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04 maio, 2026

Começam a valer penas maiores para furto, roubo e receptação -Por Agência Brasil

A partir desta segunda-feira (4) crimes de furto, roubo e receptação terão penas maiores
A partir desta segunda-feira (4) crimes de furto, roubo e receptação terão penas maiores. A Lei 15.397/2026, publicada no Diário Oficial da União, amplia ainda a punição para casos de estelionato e crimes virtuais, como golpes pela internet.

O texto aprovado estabelece as seguintes penas de reclusão:furto: de um a seis anos de reclusão (o máximo era 4 anos);
  • furto de celular: de quatro a dez (até então, eram tratados como furto simples);
  • furto por meio eletrônico: até dez anos (eram oito anos);
  • roubo que resulta em morte: pena mínima passa de 20 para 24 anos;
  • estelionato, reclusão de um a cinco anos mais multa;
  • receptação de produto roubado de dois a seis anos de prisão e multa (era de um a quatro anos).
O texto trata ainda de pena por interromper serviço telefônico, telegráfico ou radiotelegráfico, atualmente de detenção de 1 a 3 anos, será de reclusão de 2 a 4 anos.

A pena será aplicada em dobro se o crime for cometido por ocasião de calamidade pública ou roubo ou destruição de equipamento instalado em torres de telecomunicação.

Golpes com aplicativos e sites falsos da Receita crescem na temporada do Imposto de Renda 2026

A Redbelt Security, empresa de segurança da informação, identificou um aplicativo falso que simulava o aplicativo da Receita Federal
Especialistas em cibersegurança alertam para o aumento de golpes digitais relacionados ao período da declaração do Imposto de Renda 2026. Criminosos usam o tema para tentar obter dados pessoais e induzir o contribuinte a fazer pagamentos indevidos.

A Redbelt Security, empresa de segurança da informação, identificou um aplicativo falso que simulava o aplicativo da Receita Federal. O app registrou mais de 16 mil downloads antes de ser retirado de uma loja não oficial, e pode ter feito milhares de vítimas.

O prazo para declarar o Imposto de Renda vai até 29 de maio. Quem é obrigado a prestar contas e atrasa o envio paga multa mínima de R$ 165,74, que pode chegar a 20% do imposto devido no ano. Há ainda outras consequências, como ficar com o CPF pendente, caso não entregue a declaração.

Eduardo Lopes, CEO da Redbelt, explica que aplicativos desenvolvidos por cibercriminosos recriam a o app da Receita, com falsos serviços como preenchimento da declaração, consulta de débitos e acesso a recibos. Segundo ele, o usuário acredita estar em um ambiente legítimo e acaba fornecendo seus dados referentes ao Portal Gov.br, sem perceber a irregularidade.

Com isso, os golpistas roubam informações sensíveis do contribuinte. Além do CPF, são coletadas senhas salvas no celular ou tablet, cookies de sessão bancária, credenciais corporativas e documentos armazenados.

"No caso de RATs [vírus de acesso remoto], o criminoso passa a ter o controle do aparelho, conseguindo acessar arquivos, registrar o que é digitado e visualizar a tela em tempo real", afirma o especialista.

Durante o monitoramento, a empresa identificou cerca de dez aplicativos maliciosos ligados ao IR 2026. As amostras analisadas usam nomes de órgãos oficiais, linguagem técnica e canais de suporte para aumentar a credibilidade. Os aplicativos circularam em lojas não oficiais, fora do Google Play Store (Android) e da App Store (iOS), que adotam processos de verificação mais rigorosos.

Pesquisadores da Eset Brasil, empresa global de segurança cibernética, identificaram outro tipo de fraude semelhante. O golpe começa com o envio de links por email, SMS ou WhatsApp, com alertas de "CPF irregular" ou "pendências com a Receita", todos falsos.

Ao acessar o site, a vítima informa o CPF em uma suposta consulta gratuita. Em seguida, a página exibe um aviso de alto risco fiscal e estabelece um prazo curto para regularização da falsa pendência. Os golpistas exibem dados reais do usuário e apresentam um relatório falso com valores, juros e multas, simulando uma dívida ativa.

