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26 agosto, 2026

PM da reserva é preso por tentar matar policial civil aposentado em Salvador

Foto: Divulgação / SSP-BA
Um policial militar da reserva, de 56 anos, foi preso, nesta quarta-feira (26), por envolvimento na tentativa de homicídio de um policial civil aposentado, ocorrida em julho de 2025, na avenida 29 de Março, em Salvador. O investigado foi localizado no bairro Fazenda Grande do Retiro, durante o cumprimento de um mandado de prisão preventiva.

Na ocasião do crime, a vítima foi atingida na cabeça por um disparo de arma de fogo, enquanto trafegava em seu veículo, no dia 13 de julho de 2025. Durante as diligências para o cumprimento do mandado, a Polícia Civil (PC-BA) apreendeu uma pistola marca Ruger, calibre .40, em poder do investigado, que também foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo, conforme o Estatuto do Desarmamento.

O PM e o armamento apreendido foram apresentados à unidade policial, onde foram adotadas as medidas legais cabíveis. As investigações prosseguem para o esclarecimento da motivação e das demais circunstâncias do crime.

A ação foi realizada pela 2ª Delegacia de Homicídios (2ª DH/Central), no âmbito da Operação Malhas da Lei, com apoio da Coordenação de Operações e Inteligência do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (COI/DHPP).
Por Redação

Inundações no Nepal e no Tibete matam 95, e há quase 400 desaparecidos

Entre 384 desaparecidos há 291 estrangeiros, segundo o governo nepalês; não há registro de brasileiros
Inundações catastróficas na região do Himalaia entre o Nepal e o Tibete mataram ao menos 95 pessoas nesta quarta-feira (26), segundo autoridades locais. Quase 400 pessoas estão desaparecidas. Casas e estradas foram destruídas, pontes foram arrastadas pela correnteza e vilarejos inteiros ficaram submersos em lama.

A causa da enchente ainda não foi esclarecida, e a dimensão do desastre ainda é incerta. Uma hipótese sugere que um terremoto teria atingido a região e provocado uma avalanche de gelo e rochas, causando as inundações. Outra afirma que, como consequência da crise do clima, um enorme bloco de gelo se desprendeu de uma geleira, resultado em avalanche e inundação.

No lado chinês da fronteira, um deslizamento de terra atingiu o porto de Gyirong, causando pânico e destruição. Ao menos três pessoas morreram e outras 265 estão desaparecidas após um deslizamento de terra, informou a emissora estatal CCTV, citando uma contagem preliminar das autoridades.

O número exato de vítimas ainda está sendo verificado, segundo a CCTV. Esses são os primeiros números de vítimas e desaparecidos divulgados referentes ao lado chinês da fronteira, e não está claro se há sobreposição com os números fornecidos pelo governo nepalês.

Segundo o órgão de turismo do Nepal, ao menos 384 pessoas estão desaparecidas, dos quais 341 estrangeiros. O grupo inclui 105 indianos, 12 britânicos e três americanos, além de cidadãos da Austrália, Holanda, Malásia e África do Sul. Não havia confirmação de vítimas brasileiras até a última atualização deste texto, segundo o Itamaraty.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que equipes da polícia e do Exército se uniram aos esforços de resgate. O governo afirmou que pediu ajuda aos seus vizinhos China e Índia, para reforçar as operações.

No distrito montanhoso de Rasuwagadhi, no norte do Nepal, o transbordamento do rio Bhote Koshi impediu que helicópteros de resgate pousassem nas áreas mais atingidas de Syapru Besi e Timure. O Exército informou que as aeronaves só poderão operar no local quando o nível da água baixar.

