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19 setembro, 2026

Flávio Bolsonaro e outros candidatos de direita usam foto de Gonet para atacar Lula e STF

Foto: Charles Vieira/Divulgação/Arquivo
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, tornou-se alvo de bolsonaristas nas redes sociais após vir a público fotogradia dele fumando charuto e bebendo uísque ao lado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Investigado por pedidos de dinheiro feito ao ex-banqueiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) citou a foto para criticar o governo Lula (PT).

"Enquanto Lula tira a esperança e a comida da mesa de milhões de brasileiros, seus coautores estão em Londres tomando uísque Macallan, fumando charuto caro e rindo da cara do povo sofrido", postou em rede social.

A imagem, registrada em Londres em abril de 2024 e encontrada pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro, aparece dias depois de Gonet negar, em sessão do STF (Supremo Tribunal Federal), qualquer proximidade com Vorcaro.

A assessoria de imprensa da PGR afirmou que a foto é do evento de 2024, do qual o próprio Gonet afirmou ter participado, com várias outras autoridades. Também disse que "o próprio ministro André Mendonça, do STF, reconheceu que não há nada demais nas menções ao procurador-geral", em referência a afirmações do magistrado em sessão na terça-feira (15).

Na ocasião, o procurador-geral afirmou ter falado apenas uma vez, "de forma banal", com o ex-banqueiro e descreveu o único encontro entre os dois como parte de um evento de 2024 com várias autoridades, "brevíssimo e banal".

O também candidato Romeu Zema (Novo) citou a imagem em publicação nas redes. "Tá explicado o motivo dele ter ido ao STF defender seus amiguinhos", declarou.

O ex-procurador Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo Novo, classificou o episódio como uma contradição em relação à fala de Gonet no STF. "Vazou essa foto após Gonet negar proximidade com Vorcaro", escreveu, questionando aos seguidores qual seria "a verdadeira relação" entre os dois.

Já deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), candidato à reeleição, reagiu a uma publicação do ministro Gilmar Mendes, que, ainda antes da divulgação da foto, havia saído em defesa do procurador-geral afirmando que Gonet "tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita". Em tom irônico, Nikolas respondeu: "Faz mais textão, cururu. Tá calado, boca de sacola".

Em vídeo publicado nas redes, Nikolas foi além e questionou a fala de Gonet na sessão do STF, citando também o contrato entre o escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master.

"Quer dizer que aquele cara de sonso, fala-mansa do Gonet, que falou na sessão do STF todo polidinho que não tinha proximidade com o Vorcaro, foi pego fumando charuto com ele?", disse. "Não é [só] um que tem que cair, não. Tem que cair de penca."

Apesar de hoje ser alvo de bolsonaristas, Paulo Gonet já foi elogiado por bolsonaristas.

Em 2019, quando Bolsonaro avaliava nomes para chefiar a PGR, Gonet foi levado ao Palácio do Planalto pela deputada Bia Kicis (PL-DF), que exaltou suas credenciais nas redes sociais: "Paulo Gonet é conservador raiz, cristão, sua atuação no STF nos processos da lava jato foi impecável. Ele não tem capivara. E o fato de ter sido sócio de Gilmar Mendes no IDP em nada interferiu em sua atuação profissional".

Essa avaliação favorável também se apoiava no histórico do procurador. Como integrante da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos entre 1995 e 2002, Gonet votou de forma alinhada a posições consideradas conservadoras, tendo se manifestado contrário, por exemplo, às cotas raciais e à descriminalização do aborto. Ele próprio sempre defendeu que sua atuação na comissão foi estritamente legalista, sem viés ideológico.

Por Folhapress

Infiltração do PCC em empresas de ônibus de SP tem 30 anos e se tornou canal para lavagem de dinheiro

Atuação do grupo no transporte remonta à década de 1990, com a proliferação de vans clandestinas
A infiltração de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de transporte de ônibus de São Paulo é uma história de três décadas que remonta à consolidação do grupo criminoso no estado.

Esse processo também passou pela regularização do transporte coletivo em bairros periféricos da cidade e pela ascensão política de figuras ligadas ao setor.

Uma delas é o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), alvo de uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil nesta quinta-feira (17). Ele se entregou à polícia na tarde desta sexta-feira (18), em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

Ao todo, a Justiça autorizou a prisão temporária de 16 pessoas e buscas em 18 endereços no estado.

A Operação Vectura Corrupta afirmou que a facção controla 12 empresas de ônibus da Grande São Paulo em um esquema de lavagem de dinheiro. Uma das companhias investigadas é a Transwolff, que atua na zona sul da cidade. A empresa nega irregularidades.

A investigação classificou o ex-presidente da Câmara Municipal como "dono de fato" da Transwolff. O ex-vereador, segundo as investigações, seria responsável direto por sua operação.

Em conversa por telefone com a Folha na manhã de quinta (17), Milton negou qualquer relação com a Transwolff e com a facção criminosa.

"Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas, inclusive na negociação de uma greve em 2019. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolff]. Nunca tive um carro", disse.

A trajetória da Transwolff é parecida com a de outras empresas de ônibus apontadas como parte do esquema.

Nos anos 1990, com a privatização da antiga CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), vans clandestinas se proliferaram por bairros da periferia para suprir a demanda por transporte.

"Houve uma grande crise de transporte naquela década. O setor clandestino ganhou muita força, gerando interesse dos membros da facção que estava crescendo", explica o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo) do Ministério Público de São Paulo.

Nesse período, também ocorria a consolidação do PCC como grupo criminoso hegemônico no Estado —a facção foi criada em 1993.

Em 2003, a gestão da então prefeita Marta Suplicy (PT) regularizou e reorganizou o serviço. Cooperativas dos chamados "perueiros" se formaram para dividir as linhas nas periferias.

"Membros da facção passaram a comprar vans. Depois, quando surgiram as cooperativas, eles compraram muitas cotas e acabaram tomando o controle de algumas dessas entidades", diz Gakiya.

Uma das cooperativas investigadas no período foi a Cooperpam (Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos em Transporte de São Paulo), com atuação na zona sul da capital. Anos depois, ela se transformou em uma empresa e mudou de nome para Transwolff.

Em 2006, um dos investigados por supostas ligações com o PCC era Luiz Carlos Pacheco, conhecido como Pandora, presidente da Cooperpam e atualmente proprietário oficial da Transwolff.

