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22 agosto, 2026

Margem Equatorial pode garantir mais 40 anos de petróleo para Petrobras

A produção de petróleo na Margem Equatorial pode demorar entre seis a sete anos, mas a descoberta de indícios de óleo no primeiro poço perfurado pela Petrobras nas águas ultraprofundas do Amapá trouxe otimismo para o mercado e para a companhia, que chega ao resultado dez meses depois de iniciada a campanha no poço pioneiro de Morpho. Se comprovado o potencial da bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco bacias da Margem Equatorial, a expectativa é de que os reservatórios na região garantam pelo menor mais 40 anos de produção, segundo o gerente executivo de Projetos Estruturantes da Petrobras, Wagner Victer.

"Eu vi o início da bacia de Campos e é emocionante ver que a gente está participando de um momento histórico, abrindo uma nova fronteira exploratória para uma nova geração, um sinal de longevidade para a Petrobras e que vai trazer novos profissionais, novos engenheiros para o setor", avaliou Victer.

Segundo a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, o óleo encontrado agora será analisado pelo Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), para avaliar a qualidade e o potencial do poço. "Vamos aguardar as análises. que serão feitas no Cenpes sobre o óleo", disse Sylvia à Broadcast nesta segunda-feira.

A Margem Equatorial é estratégica para a Petrobras porque pode ajudar a repor reservas de petróleo a partir da próxima década, quando a produção do pré-sal tende a atingir o pico e começar a declinar. O plano de negócios 2026-2030 prevê US$ 2,5 bilhões em investimentos na Margem Equatorial e 15 novos poços.

Os próximos passo dependem do Ibama. O órgão ambiental analisa o pedido da estatal para perfurar mais três poços. No caso de Morpho, foram mais de 12 anos de espera, sendo os últimos três anos de muita pressão da atual gestão da empresa, que obteve a liberação em outubro de 2025. A inglesa BP, dona de 70% do ativo até 2021, desistiu de esperar e vendeu sua participação para a Petrobras.

"Tem que acelerar o licenciamento dos outros poços para a gente saber o que tem lá, ou seja, não dá para ficar nesse dilema a cada poço. Porque agora, se você for adiante, nós vamos estar falando de escalas muito diferentes de atividade geológica, exploratória, a escala aumenta", disse o professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida.

"A gente precisa superar o debate que estava tendo antes do ponto de vista da viabilidade ambiental, porque agora nós não estamos falando de fazer um poço mais, nós estamos falando de fazer três e muito mais. Ou seja, na Guiana, chegou a mais de cem poços. Até você ter a comprovação dos reservatórios e começar a ter um grande volume, (serão feitas) várias declarações de comercialidade", acrescentou o acadêmico.

Logo após a descoberta ser anunciada, na última sexta-feira, 14, o diretor do Centro Brasileiro de Infratestrutura, Adriano Pires, também destacou a importância do Ibama acelerar as licenças ambientais. "Não temos nenhum número da Petrobras, portanto não dá para falar se é uma descoberta relevante ou não. Mas é uma boa notícia que mostra a importância do Ibama agilizar as licenças ambientais", afirmou.

Sem Efeito

Para o analista de energia da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, a descoberta é positiva, mas ainda sem informações suficientes para "fazer preço" na ação da estatal. "Uma precificação consistente exigiria evidências de escala comercial, boa produtividade e competitividade econômica frente ao portfólio já contratado da Petrobras. Até lá, a descoberta deve ser tratada como opcionalidade exploratória, sem efeito sobre nosso preço-alvo ou recomendação", explicou o analista.

Segundo ele, a identificação de hidrocarbonetos (petróleo e gás) no bloco FZA-M-59 é positiva porque melhora a perspectiva exploratória da Petrobras na bacia da Foz do Amazonas, área central para a reposição de reservas no longo prazo.

Para o sócio-diretor da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto, a descoberta cria condições para que o governo acelere os leilões na região e deve gerar um aumento de apetite privado por blocos da Margem Equatorial. A leitura de Moreira Neto é de que a governança não deve se opor aos investimentos necessários para a região.

"É um anúncio que confirma o apetite de quem foi pro leilão e que deve ter uma boa influência na corrida daqui pra frente. Ainda há muitos riscos, mas todos os operadores já posicionados são de classe mundial e muito eficientes", afirmou. "É uma região que demanda movimento exploratório intenso, mas não vejo como uma boa ideia tentar aumentar muitos prêmios num cenário de competição global por investimentos", avaliou.