Imagens exibidas pela televisão mostram casas destruídas, veículos sendo levados pela correnteza e uma ponte metálica sendo arrastada pela água. Testemunhas disseram à Reuters que a água das enchentes engoliu vilarejos inteiros.
Por Manoella Smith e Victor Lacombe, Folhapress

Kassio avalia desistir de selo para instituto de pesquisas na eleição de 2026 após críticas

Kassio Nunes Marques-Foto: Luiz Roberto/Arquivo/TSE
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, avalia desistir da criação de um "selo de acurácia" para os institutos de pesquisa nas eleições de 2026, após sofrer uma série de críticas à ideia de premiar empresas que se aproximarem dos resultados das urnas.

Quarenta dias após a proposta ser apresentada, a leitura do magistrado é de que a receptividade não foi boa, tanto entre os institutos, que viram na iniciativa um erro, quanto entre seus colegas na corte eleitoral.

Kassio tem afirmado a auxiliares que o selo não é uma hipótese descartada e pode ser adotada nas próximas eleições. Também estão em estudo outras medidas para regulamentar as pesquisas eleitorais e dar mais transparência às suas metodologias.

O presidente do TSE diz a pessoas próximas que ele trata essa agenda como prioridade de sua gestão, mas aponta que o debate sobre o uso de IA (inteligência artificial) é mais urgente, a exemplo do vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

Auxiliares do ministro dizem que esse caso deve ser levado a julgamento em plenário "em breve" e que ele próprio deve votar para proibir os chamados deepfakes de maneira abrangente. Seria um recuo da sinalização que ele havia dado anteriormente, em defesa da proibição de vídeos críticos e da liberação de conteúdo artificial positivo, no que seria uma espécie de "IA do bem".

No caso das pesquisas, a ideia de um selo de acurácia foi apresentada por Kassio em 14 de julho, em reunião com representantes de 16 institutos de pesquisa. A proposta prevê uma premiação às empresas que, em seus levantamentos na reta final da campanha, mais se aproximarem dos resultados das eleições gerais.

A audiência foi convocada na esteira da censura que o ministro impôs a um levantamento da Atlas/Bloomberg, que mostrou uma queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto para Flávio após as repercussões do caso "Dark Horse".

Em manifestação enviada ao gabinete de Kassio no TSE, o Datafolha, instituto de pesquisas de opinião que pertence ao Grupo Folha, se manifestou contra a criação do selo de acurácia.

"Pesquisas eleitorais são instrumentos de informação e análise de momentos específicos do processo eleitoral, com resultados perecíveis e determinados por seu período de coleta, e não ferramentas de previsão ou competições de exatidão", diz o ofício.

O Datafolha afirma que determinar "vencedores e perdedores" por meio da comparação entre empresas que adotam metodologias e amostras diferentes "confronta os alicerces que baseiam a construção de métodos científicos confiáveis".

Kassio segue defendendo o selo, mas já admitiu a interlocutores que talvez não haja possibilidade de implementá-lo para as eleições de 2026, o que exigiria uma interlocução com os próximos presidentes do TSE para levar a ideia adiante no pleito de 2030.

Pelas tradições da corte eleitoral, em que o comando do tribunal é definido por rodízio, Kassio será substituído pelo ministro André Mendonça em 2028. Em seguida, a previsão é que o ministro Dias Toffoli assuma o cargo em 2030, ficando responsável pela organização das eleições gerais.

Mesmo que a ideia do selo não prospere, o presidente do TSE pretende insistir em medidas que possam soar como um legado da sua gestão em defesa de mais transparência para as pesquisas eleitorais.

Uma das ideias é instituir um novo modelo de registro para pesquisas, em que os institutos terão de preencher um formulário para detalhar, entre outras informações, o perfil dos eleitores que pretendem entrevistar.

Outra possibilidade é restringir a inclusão de áudios e vídeos em questionários, sob o argumento de que esse recurso pode aumentar as chances de manipulação nas respostas dos eleitores.

Dois ministros do TSE ouvidos pela Folha sob reserva avaliam, entretanto, que essas iniciativas são desnecessárias e levantam desconfianças infundadas sobre a integridade das pesquisas, o que acaba deslegitimando o processo eleitoral, ainda que de forma sutil.