Na época, ele foi preso sob suspeita de utilizar dinheiro da cooperativa em um plano de resgate de presos. A Justiça concluiu não haver provas. O inquérito foi arquivado.

Em 2024, Pandora foi investigado na operação Fim da Linha. Ele e outros diretores da Transwolff foram acusados de fraudar a contabilidade da empresa para incluir recursos provenientes do tráfico de drogas. O órgão também apontou que a facção teria feito um aporte de capital de R$ 50 milhões na empresa.

Segundo o MP-SP, os diretores acumulavam um patrimônio de luxo incompatível com seus ganhos oficiais, como carros e imóveis de luxo, além de armas de grosso calibre. A Justiça ainda não julgou o caso. Na época, a prefeitura realizou uma intervenção na empresa.

Em nota à Folha, a defesa da Transwolff e de Luiz Carlos Pacheco negou irregularidades e qualquer ligação com o ex-vereador Milton Leite.

"Ele [Milton] nunca teve qualquer participação societária na Transwolff, nunca participou da gestão ou deu ordens na empresa. Tal afirmação está completamente equivocada e dissociada da realidade", disse a empresa.

"O empresário Luiz Carlos Pacheco nunca havia sido denunciado em nenhuma outra situação em sua vida até as indevidas imputações da operação Fim de Linha, que estão sendo combatidas na Justiça, com a defesa alegando sua total inocência", completou.

Outro alvo da operação desta semana é o empresário Paulo Korek Farias. Nos anos 2000, ele atuava numa garagem associada à Cooperpam.

Hoje, ele é dono da A2 Transportes. Segundo as investigações, a empresa também faz parte do esquema de lavagem de dinheiro para o PCC. A polícia cita também áudios nos quais representantes da companhia combinam pagamentos ilícitos.

Tanto a A2 como seu proprietário negam irregularidades. "A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro. Nossos recursos são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela prefeitura pelos serviços que prestamos", afirmou Farias.

Outro nome da política paulistana ligado ao setor de transportes também foi preso sob suspeita de ligações com o PCC este ano. Em junho e agosto, o vereador Senival Moura (PT) ficou 43 dias preso na Operação Última Parada, que também investigou o setor.

Mensagens obtidas pela polícia em celulares mostraram o suposto papel de Senival na distribuição de recursos da Transunião —empresa suspeita de operar um esquema de lavagem de dinheiro.

Segundo as investigações, o parlamentar era "o verdadeiro detentor do poder de condução da estrutura paralela de gestão financeira" da empresa de transporte e funcionava como uma espécie de "instância superior de deliberação acerca da movimentação informal de recursos".

Desde os anos 1990, Senival é ligado ao setor de transportes. Na época, era um dos operadores de kombis clandestinas que circulavam na zona leste.

Quando foi solto pela Justiça, em 6 de agosto, a defesa de Senival negou irregularidades.

Para Gakiya, o setor de ônibus se tornou um canal rentável e acessível para sustentar operações ilícitas, como o tráfico de drogas.

"Esse é um serviço altamente lucrativo para o crime organizado, porque é uma possibilidade única de lavar dinheiro. A facção consegue misturar o que é pago pela prefeitura, a renda gerada pelos passageiros e o dinheiro oriundo do tráfico de drogas", diz.

No ano passado, a prefeitura repassou R$ 7,1 bilhões subsídios às empresas de ônibus.

A cientista política Jacqueline Muniz, professora do departamento de Segurança Pública da UFF (Universidade Federal Fluminense), diz que a penetração do PCC em serviços públicos está construindo uma "estrutura de poder em parceria com o Estado."

"Quando a facção controla a circulação de pessoas, ela pode ampliar mercados, regular territórios, interferir na vida cotidiana e acumular uma capacidade de negociação econômica e política", diz.

Em nota, a gestão Ricardo Nunes afirmou que "não compactua com qualquer irregularidade ou práticas ilegais no sistema de transporte público."

Também afirmou que o prefeito determinou "a criação de um grupo de trabalho para analisar rigorosamente todos os elementos do caso."

Por Leandro Machado, Estadão Conteúdo

Dono de ONG bancada pelo governo mobiliza campanha paralela de Lula com aval de Janja

O dono de uma ONG que recebeu R$ 5,6 milhões do governo federal está por trás de uma estrutura de campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que inclui ações online e presenciais em todos os Estados. A iniciativa conta com participação direta de servidores do Ministério da Cultura (MinC) e ainda se mistura com integrantes dos chamados Pontos de Cultura, estruturas expandidas na gestão petista para estimular ações culturais.

O chamado Movimento Cultura com Lula é liderado por João Paulo Mehl, do PT do Paraná, e usa a infraestrutura tecnológica da Rede Livre, que conta com mais de mil blogs e influenciadores governistas. Essa rede é uma iniciativa privada que engloba outros parceiros, inclusive empresas como a Ethymos, do próprio Mehl.

O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, é o coordenador-geral do Movimento Cultura com Lula. A iniciativa eleitoral também conta com Roberta Malvão, coordenadora-geral dos escritórios estaduais do ministério.

A legislação exige que todos os sites oficiais usados por um candidato sejam declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que todos os serviços prestados sejam detalhados na prestação de contas, ainda que voluntários. As páginas e perfis usados pelo Cultura com Lula não estão registrados e não aparecem na prestação de contas oficial.

Segundo os organizadores, trata-se de uma ação espontânea e voluntária, sem relação com o projetos bancados por verba pública do governo federal e sem relação com a campanha oficial de Lula. Portanto, não haveria necessidade de registro no TSE.

A assessoria da campanha do petista afirmou que "o Movimento Cultura com Lula não faz parte da campanha oficial do presidente à reeleição".

João Paulo Mehl disse que "é direito de todo brasileiro atuar politicamente" e que o Movimento Cultura com Lula "é uma iniciativa aberta e democrática, sem nenhuma forma de vínculo institucional ou remuneração".

O Ministério da Cultura afirmou que orientou todos os seus agentes públicos a seguirem a legislação eleitoral e ressaltou que não há utilização da estrutura da pasta em atividades político-eleitorais. Também destacou que "agentes públicos têm direito à manifestação e à participação política em caráter pessoal".

O movimento eleitoral Cultura com Lula também é empurrado por membros dos "pontos de cultura", que foram quadruplicados no atual governo e chegaram a 17 mil. Segundo o ministério, eles são "grupos, coletivos ou organizações da sociedade civil reconhecidos por desenvolver e articular atividades culturais em suas comunidades". Só no ano passado, receberam R$ 240 milhões. Em campanhas de rua, os militantes exibiram faixas com os dizeres "pontos de cultura com Lula".

