a instituição de forma republicana, ou seja, não é um instrumento do presidente da República", disse.

Moraes interferiu na indicação de Ramagem ao se basear, principalmente, nas afirmações de Bolsonaro de que pretendia usar a PF, um órgão de investigação, como produtor de informações

Por Carlos Petrocilo, Folhapress

Fux cancela sessão da Segunda Turma do STF após decisão de Mendonça de afastar chefe da PF

Foto: Ton Molina/STF/Arquivo
O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), cancelou a sessão desta terça-feira (8) da Segunda Turma da corte. O colegiado teria uma reunião presencial depois de dar início ao julgamento para referendar a ordem do ministro André Mendonça e manter o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal (PF).

A análise acontecia em plenário virtual —ambiente remoto por meio do qual ministros incluem votos e não há espaço para debate—desde esta manhã. A sessão, porém, foi suspensa por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

O colegiado tem Fux como presidente, e é integrado por Mendonça, Gilmar, além de Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli —que se declarou impedido de julgar os processos referentes ao escândalo do Banco Master.

A reunião presencial estava prevista como parte do calendário normal para seguimento da pauta de processos da corte e tinha apenas um caso sobre correção de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para confirmar a determinação de Mendonça e manter o afastamento de Andrei.

Em menos de dez minutos após a abertura da sessão virtual, os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux votaram para acompanhar o relator, em um indicativo de que o relator dos casos Master e INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) tem apoio suficiente no colegiado.

Por Ana Pompeu e Luísa Martins, Folhapress

07 setembro, 2026

Governo e setor produtivo esperam voltar a exportar frango e mel em até dois meses

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo
Após a auditoria feita pela União Europeia no Brasil, o governo Lula e o setor produtivo esperam retomar as exportações de frango e de mel ao bloco em até dois meses. No cenário mais otimista, o governo torce para que as vendas sejam retomadas antes do 2º turno das eleições.

Na fiscalização feita em agosto, o bloco concluiu que os controles sanitários e os procedimentos adotados pelo Brasil são satisfatórios. Agora, é só esperar o processo burocrático para a retomada das exportações.

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países que cumprem as regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A decisão entrou em vigor na última quinta-feira (3).

O governo corre contra o tempo também para garantir que o Brasil volte à lista dos países que podem exportar carne bovina ao bloco europeu. Só que em relação a este produto o cenário é mais pessimista.

Para garantir ao menos parte das exportações, o setor quer uma solução temporária: usar frigoríficos que estão aptos e poderiam ser habilitados para exportar o produto enquanto o governo brasileiro negocia uma solução definitiva.

A saída provisória passou a ser discutida nos bastidores porque em relação à carne bovina a União Europeia quer aguardar um ciclo completo do boi após a adoção dos protocolos de não uso de antimicrobianos. E isso, segundo fontes a par do assunto, poderia levar mais de dois anos.

O governo Lula, por meio do Ministério da Agricultura e do Palácio do Planalto, trabalha para que a solução intermediária seja aceita pelo bloco e que a exportação de carne bovina seja retomada ainda neste ano.

Por Gabriela Echenique, Folhapress

Quaest: Lula e Flávio Bolsonaro empatam numericamente em cenário de 2º turno

No primeiro turno, presidente tem 36% das intenções de voto das eleições 2026, e o senador, 29%

O presidente Lula (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o escritor Augusto Cury (Avante)

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro estão numericamente empatados em 41% em simulação de segundo turno da eleição presidencial, aponta pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (7).

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-01720/2026. A pesquisa entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o país, de quinta-feira (3) até domingo (6).
No primeiro turno, Lula (PT) tem 36% das intenções de voto das eleições 2026, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), 29%, aponta o levantamento.

O cenário é de estabilidade em relação à rodada anterior, divulgada no dia 2 de setembro, quando o petista registrava 37% das intenções de voto frente ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (30%).

O escritor Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro lugar, e marca 8%. No levantamento anterior, ele registrava 10%, oito pontos percentuais acima de pesquisa feita em agosto.

Renan Santos (Missão) marca 3%, assim como Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, e Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, marca 2%. Samara Martins (UP) tem 1%. Indecisos são 10%, e 8% afirmam que vão votar em branco, anular ou não votarão.