Thales Santos, especialista em segurança da informação na Eset Brasil, afirma que o golpe combina engenharia social com uso de dados vazados. "Esse tipo de fraude digital é mais complexa porque os sites são criados e derrubados com frequência, o que dificulta o mapeamento dos golpistas", diz.

"A infraestrutura usada é desconhecida, mas é possível que os dados das vítimas tenham sido vazados anteriormente em alguma brecha de segurança, como o que ocorreu em 2020", afirma.

O especialista alerta que a urgência reduz a verificação das informações. Os golpistas aproveitam o momento de pressão para acelerar decisões e oferecem descontos que reduzem a suposta dívida. Diante da possível penalidade, muitos usuários priorizam a ação rápida em vez de checar a origem da mensagem.

O contribuinte que vai declarar o Imposto de Renda pelo aplicativo da Receita deve ficar muito atento e só baixar o app da loja oficial. Também é possível entregar o IR utilizando o PGD (Programa Gerador da Declaração), cujo download é feito diretamente no site da Receita.

Também é possível declarar online, no portal e-CAC (Centro de Atendimento Virtual), em Meu Imposto de Renda.

SAIBA COMO SE PROTEGER DE GOLPES

Para evitar prejuízos financeiros e proteger dados pessoais, a Receita Federal reforça que não envia links para a regularização de pendências e indica as seguintes práticas:
  • Desconfie de mensagens com tom de urgência ou ameaça de bloqueio de serviços financeiros
  • Não clique em links recebidos por SMS ou aplicativos de mensagens que não sejam de fontes oficiais
  • Acesse os serviços diretamente; digite o endereço do site da Receita no seu navegador em vez de clicar em links suspeitos que recebeu por email, SMS ou WhatsApp
  • Verifique sempre o endereço eletrônico antes de acessar qualquer página relacionada a serviços públicos
  • Não compartilhe seus dados pessoais em nenhuma ocasião
  • Nunca forneça informações bancárias, fiscais ou senhas em sites não verificados
Em caso de dúvida, consulte a Receita Federal e busque atendimento diretamente nos canais oficiais

Por Maria Clara Prudêncio/Folhapress

03 maio, 2026

Governo da Bahia amplia serviços e infraestrutura com pacote de entregas em Remanso

O Governo da Bahia realizou, na manhã deste domingo (3), uma série de inaugurações e entregas no município de Remanso, no Sertão do São Francisco, ampliando o acesso a serviços públicos e infraestrutura. As ações incluem a implantação de unidade integrada das polícias Civil e Militar, serviços do Detran, sistemas de abastecimento de água em diversas localidades, além de iniciativas como tecnologia social, equipamento de acolhimento a mulheres e o Conecta Bahia em comunidades.

Segurança pública
Para reforçar as ações ostensivas e de inteligência, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) inaugurou uma nova Delegacia Territorial para a Polícia Civil e um novo Pelotão da Polícia Militar. Cerca de R$ 2,3 milhões foram investidos na unidade integrada.

Trânsito

Moradores de Remanso também passam a contar com um trânsito mais organizado, a partir da instalação de 697 placas de sinalização, 493 postes de aço galvanizado e 31 semipórticos na cidade. O Governo da Bahia também investiu R$2 milhões no projeto que inclui a reinauguração da unidade Detran, no Centro, agora informatizada e com disponibilidade de atender serviços de habilitação e veículos com mais espaço e comodidade para os cidadãos.

Pavimentações em Remanso

Por meio da Conder, também foram promovidas uma série de intervenções, com investimentos superiores a R$ 3 milhões, que reforçam a infraestrutura urbana e melhoram diretamente a qualidade de vida da população.

As obras de pavimentação em paralelepípedo contemplam importantes vias da sede municipal, como a Rua das Palmeiras, Rua Cosme Fonseca e Avenida Décio Castelo Branco, além das ruas Ruy Carlos Gomes dos Santos e das Orquídeas, somando investimentos que ultrapassam R$ 1,6 milhão.

Também foram executadas melhorias em diversas outras localidades, incluindo as ruas Vereador Elias Rosal, Vereador Almerindo Castro, Belo Ar, Salgada e Tanque Novo, com aporte superior a R$ 1 milhão, além da pavimentação de 3.425 m² no bairro Airton Sena, no valor de R$ 400 mil.