Os escritórios estaduais do ministério, coordenados por Roberta Malvão, e as coordenações estaduais do Cultura com Lula, da campanha, têm funções semelhantes.

Os escritórios do ministério são uma espécie de "filiais" da pasta nos Estados, com a "missão estratégica" de atuar na "luta pela defesa da democracia e pelo direito à cultura".

A iniciativa eleitoral do Movimento Cultura com Lula tem, entre seus objetivos, "defender a democracia, a cultura, os direitos culturais e o governo do lado do povo".

Como revelou o Estadão, dos 26 escritórios estaduais do ministério, 19 eram chefiados por filiados ao PT, um por filiado ao PSB e outro por integrante do PSOL. Os outros cinco não tinham filiação formal, mas eram ligados a políticos.

Movimento tem aval da primeira-dama

O Cultura com Lula tem o aval da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. Ela foi a estrela de um evento virtual convocado pelo grupo, no dia 14. Os participantes pediram votos para Lula, sugeriram ações por todo o País para conquistar votos fora da bolha petista e criticaram a família Bolsonaro.

A transmissão foi vista por mais de 21 mil pessoas e foi apresentada por João Paulo Mehl e Roberta Malvão. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, também participou.

"É o momento de a gente conversar com as pessoas, conversar com o vizinho, com o primo, com o colega do trabalho que não tá convencido, que ainda está indeciso, que ainda não entendeu o que está em jogo no País. Não está em jogo só uma eleição, mas o futuro que a gente quer para o nosso país, para os filhos, para os netos. A volta da família Bolsonaro ao poder significa trevas, escuridão, fim da cultura, da Saúde, da Educação. A gente não pode voltar ao tempo da barbárie. Cada um e cada uma que está aqui nessa sala tem um papel importante nisso", disse a primeira-dama.

Também oferece material para confecção de camisetas pró-Lula, conteúdos para serem divulgados nas redes sociais e se organiza em dezenas de grupos de WhatsApp. No aplicativo, o grupo mistura mensagens de cunho eleitoral com comunicações institucionais relacionadas a políticas públicas, como do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC).

O site do movimento afirma que ele foi criado a pretexto de fortalecer a cultura, mas tem imagens alusivas a voto em Lula. Nas redes sociais, o grupo compartilha abertamente o interesse na reeleição do presidente e pedidos de voto para ele. Um manifesto publicado no site fala em "seguir" e "avançar" com Lula.

"Queremos seguir com Lula para consolidar o que já conquistamos e avançar para um novo ciclo, com cultura presente no coração do desenvolvimento brasileiro", diz trecho.

O movimento convoca para o próximo dia 26 uma mobilização em todos os Estados, em bares, praças, cafés, livrarias, restaurantes, espaços culturais e coletivos de todo o país. O plano é encher as redes sociais e as ruas das cidades com uma campanha pró-Lula a uma semana da eleição.

Líder recebe dinheiro do governo e controla rede de sites governistas

Líder do Movimento, João Paulo Mehl é fundador e dono da ONG Coletivo Soylocoporti, que já recebeu R$ 3,4 milhões do Ministério da Cultura e outros R$ 2,3 milhões do Ministério das Cidades desde 2023.

A entidade foi selecionada pelo Ministério da Cultura para coordenar o Comitê de Cultura do Paraná, estrutura criada pelo governo nos Estados para "fomentar ações e formações culturais"

A ONG Soylocoporti, de João Paulo Mehl, tinha um contrato inicial de R$ 2,6 milhões com o Ministério da Cultura para coordenar o Comitê de Cultura do Paraná. Em maio deste ano, foi firmado um aditivo de mais R$ 1.024.747,62 com validade até fevereiro de 2027.

O Programa Nacional de Comitês de Cultura (PNCC), criado pelo ministério, teve custo inicial estimado em R$ 58 milhões, para coordenação de comitês em todos os estados.

Em 2024, quando concorreu a vereador de Curitiba (PR), João Mehl levou a ministra Margareth Menezes, da Cultura, para um ato de lançamento do Comitê, às vésperas do lançamento da candidatura dele.

Procurado, Mehl afirmou que se desligou do Comitê "há alguns meses".

As atividades do Comitê do Paraná ocorrem em torno do Terraço Verde, um projeto ambiental de João Mehl que também funciona como seu espaço político. O local serviu, ao mesmo tempo, para atividades do Comitê e da campanha eleitoral dele.

O site do Movimento Cultura com Lula está registrado em nome de João Paulo Mehl e de Michel Fonseca Ferreira, o Michel Urânia, outro integrante do Comitê de Cultura do Paraná coordenado pela ONG.

Mehl também é o coordenador de um conglomerado de sites, blogs e influenciadores governistas batizado de Rede Livre, que diz ter o objetivo de atender uma "necessidade urgente" de "fortalecer o uso de tecnologias para o bem comum, de forma livre e colaborativa, fortalecendo a democracia e os direitos humanos".

A Rede Livre mantém no ar campanhas de captação de doações de recursos privados e diz ser composta por "mais de 1300" sites no Brasil e em outros 10 países da América Latina.

Embora registrado em nome de duas pessoas físicas, o site oficial do Movimento Cultura com Lula usa, no código fonte, a infraestrutura de programação da Rede Livre, o que aparece em URLs como culturacomlula.redelivre.org.br/movimento.

Ou seja, a iniciativa foi ao ar a partir de uma estrutura tecnológica já estabelecida e em torno da qual há uma empresa e outras entidades privadas.

As regras eleitorais proíbem propaganda eleitoral na internet em sites ou perfis de redes sociais de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos.

João Paulo Mehl não respondeu se há separação da estrutura privada da Rede Livre com a estrutura eleitoral do Cultura com Lula. Disse somente que a rede "é um coletivo de ativistas que creem na liberdade de expressão e na democratização do conhecimento".

Ele também não detalhou o volume de despesas nem o contingente de pessoas ou de serviços subcontratados para viabilizar o Cultura com Lula. Disse apenas que tudo se dá de forma voluntária.

No Ministério das Cidades, o contrato da ONG Soylocoporti, de R$ 2,3 milhões, foi assinado no âmbito do Projeto Periferias Verdes Resilientes para "ampliação da cobertura vegetal" e "fortalecer a articulação comunitária" em Jardim das Graças II, bairro que enfrenta riscos de alagamento no Paraná.