O cenário é sem o influenciador Pablo Marçal (PRTB), que, apesar de estar inelegível até 2032, obteve a concessão de uma medida liminar na Justiça Eleitoral de São Paulo para se filiar ao PRTB e registrou sua candidatura à Presidência da República.

O caso será julgado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas o pedido é visto como uma tentativa de tumultuar o pleito e tende a ser rejeitado, segundo dois magistrados da corte e interlocutores de outros dois. O tribunal já decidiu que o empresário não poderá acessar recursos do fundo eleitoral, participar de debates e aparecer no horário eleitoral em redes de rádio e televisão.

No cenário com Marçal, ocorre pouca variação: Flávio marca 29%, e os outros candidatos têm o mesmo percentual das simulações sem o influenciador. A diferença fica nos indecisos, que caem de 10% para 9% —variação equivalente ao 1% registrado por Marçal.

Rui Costa Pimenta (PCO), Veterinário Wilson Grassi (Democrata), Clariana Brandão (DC), Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram.

Segundo turno

Em 2 de setembro, Lula marcava 42% no segundo turno, e Flávio Bolsonaro, 41%. Em 14 de agosto, o mandatário e o senador também apareciam tecnicamente empatados com, respectivamente, 43% e 40% das intenções de voto.

Na semana passada, a campanha do presidente Lula admitiu que a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência da República está indefinida.

Auxiliares do senador bolsonarista, por sua vez, dizem que o cenário é de virada e veem na crise que atravessa o STF (Supremo Tribunal Federal) um ingrediente a mais para desgastar Lula, associá-lo a Alexandre de Moraes e mobilizar o eleitorado.

Já a alta de Cury havia sido apontada em outras pesquisas. O motivo presumido foi a inundação de citações nas redes provocada por influenciadores em favor de seu nome. Especialistas creditam o aumento inesperado ao desgaste com o atual cenário político e à alta rejeição de ambos Lula e Flávio.

A campanha de Lula é afetada pelas investigações da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, um dos filhos do presidente, por suspeita de tráfico de influência. Conhecido no debate público como Lulinha, Fábio é apontado pela PF como beneficiário indireto da ação da lobista Roberta Luchsinger, que tentava obter benefícios na venda de medicamentos ao Ministério da Saúde.

Do lado de Flávio, a revelação de que o senador pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, tem desgastado a campanha do senador. A descoberta mais recente sobre o caso, publicada pela revista piauí, é a de que o ex-banqueiro fez um repasse adicional de US$ 1,6 milhão (R$ 8,5 milhões na cotação da época) ao fundo responsável por administrar os recursos para a produção.
Por Luana Lisboa/Folhapress

Flávio usa ato de 7 de Setembro para transformar revelações contra Moraes em combustível de campanha

Presidenciável reforçou a tentativa de se apresentar como herdeiro político de Jair Bolsonaro, reproduzindo símbolos e narrativas associados ao pai
Foto: Reprodução/Youtube
A menos de um mês do primeiro turno, Flávio Bolsonaro usou o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista para transformar as revelações sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro em novo combustível para a campanha. As mensagens divulgadas após André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal recolocaram Moraes no centro dos ataques e deram ao bolsonarismo um fato novo para alimentar uma pauta antiga. Ao mesmo tempo, o presidenciável reforçou a tentativa de se apresentar como herdeiro político de Jair Bolsonaro, reproduzindo símbolos e narrativas associados ao pai.

O resultado foi um ato em que confronto e cautela caminharam juntos. No palco, Flávio associou Moraes a Lula, falou em perseguição política e evocou uma possível “terceira facada”, mas também disse ser preciso preservar o Supremo. Fora do microfone, a campanha mantinha atenção aos limites jurídicos dos ataques para evitar que a manifestação produzisse munição para adversários na Justiça Eleitoral.

Um sinal desse cuidado estava a poucos passos do candidato e quase passou despercebido em meio às lideranças no trio elétrico. Paulo Amador da Cunha Bueno, advogado de Jair Bolsonaro, permaneceu ao lado de Flávio durante praticamente todo o discurso.

