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19 setembro, 2026

Ex-ministra do STJ, Eliana Calmon diz que investigação contra Moraes vai implodir a República e pode prejudicar as eleições

Eliana Calmon diz que 'bandidos de toga' estão no STF e que novas apurações podem comprometer o Congresso às vésperas do pleito

A ex-ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ex-corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon, que defendia abertura de investigação contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, diz que uma apuração séria pode implodir a República e que os bandidos de toga estão na Suprema Corte.

A declaração foi feita em entrevista à coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, após a sessão tumultuada da última terça-feira (15) que nem chegou a discutir a abertura de investigação contra o ministro por ter mantido conversas com o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro.

Para a ministra, as eleições podem ser prejudicadas, caso uma apuração seja feita. Calmon também afirmou que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, não tem mais condições de conseguir consenso no tribunal, criticou a postura do ministro Flávio Dino e disse que o STF "está sangrando".

Após a sessão de terça-feira (15), defende que o STF abra uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes?

Estou profundamente confusa. Defendi, até aqui, uma apuração séria pelo rumo que as investigações tomaram. Acho que seria a oportunidade de começarmos a fazer a limpeza, mesmo que custasse a desmoralização do STF. Mas agora não sei o que vai ser pior. Estou muito preocupada. Porque, se abrir uma investigação, essa República vai implodir. Porque isso chegará ao Congresso e à Presidência e, ainda, nas vésperas de uma eleição. Eles dominam as instituições, o Congresso, o STF, a OAB. E se eles se sentirem acuados [aliados de Moraes], as eleições podem ser prejudicadas. Se pegar um, vai chegar até os outros, até porque Moraes já disse que não cai sozinho.

Qual a avaliação que faz da atuação do presidente da Corte, o ministro Edson Fachin? Ele saiu enfraquecido entre os ministros após a sessão.

Acho que Fachin não está mal intencionado, mas não conduziu bem, deixou pontas soltas. A turma do Moraes conseguiu provocar um tumulto na sessão porque as coisas não foram bem pontuadas pelo presidente. Foi aí que ele começou a titubear na condução. Até começou fortalecido, mas depois ficou desarmado. Deveria ter ido mais preparado. Por exemplo, não ficou decidido se aquele é um processo criminal ou administrativo. Em caso de empate, o critério de desempate muda conforme o tipo de processo. Além disso, ele poderia ter definido o prazo para devolução do pedido de vista. Como não o fez, Dino pode ficar com o processo por até 90 dias. Por último, fiquei assustada em ver que Moraes estava votando no processo em que ele é acusado. Ele não podia votar naquilo.

O ministro Flávio Dino elevou o tom e, nos bastidores, têm sido criticado até pelo governo Lula. A senhora acha que ele passou do ponto?

Com certeza. Em todo tribunal, a máxima é de que é preciso investigar o presidente. Se você transforma aquilo numa taberna, acaba o respeito. O que vi na terça não tinha visto em todos os meus anos quando estive no Judiciário. Nunca tinha visto isso. Eu discordava do presidente da sessão, cheguei a dar murro na mesa, mas nunca faltei com respeito. O que vi no STF foi um escândalo.

Como fica a imagem do STF, na sua avaliação? A instituição perdeu credibilidade?

Acho que as instituições estão esfaceladas. O STF está descredibilizado, ele vem sangrando, sangrando e, agora, não tem mais como catar os cacos. O Supremo derreteu. Os bandidos de toga estão lá. Mas, infelizmente, ainda tenho dificuldade de ver com nitidez o que é possível ser feito. Estamos num beco sem saída.

Por Gabriela Echenique/Folhapress

Advogado famoso é mencionado em inquérito do MP sobre possível esquema de comercialização de créditos judiciais

Advogado Francisco José Bastos-Foto: Reprodução/Arquivo
O Ministério Público da Bahia (MPBA) investiga a possível existência de um esquema de comercialização de créditos judiciais desconstituídos pela Justiça, originados de uma ação de desapropriação que tramita há quase quatro décadas em Salvador. O caso envolve um processo iniciado em 1987 e chegou à esfera criminal após a identificação de sucessivos pedidos de habilitação e escrituras públicas de cessão de direitos creditórios.

Segundo o MPBA, os documentos reunidos no processo apontam para indícios, em tese, de fraude processual, estelionato qualificado contra entidade pública, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem tributária. A investigação começou a partir de peças extraídas do processo cível que tramita na 7ª Vara da Fazenda Pública de Salvador.

Os documentos obtidos pela reportagem apontam que, no centro da apuração, aparece o empresário Valmir Gomes da Silva, o qual ingressou no processo como sucessor de uma das partes originais e, segundo a manifestação do MPBA, teria passado a atuar na negociação de direitos creditórios vinculados à indenização.

O inquérito menciona que os advogados Claudionor dos Santos Paixão — falecido em 2012 —, Ana Caroline Telles e Francisco José Bastos teriam atuado na intermediação e validação das titularidades, cientes da precariedade dos títulos.

Além disso, empresas como a Aluvitral Esquadrias também foram relacionadas pelo MPBA como uma das pessoas jurídicas envolvidas na rede de movimentação e simulação de operações do esquema. Conforme os documentos, a companhia participou do esquema visando, sobretudo, a compensação tributária fraudulenta perante a Receita Federal.