Por O Estado de S. Paulo

Ex-ministra do STJ, Eliana Calmon diz que investigação contra Moraes vai implodir a República e pode prejudicar as eleições

Eliana Calmon diz que 'bandidos de toga' estão no STF e que novas apurações podem comprometer o Congresso às vésperas do pleito

A ex-ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ex-corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon, que defendia abertura de investigação contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, diz que uma apuração séria pode implodir a República e que os bandidos de toga estão na Suprema Corte.

A declaração foi feita em entrevista à coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, após a sessão tumultuada da última terça-feira (15) que nem chegou a discutir a abertura de investigação contra o ministro por ter mantido conversas com o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro.

Para a ministra, as eleições podem ser prejudicadas, caso uma apuração seja feita. Calmon também afirmou que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, não tem mais condições de conseguir consenso no tribunal, criticou a postura do ministro Flávio Dino e disse que o STF "está sangrando".

Após a sessão de terça-feira (15), defende que o STF abra uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes?

Estou profundamente confusa. Defendi, até aqui, uma apuração séria pelo rumo que as investigações tomaram. Acho que seria a oportunidade de começarmos a fazer a limpeza, mesmo que custasse a desmoralização do STF. Mas agora não sei o que vai ser pior. Estou muito preocupada. Porque, se abrir uma investigação, essa República vai implodir. Porque isso chegará ao Congresso e à Presidência e, ainda, nas vésperas de uma eleição. Eles dominam as instituições, o Congresso, o STF, a OAB. E se eles se sentirem acuados [aliados de Moraes], as eleições podem ser prejudicadas. Se pegar um, vai chegar até os outros, até porque Moraes já disse que não cai sozinho.

Qual a avaliação que faz da atuação do presidente da Corte, o ministro Edson Fachin? Ele saiu enfraquecido entre os ministros após a sessão.

Acho que Fachin não está mal intencionado, mas não conduziu bem, deixou pontas soltas. A turma do Moraes conseguiu provocar um tumulto na sessão porque as coisas não foram bem pontuadas pelo presidente. Foi aí que ele começou a titubear na condução. Até começou fortalecido, mas depois ficou desarmado. Deveria ter ido mais preparado. Por exemplo, não ficou decidido se aquele é um processo criminal ou administrativo. Em caso de empate, o critério de desempate muda conforme o tipo de processo. Além disso, ele poderia ter definido o prazo para devolução do pedido de vista. Como não o fez, Dino pode ficar com o processo por até 90 dias. Por último, fiquei assustada em ver que Moraes estava votando no processo em que ele é acusado. Ele não podia votar naquilo.

O ministro Flávio Dino elevou o tom e, nos bastidores, têm sido criticado até pelo governo Lula. A senhora acha que ele passou do ponto?

Com certeza. Em todo tribunal, a máxima é de que é preciso investigar o presidente. Se você transforma aquilo numa taberna, acaba o respeito. O que vi na terça não tinha visto em todos os meus anos quando estive no Judiciário. Nunca tinha visto isso. Eu discordava do presidente da sessão, cheguei a dar murro na mesa, mas nunca faltei com respeito. O que vi no STF foi um escândalo.

Como fica a imagem do STF, na sua avaliação? A instituição perdeu credibilidade?

Acho que as instituições estão esfaceladas. O STF está descredibilizado, ele vem sangrando, sangrando e, agora, não tem mais como catar os cacos. O Supremo derreteu. Os bandidos de toga estão lá. Mas, infelizmente, ainda tenho dificuldade de ver com nitidez o que é possível ser feito. Estamos num beco sem saída.

Por Gabriela Echenique/Folhapress

Advogado famoso é mencionado em inquérito do MP sobre possível esquema de comercialização de créditos judiciais

Advogado Francisco José Bastos-Foto: Reprodução/Arquivo
O Ministério Público da Bahia (MPBA) investiga a possível existência de um esquema de comercialização de créditos judiciais desconstituídos pela Justiça, originados de uma ação de desapropriação que tramita há quase quatro décadas em Salvador. O caso envolve um processo iniciado em 1987 e chegou à esfera criminal após a identificação de sucessivos pedidos de habilitação e escrituras públicas de cessão de direitos creditórios.

Segundo o MPBA, os documentos reunidos no processo apontam para indícios, em tese, de fraude processual, estelionato qualificado contra entidade pública, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem tributária. A investigação começou a partir de peças extraídas do processo cível que tramita na 7ª Vara da Fazenda Pública de Salvador.

Os documentos obtidos pela reportagem apontam que, no centro da apuração, aparece o empresário Valmir Gomes da Silva, o qual ingressou no processo como sucessor de uma das partes originais e, segundo a manifestação do MPBA, teria passado a atuar na negociação de direitos creditórios vinculados à indenização.

O inquérito menciona que os advogados Claudionor dos Santos Paixão — falecido em 2012 —, Ana Caroline Telles e Francisco José Bastos teriam atuado na intermediação e validação das titularidades, cientes da precariedade dos títulos.

Além disso, empresas como a Aluvitral Esquadrias também foram relacionadas pelo MPBA como uma das pessoas jurídicas envolvidas na rede de movimentação e simulação de operações do esquema. Conforme os documentos, a companhia participou do esquema visando, sobretudo, a compensação tributária fraudulenta perante a Receita Federal.

A origem de toda a disputa, porém, remonta a uma desapropriação ocorrida no final da década de 1970 e o portal A TARDE te conta essa história.
A origem da dívida
O imóvel que deu origem ao processo ficava no Cabula, em Salvador, na área onde atualmente está a Avenida Edgar Santos. O terreno estava submetido ao regime de enfiteuse, pelo qual o Município de Salvador detinha o domínio direto, enquanto a família titular do terreno possuía o chamado domínio útil.

Em 1978, por meio do Decreto Estadual nº 26.154, o governo da Bahia declarou a área de utilidade pública para a realização de obras viárias. O Estado ocupou o imóvel sem que tivesse ocorrido previamente a desapropriação formal e o pagamento da indenização aos titulares, dando origem à chamada desapropriação indireta.

A ação judicial foi ajuizada em 1987 pelos espólios de Domingos Telles de Araújo, Edgar Telles dos Santos e Jonas Telles dos Santos contra o antigo Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia (DERBA) e o Governo do Estado.