O jornal O Estado de São Paulo apurou que o candidato recebeu orientações da equipe jurídica da campanha para evitar ataques às urnas, ao sistema eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de declarações que pudessem abrir espaço para questionamentos posteriores. A estratégia era elevar o tom contra Moraes sem transformar o ato em um novo problema jurídico para a candidatura.

Esse controle convivia com uma manifestação de forte carga simbólica. Sob o frio de São Paulo, bandeiras do Brasil se misturavam mais uma vez às dos Estados Unidos, enquanto um boneco inflável de Donald Trump se destacava acima da multidão, repetindo uma estética já vista em atos anteriores do bolsonarismo na Paulista no Dia da Independência.

A novidade, desta vez, estava no episódio que alimentava a indignação dos manifestantes. O relatório da PF tornado público por Mendonça revelou uma troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e aprofundou a crise no Supremo às vésperas do 7 de Setembro.

Na avenida, o reflexo era visível. O nome de Moraes dominava gritos e cartazes, enquanto Mendonça ocupava o papel oposto. O ministro era celebrado por parte dos manifestantes como contraponto dentro da própria Corte e ganhou até um boneco inflável em sua homenagem.

A imagem remetia a outro personagem do Judiciário transformado em símbolo político na mesma avenida anos antes: o então juiz Sérgio Moro, alçado à condição de herói por apoiadores da Operação Lava Jato.

Se Moraes fornecia o antagonista do ato, Jair Bolsonaro continuava sendo a principal referência política e emocional. Flávio usou o palanque para reforçar uma operação que acompanha sua candidatura desde o início: apresentar-se não apenas como sucessor, mas como herdeiro político e simbólico do pai. A comparação foi estimulada pelo próprio candidato. “Sei que vocês estão olhando para cá e enxergando outra pessoa parecida comigo: Jair Messias Bolsonaro”, afirmou.

Flávio vestiu uma camisa em homenagem ao pai, relembrou o atentado sofrido por Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, em 2018, e incorporou a trajetória familiar à própria narrativa de campanha. Falou em uma possível “terceira facada” contra ele e seus aliados e classificou as condenações relacionadas ao 8 de Janeiro como uma “segunda facada”. Também revelou que faz campanha usando colete à prova de balas.

Mais do que citar Bolsonaro, o candidato procurou reproduzir uma das narrativas que ajudaram a moldar a identidade política do pai: a ideia de que enfrentar o sistema e ser perseguido por ele fazem parte de uma mesma trajetória. Flávio evocou episódios centrais da biografia política do ex-presidente e apresentou a candidatura como continuidade de uma missão recebida dele.

Essa tentativa de transferência do capital político de Bolsonaro também atravessou as falas dos aliados. Nikolas Ferreira reafirmou sua fidelidade ao ex-presidente ao mesmo tempo em que apresentou Flávio como o candidato capaz de derrotar o PT. Tarcísio de Freitas adotou tom mais institucional: cobrou uma resposta do próprio Supremo às revelações envolvendo Moraes e defendeu a eleição de senadores de direita capazes de ampliar a pressão sobre a Corte.

A crise no STF acabou funcionando como elemento de unidade para uma manifestação com objetivos eleitorais mais amplos. Moraes era o antagonista mais visível, Mendonça aparecia como contraponto dentro do próprio tribunal e Flávio buscava converter a indignação da base em demonstração de força numa disputa em que aparece tecnicamente empatado com Lula em cenários de segundo turno.

Fora do trio, houve também momentos de tensão. Policiais precisaram intervir em um confronto entre grupos de orientações políticas diferentes nos arredores da Paulista. O episódio, porém, não alterou a dinâmica principal da manifestação, concentrada nos discursos e na tentativa da campanha de fazer da avenida uma vitrine de mobilização na reta final antes do primeiro turno.

Ao terminar o discurso, Flávio foi diretamente até Daniella Marques, braço direito da campanha na área econômica, de quem ouviu que havia feito um “belo discurso”. Em seguida, permaneceu alguns minutos diante do público. Com uma tesoura de papelão nas mãos, em referência ao “tesouraço” de gastos que promete promover na economia caso seja eleito, acenou para os apoiadores antes de descer do trio.