Por Luísa Martins/Folhapress

Pastor pede bênção para Flávio Bolsonaro em culto e ora por Brasil livre das 'garras de Satanás'

Presidente da Convenção Geral dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus do Brasil, o pastor José Wellington Costa Junior chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL) para o altar em um culto para milhares de pessoas nesta terça-feira (25), pediu bênção para a campanha do presidenciável e "suplicou" para que "o Brasil seja liberto das garras de Satanás".

"Abençoe nosso senador Flávio Bolsonaro. Ó Pai amado, abençoe a sua campanha, abençoe os deputados que estão concorrendo, abençoe suas campanhas meu senhor", afirmou. "Esta igreja ora, esta igreja clama, esta igreja suplica para que o Brasil esteja cada dia melhor. Esta igreja ora, Senhor, para que o Brasil seja liberto das garras de Satanás, e que tua glória possa se manifestar", continuou.

A fala ocorreu na noite desta terça, na celebração dos 111 anos da Assembleia de Deus em Alagoas. Foi acompanhada por milhares de fiéis presencialmente e outros milhares online –no momento em que ocorreu, cerca de oito mil pessoas assistiam pela transmissão oficial na internet.

O pedido de votos em cultos religiosos é proibido e pode levar à cassação da chapa e inelegibilidade, mas há margem para interpretação e a punição depende de decisões judiciais.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tem posições divergentes sobre o assunto, mas em maio puniu com a inelegibilidade por abuso de poder religioso e propaganda eleitoral irregular uma ex-prefeita que pediu votos num culto. Em outros casos, entendeu que não houve pedido explícito de voto durante a celebração religiosa.

Nesta terça, Flávio incluiu em sua agenda de campanha a participação no culto, mas chegou apenas para esta oração e saiu logo em seguida à fala do pastor sobre sua campanha. O candidato não discursou e, questionado pela Folha sobre se via irregularidade em pedir votos num culto religioso, ignorou as perguntas e saiu sem falar com a imprensa.

Também estava presente no altar o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL), que é apoiado pelo presidente da Assembleia de Deus em Alagoas, José Orisvaldo Nunes de Lima. O filho dele, Gunnar Nicácio, é candidato a deputado federal pelo PP de Lira.

"Nossos deputados, nossos vereadores, são homens que também não querem a desgraça do Brasil. Eles querem a bênção do Brasil", disse Nunes de Lima, após apresentar nominalmente cada político presente.

Outros que subiram no altar foram o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice de Flávio Bolsonaro, o deputado federal delegado Fábio Costa (PP-AL), e vereadores do PL, além do ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Pode), que é candidato a deputado federal em Pernambuco.

O pastor José Wellington Costa Junior afirmou que eles estavam no culto para receber a oração da igreja "porque estão concorrendo a cargos eletivos" de deputado, senador e "também de presidente da República". "Queremos lhe pedir, ó pai amado, que venha abençoar estas pessoas que aqui estão, para que eles possam, senhor amado, realizar o desejo dos seus corações e dos nossos corações", falou.

Flávio Bolsonaro foi bastante aplaudido pelo público local, que se exaltou com as declarações dos pastores sobre impedir bebedeira nas famílias, com o pedido de bênção à candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a súplica para livrar o país de Satanás.

Os evangélicos são um grupo que vota majoritariamente em Flávio e no qual o presidente Lula (PT) tem mais dificuldades de obter apoio. O candidato do PL recentemente estreitou os laços com líderes do segmento, que preparam atos pelo país para declarar voto nele.
Por Raphael Di Cunto/Folhapress

Zema faz campanha contra bets, mas Novo tem posição mais flexível sobre apostas

O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) tem reforçado agendas com pessoas afetadas por vícios em bets e dito que, se eleito, vai proibi-las no Brasil. Mas o partido adotou posições mais flexíveis em relação às casas de apostas.