A origem de toda a disputa, porém, remonta a uma desapropriação ocorrida no final da década de 1970 e o portal A TARDE te conta essa história.
A origem da dívida
O imóvel que deu origem ao processo ficava no Cabula, em Salvador, na área onde atualmente está a Avenida Edgar Santos. O terreno estava submetido ao regime de enfiteuse, pelo qual o Município de Salvador detinha o domínio direto, enquanto a família titular do terreno possuía o chamado domínio útil.

Em 1978, por meio do Decreto Estadual nº 26.154, o governo da Bahia declarou a área de utilidade pública para a realização de obras viárias. O Estado ocupou o imóvel sem que tivesse ocorrido previamente a desapropriação formal e o pagamento da indenização aos titulares, dando origem à chamada desapropriação indireta.

A ação judicial foi ajuizada em 1987 pelos espólios de Domingos Telles de Araújo, Edgar Telles dos Santos e Jonas Telles dos Santos contra o antigo Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia (DERBA) e o Governo do Estado.

A discussão passou anos na Justiça até que uma decisão proferida em 1994 reconheceu uma área de 12.208 m² como passível de indenização. Foi com base nesse entendimento que, em 30 de novembro de 1998, acabou sendo expedido um precatório com valor principal de R$ 37.892.121,98 (mais de R$ 37 milhões).

Naquele momento, o montante foi dividido. R$ 3,7 milhões, equivalentes a 10%, foram destinados a honorários advocatícios, enquanto R$ 34 milhões foram atribuídos a Valmir Gomes da Silva, de acordo com o histórico processual reproduzido nos documentos.
A decisão do STJ que mudou o caso
O Estado da Bahia recorreu e a discussão chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O julgamento alterou substancialmente os parâmetros da indenização. Em 2008, a área considerada passível de indenização foi reduzida de 12.208 m² para 5.593 m², e os critérios utilizados anteriormente para o cálculo foram desconstituídos, com determinação de uma nova apuração do valor devido.

Como consequência, um ano depois, o precatório foi cancelado pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). Durante anos, portanto, o processo não tinha precatório ativo nem valor incontroverso pronto para pagamento. Destaca-se: esse ponto é fundamental para entender a investigação criminal.

O MPBA afirma que a fraude teria começado justamente com a ocultação dessa mudança na situação jurídica do crédito. De acordo com a investigação, mesmo depois de o STJ reduzir a área indenizável e o precatório ser cancelado, continuaram sendo negociados direitos relacionados ao antigo crédito.
Como Valmir entrou na história
A ligação de Valmir com os titulares originais da ação surgiu ainda durante a tramitação do processo. Antônia Amélia dos Santos era esposa e herdeira de Edgar Telles dos Santos, um dos autores originais da ação. Como o casal não teve filhos, ela possuía direitos hereditários relacionados à indenização.

Em 25 de novembro de 1993, enquanto a ação ainda estava em andamento, Antônia Amélia lavrou uma escritura pública pela qual cedeu a Valmir Gomes da Silva seus direitos hereditários relativos à indenização.

Com a morte de Antônia em 9 de agosto de 1995, Valmir pediu para ingressar no processo. A Justiça deferiu sua participação como sucessor, no percentual de 50% do que cabia à parte autora. Os documentos não esclarecem qual foi a motivação pessoal ou financeira da cessão realizada entre os dois.

É a partir dessa posição processual que, segundo o Ministério Público, Valmir teria passado a ocupar papel central nas negociações posteriormente investigadas.
O crédito que deixou de existir
O problema identificado pelo MPBA é que o crédito utilizado como referência para as cessões já não correspondia à situação jurídica do processo.

O precatório de R$ 37,8 milhões havia sido calculado com base na área de 12.208 m². Depois, o STJ reduziu a área para 5.593 m² e determinou uma nova apuração. O título original, por consequência, foi cancelado.

Ainda assim, conforme a investigação, escrituras públicas continuaram sendo produzidas e utilizadas para representar a existência de direitos creditórios derivados daquele processo.

O MPBA afirma que várias dessas escrituras foram lavradas no Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelionato de Notas de Abadiânia, no interior de Goiás. Os documentos mencionam valores que chegavam a R$ 735 milhões e até R$ 3 bilhões, apesar de não haver, naquele momento, precatório correspondente a essas cifras.

A própria Justiça da Bahia chamou atenção para a discrepância entre o antigo precatório e os valores que apareciam nas cessões. Em decisão de 2025, o juiz destacou que o precatório cancelado tinha valor muito inferior aos montantes indicados nas cessões e que as escrituras não informam os valores efetivamente negociados como contrapartida pelos supostos créditos milionários.
Valores bilionários
Dezenas de pessoas físicas e empresas apresentaram pedidos de habilitação ou penhora, alegando ter adquirido parcelas dos supostos créditos. Entre os valores reivindicados havia cessões individuais de R$ 30 milhões, R$ 100 milhões, R$ 150 milhões, R$ 250 milhões, R$ 500 milhões e até R$ 1,53 bilhão.