Já cercado pelos seguranças, ouviu uma menina, aos choros, pedir uma fotografia. Flávio interrompeu a saída, deixou a barreira formada pela equipe e foi em direção a ela.

A cena não permite saber se a emoção da apoiadora vinha de Flávio, do sobrenome que ele carrega ou das duas coisas ao mesmo tempo. Mas condensava uma das apostas centrais daquele 7 de Setembro: fazer com que parte do vínculo construído por Jair Bolsonaro com seus seguidores seja transferida para o filho que tenta sucedê-lo.
Por Hugo Henud/Estadão

06 setembro, 2026

Cármen Lúcia vê erros tanto de Moraes quanto de Mendonça e vira peça-chave na disputa por hegemonia no STF

Foto: Luiz Silveira/Arquivo/STF
A ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), vê erros tanto do ministro André Mendonça quanto do ministro Alexandre de Moraes nas medidas que levaram a corte ao epicentro de uma crise institucional, e ainda não definiu qual deles vai ganhar o seu apoio.

Moraes e Mendonça disputam o voto de Cármen em busca da hegemonia de seus respectivos grupos no Supremo, e a posição da magistrada é considerada decisiva nas deliberações que o plenário deve fazer sobre as condutas dos dois ministros.

A corte vai discutir, de um lado, se houve arbitrariedade nos métodos utilizados por Mendonça nas apurações sobre o Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e que resultaram no relatório em que a PF (Polícia Federal) aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

De outro, o STF vai avaliar a regularidade do ato de Moraes ao se utilizar do inquérito das fake news para pedir uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Antes de Moraes decidir partir para o contra-ataque, na quinta-feira (3), Cármen chegou a telefonar para ele e indicou se solidarizar com a situação de exposição pública. Na terça (1º), Mendonça tirou sigilo de relatório da PF que mostrava diálogos de Vorcaro com o ministro, incluindo uma mensagem na qual o banqueiro pergunta se deveria deixar o país, às vésperas de ser preso, em 2025.

Moraes, segundo um auxiliar, compreendeu o telefonema da colega como um aceno, embora Cármen não tenha garantido a ele o seu apoio em votações futuras.

O que veio depois —o uso do inquérito das fake news para contra-atacar Mendonça— também não a agradou. A ministra relatou a uma pessoa próxima uma sensação de perplexidade com os dois colegas e com o ponto a que chegou a erosão interna do Supremo.

Ela tem dito a auxiliares que está ciente de que seu voto está sob disputa e que há até mesmo apostas informais no mundo jurídico sobre a qual corrente ela se alinharia. A ministra, entretanto, diz que vai decidir exclusivamente com base nos autos, cuja íntegra ainda não acessou.

Moraes tem o apoio dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Já Mendonça calcula contar com Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Edson Fachin. Segundo um assessor da cúpula do STF, o ministro Dias Toffoli fica de fora das votações, pois se declarou suspeito de atuar nos casos do Master.

Tanto Mendonça quanto Moraes afirmam a interlocutores que confiam na adesão de Cármen aos seus respectivos grupos, o que pode reconfigurar a correlação das forças e alianças que hoje existem no Supremo.

Aliados de Mendonça dizem acreditar na sensibilização da ministra quanto ao recado ruim que será passado à sociedade caso a corte feche os olhos para a gravidade de haver um ministro do Supremo sob suspeita de integrar a rede de influência de Vorcaro.

Uma pessoa próxima ao relator do Master disse que Cármen construiu uma reputação de absoluta integridade ao longo dos anos de magistratura e que votar para aliviar para um colega seria colocar tudo isso a perder.

O entorno de Moraes afirma que Cármen já demonstrou ser contra a adoção de procedimentos arbitrários a pretexto de atender aos clamores da sociedade, como na ocasião em que ela votou para reconhecer a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro em casos envolvendo o presidente Lula (PT), em 2021.

"Todo mundo tem direito de ter um julgamento justo diante de um juiz ou de um tribunal imparcial", disse ela na ocasião. "Isso não significa que não queiramos, sejamos contra ou estejamos emitindo juízo de valor sobre o combate à corrupção, que é obrigatório e precisa ser feito."