No início do ano, a bancada do Novo na Câmara dos Deputados apresentou um projeto para derrubar uma resolução do CMN (Conselho Monetário Nacional) que restringiu o mercado preditivo, considerado pelo governo federal uma forma de aposta.

Segundo a gestão federal, era preciso fechar uma brecha para plataformas que tentavam oferecer apostas sobre eventos não econômicos. É o caso da Kalshi, que se coloca como mercado de predição e permite que os brasileiros apostem em eleições, por exemplo.

Um dos deputados que assinou o projeto, Luiz Lima (Novo-RJ), adotou posição ainda mais amena em relação às bets.

Em uma audiência na Comissão de Esportes da Câmara, ele disse ser favorável ao funcionamento das bets, mas levantou a preocupação do avanço da publicidade do mercado de apostas em jogos.

Em fevereiro, durante a votação do PL Antifacção, o Novo liberou a bancada na Câmara sobre destaques que tratavam da taxação das bets. Na época, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) chegou a dizer que já tinha sido contra o mercado de apostas, mas não concordava com aumento de impostos.

A postura de Zema, no entanto, tem sido mais firme contra a atuação das casas de apostas. Nos últimos dias, ele já teve dois compromissos de campanha com pessoas que enfrentam problemas com o vício em apostas.

Em um dos encontros com lideranças evangélicas, o candidato comparou o vício em bets ao consumo de cocaína.

Em nota, o Novo disse que não impõe diretriz partidária quanto às bets. "A decisão é de foro individual, respeitada a consciência de cada filiado", disse.

Por Gabriela Echenique/Folhapress

25 agosto, 2026

Caiado promete rebaixar juros e conter despesas do governo

Ronaldo Caiado-Foto: Bruno Varani/Arquivo/PSD
O candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, reforçou nesta terça-feira, 25, que caso seja eleito irá rebaixar o juros e conter despesas do governo. A declaração foi feita em coletiva de imprensa durante o ABDIB Fórum Eleições 2026, em São Paulo.
O candidato afirmou que, para o setor de infraestrutura, sua primeira medida será o corte de gastos e de juros. "Sabemos a importância deles para poderem avançar na infraestrutura. Eles hoje são responsáveis por quase 100% do investimento, mas não conseguem continuar por causa do ritmo dessa taxa de juros, hoje dominante no País", disse.

"O que eu vou dizer a eles é (setor de infraestrutura): me dê essa carta de confiança, eu rebaixarei os juros, eu terei medidas para poder conter as despesas do Governo Federal e eles serão nossos parceiros para avançar em todas as áreas, seja ela de rodovias, seja ela de ferrovias, seja de portos, enfim, tudo aquilo que seja a logística do Brasil que hoje está estrangulada", afirmou.

Ele disse, também, que o Brasil não está sabendo explorar o potencial energético do País. "O que nós precisamos é incluir tecnologia, inovação, inteligência artificial", defendeu.

Caiado saiu em defesa, também, de parcerias com o setor privado. "O problema da geração de energia e também da transmissão de energia e a distribuição de energia, tem que ser em parceria com a iniciativa privada. Isso é que eu farei também", defendeu.

Por Mariana RIbas/Estadão Conteúdo

Direita tenta enquadrar evangélicos de esquerda como Judas e falsos cristãos

Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação/Arquivo
                            Lula e Geraldo Alckmin em encontro com evangélicos

Ao justificar sua ausência no debate da Band neste domingo (23), Flávio Bolsonaro (PL) disse que gostaria de debater "com quem não acredita em Deus", porque, quando for presidente, um dos seus primeiros atos será "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo".

Uma provocação óbvia a Lula (PT), que também faltou ao confronto entre presidenciáveis. E também uma amostra de como a direita entende que a carta religiosa pode embaralhar o jogo eleitoral.