Em junho, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a indicação de 86 blocos da Margem Equatorial para futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão (OPC). Para que os blocos sejam efetivamente oferecidos, ainda é preciso cumprir a análise ambiental e a emissão de Manifestação Conjunta dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente e do Clima (MMA). "Há uma dependência muito grande da construção com órgãos ambientais, mas com a primeira descoberta talvez possamos ver um ritmo melhor", acrescentou o advogado.

Em entrevista à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o professor da PUC e ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), David Zylbersztajn, destacou que a Margem Equatorial poderá mudar a geopolítica nacional se virar realmente uma nova província petrolífera do País. "Você vai mudar a geopolítica nacional em termos de poder econômico, industrial, porque se ali virar efetivamente uma província petrolífera, pode ser um novo caminho de redenção econômico-social da região", disse Zylbersztajn.

Por Denise Luna e Gabriela da Cunha, Estadão Conteúdo

Direita se organiza, e centro ganha terreno no Nordeste sem confrontar Lula

                                                A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra
Com um chapéu de couro e a bandeira de Pernambuco amarrada ao corpo, Raquel Lyra (PSD) fecha os olhos, abaixa a cabeça e faz uma oração. A governadora acabara de chegar à missa em Serrita, no sertão central do estado, sob o olhar de seu principal adversário, João Campos (PSB).

Ao fim da solenidade, percorre a cavalo o acampamento onde estão os vaqueiros e trabalhadores rurais que vieram das cidades vizinhas. Alega pressa para um próximo compromisso, mas pausa para tirar fotos e apertar as mãos de potenciais eleitores para as eleições de outubro.

Em uma tenda improvisada, o comerciante João Marcos de Lavor, 46, fazia um churrasco com sua numerosa família e aguardava o sol quente aplacar para voltar para casa no Cedro. Eleitor do presidente Lula (PT), conta que não vai votar no ex-prefeito do Recife, apoiado pelo petista, mas na governadora.

"Nada contra o João, gente boa, um menino inteligente que está começando, né? Mas a gente deve muito a Raquel, ela arregaçou as mangas e, a gente vê o que ela vem fazendo. Está correndo atrás", afirma.

A escolha de João Marcos ajuda a explicar uma mudança nas disputas estaduais do Nordeste: Lula continua sendo uma referência para parte expressiva do eleitorado, mas agora enfrenta um direita organizada e partidos de centro que ganham terreno em disputas majoritárias,

Em Pernambuco, João Campos tenta nacionalizar a disputa entre aliados de Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Raquel, por sua vez, procura descolá-la da eleição presidencial, preservando pontes com o petismo e atraindo uma parcela do bolsonarismo.

O Nordeste é a região onde se observa maior intenção de votos em Lula, de acordo com o primeiro levantamento do Datafolha após o início oficial da campanha presidencial e o registro das candidaturas.

Na região, 53% afirmam votar no petista, contra 25% em Flávio Bolsonaro. Nas outras regiões, Lula alcança a marca de 33%, menos do que Flávio (36% no Sudeste, 38% no Sul e 35% no Centro-Oeste/Norte).

A separação entre os votos nacional e local é mais clara nas eleições municipais. Em 2024, partidos como União Brasil, PP, PSD e PL elegeram prefeitos de sete das nove capitais nordestinas.

Conservadores também ampliaram sua presença em cidades médias como Vitória da Conquista (BA), Porto Seguro (BA), Campina Grande (PB) e Mossoró (RN).

O avanço chegou, inclusive, a regiões onde Lula venceu com folga dois anos antes. É o caso do Crajubá, acrônimo formado pelas primeiras sílabas de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, no Cariri cearense, onde o presidente teve votações superiores a 70% em 2022.

Em Juazeiro do Norte, a maioria dos eleitores segue fiel ao petista, mas avalia outras opções para os demais cargos. A cidade é governada pelo prefeito Glêdson Bezerra (Podemos), de perfil conservador e adversário do governador Elmano de Freitas (PT).

Em uma casa ornada com flores e santos nas proximidades da estátua de Padre Cícero, aposentada Maria Aparecida de Melo, 69, diz que, se Lula "se candidatasse 50 vezes, votaria 50 vezes nele", citando os ganhos das famílias mais pobres durante os governos petistas. Para a disputa estadual, porém, ainda não decidiu seu voto e afirma gostar de Ciro Gomes (PSDB).