Para um interlocutor de Moraes, se o plenário confirmar o entendimento de Mendonça, haverá margem para que qualquer magistrado investigue um colega, fazendo do Supremo ringue para um "vale-tudo". Mendonça entende que o colega pode fazer o mesmo no âmbito do inquérito das fake news.

A leitura do grupo pró-Moraes é a de que Mendonça agiu deliberadamente para expô-lo, mandando que a PF apurasse suspeitas contra o ministro à revelia de decisão prévia do plenário, em violação ao regimento interno do Supremo.

Na divisão atual da corte, Cármen é alinhada a Mendonça, por exemplo, na defesa da implementação de um código de conduta para o STF, proposta da qual é relatora. Por outro lado, ela acompanhou Moraes em todos os votos da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado.

Interlocutores da ministra afirmam que ela não tem alinhamento irrestrito com nenhuma das duas alas e que seus votos se pautam pela Constituição. A ministra tem manifestado preocupação com o peso institucional da crise, diante de um potencial impacto catastrófico para o STF.

Por Luísa Martins e Ana Pompeu/Folhapress

Fiesp articula abaixo-assinado para pedir que plenário do STF discuta crise considerada inédita -Por Joana Cunha/Folhapress

Foto: Julia Moraes/Arquivo/Fiesp
Enquanto diversos segmentos do empresariado discutem a ideia de se manifestar publicamente para pedir decoro ao STF (Supremo Tribunal Federal) e expressar preocupação com a crise institucional derivada do escândalo do Banco Master, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) começou a convocar sindicatos patronais e associações setoriais para um abaixo-assinado.

A entidade já tem um rascunho do texto, que diz que a República enfrenta um teste de integridade inédito e que as crises de Brasília colocam as instituições em risco. A manifestação deve pedir que o plenário da Corte se pronuncie e discuta o problema.

A ACSP (Associação Comercial de São Paulo) também está trabalhando no manifesto e diz ter alcançado mais de mil assinaturas de associações e federações comerciais. Entre os que já assinaram o documento também há entidades como Sindibrinquedos (da indústria de brinquedos) e Abinee (indústria elétrica e eletrônica).

A ideia é divulgá-lo na próxima semana, entre os dias 8 e 10. Organizadores do manifesto ouvidos pela Folha dizem ter decidido não publicar o documento no feriado de 7 de Setembro para evitar interpretações de que o movimento pretende fazer uso político da crise em período eleitoral.

Entre as entidades que estão sendo abordadas para assinar o manifesto há setores da indústria, comércio, agro, transportes e cooperativas. Mas entre os potenciais signatários há quem sinta receio de entrar em polêmicas e acusações de partidarização da Fiesp, como já aconteceu em outras ocasiões.

Em 2022, quando a Fiesp era presidida por Josué Gomes da Silva, a entidade enfrentou uma crise profunda, com tentativa de destituição de Josué por opositores que o acusavam de ser ligado ao PT. Josué é filho de José Alencar (1931-2011), que foi vice-presidente de Lula entre 2003 e 2010.

Um dos motivos do conflito foi justamente um manifesto que exaltava o papel do Judiciário em defesa da democracia.

Skaf foi presidente da Fiesp de 2004 a 2021 e voltou ao posto em 2026 com um posicionamento mais abrangente, entrando em temas além das fronteiras da indústria. Nos últimos meses, se pronunciou em debates sobre segurança pública, convidou o ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador para um seminário na entidade e elogiou o presidente do país, Nayib Bukele.

Antes de tomar posse, anunciou a criação de conselhos superiores na Fiesp com nomes que participaram do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, como os ex-ministros Sergio Moro e Joaquim Alvaro Pereira Leite, mas negou viés político.

Segundo organizadores, o manifesto que está sendo preparado pretende se colocar como uma expressão da sociedade civil preocupada com o agravamento da crise institucional, que avança a cada dia.

Na última semana, o alerta cresceu após a revelação de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes, além da reação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu anulação do relatório da Polícia Federal.

Em janeiro, a Fiesp já havia exibido a bandeira do Brasil em sua fachada, após a revelação do contrato de R$ 130 milhões que o escritório da mulher de Moraes manteve com o Master. A bandeira na fachada foi ícone de protestos da Fiesp durante as investigações da Lava Jato e em apoio ao impeachment de Dilma Rousseff.