Lula nunca disse não crer em Deus —a fake news foi espalhada por rivais como a deputada Bia Kicis (PL-DF) a partir de um discurso recente do presidente no Rio, quando ele falou sobre haver "gente que não acredita em Deus", para logo em seguida reforçar sua crença.

Lula se declara católico, mas tanto ele quanto o espectro ideológico que representa, a esquerda, são retratados como oportunistas e sem legitimidade para falar aos evangélicos.

Uma fala de Eliziane Gama, que trocou PSD por PT em abril, ilustra bem essa dinâmica. Em março, a senadora pelo Maranhão disse que sua fé a guiava politicamente e completou: "Sou evangélica, sigo Jesus Cristo de Nazaré, defendo a vida, as mulheres e as crianças brasileiras e tenho plena convicção de que eu estou dentro daquilo que Deus me orientou a fazer".

Bastou para que canais conservadores sugerissem uma religiosidade de araque e que atos como posar lendo a Bíblia ao lado dos pais, fiéis da Assembleia de Deus maranhense, seriam teatro para atrair o eleitorado crente.

"Senadora de esquerda que enterrou CPI do INSS tenta emplacar imagem de evangélica" foi a manchete do portal Gospel Mais. Comentários nas redes sociais seguiam linha ainda mais bélica. Mayra Pinheiro (PL-CE), médica bolsonarista que ganhou a alcunha de Capitã Cloroquina, foi uma das espadachins. "Não use o nome de Deus em vão! Você nos envergonha", disse a agora candidata a deputada estadual.

Eliziane não é a única que tem sua fé questionada. Já em 2014 Marina Silva (Rede-SP) foi acusada pelo pastor Silas Malafaia de não se posicionar claramente sobre a questão LGBTQIA+ e, portanto, ser "a cristã mais falsa que poderia concorrer à Presidência", isso quando disputava o cargo pelo PSB. Imputações do tipo a perseguem desde então.

O cantor gospel Kleber Lucas (PT-RJ) iniciou sua carreira partidária em 2026. Com ela se multiplicaram insinuações de que o intérprete de hinos evangélicos que todo crente conhece é um cristão postiço.

Kleber, que cantou com a primeira-dama Janja no lançamento da campanha de Lula, é suplente na chapa de Benedita da Silva, outra petista evangélica, ao Senado. O site Fuxico Gospel sublinhou que seu engajamento político gerou associações com o gospel "Vai Lá, Judas". A faixa de Alex Gomes fala sobre traição e falsidade.

No caso de João Campos (PSB), candidato ao governo de Pernambuco, a reação veio após participar de um culto da Assembleia de Deus local. Por defender posições consideradas incompatíveis com o segmento, o pessebista teria abusado da conveniência eleitoral, segundo críticos.

A deputada Clarissa Tércio (PP-PE), nome forte da direita cristã no estado, fustigou-o por não representar "o governo dos justos, com sua agenda que contempla jogos LGBT no Recife, a Parada Gay". Não ajuda ele ser casado com Tabata Amaral, "defensora de tudo o que há de mais podre na esquerda", disse. Para gravar o vídeo, Clarissa vestiu uma camisa onde se lia "Deus&Pátria&Família&Liberdade".

Os casos aparecem em relatório produzido pela Casa Galileia em parceria com o Instituto Democracia em Xeque. O projeto acompanha publicações sobre religião e política no ecossistema evangélico, concentradas em 469 perfis digitais vinculados ao tema.

O monitoramento da primeira quinzena de agosto mostra que, com o início oficial das campanhas, aumentaram os conteúdos que discutem a importância do chamado "voto cristão" e quem é autorizado a falar pelas igrejas —e com elas.

A divulgação, em junho, de uma carta do PT aos evangélicos já havia enfurecido líderes que veem a esquerda como simpática ao aborto e inimiga da liberdade religiosa.