Os pedidos, entretanto, foram rejeitados pela 7ª Vara da Fazenda Pública. O juízo determinou que os requerimentos de habilitação fossem retirados dos autos, justamente porque não havia crédito válido pertencente aos supostos cessionários.

A decisão judicial também estabeleceu que a indenização decorrente da desapropriação pertence aos titulares legítimos da cadeia sucessória dos três espólios que originalmente ingressaram com a ação.
Cartório de Goiás
A movimentação chamou a atenção da Justiça ainda antes da investigação criminal avançar. Em decisão proferida em agosto de 2025, a Justiça aplicou a Valmir Gomes da Silva e à esposa, Maria das Graças Ramos da Silva, uma multa de 2% sobre o valor que viesse a ser apurado na liquidação da indenização.
Na mesma decisão, determinou o envio de informações ao Tribunal de Justiça de Goiás, à Corregedoria-Geral da Justiça de Goiás e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que fosse apurada a possibilidade de irregularidades na lavratura das escrituras de cessão de crédito no cartório de Abadiânia.
Nova perícia
Enquanto as cessões eram questionadas, o processo original continuava precisando resolver uma questão: quanto, afinal, deveria ser pago pelo Estado da Bahia pela área efetivamente desapropriada?

Após a decisão do STJ, foi realizada nova avaliação judicial do imóvel. O perito Karim Midlej Harfush chegou ao valor contemporâneo de R$ 27.495.020,21 (cerca de R$ 27,4 milhões), posteriormente homologado pela 7ª Vara da Fazenda Pública de Salvador em dezembro de 2025.

O valor apresentado por uma suposta herdeira, Adenildes Teles dos Santos, foi muito superior. Ela pediu que a indenização fosse considerada em R$ 523 milhões, a partir de uma atualização que remonta a janeiro de 1979.

A Corte rejeitou esse cálculo. Segundo a decisão, a perícia já havia realizado a avaliação do imóvel considerando os valores contemporâneos, conforme determinado pelo Tribunal de Justiça da Bahia. Assim, o valor homologado ficou em R$ 27,495 milhões. Contudo, isso não significa que um novo precatório já tenha sido pago.

A sentença determinou que eventual novo ofício requisitório somente seja expedido depois do trânsito em julgado, e em favor dos titulares legítimos da indenização. O antigo precatório de 1998 permaneceu cancelado.
Esquema de fraude
Paralelamente à discussão sobre o valor da indenização, o caso passou a ser analisado pelo Ministério Público na esfera criminal.

Uma Notícia de Fato registrada em 31 de julho de 2025 teve origem justamente nas peças extraídas do processo de desapropriação. A Promotoria de Justiça da Fazenda Pública determinou o encaminhamento do caso à área criminal para análise de possível ocorrência de crime. Na avaliação do MPBA, os elementos reunidos apontavam para uma possível estrutura organizada para comercializar créditos judiciais que não existiam mais.

O órgão afirma que Valmir Gomes da Silva aparece como “artífice central” da operação, na condição de sucessor processual e coordenador das atividades que estão sendo investigadas. Sua esposa, Maria das Graças Ramos da Silva, aparece como outorgante de escrituras.

O MP, no entanto, ressalta que a participação individual de cada pessoa ou empresa ainda precisa ser esclarecida pela investigação.
Utilização dos créditos fictícios
De acordo com a apuração ministerial, havia pelo menos duas possíveis finalidades para as cessões:
  • A primeira seria a comercialização dos supostos direitos a terceiros, que acreditariam estar adquirindo créditos judiciais de grande valor.
  • A segunda envolveria a tentativa de utilização desses créditos para compensação de débitos tributários perante órgãos como a Receita Federal e a Secretaria da Fazenda da Bahia.
O MPBA cita escrituras com valores de centenas de milhões e bilhões de reais, embora o precatório que originalmente deu origem à negociação tivesse sido cancelado.

Um aspecto considerado relevante pela Justiça é que as escrituras não indicavam necessariamente quanto os compradores teriam efetivamente pago pelos direitos que supostamente adquiriram. Isso dificulta estabelecer, apenas pelos documentos, qual teria sido o ganho financeiro efetivamente obtido com as operações.

Por isso, não é possível afirmar, com base nos documentos analisados, quanto dinheiro o grupo efetivamente arrecadou com as cessões. O que está documentado são os valores atribuídos aos créditos nas escrituras e os montantes reivindicados nos pedidos de habilitação. O prejuízo efetivo a terceiros e aos cofres públicos ainda é objeto de investigação.
Investigação policial
Diante dos indícios apontados, o Ministério Público requisitou a instauração de inquérito policial para aprofundar a apuração.

Entre os crimes apontados, em tese, estão estelionato qualificado contra entidade de direito público, falsidade ideológica, fraude processual, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem tributária. O MP também menciona eventual apuração de crimes praticados por funcionário público contra a administração, caso seja confirmada a participação de agentes públicos ou notários.

O registro policial relacionado ao caso foi realizado em 20 de fevereiro de 2026. O documento identifica Valmir, Maria das Graças, advogados, intermediários e empresas como noticiados na investigação.