Jânio Natal divide apoio entre quatro candidatos a deputado federal em -Porto Seguro Por Política Livre

Foto: Reprodução/Arquivo/Instagram
O prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal (PL), apoia quatro candidatos a deputado federal nas eleições deste ano. Segundo as redes sociais do gestor, ele pretende dividir sua base eleitoral no município entre Jonga Bacelar (PL), Roberta Roma (PL), Neto Carletto (PP) e Arthur Maia (União).

Para deputado estadual, o prefeito aposta as fichas no filho, Jânio Júnior (PL), que disputa uma eleição pela primeira vez. O jovem político ocupou o cargo de secretário de Meio Ambiente e Causa Animal de Porto Seguro até se desincompatibilizar, no primeiro semestre deste ano.

Algumas das parcerias para a eleição de deputado federal foram firmadas também de olho na candidatura do herdeiro à Assembleia Legislativa. É o caso da “dobradinha” com Neto Carletto, que se repete em outras cidades da região, a exemplo da vizinha Santa Cruz Cabrália.

No Instagram de Jânio Natal, há registros ao lado dos quatro candidatos a deputado federal, inclusive convites para reuniões políticas realizadas em Porto Seguro. Isso ocorreu com Neto Carletto, Jonga Bacelar e Arthur Maia. Com Roberta Roma, o prefeito publicou um vídeo no qual a candidata manda um “beijo para o meu prefeito”.

Nas eleições de 2022, Jânio também dividiu o apoio para a Câmara dos Deputados entre dois candidatos do PL. Jonga Bacelar recebeu 9.700 votos no município, enquanto Roberta Roma obteve 7.607. Para deputado estadual, o candidato apoiado pelo prefeito foi Raimundinho da JR, que teve 9.239 votos em Porto Seguro e não disputa a eleição deste ano.

05 setembro, 2026

STF abriu 307 inquéritos sigilosos desde início do caso das fake news -Por Redação

Foto: Alejandro Zambrana/Arquivo/STF
Desde a abertura do inquérito das fake news, em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) instaurou 307 investigações sigilosas sobre diferentes temas. O levantamento mostra, porém, que o procedimento relatado pelo ministro Alexandre de Moraes é o único entre esses casos que permanece em andamento por tempo indeterminado e sem definição clara de alvo. O inquérito, que começou com o número 4.781, já está relacionado a uma Corte que chegou ao inquérito de número 5.088. A reportagem é do Estadão.

O caso voltou ao centro das atenções após Moraes incluir o colega André Mendonça como investigado e acusá-lo de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Para embasar a acusação, Moraes utilizou um relatório interno da Polícia Federal classificado como apócrifo e sem valor probatório. O documento foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, que retirou a investigação contra Mendonça do inquérito das fake news e a incorporou ao procedimento que apura indícios envolvendo o próprio Moraes.

A crise se intensificou após Mendonça levantar o sigilo de um relatório da PF com 51 mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro em um período de 21 dias. O conteúdo havia sido revelado anteriormente pelo Estadão. Diante do cenário, Fachin defendeu publicamente o encerramento do inquérito das fake news e afirmou que o fim da investigação está entre as prioridades de sua gestão, ao lado da criação de um Código de Ética para o STF e da modernização do sistema de Justiça.

Defesa de Vorcaro racha sobre depoimento secreto contra PF e ala vê 'atitude suicida'

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro rachou em relação ao depoimento secreto que ele prestou no dia 27 de agosto em que acusou agentes da PF de maus tratos e tortura psicológica.

Advogados que fazem parte da equipe do dono do Banco Master procuraram ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) para afirmar que não tinham nada a ver com o assunto e que consideravam a iniciativa "irresponsável e suicida".

De acordo com o relato deles, a ideia de pedir que Vorcaro prestasse depoimento foi de apenas um advogado, Daniel Bialski, que se incorporou à defesa recentemente e tem bom trânsito no gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso.

O advogado, segundo os mesmos relatos, sequer teria comunicado a medida aos colegas.

Ele apresentou um pedido de depoimento diretamente ao gabinete do ministro Mendonça afirmando que o ex-banqueiro queria relatar "graves intimidações" que teria sofrido na prisão. O magistrado autorizou que ele fosse ouvido sem a presença da PF.