A discussão passou anos na Justiça até que uma decisão proferida em 1994 reconheceu uma área de 12.208 m² como passível de indenização. Foi com base nesse entendimento que, em 30 de novembro de 1998, acabou sendo expedido um precatório com valor principal de R$ 37.892.121,98 (mais de R$ 37 milhões).

Naquele momento, o montante foi dividido. R$ 3,7 milhões, equivalentes a 10%, foram destinados a honorários advocatícios, enquanto R$ 34 milhões foram atribuídos a Valmir Gomes da Silva, de acordo com o histórico processual reproduzido nos documentos.
A decisão do STJ que mudou o caso
O Estado da Bahia recorreu e a discussão chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O julgamento alterou substancialmente os parâmetros da indenização. Em 2008, a área considerada passível de indenização foi reduzida de 12.208 m² para 5.593 m², e os critérios utilizados anteriormente para o cálculo foram desconstituídos, com determinação de uma nova apuração do valor devido.

Como consequência, um ano depois, o precatório foi cancelado pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). Durante anos, portanto, o processo não tinha precatório ativo nem valor incontroverso pronto para pagamento. Destaca-se: esse ponto é fundamental para entender a investigação criminal.

O MPBA afirma que a fraude teria começado justamente com a ocultação dessa mudança na situação jurídica do crédito. De acordo com a investigação, mesmo depois de o STJ reduzir a área indenizável e o precatório ser cancelado, continuaram sendo negociados direitos relacionados ao antigo crédito.
Como Valmir entrou na história
A ligação de Valmir com os titulares originais da ação surgiu ainda durante a tramitação do processo. Antônia Amélia dos Santos era esposa e herdeira de Edgar Telles dos Santos, um dos autores originais da ação. Como o casal não teve filhos, ela possuía direitos hereditários relacionados à indenização.

Em 25 de novembro de 1993, enquanto a ação ainda estava em andamento, Antônia Amélia lavrou uma escritura pública pela qual cedeu a Valmir Gomes da Silva seus direitos hereditários relativos à indenização.

Com a morte de Antônia em 9 de agosto de 1995, Valmir pediu para ingressar no processo. A Justiça deferiu sua participação como sucessor, no percentual de 50% do que cabia à parte autora. Os documentos não esclarecem qual foi a motivação pessoal ou financeira da cessão realizada entre os dois.

É a partir dessa posição processual que, segundo o Ministério Público, Valmir teria passado a ocupar papel central nas negociações posteriormente investigadas.
O crédito que deixou de existir
O problema identificado pelo MPBA é que o crédito utilizado como referência para as cessões já não correspondia à situação jurídica do processo.

O precatório de R$ 37,8 milhões havia sido calculado com base na área de 12.208 m². Depois, o STJ reduziu a área para 5.593 m² e determinou uma nova apuração. O título original, por consequência, foi cancelado.

Ainda assim, conforme a investigação, escrituras públicas continuaram sendo produzidas e utilizadas para representar a existência de direitos creditórios derivados daquele processo.

O MPBA afirma que várias dessas escrituras foram lavradas no Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelionato de Notas de Abadiânia, no interior de Goiás. Os documentos mencionam valores que chegavam a R$ 735 milhões e até R$ 3 bilhões, apesar de não haver, naquele momento, precatório correspondente a essas cifras.

A própria Justiça da Bahia chamou atenção para a discrepância entre o antigo precatório e os valores que apareciam nas cessões. Em decisão de 2025, o juiz destacou que o precatório cancelado tinha valor muito inferior aos montantes indicados nas cessões e que as escrituras não informam os valores efetivamente negociados como contrapartida pelos supostos créditos milionários.
Valores bilionários
Dezenas de pessoas físicas e empresas apresentaram pedidos de habilitação ou penhora, alegando ter adquirido parcelas dos supostos créditos. Entre os valores reivindicados havia cessões individuais de R$ 30 milhões, R$ 100 milhões, R$ 150 milhões, R$ 250 milhões, R$ 500 milhões e até R$ 1,53 bilhão.

Os pedidos, entretanto, foram rejeitados pela 7ª Vara da Fazenda Pública. O juízo determinou que os requerimentos de habilitação fossem retirados dos autos, justamente porque não havia crédito válido pertencente aos supostos cessionários.

A decisão judicial também estabeleceu que a indenização decorrente da desapropriação pertence aos titulares legítimos da cadeia sucessória dos três espólios que originalmente ingressaram com a ação.
Cartório de Goiás
A movimentação chamou a atenção da Justiça ainda antes da investigação criminal avançar. Em decisão proferida em agosto de 2025, a Justiça aplicou a Valmir Gomes da Silva e à esposa, Maria das Graças Ramos da Silva, uma multa de 2% sobre o valor que viesse a ser apurado na liquidação da indenização.
Na mesma decisão, determinou o envio de informações ao Tribunal de Justiça de Goiás, à Corregedoria-Geral da Justiça de Goiás e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que fosse apurada a possibilidade de irregularidades na lavratura das escrituras de cessão de crédito no cartório de Abadiânia.
Nova perícia
Enquanto as cessões eram questionadas, o processo original continuava precisando resolver uma questão: quanto, afinal, deveria ser pago pelo Estado da Bahia pela área efetivamente desapropriada?

Após a decisão do STJ, foi realizada nova avaliação judicial do imóvel. O perito Karim Midlej Harfush chegou ao valor contemporâneo de R$ 27.495.020,21 (cerca de R$ 27,4 milhões), posteriormente homologado pela 7ª Vara da Fazenda Pública de Salvador em dezembro de 2025.

O valor apresentado por uma suposta herdeira, Adenildes Teles dos Santos, foi muito superior. Ela pediu que a indenização fosse considerada em R$ 523 milhões, a partir de uma atualização que remonta a janeiro de 1979.

A Corte rejeitou esse cálculo. Segundo a decisão, a perícia já havia realizado a avaliação do imóvel considerando os valores contemporâneos, conforme determinado pelo Tribunal de Justiça da Bahia. Assim, o valor homologado ficou em R$ 27,495 milhões. Contudo, isso não significa que um novo precatório já tenha sido pago.

A sentença determinou que eventual novo ofício requisitório somente seja expedido depois do trânsito em julgado, e em favor dos titulares legítimos da indenização. O antigo precatório de 1998 permaneceu cancelado.
Esquema de fraude
Paralelamente à discussão sobre o valor da indenização, o caso passou a ser analisado pelo Ministério Público na esfera criminal.