O tucano tenta voltar ao governo do Ceará sem apoiar Flávio Bolsonaro, mas com o apoio da direita. Para isso, conta com a base organizada do bolsonarismo, que tem uma militância engajada sob liderança do deputado estadual André Fernandes (PL), derrotado por margem mínima há dois anos quando concorreu à prefeitura de Fortaleza.

"O bolsonarismo criou um alinhamento social e ideológico mais evidente do que o que existia antes. Penso que o Nordeste terá um avanço pontual da direita", diz o cientista político Cláudio André de Souza, professor da Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira).

No Maranhão, Eduardo Braide (PSD), e no Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra (União Brasil), lideram as disputas e procuram construir uma identidade própria, buscando votos dos dois lados da polarização.

Na Bahia, a oposição ao PT venceu em sete das dez maiores cidades do estado em 2024, incluindo Salvador. Mas a popularidade de Lula segue intacta, a ponto de aliados do candidato ao governo ACM Neto (União Brasil) apostarem em uma estratégia de voto Lula-Neto. Nas redes, influenciadores dão tração ao bordão "meu combo, minhas regras".

O governador Jerônimo Rodrigues (PT), que tem melhor desempenho nas pequenas cidades, aposta no movimento contrário: tenta transformar a popularidade de Lula em voto casado.

A estratégia é ancorada no que o cientista político Cláudio André classifica como "lulismo baiano", uma espécie de atalho de representação política no qual o próprio Lula exerce uma liderança no cenário estadual.

No Rio Grande do Norte, o candidato a governador Cadu Xavier adotou como nome de urna "Cadu de Lula" para disputar a sucessão da governadora petista Fátima Bezerra. O partido ainda concorre aos governos do Piauí e do Maranhão.

João Campos também aposta na força de Lula para vencer em Pernambuco e prevê uma nova vantagem expressiva do presidente na região.

"Acredito que o Nordeste mais uma vez vai dar uma grande votação ao presidente Lula, não só por sua história, mas porque ainda hoje ele representa o sentimento de futuro do Nordeste e da construção de novas oportunidades", afirma.

Do outro lado do espectro político, a direita ideológica se organiza e busca seu lugar ao sol. Giuseppe Mallmann, 54, professor em um colégio particular de Barbalha (CE), faz parte de um grupo do Cariri que discute pautas conservadoras.

Ele afirma ver contradições na dinâmica do voto da região, que escolhe a esquerda para a Presidência, mas tem marcas conservadoras por ser muito ligada ao cristianismo.

"No aspecto cultural, são conservadores. O próprio Padre Cícero criticava o comunismo. Então, como uma região dita tão devota, tão católica, vota tanto na esquerda?", questiona Mallmann.

Ele afirma não ver um horizonte imediato de ruptura com o lulismo. Prefere mirar em mudanças no longo prazo e engrossa as fileiras do movimento monárquico do Cariri.

Pragmático, crava seu voto em Flávio Bolsonaro e diz que avalia votar até mesmo em Ciro Gomes para o governo cearense: "Tem que ter alguma mudança."
Por João Pedro Pitombo e Lalo de Almeida, Folhapress

21 agosto, 2026

Turquia emite mandado de prisão contra Netanyahu e aumenta tensão com Israel /Por Victor Lacombe | Folhapress

Foto: Reprodução / Agência Brasil
Com os Estados Unidos de Donald Trump cada vez mais concentrados em uma forma de se retirar do lamaçal da guerra no Irã, os países do Oriente Médio se movimentam para encontrar um lugar no tabuleiro cada vez mais instável da região.

Nesta sexta-feira (21), dois importantes aliados militares de Washington, Turquia e Israel, aumentaram a tensão da crise diplomática que vivem. Ancara emitiu um novo mandado de prisão contra o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e o governo em Tel Aviv reagiu dizendo que agirá contra "as tentativas da Turquia de desestabilizar a região".

Não é a primeira vez que o governo turco, sob comando do autocrata Recep Tayyip Erdogan, pede a prisão de Netanyahu. Em novembro de 2025, a Turquia, país de maioria muçulmana, emitiu mandados de prisão para o primeiro-ministro e outras 36 autoridades israelenses, acusando-as de genocídio na Faixa de Gaza.