Programa Conecta Bahia

O município de Remanso recebeu a implantação de cinco novos pontos do programa Conecta Bahia, ampliando o acesso à internet gratuita nas localidades de Vila Santana, Praça BNH, Tamboril, Praça da Malhadinha e na comunidade quilombola Vila Nossa Senhora Aparecida. A iniciativa do Governo da Bahia, executada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), fortalece a conectividade no município.

Sala de Acolhimento às Mulheres

No município, o Governo da Bahia também entregou a Sala de Acolhimento às Mulheres, equipamento instalado no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), e voltado ao atendimento e proteção de mulheres em situação de violência e vulnerabilidade social.

“As Salas de Acolhimento integram o Programa Especial Elas à Frente e fortalecem a prevenção e o enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o estado. Essa iniciativa também reafirma a importância da parceria com os municípios, responsáveis pela operacionalização dos equipamentos e garantia do atendimento contínuo às mulheres”, destacou a secretária de Políticas para Mulheres do Estado, Camilla Batista.

Circuito Off Road Prainha de Amaralina

Ainda em Remanso, foi anunciada a parceria do Governo do Estado, por meio da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), autarquia vinculada à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e a Prefeitura Municipal para apoiar o 19º Circuito Off Road Prainha de Amaralina. A competição reúne pilotos de diversos estados do nordeste.

Malafaia diz ser alvo de perseguição do STF em culto ao lado de Flávio Bolsonaro no Rio

O pastor Silas Malafaia discursa em culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na zona norte do Rio de Janeiro
O pastor Silas Malafaia afirmou neste domingo (3) ser alvo de "perseguição política" após se tornar réu no STF (Supremo Tribunal Federal) e voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes durante culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), na zona norte do Rio.

Sem citar nomes sobre o caso, o líder religioso disse que não cometeu crime ao fazer críticas que classificou como genéricas e defendeu o que chamou de direito à liberdade de expressão. "Quando você fala genericamente, não (comete crime). Eu não citei o nome de ninguém", afirmou.

A cerimônia neste domingo conta com a presença do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do ex-governa dor Cláudio Castro (PL-RJ), do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), do deputado estadual Douglas Ruas (PL) e do ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), que participaram do culto e foram chamados ao altar pelo pastor.

Malafaia também atacou o inquérito das fake news, que tramita no STF, classificando-o como "ilegal" e "imoral" e dizendo que foi aberto "para calar" pessoas que criticam ministros da corte. Segundo ele, há uma tentativa de "intimidar" e silenciar opositores.

Ao mencionar Moraes, o pastor disse que faz críticas ao magistrado, mas não o odeia. Em seguida, afirmou que, se o ministro "não se arrepender", "virá justiça sobre ele em nome de Jesus".

A declaração ocorre dias depois de a Primeira Turma do STF tornar Malafaia réu sob acusação de injúria.

A ação teve origem em uma representação apresentada pelo comandante do Exército, general Tomás Paiva, após um discurso do pastor na avenida Paulista.

Em 6 de abril de 2024, do alto do carro de som, o líder religioso afirmou: "Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição".

Parte dos ministros entendeu que não houve indícios de calúnia, quando há acusação falsa de crime, mas que as declarações podem configurar ofensa à honra, o que levou ao recebimento da denúncia por injúria.

A decisão foi tomada por maioria, com divergências entre os ministros sobre o enquadramento das falas.

Por Aléxia Sousa, Folhapress

Jerônimo Rodrigues ataca senador Angelo Coronel no evento do PT em Seabra

"O senador Otto Alencar (PSD), o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-ministro Rui Costa (PT)"
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) não poupou críticas ao senador Angelo Coronel (Republicanos) durante a Programa de Governo Participativo (PGP), realizado neste domingo (03), em Seabra, na região da Chapada Diamantina. Ao lado do senador Otto Alencar (PSB), o cacique petista afirmou que o agora adversário "não gosta do povo pobre".