No meio do depoimento, prestado a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça na presença de um procurador, Vorcaro afirmou que a PF não aceitava suas propostas de delação premiada porque queria blindar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

"Me sinto desconfortável de propor uma colaboração, em que a gente tem um diretor-geral da Polícia Federal com quem eu tinha uma relação. Que frequentou eventos, que participou de todo esse crescimento do banco […] Ele esteve presente em diversas outras situações que eu gostaria de narrar. Não tem a menor chance disso se viabilizar e dar certo", disse o ex-banqueiro.

Apesar dos apelos de Vorcaro, as declarações acabaram vindo a público na semana passada, causando nova crise entre a cúpula da PF e o gabinete de André Mendonça.

Os advogados de Vorcaro contrários ao depoimento disseram acreditar que o ex-banqueiro foi induzido a citar Andrei Rodrigues, que é desafeto de André Mendonça, apenas para agradar o magistrado. E para abrir as portas para uma nova tentativa de delação sem a participação da PF.

Haveria a expectativa também de que André Mendonça pudesse transformar a prisão do pai dele, Henrique Vorcaro, em domiciliar —o que não aconteceu.

Segundo eles, o ex-banqueiro nunca fez relatos sobre o diretor-geral da PF em suas tratativas de delação.

Os defensores repetiram diversas vezes que a atitude foi isolada e sem a concordância dos outros advogados, que só foram avisados em cima da hora que o depoimento aconteceria.

A prova disso seria o fato de um dos advogados, Sergio Leonardo, estar presente a uma audiência marcada para a mesma hora com a PF, em que Vorcaro deveria estar presente e não apareceu. Ela foi remarcada e acabou acontecendo na sexta (28).

Disseram ainda aos magistrados que a divergência entre os advogados criou um mal estar profundo e pode ser insuperável.

Procurado, o advogado Daniel Bialski faz uma cronologia dos fatos e afirma que avisou, sim, os colegas e que agora é ele que recebe recados de que pode sofrer represálias.

"Na semana passada, quando estive com Daniel Vorcaro, ele me relatou os maus tratos que passou desde que preso e as ameaças recebidas no curso e disse que queria poder falar. Eu indago se contou isso para alguma autoridade. Ele diz que ninguém queria ouvir e que isso tinha que ser contado", diz Bialski.

Ele teria então perguntado ao cliente se gostaria que fizesse uma petição ao ministro André Mendonça, e Vorcaro concordou.

"Ele não me disse de pessoas, eu não pedi para colocar ou tirar o nome de ninguém, até porque [Vorcaro] não me deu detalhes do que falaria. Jamais faria isso. Como interlocutor do cliente, eu apenas fiz o pedido, sendo intimado na noite daquele dia da audiência designada no dia seguinte", segue o advogado.

"E muito do que ele relatou foi surpresa para todos. E diferente do que foi dito, avisei sim [aos colegas advogados que o depoimento seria dado]", diz.

"Essa audiência [que colheu o depoimento] foi realizada mais cedo do que a que tinha sido designada pela PF, que acabou sendo adiada e ocorrendo no dia seguinte. Eu não era o único advogado presente e havia procurador da república junto no ato. O grande problema é que o próprio Daniel Vorcaro disse no depoimento que seus advogados anteriores haviam sido ameaçados. E falo agora em meu nome: recebi recados de que sofrerei represálias. Que vão me perseguir, fuçar todos os casos em que advogo e arrumar subterfúgios para me prejudicar", finaliza.

Os magistrados que ouviram os relatos se disseram surpresos, inclusive pelo fato de as denúncias de maus tratos a Vorcaro já serem de conhecimento do STF.

Na sessão da Segunda Turma do STF em que se analisou a manutenção da prisão do pai de Vorcaro, por exemplo, o ministro Gilmar Mendes, que defendia a libertação do réu, citou relatos de que o ex-banqueiro havia ficado em uma cela com a luz acesa por três dias como exemplo de tortura psicológica.

Os magistrados mantiveram a prisão de Henrique Vorcaro por 3 votos a um.

Por Mônica Bergamo/Folhapress

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