"A coisa mais horrível é quando uma pessoa que não é evangélica quer dar uma de evangélica", diz o pastor Silas Malafaia. Dá como exemplo Janja. "O que ela está pensando? Que a gente é burro? Que vai ganhar os evangélicos porque está cantando hino, quando a ideologia dela é diametralmente contrária à nossa?"

O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara e ex-presidente da bancada evangélica, segue a mesma toada. Diz que "esquerdistas vão na igreja, pegam a Bíblia de cabeça pra baixo e até se ajoelham, é muito cara de pau".

Sobre quem se apresenta com as duas credenciais, cristão e progressista, Sóstenes afirma que não é Deus "para julgar o cristianismo de ninguém". Nem por isso os poupa de críticas. A senadora Eliziane que o diga. "Fez a opção de ficar com a ideologia que confronta sua fé, lamentável", afirma.

Teo Hayashi, bispo da Zion Church, critica a manobra de aparecer em uma igreja durante a campanha e desaparecer pelos quatro anos seguintes. Para ele, qualquer pessoa é bem-vinda a um culto, independentemente da predileção política. O problema estaria em considerar que uma visita ou uma música gospel produz automaticamente identificação com o eleitorado evangélico.

Cita João Campos ao dizer que não seriam "duas horas num culto que vão mudar essa realidade".

O apóstolo Estevam Hernandes, da Renascer em Cristo, pede cautela para não sair por aí carimbando o outro como falso cristão. "Devemos procurar sempre preservar a liberdade de expressão. Se for o caso de discordância, ter maturidade para conviver, porque esse é o verdadeiro amor cristão."

Não é de hoje que o fator religioso exerce pressão, cobrando acenos públicos de fé para evitar desgastes eleitorais. Episódio emblemático ocorreu com Fernando Henrique Cardoso durante a disputa pela Prefeitura de São Paulo em 1985. FHC titubeou após o jornalista Boris Casoy perguntar se acreditava em Deus ("essa pergunta o senhor disse que não me faria"). Parte de sua derrota é creditada àquele dia.

Flávio Conrado, diretor de campanhas da Casa Galileia, afirma que o atual cenário combina dois movimentos.

De um lado, há igrejas reticentes em assumir publicamente uma posição de esquerda, especialmente quando lideranças nacionais caem em cima desse tipo de gesto.

De outro, ele identifica uma resistência maior a usar o púlpito para um endosso explícito ao candidato que seja. "Pode ser sinal de que esse discurso impositivo esteja perdendo força por pressão dos próprios membros, que expressam certo cansaço com a instrumentalização política do culto."

Por Anna Virginia Balloussier, Folhapress

Canadá anuncia retaliação contra EUA com tarifa de 50% sobre US$ 20 bilhões em exportações

Ministro canadense diz que alíquotas serão na mesma proporção das aplicadas pelo governo Trump sobre produtos do Canadá
Foto: Reprodução/Arquivo
O Canadá anunciou nesta terça-feira (25) que vai impor tarifas retaliatórias sobre US$ 20 bilhões (R$ 103,25 bilhões) em importações dos EUA, três dias após entrar em vigor uma taxa de 50% sobre os produtos canadenses que entram no território norte-americano.

O ministro das Finanças do Canadá, François-Philippe Champagne, divulgou uma lista de 99 páginas com cerca de 700 produtos dos EUA que estarão sujeitos a tarifas mais altas no Canadá a partir de 8 de setembro, incluindo aço, laticínios e equipamentos agrícolas.

"Como os Estados Unidos exigiram demais e ofereceram de menos, optamos por defender os canadenses", afirmou Champagne, referindo-se às negociações comerciais que fracassaram na sexta-feira.

A medida mais significativa é a duplicação das tarifas sobre o aço e o alumínio dos EUA, que passarão a 50%. Mas a lista de produtos afetados vai de rolos domésticos de papel alumínio a locomotivas ferroviárias e pontes de aço.