"Vou pegar na mão dos três senadores nossos, que são verdadeiros, Otto, Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT). Você tem que ouvir daqueles que ajudamos a eleger. E ter que ouvir dele que tem novo, que mudou de lado: pegue seu voto e vá para longe da gente", declarou o governador

"Temos aqui um senador que carregou ele no ombro (Otto). Nós carregamos ele no ombro. Ele vai continuar fazendo isso o resto da vida, mas longe de nós. Ele se juntou com o time que é igualzinho a ele, que não gosta do povo pobre, que não gosta de gente", acrescentou Jerônimo.

O PGP começou no sábado (02), em Irecê, com as presenças do governador e de diversas lideranças políticas da base aliada, incluindo os dois senadores da base, Rui Costa, a presidente da Assembleia Legislativa, Ivana Bastos (PSD), e diversos parlamentares.

Por Política Livre

Câmara dos Deputados gasta R$1,3 mi em viagens internacionais; deputado baiano aparece na lista

Deputado federal Cláudio Cajado (PP)Deputado federal Cláudio Cajado (PP)
Nos últimos quatro meses, a Câmara Federal gastou R$1,3 milhão para bancar 16 viagens de 53 deputados federais a destinos internacionais. Há um parlamentar baiano na lista: Cláudio Cajado (PP), que esteve este ano em Istambul, na Turquia, e Nova York, nos EUA. As informações são do jornal O Globo de hoje (03).

Segundo a nota, além dos dois países citados acima, os valores foram pagos para viagens oficiais até a Alemanha, Áustria, Bélgica, Chile, China, Coreia do Sul, Costa Rica, El Salvador, Espanha, França, Holanda, Índia, Inglaterra e Itália.

Dentro os parlamentares, sete tiveram o direito de viajar em classe executiva. Em abril, por exemplo, o presidente da Câmara, Hugo Mora (Republicanos-AP), foi de primeira classe a Boston, nos EUA, com passagens que custaram R$45 mil. Cajado também participou desse itinerário, de executiva.

Por Política Livre

02 maio, 2026

PRF e Polícia Civil desarticulam quadrilha de furtos em lojas no Sul Fluminense

Furtavam redes varejistas
Na tarde de quarta-feira (29), uma ação conjunta entre a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Civil resultou na desarticulação de um grupo especializado em furtos a estabelecimentos comerciais no Sul Fluminense.

Equipes da 89ª DP (Resende) da Polícia Civil acionaram policiais rodoviários federais da 7ª Delegacia (Resende), após o compartilhamento de informações sobre uma quadrilha que estaria atuando em lojas no municípios de Volta Redonda (RJ).

Um veículo envolvido nos crimes foi localizado em frente a um shopping da região. Quatro pessoas foram abordadas; um homem de 31 anos, duas adolescentes - de 16 e 17 anos -, além de uma mulher de 24 anos.

No interior do automóvel, foram encontradas diversas peças de vestuário e acessórios com etiquetas de grandes redes varejistas. Através da análise de câmeras de monitoramento das lojas furtadas, os policiais identificaram a participação de outras duas mulheres, de 21 e 26 anos, que foram encontradas escondidas no interior de um supermercado próximo.

O homem alegou ter sido contratado para uma corrida particular e disse desconhecer a intenção criminosa das passageiras. As jovens admitiram a prática recorrente de furtos em centros comerciais, utilizando veículos de aplicativo para os deslocamentos.

A ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil (89ª DP).
Categoria
Crimes

Operação cumpre mandados e combate grupo criminoso em Santo Amaro

A Polícia Civil da Bahia deflagrou, nesta sexta-feira (1º), a Operação Sacramento, no município de Santo Amaro, com o objetivo de combater um grupo criminoso com atuação no tráfico de drogas em um conjunto habitacional da cidade.

A ação deu cumprimento a ordens judiciais expedidas pela 1ª Vara Criminal, do Júri e de Execuções Penais da Comarca local. Durante a operação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão domiciliar. Nos imóveis, foram apreendidos seis aparelhos celulares, uma máquina de cartão de crédito e dois cadernos contendo anotações com registros de valores e nomes. Duas pessoas foram conduzidas à unidade policial para prestar esclarecimentos, ouvidas e liberadas.
Ainda no âmbito da operação, foi cumprido um mandado de prisão contra um homem, também expedido pela Justiça Criminal de Santo Amaro, investigado por envolvimento no tráfico de drogas. O suspeito foi localizado e preso no bairro Polivalente.