A investigação deverá analisar, entre outros pontos, as escrituras utilizadas nas cessões, os pedidos de habilitação apresentados no processo judicial, a eventual movimentação financeira relacionada às operações e possíveis tentativas de compensação tributária.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil para saber os detalhes sobre o andamento das investigações, mas a entidade informou que “em respeito à Lei de Abuso de Autoridade, não divulga dados de investigados”.

O processo ainda tramita no Tribunal de Justiça da Bahia possui movimentações neste mês de setembro. O A TARDE entrou em contato com Francisco José Bastos por WhatsApp nesta quinta-feira, 17. Ele alegou que não tem conhecimento do caso citado e reforçou "que não faz parte de nenhuma fraude".

A apuração também buscou informações processuais contra Valmir em Goiás, mas não foram encontrados maiores detalhes.
Por Leo Almeida, jornal A Tarde

18 setembro, 2026

Ministro do STJ disse estar 'sempre à disposição de Vorcaro', indicam mensagens.

Foto: Alejandro Zambrana/TSE
                            "Ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Benedito Gonçalves"
Conversas entre Daniel Vorcaro e um número de telefone de propriedade do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Benedito Gonçalves, extraídas de celular do ex-banqueiro, indicam uma possível relação próxima entre os dois.

Benedito atualmente ocupa o cargo de corregedor do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). O material obtido pela Folha mostra que ele e Vorcaro se tratavam como amigos, trocavam mensagens cordiais e combinavam encontros em Brasília.

A reportagem procurou o ministro por meio das assessorias do STJ e do CNJ às 13h15 de terça (15), por WhatsApp, mas ele não se pronunciou até a publicação este texto. No primeiro semestre deste ano, ele se declarou impedido de julgar causas relacionadas ao Banco Master no STJ.

Em 17 de maio de 2024, Benedito escreveu a Vorcaro após um encontro entre os dois: "Boa noite feliz em rever o amigo. Festa bonita! Parabéns! Ab Benedito". Vorcaro respondeu: "Caro amigo" e "Obrigado pelo carinho". Em seguida, ele sugeriu um novo encontro: "Vamos marcar o charuto em Brasília".

Em 2 de julho do mesmo ano, eles voltaram a trocar mensagens. Vorcaro chamou Benedito de "grande amigo" e propôs que se encontrassem na capital federal quando o ministro retornasse do Rio de Janeiro.

"Grande amigo tudo bem? Vamos marcar encontro em Brasília no seu retorno do Rio!", escreveu o ex-banqueiro. Benedito respondeu que chegaria no dia 29 e ligaria em seguida. "E aqui sempre à disposição", acrescentou.

No mesmo dia, Benedito enviou a Vorcaro uma figurinha com a imagem de um aperto de mãos e a frase "Tamo junto sempre".

Benedito participou de evento bancado por Vorcaro, em Londres, em abril de 2024. Ele também estava na degustação de uísque Macallan para autoridades, na mesma época, promovida pelo ex-banqueiro.

Na sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) de terça-feira (15), que tratou da possibilidade de abrir investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes por suas trocas de mensagens com Daniel Vorcaro, o ministro Flávio Dino sugeriu notificar todos os magistrados de todos os tribunais superiores citados em algum documento relativo ao Banco Master.

Benedito Gonçalves ficará à frente da Corregedoria até 2028. Ele substituiu Mauro Campbell Marques, que tomou posse como vice-presidente do STJ no mês passado.

O órgão no CNJ é responsável, por exemplo, por receber reclamações e denúncias de irregularidades por parte de juízes e também realizar sindicâncias, inspeções e correições, quando houver suspeitas de infrações graves.

Como mostrou o Painel, em seu discurso de posse Benedito Gonçalves evitou abordar temas considerados espinhosos para o Poder Judiciário, como desvios de condutas na magistratura, o pagamento de supersalários ou a proposta de criar regras para a participação de juízes em eventos.

Ele defendeu que "orientar antes de sancionar" e "prevenir antes de reprimir" não significa tolerar o descumprimento das regras da magistratura e afirmou que, no cargo, pretende unir rigor técnico com diálogo.

"Nosso CNJ foi criado após muitos debates sobre um controle de gestão do Judiciário. O exercício desta Corregedoria também deve estar orientado pela clareza e pela atenção à realidade concreta. Mais do que fiscalizar procedimentos, cabe à Corregedoria contribuir para que a Justiça seja acessível, eficiente e verdadeiramente comprometida com a sociedade", disse.

Mensagens extraídas pela Polícia Federal e publicadas pela Folha na terça revelam contatos de Daniel Vorcaro também com o instituto fundado pelo ministro André Mendonça e com filhos dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

Os três magistrados atuam em conjunto em oposição à ala da corte que reúne Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Dino e Zanin foram indicados ao Supremo pelo presidente Lula (PT) após terem sido ministro da Justiça e advogado pessoal do petista, respectivamente.

O conteúdo integral do celular de Vorcaro foi entregue nesta segunda (14) pela PF aos gabinetes de Zanin, Gilmar e Moraes. Eles pediram o conteúdo sob a justificativa de que era necessário para a análise que ocorre nesta terça (15) sobre a relação de Moraes com o ex-banqueiro.

Por José Marques e Raquel Lopes, Folhapress

Bolsonaro foi terrorista ao tentar dar golpe, diz Lula em crítica a Trump

Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo
O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta sexta-feira (18) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez parte de um grupo terrorista ao planejar um golpe em 2022.