O Canadá imporá contratarifas de 15%, 25% ou 50% sobre os produtos, igualando as alíquotas aplicadas por Washington às mesmas categorias de exportações canadenses.

Muitos dos produtos dos EUA que o Canadá passará a taxar correspondem às exportações canadenses atingidas pelas novas tarifas do governo Trump, sobretudo nos setores de vestuário, produtos florestais e ferramentas. Mas o Canadá também está mirando bens de consumo, como lava-louças, máquinas de lavar e fogões. Uma ampla variedade de peixes, congelados e frescos, também predomina na lista.

Na segunda-feira (24), o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar o Canadá ao afirmar que elevaria as tarifas sobre carros canadenses para 50%. No momento, a taxa está em 25%.

O governo canadense também anunciou um novo pacote de US$ 5,5 bilhões (R$ 28,39 bilhões) para socorrer empresas e trabalhadores canadenses prejudicados pela enxurrada de tarifas impostas por Trump.

"Nossas contratarifas equivalentes, dólar por dólar e alíquota por alíquota, bem como um pacote de apoio de vários bilhões de dólares, protegerão trabalhadores, agricultores, famílias e empresas enquanto construímos uma economia canadense mais forte, mais resiliente e mais diversificada", comentou Champagne.

A ministra da Indústria, Mélanie Joly, afirmou que o governo federal seria "flexível e adaptável" às necessidades das empresas canadenses.

Ela também pediu aos canadenses que façam sua parte, apoiando as empresas locais que sofrerão o maior impacto dessas novas medidas de Trump. "Quando você escolhe um produto canadense, não está apenas pressionando os Estados Unidos, mas também protegendo empregos no Canadá", declarou.

Trump impôs tarifas sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses, que entraram em vigor no sábado (22), depois que o primeiro-ministro Mark Carney suspendeu as negociações comerciais com os Estados Unidos na noite anterior.


Após o colapso das negociações, Carney reconheceu que a medida de adotar "o dolar por dólar e a alíquota por alíquota" como retaliação "aumentará os custos e reduzirá as opções para os canadenses".

Uma das principais fontes de tensão nas negociações comerciais foi a tarifa de 25% imposta pelos EUA aos automóveis canadenses —uma importante exportação do país. Nesta terça-feira, o Canadá afirmou que manteria em 25% sua tarifa retaliatória sobre carros fabricados nos Estados Unidos, bem como um sistema que permite às empresas que produzem veículos no Canadá continuar a importá-los dos EUA sem tarifas, dentro de certos limites. Os canadenses compram mais carros dos Estados Unidos do que vendem para lá.

O Canadá importa cerca de US$ 272 bilhões em produtos dos EUA por ano. Muitos economistas afirmam que, como a economia canadense tem cerca de 1/12 do tamanho da economia americana, suas tarifas retaliatórias terão o efeito de uma espingarda de chumbinho em um tiroteio. Ao mesmo tempo, segundo a maioria dos economistas, os aumentos de preços provocados pela retaliação tarifária acabarão prejudicando as empresas canadenses.

Pesquisas de opinião realizadas antes de as novas tarifas de 50% de Trump entrarem em vigor no sábado mostram amplo apoio dos canadenses à retaliação econômica. Entre os líderes provinciais, o entusiasmo com a ideia tem sido mais dividido.

Doug Ford, primeiro-ministro de Ontário —a província mais populosa e sede de grande parte da indústria canadense—, é um defensor ferrenho da retaliação. Danielle Smith, primeira-ministra de Alberta, cujo petróleo é, de longe, o principal produto de exportação do Canadá, tem defendido moderação.