O homem foi conduzido à unidade policial, realizou exame de corpo de delito no Departamento de Polícia Técnica (DPT) e segue custodiado à disposição do Poder Judiciário.

Todo o material apreendido será submetido à análise pericial para subsidiar o andamento das investigações, que seguem em curso para a completa identificação e responsabilização de todos os envolvidos nas ações criminosas investigadas.
Fonte:
Camila Souza / Ascom-PCBA

01 maio, 2026

Eleição faz milagre, e fim da escala 6x1 não afeta economia, afirma presidente do TST

Vieira de Mello Filho defende código de ética para juízes e reconhece que o caso Master respinga na magistratura
Foto: Pedro França/Agência Senado/Arquivo
O presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, diz que o debate do projeto que acaba com a escala 6x1 precisa ser "desideologizado" porque algumas categorias de trabalhadores já têm jornadas menores. Em entrevista ao C-Level, videocast do jornal Folha de São Paulo, o magistrado avalia que a economia vai se adaptar à mudança.

Ele compara as resistências à proposta ao que ocorreu quando foi implementado o 13º salário. "[Falaram] Que o 13º iria quebrar [a economia], que não iria ter emprego, que ninguém mais iria ser contratado. 

Agora eu pergunto: se a gente tirar o 13º, o que vai acontecer com o setor do comércio?", disse.

Para ele, o cenário eleitoral vai facilitar a aprovação do projeto. "Às vezes, as eleições fazem coisas milagrosas e até geram consenso", afirma.

Crítico à pejotização do trabalho, ele alerta para os riscos de "ruptura do tecido social" com esse tipo de contratação e adverte que o Congresso não deveria deixar de aprovar a regulamentação dos trabalhadores de aplicativos —sob risco de o STF (Supremo Tribunal Federal) acabar decidindo sobre tema. "Se o Supremo criar uma lei, vai ser o pior dos mundos."

Vieira de Mello Filho defende ainda o código de ética para os juízes e reconhece que o caso Master respinga na magistratura. "Se o juiz tem um parente, ele não pode julgar processos daquele escritório. É uma discussão que não pode ser tida como tabu".

Defensores da pejotização e da flexibilização dos contratos de trabalho costumam dizer que a legislação precisa acompanhar as inovações tecnológicas. 

A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) impede o avanço das novas relações de trabalho?

A Revolução Industrial trouxe um avanço tecnológico com a industrialização e a produção em série. O que aconteceu? Aumento da exploração do trabalho humano, porque não havia nenhuma forma de regulação. Crianças trabalhavam em jornadas alongadas, mulheres também, e ganhavam muito menos que os homens. A regulação não impede o crescimento econômico.

A tecnologia não substitui a necessidade do contrato de trabalho?

O ser humano jamais será substituído. Podemos ter novas formas do trabalho humano, mas ele sempre será necessário. Para modificar o emprego, nós precisamos modificar a forma como o país educa os seus cidadãos.

Como fazer essa travessia?

Estamos num momento de travessia há algum tempo. Mas isso tudo faz parte de uma conformação temporal que você não resolve da noite para o dia. A Constituição é democrática e social. 

Ela não é liberal. O problema é a interpretação que se quer dar a ela, mudando a sua natureza. Se coloco a pejotização como única forma de contratação, o que vai acontecer? 

A ruptura do tecido social.

Qual é o papel da Justiça na regulamentação do trabalho por aplicativo?

O juiz é obrigado a decidir as causas que são ajuizadas. Ele não pode dizer: "não posso decidir porque eu não tenho lei própria para isso".

O relatório do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE) sobre o projeto dos aplicativos causou reação negativa. O que acontece se o tema for parar no STF?

O único caminho é o Legislativo, porque o Judiciário não tem condição de criar uma regulação específica para essa modalidade. Ela tem, de fato, singularidades quanto à execução. O projeto reconhece como trabalhadores em plataforma. Agora, quando ele acrescenta que isso seria sem vínculo, isso gera uma reação dos trabalhadores.