A declaração foi dada quando o petista voltava a criticar a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de considerar como organizações terroristas as facções criminosas brasileiras CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital).

"Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Ele fala da luta pela briga pelo poder. Quem era isso? Era o Bolsonaro tentando dar o golpe de 8 de janeiro. Isso é terrorismo. Pensando em matar Lula, [vice-presidente Geraldo] Alckmin e matar até o Alexandre de Moraes [ministro do STF]. Esse era o plano. Isso é terrorismo de Estado", disse Lula.

O petista faz referência ao plano "Punhal Verde e Amarelo" identificado pela Polícia Federal, elaborado, segundo as investigações, pelo general da reserva Mario Fernandes. Ele foi secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência durante o governo Bolsonaro.

Lula esteve no Rio de Janeiro para acompanhar as ações integradas entre os governos federal, estadual e municipal para o enfrentamento ao crime organizado. Apesar das críticas a Trump, ele comparou as facções a terroristas.

"Estamos falando de terrorista na periferia. Porque esses bandidos são terroristas para a família que mora no bairro, para as pessoas que estão na escola, para as pessoas que querem dançar num baile qualquer na periferia, para as pessoas que têm que pagar pedágio por conta do gás, que têm que pagar pedágio por conta dos benefícios que o governo oferece. Esse é terrorismo", afirmou.

A declaração foi dada dois dias após o governo Trump afirmar que o Brasil "falhou em confrontar" o PCC e o CV e que as duas facções transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína. A crítica aparece em um documento enviado pela Casa Branca ao Congresso americano na terça-feira (15).

Em maio, os Estados Unidos classificaram as duas facções como organizações terroristas.

No evento no Rio de Janeiro, Lula assinou convênios para asfixiar a logística do crime organizado e permitir a retomada de territórios dominados por organizações criminosas. Ele criticou a interferência de políticos na área de segurança pública.

"Aqui no Rio ficou uma coisa mais grave, porque o governador [Ricardo Couto] diz todo dia que todas as repartições aqui tinha um deputado que manda. Aliás, tem deputado que manda mais que uma repartição, tem deputado que manda em duas, três. Então, não pode dar certo", afirmou.

Por Bruna Fantti e Italo Nogueira, Folhapress

Aumentar o Bolsa Família em R$ 91 é desrespeitar a inteligência do brasileiro, diz Caiado Por Victor Ohana/Estadão Conteúdo

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, voltou a criticar a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de anunciar o aumento do valor do benefício do Bolsa Família e a distribuição gratuita de canetas de emagrecimento para pessoas com obesidade. As declarações ocorreram nesta sexta-feira, 18, em entrevista ao canal da Gazeta do Povo no YouTube.

"À véspera da eleição, você vê uma atitude populista como essa aí. Agora eu vou aumentar R$ 91 no Bolsa Família. Quer dizer, isso é brincar com a inteligência do brasileiro, isso é desrespeitar a inteligência do brasileiro, e achar que o cidadão, a 16 dias, pode mudar, e comprar o voto por mais R$ 90", disse.

Caiado também voltou a dizer que fará um ajuste fiscal para controlar os gastos públicos por meio de uma emenda constitucional com um limitador de gastos do governo federal, de até 50% do crescimento do Produto Interno Bruno (PIB). O candidato também defendeu a revisão de isenções fiscais e de recursos para programas sociais.

O ex-governador de Goiás acrescentou: "Vou cortar 100% das emendas impositivas e vou cortar 25% do repasse do duodécimo aos Poderes e órgãos independentes da República".

Ao Jornal da Record, da TV Record, na quarta-feira, 16, Caiado já havia criticado os anúncios de novos gastos do governo. "Essas medidas agora, de reta final, aí. Estou vendo o Lula prometer canetinha de emagrecimento, aumentar o Bolsa Família. Tudo certo, mas não com essa aparência de populismo", declarou na ocasião.
Por Victor Ohana/Estadão Conteúdo

17 setembro, 2026

Campanha de Lula vai culpar Bolsonaro por preços de alimentos e prometer limite maior para MEI Por Caio Spechoto/Folhapress

Foto: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil
A campanha de reeleição do presidente Lula (PT) levará à TV nesta quinta-feira (17) um programa eleitoral que coloca no governo Bolsonaro a culpa pelos preços dos alimentos. Além disso, o petista transformará em promessa de campanha o projeto de aumentar para até R$ 140 mil anuais o limite de receita bruta anual dos MEIs (microempreendedores individuais).

A propaganda também buscará tachar o principal adversário do petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como mentiroso, ainda que o assunto predominante da peça seja a economia. A campanha petista passou, na última semana, a produzir propagandas mais assertivas e com mais sinalizações sobre o futuro. Antes, predominava a defesa da atual gestão Lula.

Flávio Bolsonaro ganhou espaço nas pesquisas nas últimas semanas e aparece tecnicamente empatado com Lula na maioria dos levantamentos para o segundo turno. Na segunda-feira (14), pesquisa Quaest com margem de erro de dois pontos percentuais mostrou o candidato do PL numericamente à frente: 42% das intenções de voto para o segundo turno, contra 40% do petista.