Uma Notícia de Fato registrada em 31 de julho de 2025 teve origem justamente nas peças extraídas do processo de desapropriação. A Promotoria de Justiça da Fazenda Pública determinou o encaminhamento do caso à área criminal para análise de possível ocorrência de crime. Na avaliação do MPBA, os elementos reunidos apontavam para uma possível estrutura organizada para comercializar créditos judiciais que não existiam mais.

O órgão afirma que Valmir Gomes da Silva aparece como “artífice central” da operação, na condição de sucessor processual e coordenador das atividades que estão sendo investigadas. Sua esposa, Maria das Graças Ramos da Silva, aparece como outorgante de escrituras.

O MP, no entanto, ressalta que a participação individual de cada pessoa ou empresa ainda precisa ser esclarecida pela investigação.
Utilização dos créditos fictícios
De acordo com a apuração ministerial, havia pelo menos duas possíveis finalidades para as cessões:
  • A primeira seria a comercialização dos supostos direitos a terceiros, que acreditariam estar adquirindo créditos judiciais de grande valor.
  • A segunda envolveria a tentativa de utilização desses créditos para compensação de débitos tributários perante órgãos como a Receita Federal e a Secretaria da Fazenda da Bahia.
O MPBA cita escrituras com valores de centenas de milhões e bilhões de reais, embora o precatório que originalmente deu origem à negociação tivesse sido cancelado.

Um aspecto considerado relevante pela Justiça é que as escrituras não indicavam necessariamente quanto os compradores teriam efetivamente pago pelos direitos que supostamente adquiriram. Isso dificulta estabelecer, apenas pelos documentos, qual teria sido o ganho financeiro efetivamente obtido com as operações.

Por isso, não é possível afirmar, com base nos documentos analisados, quanto dinheiro o grupo efetivamente arrecadou com as cessões. O que está documentado são os valores atribuídos aos créditos nas escrituras e os montantes reivindicados nos pedidos de habilitação. O prejuízo efetivo a terceiros e aos cofres públicos ainda é objeto de investigação.
Investigação policial
Diante dos indícios apontados, o Ministério Público requisitou a instauração de inquérito policial para aprofundar a apuração.

Entre os crimes apontados, em tese, estão estelionato qualificado contra entidade de direito público, falsidade ideológica, fraude processual, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem tributária. O MP também menciona eventual apuração de crimes praticados por funcionário público contra a administração, caso seja confirmada a participação de agentes públicos ou notários.

O registro policial relacionado ao caso foi realizado em 20 de fevereiro de 2026. O documento identifica Valmir, Maria das Graças, advogados, intermediários e empresas como noticiados na investigação.

A investigação deverá analisar, entre outros pontos, as escrituras utilizadas nas cessões, os pedidos de habilitação apresentados no processo judicial, a eventual movimentação financeira relacionada às operações e possíveis tentativas de compensação tributária.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil para saber os detalhes sobre o andamento das investigações, mas a entidade informou que “em respeito à Lei de Abuso de Autoridade, não divulga dados de investigados”.

O processo ainda tramita no Tribunal de Justiça da Bahia possui movimentações neste mês de setembro. O A TARDE entrou em contato com Francisco José Bastos por WhatsApp nesta quinta-feira, 17. Ele alegou que não tem conhecimento do caso citado e reforçou "que não faz parte de nenhuma fraude".

A apuração também buscou informações processuais contra Valmir em Goiás, mas não foram encontrados maiores detalhes.
Por Leo Almeida, jornal A Tarde

18 setembro, 2026

Ministro do STJ disse estar 'sempre à disposição de Vorcaro', indicam mensagens.

Foto: Alejandro Zambrana/TSE
                            "Ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Benedito Gonçalves"
Conversas entre Daniel Vorcaro e um número de telefone de propriedade do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Benedito Gonçalves, extraídas de celular do ex-banqueiro, indicam uma possível relação próxima entre os dois.

Benedito atualmente ocupa o cargo de corregedor do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). O material obtido pela Folha mostra que ele e Vorcaro se tratavam como amigos, trocavam mensagens cordiais e combinavam encontros em Brasília.

A reportagem procurou o ministro por meio das assessorias do STJ e do CNJ às 13h15 de terça (15), por WhatsApp, mas ele não se pronunciou até a publicação este texto. No primeiro semestre deste ano, ele se declarou impedido de julgar causas relacionadas ao Banco Master no STJ.

Em 17 de maio de 2024, Benedito escreveu a Vorcaro após um encontro entre os dois: "Boa noite feliz em rever o amigo. Festa bonita! Parabéns! Ab Benedito". Vorcaro respondeu: "Caro amigo" e "Obrigado pelo carinho". Em seguida, ele sugeriu um novo encontro: "Vamos marcar o charuto em Brasília".

Em 2 de julho do mesmo ano, eles voltaram a trocar mensagens. Vorcaro chamou Benedito de "grande amigo" e propôs que se encontrassem na capital federal quando o ministro retornasse do Rio de Janeiro.

"Grande amigo tudo bem? Vamos marcar encontro em Brasília no seu retorno do Rio!", escreveu o ex-banqueiro. Benedito respondeu que chegaria no dia 29 e ligaria em seguida. "E aqui sempre à disposição", acrescentou.

No mesmo dia, Benedito enviou a Vorcaro uma figurinha com a imagem de um aperto de mãos e a frase "Tamo junto sempre".

Benedito participou de evento bancado por Vorcaro, em Londres, em abril de 2024. Ele também estava na degustação de uísque Macallan para autoridades, na mesma época, promovida pelo ex-banqueiro.

Na sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) de terça-feira (15), que tratou da possibilidade de abrir investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes por suas trocas de mensagens com Daniel Vorcaro, o ministro Flávio Dino sugeriu notificar todos os magistrados de todos os tribunais superiores citados em algum documento relativo ao Banco Master.

Benedito Gonçalves ficará à frente da Corregedoria até 2028. Ele substituiu Mauro Campbell Marques, que tomou posse como vice-presidente do STJ no mês passado.

O órgão no CNJ é responsável, por exemplo, por receber reclamações e denúncias de irregularidades por parte de juízes e também realizar sindicâncias, inspeções e correições, quando houver suspeitas de infrações graves.