Mas ela [a proposta] traz muitos pontos positivos. Por exemplo, a própria questão da segurança. Hoje nós temos crianças pedalando para entregar mercadoria, porque não há controle. Tem motos roubadas que podem ser utilizadas. A gente está vendo, inclusive, bandidos que se travestem de entregadores para cometer assaltos.

Tudo indica que o Congresso vai deixar essa discussão para 2027.

Fragiliza muito. Eu quero acreditar [que a regulamentação vai ser aprovada], porque a outra solução é muito drástica. Se a solução é judicial, vai ser o Supremo a dizer para um lado ou para o outro. Aplica a CLT ou eles são autônomos. Agora, se o Supremo criar uma lei, eu acho que vai ser o pior dos mundos, porque eles [ministros] não conhecem essa relação.

O que pensa da discussão sobre o fim da escala 6x1?

É preciso que esse debate seja desideologizado, porque algumas categorias, inclusive, já têm jornadas menores. Quando o 13º foi criado, todos eram contra. [Falaram] que o 13º iria quebrar, que não iria ter emprego, que ninguém mais iria ser contratado. 

Agora eu pergunto: se a gente tirar o 13º, o que vai acontecer com o setor do comércio?

O presidente enviou ao Congresso um projeto que prevê o fim da escala 6x1. Como vislumbra essa negociação em ano eleitoral?

Às vezes, as eleições fazem coisas milagrosas, e até consenso a gente consegue. Então, eu fico muito feliz que a gente tenha uma solução para isso. Nós não podemos viver de discussões e de retóricas, nós precisamos de coisas concretas no país.

Mas as empresas estão jogando o discurso de que vai afetar a economia.

Eu, pessoalmente, acho que não afeta. Todos se adaptam. É uma evolução. Se você chegar na Alemanha, domingo está tudo fechado. Você tem um rodízio de meia dúzia de farmácias que você vai poder frequentar. Nós temos que mudar um pouco a nossa cultura. Todo mundo quer morar num país desenvolvido, sustentável, que está lá na Europa. Mas quando tem alguma coisa de lá que é para trazer para cá, todo mundo é contra.

As reclamações trabalhistas que partem da 1ª instância e vão direto para o Supremo esvaziam a Justiça do Trabalho e o TST?

A última instância trabalhista é o TST. Quando tem uma decisão de primeiro grau contrária a essa decisão do Supremo, em vez de ela percorrer a instância trabalhista, algumas partes vão direto ao STF, sem contraditório, sem nada, sem que tenham o esgotamento da instância trabalhista. 

O que temos conversado com o Supremo? 
Tem que haver o esgotamento da instância trabalhista.

O Supremo está querendo ocupar o papel da Justiça do Trabalho?

É um sistema vertical. Se o Supremo entende que uma matéria é constitucional, ele vai decidir, todo mundo vai ter que cumprir. 

O problema é a autocontenção ou não das questões do Supremo Tribunal Federal. Ele precisa decidir tudo? 

Essa é a grande pergunta. O Supremo está se adoecendo com o volume de processos pela própria competência que tem se dado permanentemente, julgando tudo de todas as formas. Não é uma crítica.

Ele está julgando o processo que não deveria, não precisaria?

Estou dizendo que a matéria infraconstitucional e matéria de prova deveriam ficar nas instâncias infraconstitucionais. É para isso que existem os tribunais regionais e os tribunais superiores —STJ, TST, todos eles.

Um dos críticos à Justiça do Trabalho é o ministro Gilmar Mendes do STF. Como avalia as posições dele?

A Justiça do Trabalho tem um papel importantíssimo na sociedade brasileira. Somos um país extremamente desigual. Ela tem um papel fundamental na proteção do tecido social construído pela Constituição. Com relação às convicções pessoais de um ou outro magistrado, isso diz respeito à formação que ele tem, à visão que ele tem do mundo.

O sr. é autor de uma proposta de um código de ética para a magistratura que acabou não sendo aprovada, e agora existe uma discussão semelhante no Supremo. Como vê essa discussão?