O vídeo que irá ao ar na noite desta quinta é uma resposta a um dos eixos da campanha bolsonarista: a crítica ao atual custo de vida com promessas de redução em preços de alimentos, caso Flávio seja eleito.

O programa exibirá uma fala do próprio Lula vinculando o atual custo de vida ao governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio.

"Tem gente prometendo baixar o preço das coisas. Mas, quando eles tiveram a caneta na mão, o arroz e o feijão chegaram às alturas. Os impostos que zeraram foram para jet ski e jatinho. Entregaram de mão beijada a distribuição e o refino dos combustíveis aos estrangeiros. Isso tudo doeu no seu bolso, no posto e no supermercado", afirma o presidente da República na peça de propaganda.

Em seguida, são exibidos depoimentos de pessoas afirmando que as compras ficaram mais caras durante a gestão Bolsonaro e que foi uma época ruim. Depois, uma apresentadora diz que os preços dispararam na gestão anterior. "Lula começou o trabalho de trazer de volta o poder de compra das pessoas. Mas você sente no seu bolso até hoje, porque reconstruir leva tempo", afirma a apresentadora.

O vídeo busca vincular a alta nos preços a decisões do governo Bolsonaro, como a privatização da distribuição de combustíveis. Além disso, tem ao fundo imagens de um prato de metal vazio e de ossos com carne passada –uma referência ao que, na eleição de 2022, ficou conhecido com "fila do osso" e desgastou o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro.

No mesmo bloco, Lula aparece novamente afirmando que seus adversários "governam para milionários", enquanto seu grupo político governa para os trabalhadores. Assista a esse trecho do programa a seguir:

O programa entra, então, em uma parte dedicada a convencer os eleitores de que a situação econômica de cada um vai melhorar.

A propaganda transforma em promessa de campanha o projeto de aumentar o limite de receita dos MEIs para até R$ 140 mil. A proposta foi enviada pelo atual governo ao Congresso no final de junho. No formato que chegou ao Legislativo, o texto faria um aumento escalonado para até R$ 140 mil em dois anos. Hoje, o limite é de cerca de R$ 80 mil. A alteração deve custar R$ 8,1 bilhões até 2029, de acordo com a gestão Lula.

A proposta é parte de um esforço do petista de se aproximar setores da sociedade que não têm vínculo formal de emprego. Além dos MEIs, outro público-alvo frequente de ações do governo são os motoristas e entregadores de aplicativos.

O programa também menciona como argumento para convencer o eleitor de que a situação econômica vai melhorar a isenção de impostos sobre produtos da cesta básica, que passa a valer no ano que vem. E Lula aparece para dizer que o dinheiro economizado graças à isenção de Imposto de Renda é "como se fosse um 14º salário" para quem ganha até R$ 5.000.

"Eu sei que ainda não está bom. Mas eu vou garantir: a inflação seguirá sob controle, você não vai mais pagar a taxa das blusinhas, salário mínimo vai estar sempre acima da inflação, vamos investir para gerar emprego de qualidade com salários melhores. Você conhece minha causa. Minha causa é o Brasil, você e sua família", diz Lula em outro momento que aparece falando no programa.

O início do vídeo tenta taxar Flávio Bolsonaro como mentiroso. É exibida uma fala do adversário em que ele diz não haver nenhuma investigação contra ele. A cena seguinte é o Jornal Nacional noticiando que Flávio Bolsonaro é alvo de apuração.

A campanha de Lula, então, mostra pessoas chamando o adversário de Lula por nomes como "mentiroso", "cara de pau" e "Pinóquio". O trecho é encerrado com um locutor questionando se é possível confiar no candidato bolsonarista. Também será repetida a ideia de que o adversário de Lula não é capaz de conduzir uma política que reduza o custo de vida.

Por Caio Spechoto/Folhapress

Prefeito de Cruz das Almas grava vídeo com Flávio Bolsonaro em Vitória da Conquista -Por Política Livre

Flávio Bolsonaro e Ednaldo Ribeiro-oto: Reprodução
Prefeito de Cruz das Almas, Ednaldo Ribeiro (Republicanos) viajou até Vitória da Conquista, nesta quinta-feira (17), para receber o deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. Os dois gravaram um vídeo, que foi publicado nas redes sociais do gestor nesta manhã.

"Estou aqui com Ednaldo, uma pessoa que veste a camisa do Brasil há bastante tempo. Então, conte comigo, Ednaldo, como presidente da República, para ajudar essa cidade, levar prosperidade, levar oportunidade. Tapete verde e amarelo para o senhor em Brasília. Junto com João Roma (PL), nosso senador, levar o melhor para essa cidade", disse Flávio no vídeo.

O prefeito agradeceu a mensagem de Flávio e se classificou como um "bolsonarista de fé". Ele também declarou apoio a João Roma para o Senado, à deputada federal Roberta Roma (PL) e ao candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União). "Queremos nossa cidade crescendo, a Bahia no caminho do desenvolvimento com ACM Neto e o Brasil vivendo dias melhores, com mais trabalho e oportunidades para baianos e brasileiros", escreveu.