Como mostrou o Painel, em seu discurso de posse Benedito Gonçalves evitou abordar temas considerados espinhosos para o Poder Judiciário, como desvios de condutas na magistratura, o pagamento de supersalários ou a proposta de criar regras para a participação de juízes em eventos.

Ele defendeu que "orientar antes de sancionar" e "prevenir antes de reprimir" não significa tolerar o descumprimento das regras da magistratura e afirmou que, no cargo, pretende unir rigor técnico com diálogo.

"Nosso CNJ foi criado após muitos debates sobre um controle de gestão do Judiciário. O exercício desta Corregedoria também deve estar orientado pela clareza e pela atenção à realidade concreta. Mais do que fiscalizar procedimentos, cabe à Corregedoria contribuir para que a Justiça seja acessível, eficiente e verdadeiramente comprometida com a sociedade", disse.

Mensagens extraídas pela Polícia Federal e publicadas pela Folha na terça revelam contatos de Daniel Vorcaro também com o instituto fundado pelo ministro André Mendonça e com filhos dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

Os três magistrados atuam em conjunto em oposição à ala da corte que reúne Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Dino e Zanin foram indicados ao Supremo pelo presidente Lula (PT) após terem sido ministro da Justiça e advogado pessoal do petista, respectivamente.

O conteúdo integral do celular de Vorcaro foi entregue nesta segunda (14) pela PF aos gabinetes de Zanin, Gilmar e Moraes. Eles pediram o conteúdo sob a justificativa de que era necessário para a análise que ocorre nesta terça (15) sobre a relação de Moraes com o ex-banqueiro.

Por José Marques e Raquel Lopes, Folhapress

Bolsonaro foi terrorista ao tentar dar golpe, diz Lula em crítica a Trump

Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo
O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta sexta-feira (18) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez parte de um grupo terrorista ao planejar um golpe em 2022.

A declaração foi dada quando o petista voltava a criticar a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de considerar como organizações terroristas as facções criminosas brasileiras CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital).

"Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Ele fala da luta pela briga pelo poder. Quem era isso? Era o Bolsonaro tentando dar o golpe de 8 de janeiro. Isso é terrorismo. Pensando em matar Lula, [vice-presidente Geraldo] Alckmin e matar até o Alexandre de Moraes [ministro do STF]. Esse era o plano. Isso é terrorismo de Estado", disse Lula.

O petista faz referência ao plano "Punhal Verde e Amarelo" identificado pela Polícia Federal, elaborado, segundo as investigações, pelo general da reserva Mario Fernandes. Ele foi secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência durante o governo Bolsonaro.

Lula esteve no Rio de Janeiro para acompanhar as ações integradas entre os governos federal, estadual e municipal para o enfrentamento ao crime organizado. Apesar das críticas a Trump, ele comparou as facções a terroristas.

"Estamos falando de terrorista na periferia. Porque esses bandidos são terroristas para a família que mora no bairro, para as pessoas que estão na escola, para as pessoas que querem dançar num baile qualquer na periferia, para as pessoas que têm que pagar pedágio por conta do gás, que têm que pagar pedágio por conta dos benefícios que o governo oferece. Esse é terrorismo", afirmou.

A declaração foi dada dois dias após o governo Trump afirmar que o Brasil "falhou em confrontar" o PCC e o CV e que as duas facções transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína. A crítica aparece em um documento enviado pela Casa Branca ao Congresso americano na terça-feira (15).

Em maio, os Estados Unidos classificaram as duas facções como organizações terroristas.

No evento no Rio de Janeiro, Lula assinou convênios para asfixiar a logística do crime organizado e permitir a retomada de territórios dominados por organizações criminosas. Ele criticou a interferência de políticos na área de segurança pública.

"Aqui no Rio ficou uma coisa mais grave, porque o governador [Ricardo Couto] diz todo dia que todas as repartições aqui tinha um deputado que manda. Aliás, tem deputado que manda mais que uma repartição, tem deputado que manda em duas, três. Então, não pode dar certo", afirmou.

Por Bruna Fantti e Italo Nogueira, Folhapress

Aumentar o Bolsa Família em R$ 91 é desrespeitar a inteligência do brasileiro, diz Caiado Por Victor Ohana/Estadão Conteúdo

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, voltou a criticar a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de anunciar o aumento do valor do benefício do Bolsa Família e a distribuição gratuita de canetas de emagrecimento para pessoas com obesidade. As declarações ocorreram nesta sexta-feira, 18, em entrevista ao canal da Gazeta do Povo no YouTube.

"À véspera da eleição, você vê uma atitude populista como essa aí. Agora eu vou aumentar R$ 91 no Bolsa Família. Quer dizer, isso é brincar com a inteligência do brasileiro, isso é desrespeitar a inteligência do brasileiro, e achar que o cidadão, a 16 dias, pode mudar, e comprar o voto por mais R$ 90", disse.

Caiado também voltou a dizer que fará um ajuste fiscal para controlar os gastos públicos por meio de uma emenda constitucional com um limitador de gastos do governo federal, de até 50% do crescimento do Produto Interno Bruno (PIB). O candidato também defendeu a revisão de isenções fiscais e de recursos para programas sociais.

O ex-governador de Goiás acrescentou: "Vou cortar 100% das emendas impositivas e vou cortar 25% do repasse do duodécimo aos Poderes e órgãos independentes da República".

Ao Jornal da Record, da TV Record, na quarta-feira, 16, Caiado já havia criticado os anúncios de novos gastos do governo. "Essas medidas agora, de reta final, aí. Estou vendo o Lula prometer canetinha de emagrecimento, aumentar o Bolsa Família. Tudo certo, mas não com essa aparência de populismo", declarou na ocasião.
Por Victor Ohana/Estadão Conteúdo

17 setembro, 2026

Campanha de Lula vai culpar Bolsonaro por preços de alimentos e prometer limite maior para MEI Por Caio Spechoto/Folhapress

Foto: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil
A campanha de reeleição do presidente Lula (PT) levará à TV nesta quinta-feira (17) um programa eleitoral que coloca no governo Bolsonaro a culpa pelos preços dos alimentos. Além disso, o petista transformará em promessa de campanha o projeto de aumentar para até R$ 140 mil anuais o limite de receita bruta anual dos MEIs (microempreendedores individuais).