Nesta sexta, o mandado se refere às ações das forças de Israel contra a flotilha humanitária que tentou romper o bloqueio naval imposto por Tel Aviv contra Gaza. Netanyahu e membros de seu governo foram acusados dos crimes de lesão corporal, tortura, destruição de propriedade e roubo de bens, além de sequestro de veículos.

O governo de Israel foi amplamente criticado por diversos países, incluindo o Brasil, pelo tratamento dado aos ativistas interceptados em maio desse ano. Houve uma série de denúncias de maus-tratos e tortura a que os participantes da flotilha teriam sofrido sob custódia israelense.

Na época, o ministro israelense da Segurança Nacional, o extremista Itamar Ben-Gvir, publicou um vídeo com os membros da flotilha detidos com as mãos amarradas e a testa apoiada no chão. "Bem-vindos a Israel, é assim que tratamos os apoiadores do terrorismo", dizia a legenda da publicação.

O chanceler israelense, Gideon Saar, acusou Ben-Gvir na ocasião de prejudicar a imagem internacional do país, e Netanyahu disse que "a maneira como Ben-Gvir lidou com eles não está de acordo com os valores e normas de Israel". O governo, entretanto, negou todas as acusações de maus-tratos e disse que a interceptação da flotilha seguiu o que precogniza o direito internacional marítimo.

O ministro da Justiça da Turquia, Akin Gürlek, disse nesta sexta que seu país não aceitará "que o governo Netanyahu seja intocável e isento de responsabilização". "Continuaremos a permanecer firmes ao lado do povo palestino, dos oprimidos e dos valores humanitários. Tomaremos todos os passos necessários para que aqueles que cometem crimes contra a humanidade prestem contas perante a justiça", concluiu Gürlek.

O governo Netanyahu reagiu imediatamente. Em nota, chamou Erdogan de "ditador antissemita" e relembrou as várias prisões de jornalistas e políticos de oposição na Turquia. "Israel continuará a agir de maneira decisiva contra as tentativas [turcas] de desestabilizar a região", diz o comunicado.

No X, a conta oficial do escritório do premiê israelense também publicou um vídeo justificando o ataque que escalou a crise nesta semana. Na terça (18), Israel bombardeou a base aérea de Abu al-Duhur, no noroeste da Síria, afirmando que a Turquia se preparava para enviar um contingente militar à instalação.

Um porta-voz de Netanyahu diz no vídeo que a base atacada fica a menos de 290 quilômetros do território israelense e que poderia representar uma ameaça. "Não permitiremos que a Turquia se entrincheire na Síria e se mova cada vez mais ao sul, na direção de Israel", afirmou, acrescentando que Erdogan é um inimigo do Estado judeu.

A relação bilateral entre os países, cujo território é separado apenas pela Síria, começou a piorar depois dos ataques de 7 de outubro de 2023. O grupo terrorista Hamas, responsável pelos atentados que mataram 1.200 israelenses, conta com apoio diplomático de Erdogan, que, em 2020, recebeu líderes da facção extremista em visita oficial. A ação foi condenada na época por Israel e pelos EUA.

Ao longo da guerra na Faixa de Gaza, em que pelo menos 73 mil palestinos foram mortos em ataques israelenses, Erdogan criticou constantemente as ações de Tel Aviv. O presidente turco falou em genocídio e suspendeu todo o comércio e voos com Israel, mas não tomou o passo de romper formalmente as relações diplomáticas.

A Turquia é um de apenas cinco países no Oriente Médio que reconhecem a existência do Estado de Israel, ao lado de Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, o que tornaria qualquer piora mais severa nas relações extremamente danosa para Tel Aviv.

Soma-se a isso o fato de que a Turquia ocupa uma posição bastante elevada na lista de aliados dos EUA. Ancara é membro da Otan, a aliança militar liderada por Washington, opera mísseis e centenas de aviões de combate de fabricação americana, e é um dos seis países onde o Pentágono armazena armas nucleares. Somente a Alemanha, a Bélgica, a Holanda, a Itália e o Reino Unido também compõem essa lista.

Também por causa da proximidade entre Erdogan e o Hamas, a Turquia, ao lado do Egito e do Qatar —onde vivem hoje os líderes do grupo—, ajudou a negociar o acordo de paz entre Israel e o grupo terrorista chancelado por Trump com a criação do Conselho da Paz.