Por Folhapress

TJ-BA discute estratégias em reunião do STF para combater o crime organizado

Foto: Divulgação
O fortalecimento da Justiça no combate ao crime organizado esteve no centro das discussões da reunião realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com os Presidentes de Tribunais do país. O encontro ocorreu segunda-feira (24), na sede do órgão, em Brasília. O líder do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano, participou dos debates sobre estratégias, com vistas a tornar a atuação do Judiciário mais integrada e especializada no enfrentamento à criminalidade organizada.

Convocado pelo vice-presidente do STF, ministro Alexandre de Moraes, o encontro reuniu presidentes de Tribunais de Justiça, Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça Militar. Também participaram o Presidente do STF, ministro Edson Fachin, o vice-presidente do STF, ministro Mauro Campbell, e ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

As discussões partiram do desafio de adequar a estrutura e a atuação da Justiça à dinâmica de combate ao crime organizado, que ultrapassa fronteiras municipais e estaduais e envolve redes econômicas e territoriais cada vez mais complexas.

Entre os pontos debatidos constaram o fortalecimento da especialização da Justiça criminal, a integração entre magistrados, o uso de inteligência e análise de dados, o combate à estrutura financeira das organizações criminosas e a ampliação da cooperação entre diferentes órgãos e instituições. Também foi discutida a possibilidade de implantação de varas colegiadas para o combate ao crime organizado e de criação de varas criminais regionais.

As propostas consideram a necessidade de que a organização territorial da Justiça acompanhe a dimensão e a complexidade das atividades criminosas. Nesse contexto, o compartilhamento de informações, o uso de tecnologia e inteligência e a atuação coordenada entre diferentes unidades judiciais contribuem para respostas mais eficientes do Poder Judiciário.

O encontro também possibilitou a troca de experiências entre os Tribunais e a discussão conjunta de alternativas para enfrentar um cenário que demanda atuação cada vez mais articulada e especializada.

Por Redação

Encontro Político Em Ipiaú Reúne Lideranças Locais E Estaduais

Em evento realizado no último domingo, a política regional de Ipiaú registrou a união de importantes lideranças em prol de candidaturas para a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e a Câmara dos Deputados.

O vereador Lucas de Vavá, acompanhado por todo o seu grupo político, formalizou publicamente o apoio às campanhas do deputado estadual Eduardo Alencar (PSD-BA) e do deputado Robinho (União Brasil), postulante a uma vaga como deputado federal.

Principais Destaques do Evento:

  • Aliança Forte: O apoio liderado por Lucas de Vavá fortalece a presença de Robinho e Eduardo Alencar no município e no médio rio de contas.

  • Presença de Apoiadores: O encontro contou com expressiva participação da comunidade local, lideranças comunitárias e correligionários.

  • Foco Regional: Os discursos destacaram o compromisso dos candidatos com projetos de desenvolvimento, investimentos em infraestrutura e saúde para Ipiaú e região.

24 agosto, 2026

Antonio Brito é o único deputado da Bahia que não faltou a nenhuma sessão da Câmara desde 2023- Por Redação

O deputado federal Antonio Brito (PSD)-Foto: Divulgação/Arquivo
O deputado federal Antonio Brito (PSD) é o único representante da Bahia que não registrou nenhuma falta em sessões deliberativas da Câmara dos Deputados desde o início da atual legislatura, em 2023. O dado faz parte de levantamento divulgado nesta segunda-feira (24) pela coluna de Igor Gadelha, do portal Metrópoles.

Líder do PSD na Câmara, Antonio Brito integra um grupo restrito de apenas 12 parlamentares, entre os 513 deputados federais do país, que mantiveram presença integral nas sessões consideradas pelo levantamento ao longo da atual legislatura. Os dados levam em conta as sessões deliberativas em que houve exigência de registro presencial dos parlamentares.

O resultado ganha ainda mais destaque no cenário baiano. Entre os 39 deputados federais que representam o Estado na Câmara, Brito é o único que aparece na lista dos parlamentares que não tiveram nenhuma ausênciano período analisado.

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