A regulação do código de ética é uma discussão interna do STF. Nós que estamos instâncias abaixo não podemos opinar sobre um código de ética. Sou da opinião que acho muito difícil alguém ser contra um código de ética em qualquer lugar. A gente deve pautar a nossa vida por uma ética permanente. A ética não é relativa, não depende de circunstâncias.

Remuneração, palestras, viagens...

É muito importante que todo mundo saiba com quem o juiz convive. Se recebo um convite para uma palestra, todos têm direito de saber quem está me convidando, quem vai pagar a passagem, se eu estou recebendo honorários, qual o valor dos honorários e quem está pagando.

O ministro Alexandre de Moraes falou que o juiz hoje no Brasil é uma das figuras mais restritas na sua atuação.

O juiz é uma figura que tem que ter uma conduta muito austera e sóbria. Eu sou juiz há 40 anos. Sempre me vi tolhido de muitas coisas que eu não pude fazer, ou que eu queria falar e não falei. Temos a Loman [Lei Orgânica da Magistratura], temos o Código de Bangalore [normas éticas definidas pela ONU para o Judiciário] , temos o código de ética da magistratura, mas a gente está assistindo que isso não está resolvendo

Eu não sou contra que o juiz faça palestra. Ele faz a palestra, mas diz para quem, quanto foi, como recebeu. [Que] isso fique bem claro, porque a parte, na hora que for o julgamento, vai falar assim: "O senhor deu uma palestra para a empresa tal, recebeu isso, recebeu aquilo, então eu não quero que o senhor julgue o meu processo, quero que o senhor se dê por suspeito".

O relator da CPI do Crime Organizado pediu o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Os dois primeiros estão envolvidos no caso Master. Esse caso respinga na credibilidade dos tribunais?

Tudo isso que estamos assistindo, de fato, acaba respingando na magistratura.

E viagem de avião?

Eu só viajo avião de carreira, com passagem e tudo, mas eu acho que é a mesma aproximação de se eu convidar alguém para fazer palestra. Eu acho que ele pode até viajar, mas ele diz assim: "Sou suspeito para falar qualquer coisa com relação a isso".

O que mais tem que entrar nessa definição de suspeição e impedimento?

Se o juiz tem um parente, ele não pode julgar processos daquele escritório. E hoje é muito mais grave, porque temos uma repercussão geral nos tribunais superiores. É uma discussão que não pode ser tida como tabu. Em 2023, não aprovaram [a proposta de dar transparência às palestras]. Eu levei a proposta e não foi aprovada por um voto. Poderia ser aprovada e talvez não tivéssemos nem vivendo muitas situações que encontramos hoje.
Por Adriana Fernandes/Ana Pompeu/Folhapress

Agrishow, principal feira do agro no país, registra queda de venda pela primeira vez em 11 anos

Foto: Divulgação
Visitantes caminham em rua da Agrishow, em Ribeirão Preto, no interior paulista
A Agrishow, principal feira do agronegócio no país, apresentou redução nas vendas pela primeira vez nos últimos 11 anos, ao gerar R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios na edição deste ano, que termina nesta sexta-feira (1).

Os números foram apresentados pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), uma das entidades realizadoras do evento, e mostram recuo de 25% em comparação aos R$ 15,2 bilhões gerados no ano passado. O valor foi atualizado pela inflação do período.

É apenas a segunda vez, em 31 anos de história, que a principal feira agro do país sofre revés nos negócios, considerando-se os valores nominais de cada edição. A anterior foi em 2015, quando viu as vendas diminuírem 30% em comparação com o ano anterior.

Com 800 marcas expostas, a Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) já tinha sinalizações de que os negócios em Ribeirão Preto (SP) não alcançariam a marca do ano passado a partir das incertezas econômicas e políticas e do desempenho de outras feiras do agro.
A Tecnoshow, realizada pela cooperativa Comigo em Rio Verde (GO) no início de abril, viu os negócios recuarem 30% neste ano, após gerar R$ 10 bilhões em 2025.