Flávio Bolsonaro desembarcou nesta manhã em Vitória da Conquista. Ele foi recebido por João Roma e vários bolsonaristas baianos. ACM Neto, que declarou o voto no candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), e o senador Angelo Coronel (Republicanos), que apoia o nome do PL, não estão presentes.

Do aeroporto, o presidenciável seguiu em cima de um carro de apoio, acompanhado por uma "motociata" pelas ruas da cidade, em direção ao Estádio Municipal Lomanto Júnior, o Lomantão, onde está previsto um ato político com apoiadores.

Do aeroporto, o presidenciável seguiu em cima de um carro de apoio, acompanhado por uma "motociata" pelas ruas da cidade, em direção ao Estádio Municipal Lomanto Júnior, o Lomantão, onde está previsto um ato político com apoiadores. 


 


Ao lado de Flávio Bolsonaro, Diego Castro defende ‘percorrer a Bahia contra o PT’= Por Redação

Foto: Divulgação
O deputado estadual e candidato à reeleição Diego Castro (PL) acompanhou nesta quinta-feira (17) o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), durante uma motocarreata e um comício em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia.

A agenda marcou a primeira passagem de Flávio pelo estado desde o início oficial da campanha eleitoral.

A mobilização começou no antigo Aeroporto Pedro Otacílio Figueiredo, no bairro Patagônia, de onde os apoiadores seguiram pelas principais vias da cidade até o Estádio Municipal Lomanto Júnior, o Lomantão.

No local, Flávio participou de um ato político ao lado de Diego, do presidente estadual do PL e candidato ao Senado, João Roma, além de outras lideranças e apoiadores da região.

“Vitória da Conquista mostrou que a Bahia não é propriedade do PT. Existe uma direita viva, organizada e corajosa em nosso estado, pronta para ir às ruas e defender um projeto de liberdade, segurança e respeito às famílias. Flávio Bolsonaro representa esse caminho para o Brasil”, afirmou Diego.

Com mais de 264 mil eleitores, Vitória da Conquista é o terceiro maior colégio eleitoral da Bahia. A agenda reuniu apoiadores e lideranças de diferentes municípios do sudoeste baiano.

Outras agendas

Essa não foi a primeira vez que o deputado acompanhou Flávio em uma agenda na Bahia.

Em junho, Diego participou da recepção ao senador durante a Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, ao lado de outras lideranças do PL baiano.

“Eu não escondo meu lado e não mudo de posição por conveniência eleitoral. Estou com Bolsonaro desde 2013, estou com Flávio e vou percorrer a Bahia para ajudar a derrotar o projeto do PT. Quem quiser saber onde Diego Castro está não precisa procurar: estou no mesmo lugar de sempre, ao lado de Bolsonaro”, disse.

16 setembro, 2026

“Isso não é sério”, diz Rui Costa sobre pesquisa que aponta liderança de ACM Neto -Por Reinaldo Oliveira, Política Livre

Em entrevista à rádio Piatã FM, o ex-ministro da Casa Civil e candidato ao Senado, Rui Costa (PT)
Foto: Diego Mascarenhas/Divulgação
Em entrevista à rádio Piatã FM, o ex-ministro da Casa Civil e candidato ao Senado, Rui Costa (PT), rechaçou um levantamento divulgado nesta quarta-feira (16) pelo instituto Séculus que aponta o ex-prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), com 47,23% das intenções de voto. O também ex-governador da Bahia considerou os números “uma piada” e disse que a equipe jurídica de sua campanha vai analisar possíveis medidas contra a divulgação dos dados.

“Eu acho graça desse tipo de pesquisa, isso não é sério. Me desculpe quem contratou, que por sinal tem demonstrado um viés ideológico e uma preferência de candidaturas de forma sistemática”, declarou.

Para o petista, a pesquisa desrespeita a dinâmica do cenário eleitoral no estado e distorce a percepção da população.

“Nós temos um grupo de advogados para analisar se cabe, na Justiça, uma ação opinativa nesse período eleitoral. Caso contrário, você está induzindo o eleitor tomando conta de números que são uma piada”, continuou.

Para defender sua tese, o candidato ao Senado recorreu aos levantamentos do instituto AtlasIntel, ressaltando a precisão do órgão em pleitos anteriores para argumentar que a disputa pelo Governo da Bahia permanece acirrada.

“O que nós temos de pesquisa séria, inclusive publicada pelo Atlas — instituto que acertou o resultado da última eleição —, é que a disputa para governador está apertada, independentemente de quem esteja ligeiramente à frente ou atrás. Mas esses números de agora são uma piada, não dá para levar a sério”, finalizou.

Flávio Bolsonaro endurece críticas e diz que 'sem ministros do Lula no Supremo, a democracia vive'

                 Flávio Bolsonaro (PL) participa de carreata em Juazeiro do Norte (CE)
Foto: Divulgação/PL
O senador Flávio Bolsonaro (PL) criticou os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) indicados por Lula (PT) e afirmou que, se eleito presidente, poderá indicar cinco integrantes da corte.

"Ninguém aguenta mais os ministros do Lula no Supremo melando o Brasil, atrapalhando a nossa democracia. O que nós vimos, ontem, no meu ponto de vista, é uma esperança do povo brasileiro que ainda vive porque, sem os ministros do Lula no Supremo, a democracia vive, o Brasil vive, o Judiciário vive", afirmou o senador em entrevista à imprensa.