O progresso dos termos da trégua, entretanto, tem sido lento, e nesta quinta (20) Ancara, Doha e Cairo criticaram Israel por repetidos ataques em Gaza apesar do acordo. "A intensificação dos ataques israelenses mina os esforços internacionais em um momento crítico", disseram os países em nota.

Jerônimo minimiza desembarque da prefeita de Conceição do Jacuípe na oposição: “Ela nunca veio”

O governador e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), minimizou o desembarque da prefeita de Conceição do Jacuípe, Tânia Yoshida (PSD), na base do ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo, ACM Neto (União Brasil). O rompimento com a base governista foi comunicado nas redes sociais da filha da prefeita, Mitsue Yoshida (PDT), candidata a deputada estadual, na última quarta-feira (19).

A decisão ganhou repercussão justamente porque Tânia é filiada ao PSD, maior partido da base de Jerônimo Rodrigues. A mudança de rota, entretanto, não é uma novidade. Em 2022, Yoshida apoiou ACM Neto no primeiro turno e, posteriormente, declarou apoio a Jerônimo no segundo turno.

Em entrevista ao bahia.ba, nesta quinta-feira (20), Jerônimo afirmou que a prefeita já vinha se afastando das orientações do grupo governista e citou votações em que, segundo ele, Tânia não acompanhou a base.

“Olha, a prefeita não votou com a gente três vezes. Então, ela não… Se alguém está fazendo festa, porque ela sabe, ela nunca veio”, afirmou.

Conforme divulgado pelo próprio ACM Neto, as costuras passaram pelas mãos do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (União Brasil), e do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil).

Ao comentar a justificativa apresentada pela prefeita para a mudança, Jerônimo também fez referência à manifestação pública de Tânia, que afirmou manter carinho pelo grupo político do governador apesar de seguir por outro caminho eleitoral. Para o petista, a relação construída na política não precisa necessariamente ser acompanhada de declarações públicas de afeto.

“Nós continuamos amando as pessoas com quem fazemos política, mas não precisa a pessoa se expor desse jeito. Um dia diz que ama, outro dia desama. Então, a vida continua”, alfinetou.

Tânia ainda mencionou sua trajetória política e afirmou que a decisão estaria relacionada aos interesses de Conceição do Jacuípe, diferentemente de sua filha que citou “promessas não cumpridas” como uma das justificativas para a mudança de lado.

Por Carine Andrade, Política Livre

Banco do Brasil anuncia parceria com iFood para ampliar financiamentos no Move Brasil

               BB diz que desembolsou R$ 17,1 milhões em contratos de financiamento
Foto: Giovanni Mobile/BB/Arquivo
O Banco do Brasil anunciou nesta sexta-feira (21) uma parceria com o iFood para ampliar os financiamentos na linha Move Brasil.

O acordo prevê a atuação conjunta das instituições na identificação de entregadores elegíveis ao programa, na integração de informações e na oferta ativa das soluções de financiamento, com ações direcionadas de comunicação e relacionamento.

Em meados de agosto, o BB afirmou que desembolsou R$ 17,1 milhões em contratos na linha Move Brasil Entregadores e Motoapp, iniciada em 27 de julho.

O programa contempla motociclistas e ciclistas que atuam em plataformas de transporte ou entrega há pelo menos seis meses e que tenham realizado, no mínimo, 100 corridas ou entregas pelo iFood.

A linha de crédito possibilita o financiamento de 100% do valor das motocicletas, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas novas, com prazo de pagamento de até 48 meses, incluindo carência de dois meses.

As taxas são de 0,90% ao mês para mulheres e 0,97% ao mês para homens.

Por Paula Arend Laier, Folhapress

Sandro Régis cobra transparência após MPF abrir inquérito sobre licenciamento ambiental da ponte Salvador-Itaparica

Foto: Sandra Travassos/Alba/Arquivo
O deputado estadual Sandro Régis, líder da bancada do União Brasil na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), criticou mais uma vez a maneira como o Governo do PT na Bahia conduz o projeto da Ponte Salvador-Itaparica, após o Ministério Público Federal (MPF) instaurar inquérito para apurar possíveis irregularidades no licenciamento ambiental do empreendimento.