A propaganda também buscará tachar o principal adversário do petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como mentiroso, ainda que o assunto predominante da peça seja a economia. A campanha petista passou, na última semana, a produzir propagandas mais assertivas e com mais sinalizações sobre o futuro. Antes, predominava a defesa da atual gestão Lula.

Flávio Bolsonaro ganhou espaço nas pesquisas nas últimas semanas e aparece tecnicamente empatado com Lula na maioria dos levantamentos para o segundo turno. Na segunda-feira (14), pesquisa Quaest com margem de erro de dois pontos percentuais mostrou o candidato do PL numericamente à frente: 42% das intenções de voto para o segundo turno, contra 40% do petista.

O vídeo que irá ao ar na noite desta quinta é uma resposta a um dos eixos da campanha bolsonarista: a crítica ao atual custo de vida com promessas de redução em preços de alimentos, caso Flávio seja eleito.

O programa exibirá uma fala do próprio Lula vinculando o atual custo de vida ao governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio.

"Tem gente prometendo baixar o preço das coisas. Mas, quando eles tiveram a caneta na mão, o arroz e o feijão chegaram às alturas. Os impostos que zeraram foram para jet ski e jatinho. Entregaram de mão beijada a distribuição e o refino dos combustíveis aos estrangeiros. Isso tudo doeu no seu bolso, no posto e no supermercado", afirma o presidente da República na peça de propaganda.

Em seguida, são exibidos depoimentos de pessoas afirmando que as compras ficaram mais caras durante a gestão Bolsonaro e que foi uma época ruim. Depois, uma apresentadora diz que os preços dispararam na gestão anterior. "Lula começou o trabalho de trazer de volta o poder de compra das pessoas. Mas você sente no seu bolso até hoje, porque reconstruir leva tempo", afirma a apresentadora.

O vídeo busca vincular a alta nos preços a decisões do governo Bolsonaro, como a privatização da distribuição de combustíveis. Além disso, tem ao fundo imagens de um prato de metal vazio e de ossos com carne passada –uma referência ao que, na eleição de 2022, ficou conhecido com "fila do osso" e desgastou o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro.

No mesmo bloco, Lula aparece novamente afirmando que seus adversários "governam para milionários", enquanto seu grupo político governa para os trabalhadores. Assista a esse trecho do programa a seguir:

O programa entra, então, em uma parte dedicada a convencer os eleitores de que a situação econômica de cada um vai melhorar.

A propaganda transforma em promessa de campanha o projeto de aumentar o limite de receita dos MEIs para até R$ 140 mil. A proposta foi enviada pelo atual governo ao Congresso no final de junho. No formato que chegou ao Legislativo, o texto faria um aumento escalonado para até R$ 140 mil em dois anos. Hoje, o limite é de cerca de R$ 80 mil. A alteração deve custar R$ 8,1 bilhões até 2029, de acordo com a gestão Lula.

A proposta é parte de um esforço do petista de se aproximar setores da sociedade que não têm vínculo formal de emprego. Além dos MEIs, outro público-alvo frequente de ações do governo são os motoristas e entregadores de aplicativos.

O programa também menciona como argumento para convencer o eleitor de que a situação econômica vai melhorar a isenção de impostos sobre produtos da cesta básica, que passa a valer no ano que vem. E Lula aparece para dizer que o dinheiro economizado graças à isenção de Imposto de Renda é "como se fosse um 14º salário" para quem ganha até R$ 5.000.

"Eu sei que ainda não está bom. Mas eu vou garantir: a inflação seguirá sob controle, você não vai mais pagar a taxa das blusinhas, salário mínimo vai estar sempre acima da inflação, vamos investir para gerar emprego de qualidade com salários melhores. Você conhece minha causa. Minha causa é o Brasil, você e sua família", diz Lula em outro momento que aparece falando no programa.

O início do vídeo tenta taxar Flávio Bolsonaro como mentiroso. É exibida uma fala do adversário em que ele diz não haver nenhuma investigação contra ele. A cena seguinte é o Jornal Nacional noticiando que Flávio Bolsonaro é alvo de apuração.

A campanha de Lula, então, mostra pessoas chamando o adversário de Lula por nomes como "mentiroso", "cara de pau" e "Pinóquio". O trecho é encerrado com um locutor questionando se é possível confiar no candidato bolsonarista. Também será repetida a ideia de que o adversário de Lula não é capaz de conduzir uma política que reduza o custo de vida.

Por Caio Spechoto/Folhapress

Prefeito de Cruz das Almas grava vídeo com Flávio Bolsonaro em Vitória da Conquista -Por Política Livre

Flávio Bolsonaro e Ednaldo Ribeiro-oto: Reprodução
Prefeito de Cruz das Almas, Ednaldo Ribeiro (Republicanos) viajou até Vitória da Conquista, nesta quinta-feira (17), para receber o deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. Os dois gravaram um vídeo, que foi publicado nas redes sociais do gestor nesta manhã.

"Estou aqui com Ednaldo, uma pessoa que veste a camisa do Brasil há bastante tempo. Então, conte comigo, Ednaldo, como presidente da República, para ajudar essa cidade, levar prosperidade, levar oportunidade. Tapete verde e amarelo para o senhor em Brasília. Junto com João Roma (PL), nosso senador, levar o melhor para essa cidade", disse Flávio no vídeo.

O prefeito agradeceu a mensagem de Flávio e se classificou como um "bolsonarista de fé". Ele também declarou apoio a João Roma para o Senado, à deputada federal Roberta Roma (PL) e ao candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União). "Queremos nossa cidade crescendo, a Bahia no caminho do desenvolvimento com ACM Neto e o Brasil vivendo dias melhores, com mais trabalho e oportunidades para baianos e brasileiros", escreveu.

Flávio Bolsonaro desembarcou nesta manhã em Vitória da Conquista. Ele foi recebido por João Roma e vários bolsonaristas baianos. ACM Neto, que declarou o voto no candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), e o senador Angelo Coronel (Republicanos), que apoia o nome do PL, não estão presentes.

Do aeroporto, o presidenciável seguiu em cima de um carro de apoio, acompanhado por uma "motociata" pelas ruas da cidade, em direção ao Estádio Municipal Lomanto Júnior, o Lomantão, onde está previsto um ato político com apoiadores.

Do aeroporto, o presidenciável seguiu em cima de um carro de apoio, acompanhado por uma "motociata" pelas ruas da cidade, em direção ao Estádio Municipal Lomanto Júnior, o Lomantão, onde está previsto um ato político com apoiadores. 


 


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