As declarações foram feitas nesta quarta-feira (16), em Juazeiro do Norte (CE), um dia após a tumultuada sessão do STF que discutiu relatório da Polícia Federal sobre diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O documento foi pedido pelo ministro André Mendonça e pode levar à abertura de uma investigação sobre a conduta de Moraes, o que nunca ocorreu no STF.

Flávio Bolsonaro classificou a sessão do STF como um "triste espetáculo", disse que houve uma tentativa de proteger Moraes e buscou associar Lula ao ministro: "Hoje quem está votando em Lula está votando em Alexandre de Moraes, mas isso tem dia e hora para acabar", disse.

A declaração aponta para uma estratégia da campanha do senador de associar Lula a Moraes. Os petistas, por sua vez, têm atuado no sentido contrário, lembrando que Moraes é ministro do STF desde 2017 e foi indicado ao cargo pelo então presidente Michel Temer (MDB).

Flávio Bolsonaro desembarcou em Juazeiro do Norte por volta das 10 horas desta quarta, acompanhado de candidatos do PL. Foi recepcionado por apoiadores e políticos locais no aeroporto e seguiu em carreata até o centro da cidade.

O senador cumpre agenda em estados do Nordeste esta semana. Na terça-feira (15), ele participou de um comício no bairro Conjunto Ceará, em Fortaleza, onde foi recebido pelo deputado federal André Fernandes (PL) e uma multidão de apoiadores.

Na ocasião, o candidato buscou associar ministros do STF ao presidente Lula e afirmou que a abertura de investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes só não foi iniciada hoje "porque a tropa de choque do Lula no Supremo entrou em campo".

"O julgamento vai avançar e fica aí o recado: ninguém pode acreditar que, com o Lula reeleito, alguma coisa vai mudar nesse país", afirmou o senador.

Flávio Bolsonaro é formalmente investigado no inquérito que apura a produção do filme "Dark Horse", sobre seu pai, Jair Bolsonaro, hoje preso por liderar a tentativa de golpe de Estado.

A decisão que tornou o candidato alvo foi dada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho deste ano, a pedido da Polícia Federal.

A PF apura a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção no financiamento do filme, que recebeu recursos do Banco Master.

Na quinta-feira (17), Flávio Bolsonaro continua em périplo pelo Nordeste e vai à cidade de Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia, onde participa de uma carreata e de um comício.

Por Yaçanã Neponucena e João Pedro Pitombo, Folhapress

Diego Castro sai de caixão e provoca estudantes da UFBA ao anunciar retorno às redes

Foto: Divulgação
O deputado estadual e candidato à reeleição Diego Castro (PL) usou uma encenação para anunciar, nesta quarta-feira (16), o retorno de seu perfil no Instagram após contestar na Justiça Eleitoral a suspensão da conta. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar aparece saindo de dentro de um caixão e aproveita a gravação para provocar estudantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), semanas depois da confusão protagonizada na Faculdade de Comunicação (Facom).

A publicação faz referência ao episódio ocorrido no final de agosto, quando Diego esteve na Facom e se envolveu em um tumulto com estudantes. Na ocasião, o deputado afirmou ter ido à universidade para verificar denúncias relacionadas à presença de propaganda político-eleitoral no campus. A passagem terminou em discussões e troca de acusações entre o parlamentar, sua equipe e integrantes da comunidade acadêmica.

O vídeo foi divulgado após a conta @diegocastroba voltar a ficar disponível ao público. O perfil havia sido suspenso temporariamente por determinação do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) na última sexta-feira (11). Segundo a decisão, havia uma irregularidade na forma como o endereço da rede social foi informado no registro de candidatura.

Diego contestou a medida desde o início e afirmou que a rede social havia sido informada no registro de sua candidatura. “Mesmo tendo informado o perfil no registro de candidatura, a decisão afirma que essa informação não foi apresentada. Ou seja, o próprio registro mostra que o dado foi informado, mas a decisão diz o contrário”, declarou, na ocasião.

Após conseguir o restabelecimento da conta, o deputado afirmou que o episódio se soma, na avaliação dele, a outras situações enfrentadas durante a campanha e classificou o cenário como uma tentativa de dificultar sua atuação.

“Não tenho dúvida de que estamos enfrentando uma série de tentativas de dificultar o nosso trabalho durante esta campanha. O que aconteceu com as nossas redes sociais é mais um episódio que, na minha avaliação, mostra uma perseguição contra quem não se curva e tem coragem de defender aquilo em que acredita”, disse Diego.

“Nós recorremos à Justiça, apresentamos os fatos e conseguimos restabelecer o nosso principal canal de comunicação com milhares de baianos. Não vão nos intimidar. Vamos continuar fazendo a nossa campanha, defendendo nossas ideias e levando a nossa mensagem a cada canto da Bahia”, completou o deputado.

O Instagram é uma das principais ferramentas utilizadas por Diego para divulgar as atividades do mandato e, durante o período eleitoral, ações relacionadas à campanha pela reeleição à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA).

Por Redação/Politica Livre

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