Segundo apuração do site Bahia Notícias, o MPF apura, entre outros pontos, o suposto fracionamento indevido do licenciamento dos canteiros de obras em Salvador, Vera Cruz e Maragogipe, além da conversão da licença ambiental do Estaleiro São Roque do Paraguaçu para uma finalidade diferente da originalmente aprovada.

“É impressionante, ele passaram 20 anos prometendo a ponte e, quando finalmente resolvem fazer alguma coisa, já aparecem erros grosseiros em questões básicas. Um projeto dessa dimensão deveria chegar à execução com o mínimo de planejamento, segurança jurídica e respeito absoluto aos procedimentos legais”, afirmou Sandro.

Para o deputado, a investigação expõe não apenas a ausência completa de planejamento, mas revela também a hipocrisia petista a agenda ambiental. “No discurso eles defendem o meio ambiente, mas na prática fazem exatamente o contrário”, frisou.

Régis disse ainda que a investigação do MPF reforça a necessidade de transparência porque já foram gastos quase R$ 1 bilhão em estudos e projetos, mas a obra definitivamente não saiu do papel. “A Bahia precisa de um governador com competência, como ACM Neto, para tocar os projetos estruturantes do Estado com responsabilidade e zelo com os recursos públicos”, concluiu.

Por Redação

Pedido de Mendonça de acesso total a apurações do INSS irritou governo Lula e PF- Por Gabriela Echenique, Folhapress

Há pouco mais de uma semana, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça determinou à equipe da PF (Polícia Federal) que fica em seu gabinete que tivesse acesso a todas as investigações da corporação envolvendo as fraudes do INSS.

A decisão gerou mal-estar na Polícia Federal e irritou integrantes do governo Lula, em meio aos vazamentos de dados da investigação sobre Fábio Luís, o Lulinha, que tramita sob sigilo.

Advogados envolvidos no caso afirmam que a prática adotada por Mendonça não é comum e pode ser, inclusive, considerada ilegal, já que a investigação é feita pela PF e não pelo juiz do caso.

A Polícia Federal tentou recorrer da decisão. A preocupação era evitar que fossem feridas a institucionalidade e a autonomia da corporação na investigação. Mas segundo relatos de governistas, a AGU (Advocacia-Geral da União) preferiu não se envolver no caso.

Enquanto uns cobraram uma posição mais dura do ministro-chefe do órgão, Jorge Messias, outros dizem que, de fato, não cabia a ele recorrer da decisão do ministro do STF.

Governistas falam que Mendonça está com superpoderes e tem se aproveitado disso para ultrapassar alguns limites. Com o desgaste na campanha eleitoral, a ordem é tentar estancar a crise o mais rápido possível para conter os danos do caso Lulinha na eleição.

Oposição articula nova CPMI para investigar atuação de Lulinha -Por Redação

A oposição intensificou a ofensiva contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e começou a buscar apoio no Congresso para instalar uma nova CPMI dedicada a investigar sua suposta atuação na intermediação de interesses privados junto ao governo federal. O movimento é liderado pelo senador Carlos Viana (PSD-MG), que também pediu ao ministro André Mendonça, do STF, a preservação de provas digitais relacionadas ao caso. A reportagem é da CNN.

A comissão pretende apurar possíveis negociações envolvendo medicamentos à base de canabidiol, a empresária Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Entre os pontos que os oposicionistas querem esclarecer estão eventuais pagamentos ou promessas de vantagens, contatos com autoridades e órgãos públicos e possível uso de relações pessoais para obter acesso privilegiado à estrutura do governo. Para a instalação, são necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores.

Paralelamente, Viana pediu a preservação de arquivos, metadados, imagens forenses e registros relacionados à cadeia de custódia das provas, após relatos de que mensagens atribuídas a Lulinha teriam sido apagadas e posteriormente recuperadas pela Polícia Federal. O filho do presidente é alvo de três inquéritos autorizados pelo STF desde julho, envolvendo suspeitas de favorecimento de empresas em órgãos federais. A defesa nega irregularidades e critica supostos vazamentos seletivos das investigações.

20 agosto, 2026

Lulinha processa Flávio Bolsonaro por vídeo sobre suspeita de desvios no INSS

                             O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, em 2010
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, acionou a Justiça para derrubar um vídeo publicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) que liga o filho do presidente da República às suspeitas de desvio do INSS.