O cenário fez a Agrishow, pela primeira vez nos últimos anos, abrir a feira sem projetar faturamento. O Banco do Brasil, principal ente financeiro presente na feira, iniciou a feira projetando receber R$ 3 bilhões em propostas, R$ 1,75 bilhão a menos que os R$ 4,75 bilhões gerados em 2025, mas acabou superando a estimativa.

A previsão inicial foi alcançada às 18h desta quinta-feira (30) e contempla, conforme o banco, investimentos em máquinas, armazenagem, irrigação, tecnologia e custeio.

Segundo a Abimaq, a feira foi visitada por 197 mil pessoas entre segunda-feira (27) e esta sexta, o que indica "que a Agrishow permanece sendo a vitrine do agronegócio brasileiro", conforme a organização.

"Este cenário é decorrente da alta taxa de juros, da variação cambial e do preço desfavorável das commodities", disse Pedro Estevão, presidente da câmara de máquinas e implemento agrícolas da Abimaq.

O mês de março apresentou crescimento nas vendas em comparação com março do ano passado, mas o primeiro trimestre foi ruim para a venda de tratores e colheitadeiras, conforme dados divulgados pela Abimaq na quarta-feira (29).

Foram comercializados ao usuário final 9.215 tratores entre janeiro e março, ante os 10.087 do trimestre inicial de 2025, o que indica queda de 8,64%. Já as vendas de colheitadeiras recuaram mais, 40,62%, passando de 1.250 para as atuais 761.

Apesar da retração nos negócios, muitas empresas alcançaram as metas previstas na feira agrícola, como a Tritucap, de Sertãozinho (SP), que voltou à Agrishow após sete anos com uma máquina para a erradicação sustentável de lavouras de café –que substitui a prática da queima na renovação de cafezais.

A empresa comercializou 31 máquinas e tem outras 27 em fase avançada de negociação com os clientes, número que superou em três vezes a meta de vendas.

O diretor Eduardo Alves Ferreira disse que esperava bons negócios pelo momento favorável da cafeicultura, mas que o resultado surpreendeu.

Na XCMG Brasil, que comercializa máquinas pesadas da marca chinesa, os negócios subiram até 10% em relação ao ano anterior. Foram lançados dois modelos de tratores agrícolas e um sobre esteiras.

Já a Herbicat, que atua no ramo de equipamentos e acessórios de aplicação e insumos, afirma ter registrado mais de 300 contatos de interessados e estima que até 20% deles representem vendas no pós-feira. A avaliação da empresa é que o cenário atual é oportuno para produtores investirem aproveitando preços mais atrativos dos equipamentos.

Além da Abimaq, a Agrishow é realizada por outras quatro entidades: Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos), Faesp (Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo) e SRB (Sociedade Rural Brasileira).

Por Marcelo Toledo/Folhapress

PF deflagra operação para combater contrabando e descaminho em Angra dos Reis/RJ

Foram apreendidos diversos itens, entre eles smartphones, tablets, smartwatches, antenas de internet e mais de mil cigarros eletrônicos.
Foto: Divulgação/Polícia Federal
Angra dos Reis/RJ. Nesta sexta-feira (30/4), a Polícia Federal deflagrou a Operação Smartphone 334 com o objetivo de combater o contrabando e descaminho de aparelhos eletrônicos, além do comércio ilegal de cigarros eletrônicos, em Angra dos Reis/RJ.

Na ação de hoje, policiais federais cumprem três mandados de busca e apreensão, situados na cidade de Angra dos Reis/RJ. Foram apreendidos diversos itens, entre eles smartphones, tablets, smartwatches, antenas de internet e mais de mil cigarros eletrônicos.

As apurações indicaram que o proprietário de uma loja de produtos eletrônicos do município realizava o comércio de produtos oriundos de descaminho, por meio de perfil em uma rede social e também de sua loja física.

O empresário em questão realizava a aquisição dos produtos no estrangeiro e os trazia ao Brasil sem declaração de importação e sem o devido recolhimento dos impostos, ou então os adquiria na cidade de São Paulo de revendedores de produtos descaminhados.

Os investigados poderão responder judicialmente pelos crimes de contrabando, descaminho e falsidade ideológica

Comunicação Social da Polícia Federal no Rio de Janeiro

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