Lulinha afirma que o candidato à Presidência divulgou um vídeo feito por ferramenta de inteligência artificial para "atribuir fato falso, de inequívoca conotação criminosa e finalidade difamatória".

A publicação feita no começo de julho simula Flávio pilotando uma aeronave durante uma missão para localizar o filho de Lula. O vídeo chama Lulinha de "suspeito de ter roubado milhões de idosos no Brasil". Em outro trecho, diz que "o roubo dos velhinhos do INSS não pode ficar impune".

Lulinha pede à Justiça que conceda uma decisão liminar, ou seja, antes do julgamento final do caso, para retirada das publicações feitas nos perfis do senador no X e no Instagram em até 24 horas, e que Flávio não volte a divulgar as imagens.

O empresário também pede que Flávio pague R$ 10 mil por danos morais e para a Justiça reconhecer que houve um "abuso de direito" na divulgação das imagens e no uso da IA "para veicular imputações falsas e difamatórias".

A ação foi protocolada na terça-feira (18), mesma data em que Lulinha abriu processo similar contra outro candidato a presidente, Romeu Zema (Novo), e pede retirada de vídeo produzido por IA que mostra o filho de Lula dentro de uma plantação de maconha e o chama de "Messi da impunidade".

Os dois casos tramitam na Justiça de São Paulo. Na ação contra Zema, o juiz Marcelo Augusto Oliveira negou o pedido inicial para a remoção do vídeo.

"O vídeo impugnado aparenta inserir-se no contexto de sátira e manifestação crítica, não sendo possível concluir, de plano, pela ocorrência de abuso manifesto ou conteúdo evidentemente ilícito, apto a justificar a excepcional remoção imediata do material", afirmou o juiz.

Lulinha é alvo de três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre suspeitas de tráfico de influência. As apurações conduzidas pela Polícia Federal miram negócios envolvendo o filho do presidente da República, a empresária Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS".

Na ação contra o vídeo publicado por Flávio, Lulinha diz que as imagens permitem compreender que a missão é fictícia, mas que não há "qualquer indicação de que também seria falsa a afirmação segundo a qual o autor é suspeito de ter ‘roubado milhões de idosos’".

Lulinha também afirma que é de conhecimento público que ele é filho do presidente da República. Ele argumenta que essa circunstância não o equipara a agente público.

"Ainda que seja pessoa conhecida, o autor não ocupa a posição funcional ou eleitoral que fundamenta a especial amplitude reconhecida pela jurisprudência à crítica dirigida a governantes, agentes públicos e candidatos", diz a ação.

Lulinha também afirma que o vídeo usa a "relação familiar" como um instrumento "para atingir politicamente terceiro".

"Não existe contra o autor investigação, indiciamento, denúncia ou sequer hipótese acusatória de participação nas fraudes praticadas contra beneficiários do INSS. O procedimento em que seu nome foi mencionado possui objeto distinto e não lhe atribui participação nos crimes originários que produziram os valores posteriormente submetidos a investigação", afirma ainda a ação.

Michelle amplia articulação com evangélicos para fortalecer campanha de Flávio-Por Redação

Foto: Reprodução/Arquivo
Michelle Bolsonaro passou a mobilizar sua rede de contatos no meio evangélico em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Segundo O Globo, a ex-primeira-dama tem procurado lideranças de grandes denominações, como Sara Nossa Terra, Assembleia de Deus, Igreja Universal e Comunidade das Nações, utilizando uma rede de relações construída ao longo dos últimos anos. A reportagem é do jornal O Globo.

A estratégia ganhou força após um período de desgaste entre Flávio e parte do eleitorado evangélico, agravado pelos atritos anteriores entre ele e Michelle e por episódios que repercutiram negativamente entre lideranças religiosas. Agora, aliados do candidato avaliam que a atuação da ex-primeira-dama pode ajudar a reconstruir pontes e ampliar o apoio no segmento, especialmente entre mulheres evangélicas.

A movimentação ocorre em um eleitorado considerado relevante para a disputa de 2026. Pesquisa Quaest citada pela reportagem aponta vantagem de Flávio sobre Lula entre os evangélicos tanto no primeiro quanto no segundo turno. Ao mesmo tempo, a campanha de Lula também intensifica sua aproximação com o segmento. Segundo a reportagem, o entorno de Flávio passou a enxergar Michelle não apenas como cabo eleitoral, mas como uma articuladora capaz de utilizar seu capital político próprio para ampliar a rede de apoio ao candidato.

Ministério Público pede ao TSE que barre candidatura de Pablo Marçal e o impeça de participar de debates -Por Renata Galf/Folhapress

Foto: Divulgação/Arquivo
O Ministério Público Eleitoral pediu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta quarta-feira (19) que a candidatura do empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB) à Presidência da República seja indeferida.

Em peça assinada pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, o órgão afirma que a inelegibilidade de Marçal é manifesta, apontando que ele foi condenado pelo TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) no fim do ano passado e que ele não teria demonstrado com provas suficientemente estar filiado ao PRTB no prazo exigido pela legislação.

Com base nisso, o Ministério Público pede inclusive que seja dada uma decisão liminar (de caráter urgente) para que Marçal seja impedido de ter acesso aos fundos públicos de campanha, à propaganda eleitoral gratuita e mesmo de participar de debates.

"O perigo de dano pode ser aferido pela natureza imediata do prejuízo ocasionado com o dispêndio da verba pública específico com o candidato impugnado, a poucos dias do pleito", consta no documento, que afirma haver jurisprudência do TSE de 2022 neste sentido.

"A verba não somente deixaria de ser revertida a bom tempo, como é inequívoco o detrimento que os gastos incabíveis trariam para candidaturas com viabilidade jurídica mínima. Igual premissa é invocável para vetar o acesso do candidato ao espaço do horário eleitoral gratuito, bem como da participação nos demais atos de campanha – inclusive debates."

Apesar de estar inelegível, Marçal foi registrado como candidato à Presidência do PRTB no último sábado (15), data limite para envio dos nomes pelas siglas.

Marçal obteve na ocasião uma liminar da Justiça Eleitoral em Santana de Parnaíba (SP) para se filiar à sigla fora do prazo, que havia vencido em 4 de abril. Ele argumentou que houve uma demora alheia à sua vontade no fornecimento de uma senha para o sistema de filiação partidária.

A partir da publicação oficial dos pedidos de registro de candidatura, abre-se um prazo de cinco dias para que qualquer pedido seja impugnado.

Como o registro de candidatura de Marçal foi para a Presidência da República, o tribunal competente para analisar o pedido é, já de início, o TSE. Foi sorteada como relatora do registro de Marçal a ministra Estela Aranha. Conforme mostrou a Folha, o registro do influenciador tende a ser rejeitado pelos ministros da corte, que veem no pedido do influenciador uma tentativa de tumultuar o processo eleitoral.

Marçal foi condenado no final de 2025 pelo TRE-SP em uma ação relacionada à campanha municipal de 2024, que tratava de uso indevido de meios de comunicação por um "campeonato de cortes" de vídeos promovido pelo empresário entre seus seguidores.

Naquele ano, Marçal disputou a Prefeitura de São Paulo e ficou em terceiro lugar, a apenas 57 mil votos de ir ao segundo turno, tendo obtido 28,1% dos votos válidos.

No último dia 5, por votação unânime, os magistrados do TRE-SP rejeitaram os embargos de declaração de Marçal.

O Ministério Público aponta que, conforme a lei, são inelegíveis, para qualquer cargo, os condenados em decisão proferida por órgão judicial colegiado ou transitada em julgado, e que isso inclui não apenas condenação de abuso de poder como também de uso indevido de meios de comunicação. Acrescentando que o empresário está inelegível até 6 de outubro de 2032.

Além disso, o órgão sustenta ainda que Marçal não preenche sequer o requisito de estar filiado ao partido pelo qual quer concorrer no prazo mínimo de 6 meses, que seria o dia 4 de abril.

Na peça são apontados vídeo em redes sociais, entrevista e reportagens jornalísticas de movimentações sobre articulações políticas posteriores a esta data em que Marçal se identificava como estando filiado ao União Brasil.

"Essa condição jurídica, aliás, encontra amparo em situações fáticas bem delineadas, a indicar que, ainda após o prazo legal de filiação partidária para o pleito (4 de abril de 2026), o impugnado Pablo Marçal identificava-se publicamente como filiado ao partido União Brasil."

A defesa de Marçal alegou no processo que a filiação dele ao PRTB no prazo legal para se candidatar não havia sido realizada em virtude de demora da Justiça Eleitoral no fornecimento de senha para o sistema de filiação partidária.

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